Forgotten
18 Let's play your game
Notas iniciais
Fortes emoções estão por vir. Sentem-se confortavelmente em suas cadeiras e prestem atenção no que o nosso ~querido~ Ray Toro tem a dizer.
Amarrei o cadarço do tênis e levantei. Mikey e Frank me viram saindo, mas não falaram nada. Até estranhei. Já estava acostumado com aquelas perguntas que eles sempre faziam e eu nunca respondia, mas tudo bem, melhor assim.
Entrei no consultório, mais pontual impossível e ela estava lá, com a porta aberta, tentando não me olhar nos olhos, ignorando qualquer coisa que tenha acontecido. Ok, vamos jogar o seu jogo, Christa.
- Olá, Raymond.
- Olá, doutora Christa. – ela se surpreendeu com a resposta, mas continuou
- Pode sentar, vamos começar a consulta. Então, como tem sido com as fãs e as fanfics?
- Na verdade, hoje eu não quero falar sobre isso. Tem coisas muito mais importantes me preocupando no momento.
- Sim, é para isso que você está aqui, me fale sobre elas. – falou bem indiferente, com bloco e caneta para anotar o que eu ia falar em seguida.
- Sobre elas não, sobre ela. – ela levantou os olhos, que antes fitavam o papel, para mim – Ela é o grande problema, ou melhor, a grande solução para tudo. Minha vida estava completamente monótona e quando ela apareceu, me devolveu as esperanças.
- Aham... — ela começou a corar, mas abaixou a cabeça para não ser notada, provavelmente
- Eu passava os dias todos esperando dar 9h para vê-la. Ela sempre abria a porta para mim com o sorriso mais lindo do mundo. Ah, sim, ela é linda... – eu estava falando como que por impulso. Aquilo era realmente tudo que eu sentia.
- Raymond, para com isso, nós dois sabemos...
- Espera, ainda tá na hora da minha consulta, me deixa terminar.
- Tá, continua então.
- Como eu estava falando, ela é linda, sabe doutora. Seu olhar é cativante. Ela presta atenção no que eu falo e sempre sabe o que me dizer. Sempre que eu estou perto dela, é como se nada mais importasse, eu me sinto outro Ray. Ela me deixa estranhamente feliz e com as pernas bambas. Você acha que eu estou apaixonado?
- Ray... – ela levantou da cadeira e sentou do meu lado – Você não acha que está confundindo as coisas?
- Eu nunca tive tanta certeza como agora. Toda vez que eu olho para ela, eu sinto que quero tê-la por perto para sempre. Tinha muito medo de conta-la tudo isso, medo dela não sentir o mesmo por mim... Mas eu vou entender se for isso mesmo.
- Ray?
- O que foi?
- Não fala mais nada.
- O meu tempo já acabou? Então, eu continuo amanh... –ela colocou o dedo sobre meus lábios e em seguida me deu um beijo. Eu parei por um minuto para ver se ela estava certa do que estava fazendo. Christa sorriu pra mim confirmando e eu sorri de volta.
Coloquei a mão por volta de sua cintura e a puxei mais para perto de mim no sofá. Ela acariciou meu cabelo e eu continuei com o beijo. Fomos nos esticando aos poucos pelo sofá e chutando as almofadas para fora.
Pode parecer bobo, mas eu estava muito nervoso. Confesso que aquilo que estava acontecendo nunca tinha acontecido antes comigo. Quero dizer, eu já tive uma namorada, mas nós nunca chegamos aquele ponto.
- Espera, Christa. Acho melhor a gente continuar isso depois e não no sofá do seu consultório, não é...? — resolvi
- Ah, haha. Claro. Eu tenho pessoas para atender amanhã aqui, imagina só. Vamos sair daqui, então.
Ela ajeitou o jaleco e eu coloquei minha camisa. Fechou o consultório e descemos o elevador. No portão do prédio, ela me deu mais alguns beijos e nisso, meu celular tocou. Preciso falar quem era?
- Que foi?
- Oi pra você também, Ray.
- Fala logo o que você quer Frank, eu estou ocupado.
- Ah, eu sei que você tá ocupado. – ouvi uns risos no fundo, que pareciam ser de Mikey
- O que você quer dizer com isso?
- Nada. Mas seja o que for, NÃO OLHE PARA O TÁXI ATRÁS DE VOCÊS!
- Táxi? – olhei e mal pude acreditar – Não acredito que vocês me seguiram até aqui! Ai, seus filhos da...
- Calma, Ray. A proposito, vocês demoraram a sair desse prédio, hein... O que vocês tavam fazendo, hm? Hahaha...
- Ray, tá tudo bem? – Christa disse e eu abaixei o telefone por um momento – Acho melhor ir pra casa, a gente se ve amanhã.
- Tudo bem, Christa, amanhã a gente continua. Desculpa por ter atendido o telefone...
- Não, tudo bem. Até amanhã, querido.
Nos beijamos mais uma vez e ela seguiu seu caminho. Desliguei o telefone de uma vez e corri até o bendito táxi. Abri a porta e entrei.
- EU VOU MATAR VOCÊS DOIS!
- Nossa, ele tá nervoso. Será que agora você pode abrir o jogo para a gente? – Mikey falou
- É isso mesmo, ouviu, Raymond. Eu disse que ia descobrir sozinho e te segui até aqui. Se você continuar sem falar nada, da próxima vez, eu entro naquele prédio!
- Não, isso não! Ai, que droga. Ok, quando a gente chegar no hotel eu conto a história toda para vocês... Vocês venceram. – me dei por vencido, deixando escapar uma risada, assim do nada
- Aeee! É muito bom te ver sorrindo de novo, cara.
Fale com o autor