Forgotten Faces
12 My Mind Is A Mess
Notas iniciais
POVJacky.
E lá estávamos nós, correndo desesperadamente pelas ruas em plena madrugada de Seattle. O aeroporto ficava bem afastado do centro, o que de jeito nenhum fora impasse para continuarmos a busca. As luzes dos postes passavam mais rápido que o normal pela janela do carro. Cristina estava no volante, enérgica e entre bruscas freadas e palavrões excessivos, conseguimos chegar a saída principal de Seattle e seguir para a estrada principal. Mesmo escuro era possível ver o contorno das árvores do lado de fora junto à noite clara. A história estava muito confusa na minha cabeça, porém de uma coisa eu tinha plena certeza, eu o amava. E nada mais importava a não ser tê-lo de volta para mim.
Eu posso não ter uma família tradicional com sogros que iriam acolhe-lo como um filho, ou amigos que dariam churrasco todo fim de semana para se confraternizar, muito menos morava em uma casa aconchegante no subúrbio de Washington DC com jardim de frente. Mas eu não precisava disso, nós não precisávamos. Ele é Jimmy “The Rev” Sullivan, morou em lavanderias, foi expulso de dois colégios e nunca passou uma noite sóbrio durante uma festa se quer... Como eu pude pensar que ele se encaixaria em uma vida chata e monótona? A alma daquele ser é pura aventura, falta de senso comum e álcool ninguém nunca mudará isso pois essa combinação vem acompanhada de um grande coração que sempre se abriu para as melhores e piores horas. No final eu apenas fui egoísta e medrosa pensando daquele jeito, deixei que as palavras de Leana me atingissem, fui uma idiota. Agora, eu irei concertar tudo, nem que eu tenha que ir até o inferno atrás dele, irei explicar que o amo, irei contar o envolvimento daquela vadia e então me libertar de todo esse sufoco.
O silêncio foi quebrado por uma estrondosa explosão no capô e muita fumaça começara a sair por toda a parte, tampando totalmente a nossa visão e nos fazendo gritar com o susto. Cristina jogou o carro violentamente contra a barra de ferro que escorava a estrada, na parte em que nos encontrávamos não havia encostamento apenas essas ligas de metal que a cercavam.
- PUTA QUE PARIU! – Cristina gritava enquanto o carro arranhava ainda alguns metros na barra. Me segurei no painel evitando que minha cabeça se chocasse contra o vidro por centímetros, só consegui ouvir o cantar ensurdecedor dos pneus e mais alguns estouros de dentro do carro antes que ele parasse por completo encaixando-se em uma pequena falha da barra.
Estávamos em estado de choque, Cristina olhava arregaladamente para mim e ambas não fazíamos ideia do que havia acabado de acontecer, vi que suas mãos apertavam fortemente o volante, ficando avermelhadas e tensas com todo o movimento. Respiramos calmamente até conseguirmos nos mexer direito. Fui a primeira a dar sinal de vida perguntando em meia-voz:
- Você está bem? Se machucou?
Ela negou com a cabeça e então fechou os olhos relaxando a musculatura e recostando no banco do carro. Levei outro susto quando ela socou fortemente o volante, acionando a busina depois repetindo esse gesto várias vezes como uma criança irritada.
- PORRA, PORRA, PORRA, PORRA... QUE MERDA FOI ESSA?! – ela gritava enquanto socava o volante, seu rosto começava a ganhar uma coloração avermelhada e pude ouvir o ranger de seus dentes de longe. Depois de mais alguns segundos de surto ela abriu a porta e saiu pisando duro até a frente do carro.
Aquela negra fumaça entrou pela abertura da porta fazendo-me tossir e tentando sair do carro também, o problema era que minha porta tinha sido totalmente danificada além de estar prensada sob a barra. Sai então pelo lado do motorista e pude ouvir as coisas absurdas que Cristina gritava para Deus e o mundo enquanto chutava o para-choque do carro.
