Notas iniciais
Acho que nem adianta mais pedir desculpas, né? ):
Leiam as notas finais.

Capítulo 9

Passamos o restante da tarde passeando pelos monumentos e ruínas da Grécia. Visitamos o Parthenon, na Acrópole e passamos próximos a uma praia em um carro que Dhiren alugara. Ainda me sentia um pouco constrangida em sua presença – nos conhecíamos realmente há o quê, dois ou três meses?

Eu me sentia como uma Randi.

***

À noite havíamos retornado ao avião, e eu não vi nada da viagem – dormi durante todo o percurso. Apenas recordo-me de termos pousado durante a madrugada, pouco antes do amanhecer. Fiquei um pouco confusa com o fuso horário, mas felizmente não demorei a me habituar.

Dhiren me ajudou a com as malas depois de discar um número no celular. Logo um carro cinzento surgiu e buzinou para ele, que acenou e bateu levemente em meu ombro, indicando o veículo. Andamos até ele nos acomodamos no banco traseiro enquanto o motorista arrumava a bagagem no porta-malas.

Dhiren levantou o braço e o colocou sobre meus ombros, me puxando para perto dele. Apoiei minha cabeça na dobra de seu pescoço e o senti brincar com meu cabelo e beijar minha testa. Sorri.

Logo estávamos na estrada, e assim que chegamos – era a mesma casa que sonhara, por sinal -, corri para organizar minhas coisas e tomar um banho. Saí do chuveiro totalmente exausta e joguei-me na cama depois de ligar uma luz noturna, sem me importar por estar usando apenas um roupão branco. Envolvi-me na colcha de minha avó e adormeci instantaneamente.

***

Meus olhos se abrem conforme a luz solar invade o quarto. Bato as pálpebras algumas vezes antes de minha visão voltar ao normal, sendo cortada algumas vezes pelo reflexo de um feixe de luz. Estava quente: o roupão guardava em minha pele como se eu tivesse saído do banho naquele momento.

Levanto-me e desfaço o nó do laço frontal do roupão, abaixando-o em seguida. Naquele momento ouvi um barulho as minhas costas e recoloquei a peça, fechando-a na frente do corpo com as mãos. Virei-me e olhei fixamente para a pessoa sentada e olhando distraidamente para um quadro sobre a mesa de cabeceira.

No primeiro instante pensei que fosse Dhiren por conta da similar aparência, mas os olhos dourados mostraram que eu estava errada. Kishan. Ele notou que eu o havia visto e sorriu.

- Kelsey Hayes, certo?

Seu sotaque era fortemente perceptível, mas não atrapalhava na pronuncia das palavras. Assenti.

Ele estendeu a mão e eu notei uma aliança em seu dedo.

- Sohan Kishan Rajaram – ele se apresentou, piscando.

Eu estava totalmente constrangida. Como ele entrara ali? Por que não esperou? Meu cabelo deveria estar terrível – tal como meu rosto – e eu não ousava abrir a boca para dizer qualquer coisa. E que bela vestimenta, Kelsey!

Percebendo minha situação, ele soltou um sorriso de escárnio e se virou como se me desse um tempo para me organiza – achei isso um pouco indireto, mas corri para o banheiro com as primeiras roupas que encontrei na mala. Me arrumei rapidamente e quando retornei Kishan não estava mais lá, então concluí que ele descera. Fiz o mesmo, dirigindo-me à cozinha.

Kishan e uma garota estavam sentados lado a lado em uma mesa; ela era jovem: talvez um ou dois anos mais velha que eu e possuía o cabelo castanho-escuro, quase negro, e os olhos eram violetas como flores. Reconheci Yesubai, a noiva de Kishan. Ela sorriu quando notou minha presença e acenou para mim. Retribuí seu cumprimento.

Dhiren estava parado em frente ao fogão preparando alguma coisa. Ele se virou quando eu entrei no cômodo e um sorriso surgiu em seus lábios. Desligando o fogo, ele veio em minha direção e murmurou um rouco “bom-dia” para em seguida me beijar. Retribuí, porém um pouco constrangida pela presença de Kishan e Yesubai. Mas quando nos separamos, percebi que eles estavam muito ocupados para prestar atenção em nós. Suspirei, ainda com as mãos apertando os ombros de Dhiren.

- Kells, sente-se – ele disse, puxando uma cadeira. Agradeci e sentei, ficando a frente de Yesubai. A indiana começou a tagarelar em híndi e pegou minhas mãos, segurando-as sobre a mesa. Franzi a testa e Kishan disse algo para ela.

A expressão de Yesubai ficou um pouco surpresa e ela levou uma mão sobre lábios, os olhos violetas se arregalando.

- Ah. Ah, me desculpe – ela disse em inglês. Seu sotaque era audível na pronúncia das letras I e R.* — Sou Yesubai. Você deve ser Kelsey.

Assenti.

- É um prazer conhecê-la – ela disse, sorridente. Enquanto sorria, não pude deixar de notar o quanto ela era bonita.

