Forgotten
6 Psychologist
Notas iniciais
Tinha dito para o Mikey ontem no ensaio que estava com dor de cabeça. Acabei ficando mesmo e por isso só fui acordar lá pelas 11 da manhã. Graças a Deus não tinha ensaio, senão eu estaria ferrado.
Esperava encontrar um bilhete em cima da guitarra, avisando de algum passeio que os caras tinham feito, tipo da outra vez, mas não. Também não os encontrei nos quartos. Fui para o restaurante do hotel, como de costume, e lá apareceram as três margaridas. Mikey e Frank estavam na mesma mesa e Gerard, em uma mais afastada. Até então, eu não tinha notado, mas ele estava falando ao celular, e pela expressão dele, a coisa estava tensa.
Eu tentei passar batido pelos dois bobocas, mas Frank, sempre muito atento, me viu.
- Ó grande mestre do Frofro, porque não se junta a mim e Mikey?
Eu olhei na direção da mesa, e fui até lá.
- Tu tá bem dorminhoco ultimamente, né Ray? – observou Mikey.
- É. Talvez eu esteja doente. – eu respondi. – Mas, mudando de assunto... Vocês sabem por que o Gerard está com aquela cara tensa? –apontei com o polegar para onde ele estava sentado.
-Não sei não, cara. Talvez a Lindsey esteja enchendo o saco dele, dando ataque de ciúmes por causa das fãs – Frank disse, e soltou uma risadinha.
- Acho que em breve descobriremos, olha lá, ele tá vindo pra cá. – Disse Mikey, que acompanhava o irmão com o olhar. – Os dois devem ter brigado.
Então, de súbito, nós três tentamos agir como se não estivéssemos prestando atenção no Gerard. Ele se sentou ao meu lado e parecia que estava prestes a explodir. Frank, Mikey e eu nos entreolhamos, na tentativa de descobrir quem iria fazer a pergunta para Gerard. Eu, como era o mais curioso dos três, resolvi me pronunciar:
- E aí Gerard, por que essa cara?
- Ah cara, eu to de saco cheio. – quando ele me respondeu, eu me arrependi amargamente de ter pedido. Eu tive a impressão de que ele queria me matar. – Essa história de fanfic só tá me trazendo problema.
Um longo suspiro de Mikey deixou o clima ainda mais tenso.
- Ih, cara, o que foi dessa vez? – perguntou Frank.
- A Lindsey. Acreditam que ela disse que leu uma dessas fics em que eu e você, Frank, éramos o casal principal? E acreditam que ela teve a capacidade de ter um ataque de ciúmes por causa disso?
- A coisa tá feia hein cara. – eu retruquei.
- Mas isso não é o pior: – ele continuou desesperado – ela ainda teve a petulância de dizer que a culpa era minha. Que eu ficava de agarração com o Frank no palco, e que ela nunca disse, mas tinha ciúmes disso.
- Cara, eu avisei. Vocês se beijaram na frente de sessenta mil pessoas. O que você esperava? Que elas esquecessem no dia seguinte? – eu falei, tentando dar um toque no Gerard.
- Eu vou sair daqui. Essas conversas sobre fics me deixam enjoado. – Mikey mal completou a frase e saiu voando pela porta do restaurante.
- Mas e aí, Gerard? O que mais ela disse? – perguntou Frank.
- Ela disse que se nós não parássemos de dar motivos pra acharem que essa coisa “frerard” existe, ela ia se separar de mim.
- Agora a porra ficou séria – eu berrei, e mais da metade das pessoas que estavam lá me olharam. – Então, cara. Não sei nem o que dizer. Por um lado, a Lyn tem razão né. Vocês dois ficam de viadagem lá em cima do palco e tal. Mas enfim, eu preciso ir agora. Se entendam aí.
Alguém, que me pareceu Gerard, disse algo. Eu ignorei e continuei meu caminho até o quarto. Aquela pequena discussão até me fez esquecer que hoje eu ia ter minha primeira consulta com a Christa.
O dia passou muito rápido, e por volta das oito e meia, saí do hotel. No saguão, encontrei com Frank:
- Tá indo aonde, frofro? – ele pediu, maroto.
- Eu falei ontem cara, to indo ver a minha mãe! – eu respondi, mas eu não sou muito bom com mentiras. – Agora, me dá licença que eu to atrasado.
E dirigi até onde era o consultório. Era em um grande prédio comercial, décimo andar. Entrei na sala de espera, que estava vazia. Não demorou muito até ela aparecer.
- Por favor, senhor Raymond, me acompanhe. – ela indicou uma porta. Eu entrei, e ela me seguiu.
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