Forgotten

8 Capítulo VIII


Notas iniciais
Boa leitura!

Tawariel caminhava pela vila dos elfos, sentindo o sol da manhã bater sobre seu rosto e pele. Enquanto passava, alguns elfos a cumprimentavam, sorriam ou faziam uma reverência. Alguns dias tinham se passado desde que acordara, e já não era nenhuma novidade; a maioria dos elfos, a essa altura, já sabiam de seu nome e o que acontecera consigo. Podia ver muitos olhares de compaixão que lhe eram direcionados, tal como de curiosidade.

Conhecera alguns elfos por intermédio de Lothriel, que quase sempre andava com ela, sempre fazendo-a companhia e mostrando-lhe partes do reino, como Legolas fizera antes. Mas as vezes a elfa era chamada pelo seu pai, para ajuda-lo com alguns afazeres do reino. Tawariel descobrira que assim como seu pai, Lothriel era uma serva no reino, fazendo afazeres como cuidar do bem-estar de alguns nobres que viviam no palácio. Era cansativo, como Lothriel confidenciara, mas ainda assim era um trabalho que a elfa adorava fazer. Ela disse que adorava cuidar das pessoas.

No fim das contas, quando Lothriel tinha que sair, Tawariel era deixada sozinha, zanzando pelo palácio ou pela vila sem rumo. A maioria das vezes ficava o dia com Huoriel, brincando ou conversando com o animal; se sentia cada dia mais familiarizada com a égua.

Contudo, já estava ficando entediada com a rotina; descobrira que era uma pessoa que não gostava de ficar parada. E que, quando ficava sem fazer nada, acabava ficando pensativa. E seus pensamentos, na maior parte do tempo, acabavam no príncipe daquele reino da Floresta. A ultima vez que o vira fora quando o mesmo a levou para conhecer o reino, e desde então não soubera de nenhuma noticia. Lothriel, apesar de ser sempre perguntada, não sabia muito das noticias de batalha, mas dizia que, se algo ruim tivesse acontecido, já teriam conhecimento. Mesmo assim, Tawariel ainda se sentia preocupada, e com uma vontade imensa de ver o elfo novamente.

Era estranho ter esses sentimentos, sendo que mal o conhecia. Ainda assim se sentia desanimada e triste, pensando no que o elfo fazia, ou se ele estava ferido. Tudo o que mais queria no momento era que o elfo retornasse, e que ele estivesse bem e viesse vê-la com o seu lindo sorriso.

Com esses pensamentos em mente, com a lembrança do brilho do sorriso de Legolas, sentou-se sob a mesma árvore em que tinha se sentado com Legolas, e fechou os olhos. Sentia falta de sua vida antiga, seja lá qual fosse. E aquilo era estranho; como poderia sentir falta, até mesmo um vazio, de algo que não conseguia se lembrar? Era frustrante.

Pensando em sua vida antiga, ainda não tivera nenhuma lembrança, mesmo com o curandeiro que tomou conta de si quando estava desacordada dizendo que era provável que se lembraria. Contudo, ele dissera que o tempo era indeterminado, e que poderia levar de dias até meses, ou até mesmo anos. E a ideia de ficar ali, sozinha naquele reino, sem ter nada para fazer, a deixava inquieta.

Abriu os olhos ao ouvir pessoas conversando perto de si. Olhou para frente, vendo alguns elfos passarem, conversando sobre algo que a interessava. Tinham arcos na mão, e aljavas nas costas, e caminhavam para algum lugar. Franziu a testa. Aquela era a primeira vez que via alguém andar armado pela vila. Geralmente o perigo estava do lado de fora do reino, não dentro. Apenas os guardas do rei andavam com armas, ou as vezes aqueles que voltaram da floresta, depois de uma ronda. Fora esses, ninguém mais.

“Bem, acho que a primeira e a segunda ronda chegam hoje, pelo que o velho Irail me disse. Ao que parece, as aranhas voltaram para os ninhos nojentos delas, mas não sem antes fazerem uma verdadeira bagunça.” Um deles dizia, enquanto o companheiro ouvia.