- Cristina fica calma, a gente não se machucou isso já é um alívio. Vamos ligar para um reboque e um taxi..
- Calma?! Você tem noção do que aconteceu nesse motor? O seguro pode não cobrir essa merda... Olha! Ta tudo travado, alguma besta esqueceu de trocar o óleo na última vistoria....
Revirei os olhos enquanto ela tentava remexer em algo dentro daquele capô, fui até o outro lado da estrada fugindo da quantidade de fumaça que saia daquele estrago, tirei o celular do bolso e tentei ligar para o reboque, porém não havia sinal naquela área. Andei alguns metros para trás, entretanto nenhuma mudança no indicador. Ótimo, estávamos abandonadas no meio da estrada a não sei quanto de distância de um ponto de civilização e pra melhorar não havia ninguém passando por lá nas últimas horas. Guardei o aparelho e voltei para perto de Cristina sentei na rua encostando na lateral prateada do carro. Estávamos fodidas, nunca iria alcança-lo desse jeito.
Abracei meus joelhos e encostei minha cabeça sobre os mesmos. Ouvi Cristina fazendo o mesmo do outro lado e assim ficamos por certo tempo. Imóveis, sentadas apenas esperando um milagre. Esperar... era isso então ? Vim até aqui, perdi todo esse tempo, derramei todas essas lágrimas para desistir sentada no meio de uma estrada qualquer ? Cristina disponibilizou todo seu tempo e força para chegar até aqui por mim, e eu simplesmente aceito a situação. Ela mesma já fez muito mais sobre esse assunto do que eu, agora ela não tem mais no que ajudar, entendo a posição dela, mas tenho vergonha da minha. Apertei meus dedos contra a perna e soquei a cabeça algumas vezes contra o joelho, não ia deixar acabar assim. Eu já desisti tantas vezes dele e me arrependi em todas, me fazendo ver que era impossível por mais que eu tentasse, ficar longe dele.
Não sei como, mas quando vi já estava de pé abrindo a porta do carro e fuçando porta luvas, Cristina ignorou totalmente minha ação continuando inerte. Senti minha mão encostar em algo comprido e roliço fazendo-me sorrir quando identifiquei o objeto. Uma lanterna média de cor avermelhada , logo depois remexendo mais nas tralhas daquele lugar achei o mapa que imprimimos quando viemos para cá. Agora sim tínhamos o que fazer.
- Olha isso – Levei ambos os objetos para Cristina que não demonstrou nenhum interesse eminente. – você sabe me dizer onde estamos no mapa? O nome da estrada, ou simplesmente reconhecer nossa localização? – Cristina sempre foi a motorista quando precisávamos pois tinha a melhor memória sobre localização do que qualquer uma.
Ela analisou o mapa por alguns segundos, depois levou seu dedo para o canto superior direito em uma fina linha vermelha que levava a um avião azul.
- Alguns metros atrás vi uma placa que indicava aproximadamente 3 quilômetros, não devemos estar a pouco mais de dois e meio até o aeroporto.
Sorri e enfiei o mapa no bolço, levantei Cristina e então botei-a dentro do carro.
- Não tem como andarmos até o aeroporto Jacky, não posso abandonar o carro cheio de tralha e documento. Acabou e a essa altura o avião já partiu...
- Cristina, você já fez muito por mim, muito mais do que eu mereço. Agora deixa comigo eu vou dar um jeito nisso. Não temos sinal aqui, vou correr até o aeroporto e lá ligar pras garotas e um reboque. Espera aqui, por favor não sai. É minha vez de ser útil.
Ela se calou e então nos abraçamos. Fui correndo pela estrada apenas olhando para trás tendo certeza de que ela ficara bem lá. O caminho era totalmente deserto e escuro, meu peito estava ofegante, os tênis cinza começavam a me machucar e o único trecho visível era o que a lanterna conseguia iluminar. Estava frio, as folhagens a minha volta se movimentavam revelando alguns barulhos estranhos, mas que eu insistia em ignorar.
