Forgive & Forget
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Isaro Makitashi
A aula como sempre tinha corrido muito bem, os alunos haviam deixado suas pinturas com inspiração cubista em cima da mesa para secar e assim que todas estivessem prontas, Isa iria expô-las pela escola. Picasso era um dos pintores preferidos da garota e sempre que podia enchia seus alunos de conhecimento sobre ele para que pudessem apreciá-lo tanto quanto ela. O sinal para a ida do recreio bateu, mas Isa tinha essa mania de liberar seus alunos mais cedo, era por esse e muitos outros motivos que seus alunos a adoravam. Isaro ajeitou o jaleco que usava com as cores da escola e assim que se levantou de sua cadeira, sorriu para a pessoa parada em sua porta.
– Vamos, vamos, você prometeu lanchar comigo hoje — Mio sorria e fazia aquela carinha de cachorro perdido com seus olhos castanhos.
– Falando assim até parece que estamos na escola — Isa riu enquanto pegava seu sanduíche na bolsa e caminhava até a porta, seguindo para a sala dos professores com Mio em seguida.
– E nós não estamos? — Mio soltou a piadinha ruim e ambas riram. Encontraram Mayura no caminho, as três sempre foram bem amigas, desde o começo da escola e agora nenhuma vivia sem as fofocas da outra.
– Ei, vocês viram o cara que veio atrás de Tsunade hoje? — Mayura perguntou fazendo as outras duas arquearem as sobrancelhas.
– Uhh, eu não vi, mas ele era bonitão? — Mio perguntou já cheia de interesse.
– Bom, feio não era, mas quase não analisei... acho que é por isso que quero descobrir quem ele é logo.
– E eu acho que vocês três deviam prestar atenção em suas matérias do que na vida da diretora — a voz de Tsunade soou entre elas fazendo-as se virarem.
– Ah, olá senhora Tsunade — Isa riu e acenou de leve.
– Vocês até parecem alunas, andando grudadinhas assim e fofocando, será que vou ter que colocar vocês para assistir aula? — podia não parecer, mas tinha um pouco de humor naquela frase. Tsunade podia parecer uma mulher séria, mas na verdade tinha um ótimo coração.
– Mil perdões, mas a gente não pode fazer nada sobre isso — Mayura se desculpou — Agora, vai, conta para a gente quem era o cara.
– Lá dentro, por favor — ela falou apontando para a porta da sala dos professores, dessa vez com a expressão séria.
Uma dúvida enorme surgiu entre as três e elas logo entraram na sala dos professores onde todos os membros da escola já estavam sentados. As três ocuparam uma mesa e Isa começou a abrir seu sanduíche enquanto observava Tsunade se por à frente de todos.
– Tenho notícias... hoje o banco que coordena o dinheiro da escola veio nos dar más notícias, estamos meio ruim da grana e eu acho que teremos que cortar algumas atividades — ela abaixou a cabeça — eu ainda vou decidir que matérias serão canceladas, mas eu já peço desculpas adiantadas.
Um pensamento terrivelmente pessimista passou pela cabeça de Isaro. Ela tinha certeza de que artes seria uma das matérias dispensadas. Ela suspirou discretamente e olhou para Mio, sua expressão também não era das melhores, música não era a coisa favorita dos alunos. Mayura já estava mais tranquila, literatura era uma coisa obrigatória em todas as universidades do Japão, então com certeza sua aula não iria ser cancelada.
Isaro tentou não produzir expressão alguma enquanto comia seu sanduíche e assim que o sinal para a próxima aula bateu, ela não se levantou, tinha um horário de folga naquele dia. Acenou para Mio e Mayura e ficou ali na sala, brincando com o papel alumínio no qual havia enrolando seu sanduíche, se perguntando o que faria se fosse demitida.
– Está com medo de perder sua aula? — a voz que a assustara mais cedo estava ali novamente.
– Você tem que parar com isso! — ela se virou para encarar Kakashi Hatake, que logo se dirigiu para o banco ao seu lado.
– Me perdoe, mas é inevitável — ele riu enquanto mordia uma maçã verde e prendia sua atenção a seu livro.