“Se esse for o caso, é provável que sejamos mandados para a floresta amanhã ou o dia depois de amanhã. Ou, talvez, se Elbereth for boa conosco, apenas semana que vem.”

Viu- os passando e não pode resistir a curiosidade de ir atrás. O que eles fariam e para onde estavam indo? E, mais importante, Legolas voltaria? Pensou. Talvez todas as suas perguntas fossem respondidas, e ainda poderia ser tirada de seu tédio sem fim.

Com isso em mente, se levantou rapidamente, e foi caminhando a passos largos, para não perde-los de vista. Caminhou por um bom tempo, passando pelo lago, pelas plantações de temperos e ervas, até finalmente chegar a uma parte mais afastada da vila. Os elfos pareceram não perceber sua presença, mas tratou de se esconder atrás de uma árvore antes que eles o fizessem.

Examinou o lugar, que era como uma clareira, com troncos de árvores espalhados em várias direções, uns mais perto, outros mais longe. Em um outro canto tinha uma pequena cabana, com a porta aberta para quem quisesse entrar. Contudo, não conseguiu ver o que tinha dentro. Além dos dois elfos, mais três estavam ali, todos com arcos e aljavas, atirando flechas para os troncos de árvores. Aquele era um lugar de treinamento, pensou Tawariel, feliz com a descoberta.

Ficou observando os elfos conversando entre si, mas sobre um outro assunto que não lhe interessava, enquanto atiravam as flechas nos alvos. Eles eram muito bons, e sempre acertavam no lugar certo. Algumas vezes eles paravam e faziam brincadeiras um com o outro, e acabavam tirando risadinhas de Tawariel, que observava tudo com divertimento.

“Olá?” pulou de susto ao ouvir uma voz grave atrás de si. Se virou para trás rapidamente, encontrando um outro elfo. Tinha cabelos loiros, olhos azuis, e um rosto belo, como era de costume para aquele povo. Vestia uma túnica e uma calça, com botas de couro, e também trazia um arco grande marrom, e uma aljava nas costas. Ele sorria, provavelmente por causa da cara que a elfa a sua frente fazia. Tawariel tinha os olhos arregalados, a boca levemente aberta, a respiração descompassada e a mão no peito.

“Sinto muito se te assustei. Não foi minha intenção.” Disse o elfo, ainda sorrindo. Tawariel sentiu a pele esquentar, envergonhada por ter sido pega em sua espionagem. Mordeu o lábio, olhando para baixo, sem saber o que dizer ou fazer. Queria sair correndo dali, e evitar atrair mais atenção para si. O elfo, por sua vez, percebendo que estava constrangida, riu.

“Sou Finglor, a seu dispor.” Ele disse, fazendo uma reverencia. Tawariel o encarou, e finalmente gaguejou seu nome.

“Sou Tawariel.”

“Oh, você é a elfa que encontraram na floresta.” Disse ele surpreso, o que aumentou a vergonha de Tawariel, “É uma honra te conhecer, minha senhora.”

“Igualmente.” Murmurou, sem olha-lo. Ficaram em silêncio por um tempo, antes de Finglor limpar a garganta, fazendo-a olha-lo novamente.

“Você estava observando eles praticando, não é?” Tawariel assentiu, mordendo o lábio novamente. “Sabe usar o arco?”

“Não... bem, na verdade, não sei.” Respondeu, se lembrando de que não sabia nada da sua vida passada, e que talvez soubesse fazer algumas coisas das quais não lembrava. Arco e flecha poderiam ser uma delas; Legolas tinha lhe dito que tinha certa habilidade nas artes da luta. Mas ele não especificou em que área.

“E gostaria de aprender?” Tawariel o encarou surpresa; imaginava que ele fosse a mandar sair dali, pois ali não era lugar para ela.

Pensou por alguns minutos, se deveria ou não aceitar. Finglor virou a cabeça para o lado, esperando sua resposta enquanto a analisava. Ouvira falar da elfa pelo reino, mas não tivera oportunidade de conhece-la. Os rumores diziam que ela era bela, com os cabelos escuros e olhos com o brilho das estrelas. E de fato ela era bela. Até mesmo vermelha de vergonha, como estava.

