Forgive Me
1 Capítulo único
Ela estava deitada em sua cama, com as luzes apagadas e a porta do quarto fechada; somente a luz da lua iluminava o local.
A tristeza não conseguia ser medida. Ela queria morrer, queria sumir daquele lugar para sempre. Mas não podia.
- Me perdoe... – sussurrava para o nada, entre lágrimas, que transbordavam mais do que nunca de seus olhos.
O ar estava impregnado com o cheiro da bebida que tanto tinha tomado há algumas horas atrás e com o do cigarro, ainda aceso em suas mãos. Era difícil respirar normalmente ali – o que ela achava ótimo, pois queria morrer de qualquer forma. Porque, sem ele, nada mais fazia sentido algum.
Tentou se levantar. A cabeça doía como nunca; estava tonta, por isso tropeçou em uma das garrafas vazias que estava no chão. Segurou-se no móvel da televisão para não cair e não obteve sucesso. Estava agora no chão, do lado das tantas garrafas vazias de bebida alcoólica, com sua cabeça doendo cada vez mais.
Levou o cigarro à boca, deixando a fumaça preencher seus pulmões por inteiro e depois sair. Fechou os olhos, mas se arrependeu logo depois, pois as lembranças de um passado não tão distante – uma semana atrás – já estavam de volta em sua cabeça.
“Eu não devia ter feito isso... Eu sou a pior pessoa do mundo”.
Havia pegado um papel e uma caneta, onde estava escrevendo uma carta para o seu amado.
“Me perdoe, por favor. Eu não sossegarei até você fazer isso. O que eu mais temia aconteceu... Eu nunca quis te magoar. Eu nunca quis te deixar triste por minha causa. Meu coração está doendo como nunca; eu preciso de você aqui comigo”.
Terminou a carta. Apenas dobrou-a e colocou em cima de seu criado-mudo.
- Merda. Ele nunca vai ler isso. Ele não me quer mais, nunca mais vai vir me procurar... Mas, que droga, eu preciso que ele volte para mim! – disse, com a histeria tomando conta do seu ser novamente.
Quebrou as garrafas de bebida, deixando o chão de seu quarto coberto com cacos de vidro. Jogou o cigarro pela janela.
Pegou um dos cacos, deitou-se na cama mais uma vez.
Enquanto sentia aquela dor, lembrava de todos os seus bons momentos com ele. O amor de sua vida, a razão de sua existência, o ar que ela respirava.
A vontade de sumir dali era tamanha que não se importou tanto com a dor.
Ela o amava tanto. Precisava tanto de seu perdão. Não aguentaria mais viver sem ele. Não queria.
Estava perdendo as forças. Virou a cabeça para o lado, sentindo sua cabeça pesar cada vez mais. Sentia o sangue saindo de si e escorrendo pela cama; estava curiosa – o que viria a seguir?
Mal conseguia se mexer. Não tinha força o bastante. Fechou os olhos, sentindo-se distanciar daquele mundo em que vivia. Daquele mundo em que não queria mais viver.
- Eu amo você... – disse suas últimas palavras, que já não passavam mais de um sussurro baixíssimo.
Aconchegou-se na cama uma última vez, deixando-se ser levada dali, caindo em um sono profundo do qual nunca mais acordaria.
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