Notas iniciais
Decidi postar hoje porque no domingo, eu, assim como muitas outras pessoas estarão tentando não morrer de dores, cansaço, tédio, fome, sono entre várias outras coisas que nos acometem durante a prova do Enem. Boa sorte a todos!

POV Steve Rogers

Olho-me no espelho mais uma vez e em seguida encaro o potinho cheio a minha frente. Pai?! E pior, de um adolescente? Será mesmo possível? Talvez Natasha tenha razão e tudo isso não passe de loucura. De qualquer forma, é melhor tiramos qualquer dúvida agora.

Saio do banheiro com passos decididos e vou ao encontro de Tony e Bruce, sendo que esse primeiro estava ali apenas para atormentar nossas vidas.

– Conseguiu? – pergunta. Reviro os olhos e levanto o potinho que Bruce pega sem hesitar. – o que vamos fazer agora? – pergunta ansioso.

– Você eu não sei, mas eu vou preparar as coisas para recolher o material da Natasha e começar o trabalho. – Bruce responde e em seguida começa a pegar alguns instrumentos e preparar uma maca.

– Você não quer minha ajuda Bro? – Tony pergunta, visivelmente incomodado com o fato de estar sendo dispensado.

– Não acho que a agente Romanoff vai querer você aqui durante a coleta. – fala calmamente.

– Eu vou indo. – anuncio já caminhando para fora do laboratório.

– Você não vai esperar a Natasha? – Tony pergunta surpreso.

– Também não acho que ela vai querer me ter por perto agora. – respondo e saio.

Como não tinha muitas opções de locais para o qual pudesse ir, acabo indo parar onde toda essa história começou.

– Espero que isso não seja alcoólico. – falo assim que entro na sala e vejo Hayden com um copo na mão. Tanto ele como Clint me encaram surpresos.

– É pra passar o tempo. – diz naturalmente.

– Quer passar o tempo? Vá ler um livro. – o repreendo e retiro o copo das suas mãos. Hayden reclama, mas apenas ignoro.

– Se ele já te trata assim sem nenhum grau de parentesco, imagine se ele for mesmo seu pai? – Clint comenta, debochado. Olho de soslaio para Hayden, atento a sua reação, mas ele apenas ri em resposta. Será que ele está gostando dessa ideia?

– Eu acho que vocês precisam conversar sendo assim, vou indo. – Clint fala, quebrando o silêncio que havia se instaurado. Levanta-se e vai embora, provavelmente para o seu andar.

Hayden e eu continuamos em silêncio. Eu gostaria de conversar com ele, saber o que está se passando na sua cabeça, ajudá-lo a entender, mas como eu poderia se nem consigo entender o que se passa na minha cabeça?

– Não é o fim do mundo. – ele fala, me tirando dos meus devaneios. – quero dizer, isso tudo é loucura né? Há alguns meses eu e a Natasha estávamos quase nos matando num ringue e agora ela pode ser minha mãe! – ele comenta num tom incrédulo.

– E você conseguiu conquista-la. – afirmo com um sorriso de canto.

– Na verdade, ela só me tolera. – ele repete as palavras da Nat e começamos a rir. – sério, ela faz questão de frisar isso toda vez que entramos no campo sentimental.

– Ela adora você.

– E você também.

– Eu também te adoro ou ela também me adora? – pergunto com o cenho franzido.

– Acho que os dois. – ele dá de ombros.

Continuamos rindo e lembrando as ameaças e coisas pelas quais nós três passamos juntos. Um sentimento de nostalgia toma conta e quando dou por mim, estamos rindo e brincando, imitando gestos e vozes, contando vantagem.

– Mesmo que esse teste dê negativo, eu vou continuar gostando de você e te considerando um pai pra mim. – Hayden fala de repente.

– Então você já me considera seu pai? – ele dá de ombros, pensativo.

– Você sempre agiu como um, embora muitas vezes eu ache que tenha sido inconsciente. Talvez você nem saiba como é agir como um pai e eu admito que também não sei. Mas você é o cara que mais se aproxima dessa figura pra mim. – ele explica e eu fico emocionado. Eu agi como um pai?

– Meu pai morreu quando eu ainda era novo e bom, considerando a minha idade atual, faz muito tempo que eu tive algum contato desse tipo. Então, fico surpreso que você pense isso sobre mim. – ele coloca uma mão no meu ombro.