“Gostaria.” Disse ela, por fim, com um olhar de determinação. Finglor riu, vendo a mudança nela, e assentiu.

“Vamos para o campo de treinamento então. Com essa distancia, até mesmo para mim seria difícil atirar.” E assim foi andando, com Tawariel em seu encalço, tremendo de nervosismo.

Logo que alcançaram o campo de treinamento, os outros elfos os olharam e saudaram. Finglor parecia conhece-los, pois logo a apresentou.

“Meus amigos, essa é Tawariel, a elfa que a floresta deixou viva.” Os elfos a encararam com surpresa, mas depois sorriram. Um deles, que era loiro, parecido com Finglor, se apresentou, dando espaço para os outros fazerem o mesmo.

–x-

“Vire um pouco mais para o lado.” Ouviu Finglor dizer, enquanto ajeitava o seu arco um pouco mais para sua esquerda.

Após chegarem no campo de treinamento, e Tawariel ser apresentada para os cinco elfos que estavam ali antes, sendo eles Amdír e seu irmão Aranel, aqueles que atraíram a sua atenção até o campo; Gelmir, o único além dela com os cabelos escuros, Lómion e Nuinel. Tawariel, que a principio estava tímida, logo se soltou ao perceber que os elfos eram brincalhões e alegres. Eles não lhe fizeram nenhuma pergunta, apenas contaram histórias sobre eles mesmos, aventuras que tiveram, quem era o melhor no arco e flecha, quando iriam em uma ronda novamente. Descobrira que eles eram do terceiro batalhão, e que estavam treinando para irem para a Floresta assim que fossem mandados, pois o primeiro e segundo batalhões de fato estavam voltando. Infelizmente, nenhuma noticia sobre o príncipe fora mencionada, para a tristeza de Tawariel. Contudo, a mesma resolveu esquecer tais pensamentos e se contentar com o fato de que os elfos voltariam, e que todos estavam bem, e as aranhas tinham sido expulsas.

Depois de conversarem, rirem, Finglor resolveu ajudar Tawariel no arco e flecha, já que ela não sabia como usa-los. Apesar de todos ali presentes acharem deveras estranho uma elfa que não sabia usar um arco, não falaram nada. Afinal, ela não era dali. Sua aparência deixava obvio. Não era uma Sindar, como a maioria do povo do reino. Talvez fosse uma Noldor, por causa de seus cabelos e olhos, ou talvez de um dos reinos dos Avari que estavam espalhados pela Terra-média. Só descobririam no dia em que ela recobrasse sua memória.

Finglor lhe dera um arco médio, esverdeado, com pequenas folhas desenhadas na madeira, uma aljava e braçadeiras. O objeto era leve, e fácil de segura, mas Tawariel pegava-o de forma desengonçada. Como se aquela tivesse, de fato, sido sua primeira vez com um arco. Depois de se ajeitar, estava pronta para sua aula. Estava ansiosa, e ao mesmo tempo feliz por estar fazendo algo que a distraísse.

Ficou na posição, e encarava o alvo a sua frente, não muito distante, esperando por mais instruções de Finglor.

“Agora respire fundo, e quando soltar o ar, solte a flecha também.” Fez o que ele pediu, mas falhou miseravelmente. Apesar de seus olhos serem aguçados, a flecha caiu a poucos metros de seu corpo, não chegando nem um pouco perto do alvo, fazendo-a bufar de frustração. Esperava conseguir de primeira. Finglor e os outros riram, o que a deixou ainda mais irritada.

“Não se preocupe, Tawariel. Na minha primeira vez eu errei várias vezes, até acabar cortando o dedo e tendo que ficar alguns dias sem praticar.” Disse Lómion, com um sorriso de canto.

