Forgotten
8 These Questions
Notas iniciais
Para o meu azar, o dia seguinte começou com um ensaio. Eu já me sentia mais aliviado, claro, por ter tido a coragem de falar com a Christa, mas de qualquer forma, eu ainda estava meio alheio aos ensaios. Mas parecia que eu não era o único. Gerard estava com olheiras profundas e parecia não ter dormido bem.
- Não falem comigo. Só vamos ensaiar, e o mais rápido possível. Pode ser? – Ele mandou, muito mal humorado pro meu gosto.
Ninguém contestou. Apenas pegamos nossos instrumentos e ensaiamos. Ao final do ensaio, Gerard saiu pisando fundo e não falou com ninguém.
- O que será que aconteceu com a princesinha? – perguntou Frank.
- Cara, você não ouviu? – replicou Mikey
- Não! – Frank fez uma cara de espanto.
- Ele discutiu com a Lindsey ontem, pelo telefone. Mas é impossível você não ter ouvido. Ele estava aos berros, no quarto do lado!
- É sério cara, até eu ouvi. – eu comentei.
- Mas enfim. É sobre aquela mesma história das fics.
A discussão seguiu por mais algum tempo. Eu tentei ir até Gerard, mas ele não fez nem questão de abrir a porta pra mim. Então, nem me esforcei muito pra tentar tirá-lo de lá.
Fui para o meu quarto, a fim de tirar um cochilo até a hora da consulta. Por volta das 8:15, acordei, tomei banho e me troquei. Dessa vez, por uma grande sorte, ninguém estava fora do quarto, então pude ir tranqüilo.
Chegando lá, de novo, eu era o único. Não demorou e a Dra. Christa apareceu.
- Olá, Ray, me acompanhe, por favor. – e indicou a mesma porta.
Eu entrei, me deitei, e logo depois, ela entrou.
- Bem, Ray. – ela iniciou no mesmo tom formal de sempre. – Baseada na avaliação que eu fiz ontem, vou fazer algumas perguntas e quero que você me responda. Não precisa ter vergonha, mas se você não quiser responder, não se sinta obrigado.
- Tá certo. – respirei fundo. – pode começar.
- Então, como foi a sua infância?
- A minha infância foi legal. Meus pais eram meio controladores, mas nunca deixaram de fazer o melhor por mim. Eu era uma criança feliz. Sempre tive bastante amigos.
- Certo. – ao mesmo tempo que ela me ouvia, ia fazendo anotações. – e a sua adolescência?
- A minha adolescência foi um pouco mais complicada. Eu sempre fui o feioso da turma. Eles riam da minha cara, mas eu não me importava muito. As meninas fugiam de mim. Nesse caso eu me importava, mas não tanto. Ai, eu conheci o meu colega de banda, o Gerard Way. – tomei fôlego – e nós começamos a pensar em formar a banda. Eu comecei a tocar guitarra, e então, num show de talentos da escola, eu mostrei pra todo mundo do que eu era capaz. E aí que eu comecei a ser feliz. Formamos a banda e eu era feliz, até eu descobrir essas fanfics.
- Até então, você não teve nenhum momento de tristeza?
- Ah, sim. Quando minha primeira namorada me abandonou. Mas isso passou rápido.
- Certo. — Ela olhou para o relógio. – Bem, Ray, nossa sessão acaba por aqui.
- Tá. – eu fixei meu olhar nela. Puxa, como ela era bonita! Eu me levantei, ela se levantou também. Eu ainda estava com o meu olhar fixo nela.
- Aconteceu algo? – ela olhou para a roupa, talvez para ver se estava suja.
- Não... Nada. É só que... Você é muito bonita.
- Obrigada! – ela corou – é... vamos descer?
- Ah, sim, vamos.
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