– Você vai fazer um bom trabalho. – fala num tom tranquilizador.

Agradeço com um aceno e voltamos a ficar em silêncio. Mas não mais um silêncio constrangedor ou incomodo, apenas aquele silêncio no qual você está com uma pessoa importante e apenas a presença dela basta pra você se sentir bem.

Nosso momento de paz é quebrado pelo toque no meu celular, que acaba nos assustando.

– Acho bom você atender. – Hayden fala, apontando para o celular que atendo em seguida.

– Alo? – atendo.

Capitão. É a Hill. Precisamos que venha imediatamente para a Base. – Hill parece nervosa.

– O que aconteceu? – pergunto, e algo dentro de mim se remexe temendo a resposta.

É o soldado. Ele fugiu. – meu coração dá um salto.

– Já estou a caminho. – falo e encerro a ligação.

– O que aconteceu? – Hayden pergunta se pondo de pé. Eu já estava parado no meio da sala sem perceber que havia chegado ali.

– É o Bucky. Ele fugiu. – murmuro.

– Como? – Hayden questiona alarmado.

– Eu não sei. Preciso ir pra base e tentar descobrir...

– Eu vou com você! – anuncia e eu o encaro.

– Não. Você vai ficar aqui e isso não está aberto a discussões. – falo duro, mas ao invés de acatar minha decisão, Hayden se mantem firme.

– Você não é meu líder. Eu não faço parte dos Vingadores, tão pouco trabalho para você. Você não manda em mim. – insiste. Respiro fundo e caminho até ele parando em sua frente.

– Você vai ficar aqui, nem que para isso eu tenha que te trancar naquele quarto. – falo o mais calmo que posso. Ele apenas ri, desdenhoso.

– Eu vou e você não vai me impedir. – que droga! Quando foi que ele ficou tão teimoso?

– Hayden, você fica! Eu sou seu pai e estou mandando! – exclamo irritado. Ele me encara e ficamos assim por alguns segundos.

– Até o resultado daquele exame sair, você não é. – as portas do elevador se abrem e rapidamente chego até ele, entrando.

– Independente do resultado daquele exame, eu vou continuar me importando com você, sendo assim, você fica. – as portas se fecham, e a última coisa que vejo é a determinação presente em seu olhar.

POV Natasha Romanoff

– Terminamos. – Bruce anuncia, me fazendo voltar a realidade. – você está bem? – pergunta me analisando. Apenas concordo com a cabeça e apoio-me nos cotovelos, levantando o tronco.

– Quando o resultado sai? – questiono.

– O mais rápido possível. – responde sem me olhar.

– Quando? – insisto.

– É incerto afirmar. Começarei hoje, mas não é certeza que conseguirei fecundar o ovulo. – explica – de qualquer forma, analisarei o DNA resultante e irei comparar com o do Hayden. Farei o mesmo com o sangue de vocês. – conclui.

– Assim que tiver o resultado, não hesite em me chamar. – ele concorda com a cabeça.

– Se me der licença, preciso começar o trabalho. – ele não espera por resposta e vai até o outro lado do laboratório, com meu material em mãos. Seja o que Deus quiser!

Levanto-me com um pouco de dor e vou até o banheiro, onde troco-me e finalmente saio daquele laboratório. Como não estava a fim de encontrar ninguém no momento, vou direto para meu andar, onde poderei ter um pouco de paz e poderei pensar.

Tomo um banho rápido e visto uma roupa confortável, deito-me e por mais que eu tente não ficar preocupada com o resultado, uma ansiedade começa a me atormentar. “E se garoto for mesmo meu filho?” involuntariamente, começo a listar os prós e os contras de ter um filho.

1° Eu ficaria temporariamente afastada de missões e só a ideia me aflige. O que farei no meu tempo livre? “Você cuidara do seu filho...” uma vozinha me responde. Isso me parece chato e entediante, embora provavelmente o Steve, como um bom pai vá me ajudar.

Tá ai! Ter um filho do Steve não me parece uma ideia tão ruim... poderia ser pior, a criança poderia ser filha do... Tony! Isso sim seria um verdadeiro desastre.