“Pois na minha primeira vez, acertei o alvo na primeira tentativa. E é por isso, minha cara, que sou considerado o melhor arqueiro de todo o reino.” Disse Gelmir, com um sorriso vitorioso, fazendo seus amigos revirarem os olhos e Tawariel sorrir.

“Se alguém for o melhor arqueiro, Gelmir, com certeza não é você. Se lembra daquela vez, na nossa primeira ronda na floresta, em que você errou o tiro no alce e espantou o pobre animal? Ah, voltamos para casa sem nada naquele dia.” Nuinel falou, balançando a cabeça para os lados. Gelmir ficou vermelho de vergonha, e virou a cabeça, cruzando os braços. Tawariel podia jurar que vira o elfo fazendo bico. Finglor revirou os olhos para os amigos, e se voltou para Tawariel.

“Vamos tentar novamente. Dessa vez, relaxe um pouco mais o braço, e firme sua perna direita.”

Fizeram isso até a chegada do meio-dia, quando resolveram parar para almoçar. Tawariel parou contrariada, pois queria continuar praticando. Tinha avançado um pouco, conseguindo acertar a flecha no tronco, mas bem longe do alvo. Estava achando tudo muito divertido e revigorante; no final, estava suada e um pouco vermelha por causa do sol e do esforço físico. Sem vontade, guardou o arco na cabana, onde descobrira que era o arsenal de armas para treino, e seguiu os elfos em direção a vila.

“Amanhã treinaremos nesse mesmo horário, Tawariel.” Disse Finglor, chamando a atenção da elfa. “Se você quiser, será bem vinda.”

Tawariel assentiu, sorrindo. Na vila, cada um foi para um lado diferente, provavelmente para suas próprias casas, enquanto Tawariel seguiu em direção ao palácio. Se despediu dos novos amigos, e foi alegremente para o salão onde comia todos os dias.

Encontrou Lothriel lá, já a esperando, com um leve sorriso no rosto. Contudo, o sorriso foi embora ao ver o estado da elfa. Após algumas horas praticando tiro ao alvo com os outros, Tawariel acabou sujando a barra do vestido de terra, e seus cabelos estavam bagunçados por causa do vento, além de suas mãos também estarem sujas de terra.

“O que aconteceu com você?” perguntou Lothriel, se aproximando dela e levando as mãos até seus cabelos, tentando ajeita-los. “Foi atacada por um urso, por acaso?”

“Hm, eu estava treinando arco e flecha.” Respondeu timidamente, mordendo o lábio. Lothriel a olhou sem acreditar, e suspirou.

“Bom, quando for fazer atividades assim, me avise. Deixarei roupas feitas para isso, pois não se deve usar vestido para treinar. Principalmente um tão belo quanto esse.” A elfa murmurou a ultima frase, enquanto passava as mãos no vestido acinzentado. Tawariel estava surpresa, pois achou que a mesma fosse a repreender por estar treinando.

“Ah!” ela exclamou em frustração. “Você não pode almoçar dessa forma. Venha, vamos para o seu quarto.”

E assim Tawariel saiu arrastada por Lothriel, em direção ao seu quarto. Não pode evitar de rir, vendo a elfa, que geralmente era tão reservada, irritada.

–x-

Quando a noite chegou, Tawariel foi para o seu quarto, pensando em dormir, como sempre fazia, mesmo ainda sendo cedo. Apesar de não se sentir cansada, afinal, com a exceção de treinar com Finglor e os outros, não fizera nada demais, não tinha mais nada para fazer. O reino todo praticamente já se retirava para fazerem suas próprias coisas, e os corredores estavam silenciosos.

Até mesmo Lothriel, que ficara consigo durante todo o dia, após o almoço até a hora da ceia, se despedira com um “até logo” e foi para onde quer que seja que ela morava.

Chegando em seu quarto, não se surpreendeu ao ver uma bacia de madeira cheia de água e um cheiro de ervas e flores impregnado no quarto. Sorriu, sabendo que aquilo tinha sido obra de Lothriel. Quando a elfa fizera aquilo, Tawariel não fazia ideia, pois a mesma estivera consigo o tempo inteiro. Talvez ela fosse magica, ou algo assim. Riu de seu próprio pensamento e se despiu, entrando na água, que já estava fria. Mesmo assim, o efeito relaxante das ervas não tinha se dissipado, e logo Tawariel sentiu os músculos de seu corpo derreterem no contato com a água.