Depois de mais ou menos um quilômetro e meio correndo sem parar me recostei em um tronco bem a beira da estrada, estava totalmente suada já não sentia o ar frio de encontro a minha pele. A garganta ardia clamando por um pouco de ar e água. Era difícil reunir forças para me levantar, ainda mais alguém um tanto quanto sedentária como eu. Decidi andar, assim recuperaria um pouco de energia e não gastaria tempo. Por um momento me senti em algum filme clichê de terror, o que me fez rir um pouco. O silêncio era cortado por bater de galhos e o uivar do vento, percebi que reparar em tais coisas só me deixariam mais nervosas então decidi cantar alguma coisa, para a minha desgraça a única música que vinha em minha cabeça era Seize The Day (A última música que ouvi em companhia de Jimmy) Dei de ombros e comecei a murmurar as palavras. Mais ou menos no meio do refrão fui interrompida por um clarão que vinha do outro lado da estrada, um farol para ser mais exata. O carro diminuía sua velocidade cada vez que se aproximava chegando a parar do meu lado, o que me deu certo desespero. O vidro escuro desceu mostrando um senhor com sua esposa que ficaram preocupados ao me ver ofegante e acabada no meio de uma estrada como aquela andando sozinha.
- Você está bem minha filha? Aconteceu alguma coisa? – O homem indagava com sua voz grossa e cansada.
- Hum... Está tudo bem, eu estava viajando com uma amiga e o carro quebrou.
- Nós podemos te dar uma carona se quiser. – A senhora completou debruçando-se para perto do vidro.
- Não se incomodem, na verdade estou indo até o aeroporto conseguir alguma ajuda, é do lado oposto do caminho de vocês...
Eu queria dispensa-los de início, todo e qualquer minuto era crucial no momento e provavelmente esses gentis senhores iriam querer me levar de volta para a cidade. Estava prestes a recusar de vez quando algum ser histérico começou a gritar vindo do banco de trás, pela voz fina eu diria uma garota com sérios problemas intestinais. O vidro de trás se abriu e pude ver a menina, que não devia passar dos 15 anos, cabelos escuros e aparelho nos dentes. Ela sorria encantadoramente para mim e seus olhos expressavam certo brilho que cheguei a ficar medo.
- É ELA MÃE! É ELA OOOOLHA! – A menina apontava para mim e não parava de gritar histericamente. – ELA É DA VANILLA POISON! MEU DEUS! A GENTE ACABOU DE ASSISTIR SEU SHOW, VOCÊ É LINDA, TOCA MUITO BEM, SUA BANDA É MUITO FODA, MEU DEUS EU SOU A MAIOR FÃ DE VOCÊS! ADORO A ELEONORA E A LEXIE, NÃO ACREDITO... NÃO PODE SER VOCÊ...
-Acalme-se Kate, assim você vai espantar a moça! – A mãe parecia tão assustada como eu.
Percebi então que mesmo correndo risco de ser estuprada pela garota, a carona poderia ser benéfica. Correndo eu iria pelo menos demorar mais meia hora e eu mal aguentava andar neste estado.
- A gente tem que ajudar ela mãe! Pai não fica ai parado, dá meia volta! – a menina tirou o cinto e abriu a porta, saltando para fora do carro. Quando a vi em pé percebi a camiseta estampada com nosso logo. – O que você tá esperando? Entra logo! – Ela repuxava os cabelos para trás e gritava para o céu. – NÃO ACREDITOOO A BATERISTA DA VANILLA POISON PERDIDA NA ESTRADA. As meninas vão morrer quando souberem que EU ajudei Jacky Flammer! – Era assustadora a visão que eu tinha, ainda mais com aquela criatura gritando meu nome. Pensei seriamente em sair correndo, mas também lembrei que precisava urgentemente daquela carona.