– O que está lendo? — Isaro perguntou, não conhecia o livro pelo nome.
– Um livro.
– Ah, sério? Eu quis dizer sobre o que ele se trata.
– Nada demais, sério.
Isaro não sabia se acreditava naquilo ou não, mas decidiu não argumentar, sabia que argumentar com Kakashi era o mesmo que nada, ele tinha essa fama de ser muito teimoso. Deu de ombros e formou um coração com o papel alumínio, se levantando em seguida.
– Acho que vou voltar para a sala, sabe, aproveitar os minutos finais.
– Ei, não diga isso, Isa — ele comentou se levantando também. Ela não sabia como reagir, só suas duas amigas a chamavam assim e Kakashi estava agindo estranho demais — pare e pense, se for para tirar uma matéria daqui, com certeza vai ser a minha, eu tenho poucos alunos e bem... não é uma aula totalmente necessária.
Isaro parou para pensar e viu que ele estava certo, quase ninguém frequentava as aulas de artes marciais, mas Kakashi tinha orgulho e muita vontade de ensinar para os poucos que apareciam nelas. Ela deu de ombros, ainda assim, eles cancelariam mais de uma matéria e isso não a aliviava.
– É, eu não sei, vamos ver — e essa foi sua palavra final. Saiu da sala dos professores e apressou passo, ela ficava sem graça quando o assunto acabava e não tinha mais o que conversar com Kakashi. Entrou na sala e respirou fundo, iria esquecer os cabelos com tom cinza por uns momentos, ela não podia perder o foco do seu dia. Picasso. Picasso.
Mayura Hideaki
Mayura já tinha se ligado que o cara misterioso trabalhava no banco. Estava irritada pois teria que dar aula a tarde toda e não poderia ir até o centro da cidade procurar o tal cara. Queria saber direito tudo o que estava acontecendo ali, ela podia não fazer parte da direção da escola, mas sua curiosidade e vontade de mexer no que era dos outros era maior do que ela podia controlar.
As próximas aulas da manhã passaram lentamente e próximo do almoço ela até pensou em pular o seu próprio almoço para ir até o banco da cidade, mas ia deixar tudo muito óbvio. Pegou sua bolsa e caminhou até a secretaria, iria almoçar fora da escola, precisava esfriar a cabeça sobre isso, porque aquele cara tinha consumido tanto seus pensamentos? Era só um cobrador por deus do céu!
– Meninas, se alguém perguntar, eu fui almoçar por aqui perto e volto logo — ela sorriu para as secretárias, não tinha esse costume de sorrir, mas sabia que isso deixava Hinata feliz e por ter que ficar atrás de um balcão o dia todo e ainda por cima ao lado de Ino, ao menos um sorriso ela precisava. Mayura olhou para os bancos de espera e enxergou um cara com uma pele branca demais, era até meio assustador. Decidiu ignorar, não seria muito bom se fixar em mais de um cara misterioso por dia.
Caminhou pela cidade e encontrou um pequeno restaurante por quilo. Se serviu e logo se sentou à mesa. Começou a comer e teve que parar pois seus olhos foram tomados por uma presença que ela não acreditava estar ali. O tal homem misterioso estava sentado a algumas mesas a sua frente e o garçom parecia estar o bajulando.
– Senhor Kakuzu, é sempre um prazer o ter por aqui — ele continuava a falar coisas e mais coisas, porém o nome era tudo que interessava para Mayura, agora ela podia muito bem usar o Google ou qualquer outra ferramenta de pesquisa que quisesse. Deicidu ignorá-lo o resto do almoço, tinha seu horário para voltar para a escola. Quando o mesmo terminou sua refeição e se levantou da mesa, ela pode dar uma boa olhada em seu rosto e conseguiu notar algumas cicatrizes. Baixou o rosto para que ele não percebesse a atenção e assim que o mesmo partiu ela relaxou na cadeira. Ele era bonito mesmo e aqueles olhos verdes que ele possuía tiravam a atenção de qualquer um que olhasse. Mayura suspirou, agora sim ela queria descobrir quem era o tal cara e bem, quem sabe até descobrir de outros jeitos também.
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