Ficou parada, sentindo o cheiro inebriante das ervas, e novamente começara a pensar no ultimo dono de seus pensamentos. Lembrou-se do que os elfos disseram mais cedo naquele dia, e suas esperanças de logo vê-lo cresceram. Até mesmo sorriu com a perspectiva de poder ouvir sua voz e seu riso novamente. Não sabia ou entendia o que estava sentindo, mas imaginava que era apenas porque gostava do elfo e de sua companhia. Afinal, ele tinha sido o único, depois de Lothriel, que tinha conversado com ela e até mesmo lhe mostrado o reino. Era agradecida a ele por isso.

Ouviu batidas em sua porta, que a tiraram de seus pensamentos, e a fizeram franzir o cenho.

“Tawariel, sou eu, Lothriel.” Ouviu a voz abafada que vinha do outro lado da porta.

“Pode entrar.” Respondeu, e logo a elfa de cabelos loiros entrava em seu quarto, com um sorriso de excitação no rosto. Encarou-a sem entender, esperando pelo motivo dela ter ido até seu quarto, mesmo depois de ter parado de trabalhar.

“Vim te buscar para uma festinha que nós fazemos, lá na vila.” Ela disse, enquanto pegava uma toalha e estendia para Tawariel, que a olhava sem entender. “Espere e verá! Aposto que você já está entendiada por não ter nada para fazer. Viu o vestido que eu trouxe?”

Tawariel achou graça da elfa, que estava sorrindo e com uma animação crescente. Também ficou feliz por ser convidada, novamente, para algo intimo daquele povo. Por isso, saiu da bacia, se secou e colocou o vestido, que só agora vira que estava estendido sobre sua cama. Lothriel realmente era magica.

O vestido era de um verde folha, simples mas bonito. Depois de se vestir, com a ajuda de Lothriel, fez pequenas tranças no cabelo. Assim, saíram pelos corredores do palácio, ambas cheias de excitação.

Ao chegarem na vila, Tawariel percebeu que as casas estavam todas acesas, e algumas pessoas perambulavam pela vila, conversando ou simplesmente aproveitando a luz do luar e das estrelas. Era a primeira vez que ia até ali quando estava de noite, e ficou maravilhada em ver a imensidão escura do céu coroado com uma lua cheia e pintado com várias estrelas, que cobriam toda a sua extensão.

A noite estava agradável, e um vento fresco soprava, para o agrado de todos os moradores. Tawariel seguia Lothriel, que andava mais a sua frente, e viu quando a elfa entrou na floresta que cercava a vila. Também era a primeira vez que entrava na floresta, pois achava que poderia se perder se entrasse. As diversas árvores, todas altas e com troncos grossos, tinham casas sobre elas, e muitas estavam com as lamparinas acesas. Contudo, a floresta estava escura, com apenas as luzes das estrelas para amenizar a escuridão.

Foram andando silenciosamente, por um bom tempo, ouvindo apenas seus pés contra o piso de terra da floresta. Mas, após alguns minutos, Tawariel pode ouvir uma cantoria a distancia, tal como uma luz brilhando em alguma parte da floresta. Lothriel a olhou com um sorriso, e aumentou a velocidade de seus passos, para que chegassem logo no local. Não gostaria de perder nem um segundo da comemoração.

Quando chegaram, ao que Tawariel viu ser uma clareira no meio da floresta, o cheiro de vinho e madeira queimando enchia o local. Tawariel ficou deslumbrada ao ver tantos elfos e elfas dançando, cantando, bebendo e comendo. Mas o que a deixou ainda mais deslumbrada foram os diversos casais em momentos íntimos, em algumas partes da clareira.

Lothriel a puxou pela mão, levando-a até um circulo com alguns elfos, e apresentando-a brevemente.