Eu pensava sobre os dizeres de Dhiren e Kishan no meu sonho, onde eles normalmente descreviam-na maravilhosamente linda e eu achara um exagero – mas agora eu vi o quanto estava errada. Ela era a perfeita definição de beleza, algo incomum, do tipo que eu nunca vira em ninguém. Olhando para ela é fácil imaginar o porquê de os irmãos haviam brigado em minha mente por sua mão.

Não sei exatamente o motivo, mas fiquei momentaneamente irritada. Ciúmes sempre foi uma característica minha, porém eu sempre consegui esconder isso – mas vendo Yesubai assim não é fácil.

Dhiren sentou-se ao meu lado e colocou alguns pratos na mesa. Experimentei grande parte, porém evitei os alimentos que me pareciam meio apimentados.

Mais tarde estávamos passeando pela Índia, apenas eu e Dhiren em um carro preto. Passamos em ruas movimentadas e desertas, monumentos e avenidas. Era tarde quando ele disse que me levaria a um lugar especial. Fiquei um pouco desconfiada, mas o sentimento sumiu quando avistei as luzes em contraste com o tom do anoitecer.

Um templo de Durga.

Saí do carro os tropeços, ainda chocada: não imaginei que ele voltaria a falar sobre o sonho tão cedo. Dhiren pegou minha mão e guiou-me até a entrada onde encontrou um conhecido. Deixei-os conversando e dirigi-me à ala onde me lembrava estar a estátua de Durga.

Assim que encontrei sua seção, entrei e notei que havia apenas uma mulher indiana segurando uma filmadora na direção da estátua. A escultura tinha quase dois metros de altura e sua coloração era cinzenta-clara com alguns detalhes estrategicamente dourados. A imagem mostrava Durga sobre seu tigre, os oito braços segurando firmemente as armas que possuía.

- É linda, não é? – a mulher disse abruptamente, em inglês. Não olhei para ela de imediato, mas vi pelo canto do olho a luz vermelha da câmera apontar para mim. Olhei-a e a moça soltou uma exclamação. – Oh, desculpe! Pensei que fosse meu irmão. Vou ter que cortar o vídeo...

Quando ela baixou a filmadora, quase desmaiei de surpresa e medo. A mulher notou que eu a observava e sorriu.

- Você é americana? Já estive nos Estados Unidos uma vez. Meu nome é Kali, muito prazer.

Kali é um dos nomes de Durga.

- Kelsey Hayes – eu finalmente digo, quase soluçando. Olho de Kali para a estátua e então para a mulher viva novamente. Como ela não percebe que ambas são idênticas?

Ela desliga a câmera e olha para mim, sorrindo.

- Estou fazendo uma pesquisa sobre deuses e deusas hinduístas. Essa semana é de Durga, eu gosto dela. E adoro essa escultura.

- Eu também. – concordei enquanto Kali continuava a falar sobre seu trabalho que era, basicamente, uma matéria para uma revista americana falando sobre as culturas indianas. A missão dela fora a mitologia, então começara pelos deuses. Sua voz era cativante, tal como a deusa e Anamika foram em meu sonho.

Algum tempo depois, Dhiren entrou na sala e arregalou os olhos a visão de Kali, que sorriu docemente para ele – sem segundas intenções, pelo que pude ver. Assim que se apresentaram, outro homem entrou na sala segurando também uma filmadora. Kali o viu e chamou-o.

- Ah, Sunil, venha aqui!

Engasguei e quase caí para trás, mas Dhiren me segurou. Como pudera conhecer quatro pessoas de um sonho no mesmo dia? Não, não... Isso é impossível. Talvez se me beliscar uma vez acorde durante o sonho no qual os meninos eram príncipes ou simplesmente retorne ao zero novamente, talvez até mesmo antes de conhecer o tigre. Meu Deus; estou enlouquecendo!

Sunil, como Kali, era idêntico ao que eu sonhara. Ele nos olhou, desconfiado, antes de ir conversar com a irmã. Enquanto o fazia, puxei Dhiren para um canto e comecei a falar:

- O que diabos está acontecendo? Você sabe que isso é impossível, completamente improvável. Tem alguma coisa errada.

- Eu diria algumas, mas concordo. Se eles existem, então talvez...

- Phet! – eu exclamo em uma voz alta, o que atrai olhares de um casal de irmãos em nossa direção.

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*Me desculpe, em inglês, seria I'm sorry, o que explica a colocação do sotaque.

Inspiração de duas novas personagens:

Kali — http://bit.ly/VRjR4s

Yesubai — http://bit.ly/12Bc26Z (exceto pelos olhos, é claro — e sim, é a mesma atriz acima; mas as personagens foram inspiradas nas fotos)

Estátua de Durga: http://bit.ly/XYIziW (em tamanho maior, porém — e um tigre no lugar do leão).

Notas finais
Entãaaaaao meus queridos, obrigada por lerem e não desistirem da minha história - venho passado por uns probleminhas e não estou com tanto tempo para escrever. Enfim.
O aviso que vou dar é sobre a minha outra fic - lembram que eu falei que ia fazer outra? Então, eu irei, porém não sobre Tiger's Dream: está mais para algo relacionado ao Kishan. Como sempre, spoilers.
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