- Bom, se não for atrapalhar.. – Mal acabei de completar a frase e a garota me agarrou pelo pulso jogando-me para dentro do carro. Ela estava incontrolável, gritava se rebatia e depois que fechou a porta me encarou como um mendigo encara uma marmita depois de três dias sem comer.
- Eu não acredito! Sou tipo... TÃO SUA FÃ! Isso é muita sorte! Se não tivéssemos voltado pra pegar as malas nunca teríamos te encontrado! Acho que foi algo do destino... Sim, Deus quis que eu te encontrasse pra você saber o quanto eu amo a sua banda... – Ela ficou dizendo coisas sem sentido até a metade do percurso, quando sua mãe a repreendeu severamente por me torturar daquele jeito.
- Jacky,Jacky,Jacky... Só me responde mais uma coisa, por favor – A essa altura ela já tinha feito um interrogatório sobre toda a minha vida, dês de quando eu nasci até a cor da minha calcinha favorita. (Sério) Claro, não dei nenhum detalhe de nada fazendo com que ela tivesse que se contentar com respostas vagas e monossilábicas, vai que ela é uma psicopata que tem uma página na internet com toda aminha história e anatomia corporal? – No show a linda Lexie dedicou aquela musica para dois amigos e todo mundo ficou mo-ren-do de curiosidade pra saber quem eram... Tipo, nem as garotas do Vanilla oficial club sabiam, tem noção?! Elas são as donas do website de fãs mais famoso, tem tudo sobre a banda! Mas em fim, conta... Pelo bem da humanidade, nós temos que saber! É algum casal secreto? Amigos ou alguma de vocês?- Eu já estava perdendo a paciência com essa garota, mas logicamente não iria ser grossa.
- Bem é uma longa história... Um mal entendido entre um cara bobo e uma garota idiota.
Ela ficou em silêncio me encarando por alguns segundos, mas suas expressão pensativa logo mudou para surpresa, espanto, afobamento e ....Orgasmo?
- EU NÃO ACREDITO... É VOCÊ! SIM SIM SIM...É VOCÊ! – ela começou a quicar no carro como se tivesse descoberto o segredo do universo.
-N-não, que bobagem... – Senti o calor preencher as extremidades de meu rosto. Como aquela coisinha irritante era tão esperta?
- Vamos lá Jacky, do jeito que você falou praticamente entregou o jogo! Me fala quem é o cara? Você tá apaixonada? Ele é legal ou famoso?
- Kate por favor! Não fique bisbilhotando a vida íntima das pessoas... Quantas vezes vou ter que te falar isso?! Perdoe-nos querida, ela se descontrola fácil quando fica muito... Feliz. – O pai de Kate parecia um tanto quanto desesperado quanto as atitudes da filha.
- tudo bem... Não é nada demais, ele é um amigo de infância que eu reencontrei a pouco tempo.
- Olha lá, estamos chegando à entrada! – A mãe falou anciosa.
Graças ao Bom Deus.
- Nãão! Que viagem curta, não deu nem pra saber metade das coisas que eu queria! – Kate reclamou – Antes de sair Jacky, só uma coisinha, por favor... Tira uma foto comigo? Eu tenho que me recordar desse fato pro resto da minha vida! – Ela sacou a câmera do compartimento lateral da porta e entregou para a mãe.
- Claro, seria um prazer. – Sorri para ela, mais feliz por estar praticamente fora daquele carro.
Ela me agarrou e sorriu boba. A felicidade dela era mais do que vibrante, por um minuto cheguei a entende-la, não é todo dia que você encontra um ídolo seu andando por ai e tem a chance de ter alguma conversa com ele. No fundo estava honrada por ser eu há fazer aquele dia inesquecível para ela. Afinal, a banda era para isso não é? Fazer músicas que despertassem tais sensações nas pessoas.
O carro parou bem na entrada e todos nos despedimos demoradamente. Vi os olhos de Kate se encherem d’água assim que abri a porta, por mais que ela estivesse feliz, nada seria o suficiente. Sorri para ela e tirei minha pulseira de tachinhas com as iniciais “J.F” cravadas no couro preto e estiquei para ela.