“Esta é Tawariel.” Ela disse, apontando para a elfa ao seu lado. “Tawariel, estes são: Gulien, Nienel, e, meu amado, Lomnos.” Ela disse apontando para os elfos no circulo. O primeiro era um elfo com cabelos da cor da terra, e olhos escuros, que a olhava com um sorriso alegre e segurava uma taça com algum liquido dentro; a segunda era uma elfa, muito bonita, com os cabelos dourados e olhos claros, que também sorria em sua direção; e o ultimo, o mesmo elfo que Tawariel vira dançando com Lothriel no banquete do rei, e tinha os cabelos escuros, e olhos azuis, e também era muito belo. Ele usava tranças nas laterais da cabeça, tal como Legolas, e a lembrança do elfo fez Tawariel sorrir ainda mais.

“Seja bem-vinda, Tawariel da floresta.” Disse Gulien, com um sorriso galanteador, que logo foi tirado de seu rosto quando Nienel lhe deu um empurrão no ombro.

“É um prazer finalmente te conhecer, minha senhora. Lothriel fala muito de você.” disse Lomnos, fazendo uma breve reverencia, a qual fora respondida por Tawariel.

“Imagino o que ela fala sobre mim.” Disse, encarando Lothriel com um sorriso divertido.

“Apenas coisas boas, eu garanto. Mas o que ela disse, e que deixou a todos nós curiosos, foi sobre o quão bela você era. E vejo que estava certa.” Ele continuou, e Tawariel corou. Deu graças pela escuridão da floresta não permitir que demonstrasse sua face avermelhada.

“Ora, Lomnos, a deixará constrangida.” Disse Lothriel, dando um beliscão no braço de seu amado, que apenas sorriu ainda mais, puxando-a pela mão e abraçando-a. Logo o casal estava imerso em sua própria conversa, e entre beijos e abraços; Nienel e Gulien estavam em uma discussão acirrada sobre algo que Tawariel não conseguiu entender, mas, para a surpresa da elfa, logo se beijaram e foram caminhando para um canto mais reservado.

Se sentindo deixada de lado, mas sem se deixar abater por isso, Tawariel resolveu aproveitar a festa. Afinal, até pouco tempo estava reclamando da falta do que fazer, e agora várias coisas apareceram de repente; como se alguém estivesse ouvindo seus pensamentos e resolvera ajuda-la. Foi até a mesa onde tinha um barril grande com vinho, e derramou um pouco dentro de uma taça, bebericando a bebida e sentindo-a lhe encher de quentura e conforto.

Logo estava dançando com os outros elfos em volta da fogueira, ouvindo-os cantando e rindo, e, mesmo sem saber a letra das canções, cantava junto, seguindo o ritmo. Estava tão absorta na dança, na musica e no vinho, que não percebeu o elfo que a encarava com um sorriso, enquanto bebia uma taça de vinho.

Quando a canção parou, e Tawariel resolveu pegar outra taça com vinho, e talvez comer alguma coisa da mesa com comidas, o elfo aproximou-se, com uma taça já cheia em suas mãos, e uma flor silvestre de cor branca, na outra.

“Obrigada.” Disse Tawariel, sorrindo como uma criança feliz, obviamente com o efeito do forte vinho em seu corpo. Não tinha noção disso, mas se sentia feliz e livre.

“Disponha.” Ele disse, vendo-a beber o vinho, e olha-lo com um sorriso embriagado. “Sou Ithilion, filho de Ithil, a seu dispor, minha senhora.” Ele disse, pegando sua mão e plantando um beijo na palma; o gesto lembrou-a de Legolas, que fizera a mesma coisa no banquete. De repente, ao invés de Ithilion, viu o príncipe do reino, sorrindo para si com os lábios finos e os dentes brilhantes. Quase riu, como se aquilo fosse um sonho maravilhoso.

“Tawariel.” Ela disse, olhando-o com admiração. O elfo a sua frente, não sabendo que, na verdade, ela via outra pessoa em seu lugar, provavelmente pelo efeito do vinho forte que tomara, gostou de ver a reação.