2° Crianças são chatas e dão muito trabalho. Precisam de atenção, cuidado e principalmente carinho. Não sei se conseguiria ser amorosa o bastante para suprir as necessidades de uma criança nesse quesito. Provável que ela cresça se sentindo rejeitada e não desejada... o que não seria uma completa mentira.

3° Ela não seria apenas filha do Steve Rogers e da Natasha Romanoff, seria filha também do Capitão América e da Viúva Negra! Seria um alvo fácil! Alguém com quem eu me preocuparia 24hrs do dia. Eu ficaria vulnerável. Não gosto de vulnerabilidade.

4° Eu teria que me casar? Nunca consegui me imaginar casada e por mais que eu goste do Steve a ideia é um pouco aterrorizante. Construir uma família me parece uma tarefa complicada. Não acho que seja apta para tal missão.

5° Como eu conseguiria conciliar minhas duas vidas? A vida pessoal da Natasha Romanoff e a vida da Viúva Negra? Quem levaria o garoto para a escola e participaria das reuniões de pais quando eu estivesse em uma missão? Não confio em babás e não poderia deixar o moleque sozinho. E se ele ficar doente? Terei que leva-lo ao hospital e ficar ao seu lado até que ele melhore? Odeio hospitais!

Definitivamente não nasci para ser mãe e não posso ter filhos. Não quero e não vou ter filhos. Mas o Hayden já está aqui sua burra! A vozinha novamente interrompe meus pensamentos, me trazendo para uma nova realidade.

Sim. Ele já está aqui e como eu não poderia tê-lo? Como poderia priva-lo de conhecer o pai e principalmente, privar o pai de conhece-lo? E por mais que eu arrume desculpas e objeções para não querer, como eu poderia agora, depois de tê-lo conhecido, me privar de conviver com ele, olha-lo e aprender que mesmo que nem tudo seja perfeito podemos viver momentos perfeitos?

De repente sou atingida por um novo tipo de ansiedade, de aflição. E dentro de mim eu sinto que por mais que eu finja que não, eu quero muito que o resultado seja positivo.

– Qual é?! Você é a Natasha Romanoff! – me repreendo em voz alta, por querer e ao mesmo tempo não querer tais coisas.

Um turbilhão de emoções tomando conta de mim, me fazendo sentir coisas que há muito eu pensei que estivessem enterradas.

– Natasha! Natasha! – alguém grita batendo na porta. Rapidamente levanto-me e vou até ela, a abrindo.

– Ha — Hayden? – gaguejo um pouco, ao vê-lo parado ali na porta, com as bochechas vermelhas e os cabelos caindo sobre os olhos.

– Posso entrar? – pergunta já entrando. Reviro os olhos. – sei que talvez eu não seja a pessoa que você mais queira ver no momento, mas temos problemas maiores para tratar. – ele fala sério.

– O que aconteceu? – pergunto no mesmo tom.

– O Soldado fugiu. – ele fala num tom sombrio. Engulo seco.

– O Steve já sabe? – questiono.

– Já. Ele recebeu uma ligação da Hill e foi direto pra base. Você ainda estava no laboratório então não pude falar com você antes. – esclarece.

– Então é pra base que eu vou. – falo já pegando minhas coisas.

– Eu vou com você. – afirma.

– Não vai não. – devolvo sem nem olha-lo. – você ainda está doente, está afastado de missões por ordens expressas do Capitão e....

– O Steve não manda em mim! – exclama. Paro o que estou fazendo e olho para ele.

– E do Diretor Coulson. – completo. – não aja como uma criança mimada, isso é irritante e desnecessário. – aviso. Ele bufa de irritação.

– Eu consegui prendê-lo da primeira vez e salvei vocês!

– E seremos eternamente gratos a você por isso. Mas no momento, a única coisa que você vai fazer é ser alvo de preocupações. – vou para o banheiro e troco rapidamente de roupa. – você fica e ponto final. Não está aberto há discussões. – saio do quarto e ele me segue até o elevador.

– Natasha, eu preciso, eu sinto que tenho que fazer alguma coisa. – suplica.

– Eu sinto muito Hay... mas a resposta ainda é não. – as portas do elevador se fecham, deixando para trás um Hayden ainda mais vermelho de raiva. – é pro seu bem garoto. – falo para a porta fechada.

Notas finais
Então é isso! Beijos :)