- Uma lembrancinha pra você. – Pisquei logo em seguida.
Ela agarrou aquilo com todo o cuidado me dando um abraço desprevenido antes de fechar a porta. Percebi então que todo meu trabalho até hoje tinha algum propósito.
Voltando então a situação principal, corri até a entrada daquele gigante salão apenas avistando milhares de pessoas apressadas e lotadas de bagagens. Crianças corriam de um lado para o outro brincando com os carrinhos bagageiros e quase derrubando duas senhoras na fila do check-in. Fui até o balcão de informação chamando a atenção da mulher atendente.
- Olá, posso ajudar senhorita? – Ela sorriu para mim, cansada. Provavelmente estava lá a muito tempo.
- Olá, eu gostaria de saber os voos para Califórnia...
- Só um momento. – Seus dedos foram até o teclado do pequeno computador a sua frente e lá digitaram com uma velocidade extraordinária. Seus olhos esverdeados percorreram a tela por menos de dois segundos e então ela voltou-se para mim.
- Temos dois voos disponíveis na parte da manhã entre 5:48 e 7:00 horas, e na parte da tarde apenas um entre 16:20 e...
- Não moça, na verdade eu gostaria de saber sobre hoje mesmo...
Ela voltou com seus olhos para a tela, mas apenas balançou a cabeça negativamente.
- Todas as viagens para Califórnia de hoje já decolaram senhorita. O último voo partiu á alguns minutos, sinto muito.
Encarei o balcão por alguns minutos, então assenti com a cabeça agradecendo-a pela atenção. Estava pronta para me virar quando me lembrei de outra coisa.
- Desculpe moça, só mais uma coisa – Tirei o celular do bolço. – Você tem o telefone de algum guincho ou taxi? É que meu carro quebrou aqui perto.
Ela então pegou um pequeno cartão branco e me entregou.
- Este é o do guincho, taxis você pode encontrar na segunda saída, por ali senhorita, há vários deles. – Ela apontou para outra saída um pouco distante da qual eu entrei.
Agradeci novamente e disquei o número do cartão. Um homem atendeu do outro lado então peguei o velho mapa amaçado novamente e dei as coordenadas precisas, depois de resolvido fui até a tal saída e encontrei muitos taxis assim como a mulher havia dito. Entrei no primeiro que avistei e então pedi para que voltasse pelo mesmo caminho afim de encontrar Cristina.
Todo aquele trabalho fora meramente em vão. Se eu tivesse corrido mais rápido, ou me decidido mais rápido. Não interessa, eu simplesmente desperdicei todas as chances que tive de reaver tudo por medo. Agora era tarde demais, impossível fazer qualquer coisa...
Mas... Quantas vezes eu já pensei que algo era impossível e desisti apenas por não parecer fácil? Não, eu tinha que fazer o que estava além de mim, assim como Jimmy fez tantas vezes. Eu devia muito mais do que podia imaginar para ele, e essa era a hora de provar. Tudo isso teve um significado no fundo. Olhei para o relógio no painel do carro que ainda estava estacionado na entrada do aeroporto, eram 3:29 minutos da manhã.
- Senhor, eu tenho uma amigar que está com o carro quebrado exatamente neste local – Entreguei o mapa sinalizando o local em que Cristina se encontrava. – Preciso que você vá até lá e leve-a para Seattle. Eu irei te pagar aqui agora.
Tirei a quantia necessária para a viagem do motorista que assentiu com a cabeça recebendo a missão de bom grado. Sai do carro e fiquei olhando-o até sumir na linha da estrada. Assim que perdi-o de vista corri de volta para o balcão onde a gentil mulher ainda estava brincando com um folheto.
- Eu quero uma passagem para Califórnia.
- Mudou de ideia senhorita, muito bom. – Ela sorriu delicadamente. – E para qual horário seria?
- O mais cedo possível.
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