“Minha senhora, estive te observando por um tempo, e devo dizer que nunca vi tal beleza, apenas ouvi falar em contos de outrora. Cabelos escuros como a noite, e olhos da mais bela prata! Lhe peço, por favor, aceite essa flor em representação de minha boa vontade e admiração.” Ele lhe estendeu a flor, e ela pegou, sem entender o que significava, sorrindo ainda mais, com os olhos brilhando como as estrelas sobre suas cabeças. Levou a flor até o nariz, e suspirou ao sentir o cheiro que dela emanava.

“Aceito de bom grado, meu senhor.” Ela respondeu, trazendo a flor mais para perto de seu peito. Sorrindo, o elfo pegou sua mão, e caminhou em direção a algum lugar na floresta. Tawariel, ainda vendo Legolas e não o elfo, sorria encarando os arredores da floresta bem cuidada, ainda segurando a flor.

Finalmente chegaram a um lugar, que era relativamente afastado da clareira, pois as canções podiam ser ouvidas de longe. O elfo se virou para ela, se aproximando perigosamente. Tawariel viu os olhos azuis brilhando escuros, e o sorriso que enchia seu coração de alegria. Sentiu uma mão afagar sua face de um jeito carinhoso, a pele dura contra a sua macia, fazendo-a fechar os olhos, para logo sentir uma respiração contra a sua.

Abriu os olhos, vendo os olhos acinzentados, mais claros do que os seus próprios, encarando-a com uma paixão crescente. A boca, que estivera sobre a sua apenas segundos antes, sorria, mostrando uma fileira de dentes brancos e perfeitamente alinhados. Os cabelos escuros, da cor da mais pura terra, estavam emaranhados entre seus dedos. Era tão belo. Tinha tanto amor e paixão dentro de si. Mas não sabia o porquê, não se sentia da mesma forma. A paixão e o amor não eram correspondidos. Porém, o desejo e a luxúria eram. E por isso, as mãos que estavam entre os cabelos puxaram a sua cabeça, recomeçando um beijo cheio de desejo.

“Minha senhora?” Tawariel piscou algumas vezes, e virou os olhos na direção da pessoa que falava consigo. Era um elfo, mas não era o elfo loiro o qual seguira. Não era Legolas. Este tinha cabelos e olhos escuros, e, apesar de ser um elfo, não tinha a mesma beleza de Legolas.

Era tudo um sonho. Um sonho seguido de uma memória.

Ficou encarando o elfo, e sem saber o que fazer, simplesmente correu. Correu para longe daquele elfo que não conhecia, daquele sonho agridoce e daquela lembrança esquisita. Correu sem olhar para trás, e sem ouvir os gritos chamando o seu nome na escuridão da noite, ecoando pelas árvores. Apenas queria deitar em sua cama e dormir. Dormir e esquecer de tudo o que acontecera.

Notas finais
Olá! Aqui estou eu com mais um capítulo :) Neste, como vocês podem ver, temos mais personagens e mais uma memória. A história finalmente está se desenrolando. Perguntas para o proximo capítulo: Será que Legolas finalmente voltará? E qual será a reação de Tawariel, depois do que aconteceu essa noite? Tcham tcham tcham tchammm! Só no próximo as perguntas serão respondidas, haha. Bem, não temos glossário hoje. E, novamente, gostaria de agradecer a duas flores que comentaram na minha fic, e que continuam lendo haha. Acho que perdi alguns leitores, infelizmente, mas aos que continuam comigo nesta aventura, meu muito obrigada! Eu fico muito feliz em poder escrever e ter minha história apreciada por alguém, ou ler alguém dizendo que está amando. Eu não postaria a fic a base de comentários, nem vou ficar pedindo para ninguém comentar. Comenta quem quer, e se sente a vontade para isso. Ajuda? Sim, e é gratificante também, mas não é tudo. Agradeço também aos que estão acompanhando, de acordo com o site, a fic tem 32 acompanhamentos e 6 favoritamentos. Obrigada a todos! Até a próxima, bjs.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.