Notas iniciais
Vão me matar por esse capítulo, já estou até vendo. T-T escutem essa música enquanto leem: http://www.youtube.com/watch?v=eALX-jZeUnI ;
Ah, o que acharam da nova capa?
Boa notícia: estou de férias agora, o que me dá mais tempo para escrever o/

Me lembro apenas de ter corrido. Corrido muito. Não havia vento algum, porém a velocidade na qual eu estava, podia sentir meu cabelo se mexer levemente e formar alguns nós e uma brisa fria no rosto. Ouvia passos apressados às minhas costas e algumas vozes gritando meu nome, mas não parei. Tinha um único destino, e não iria parar até chegar lá.

Levei menos de um minuto para atravessar o circo e chegar aonde estava a jaula de Ren. Entrei e caí e joelhos a sua frente, observando o tigre branco.

Ren se encontrava deitado acima das patas, parecendo que cairia para o lado a qualquer momento. Seus olhos estavam fechados, e eu observei que a comida que eu havia lhe deixado antes de ir ouvir o comunicado de Maurizio estava intocada, porém seu recipiente de água estava completamente vazio. Percebendo que ele lambia os lábios frequentemente, reuni forças para levanta e enchi seu pote com água novamente. Quando o recoloquei na jaula, o tigre abriu um olho e bebeu o líquido ferosmente. Respirei fundo ao perceber que sua íris estava de um tom azul opaco, sem vida... Diferente de quando o conheci.

Não demorou muito para Dhiren, Maurizio e o Sr. Davis aparecerem, me encontrando sentada em frente à jaula do tigre com os olhos cheios de lágrimas. Entendi o motivo do olhar de preocupação de Dhiren mais cedo.

O Sr. Davis foi o primeiro a se aproximar, examinado ligeiramente os olhos, pêlos e as patas de Ren. Maurizio e Dhiren vieram em seguida, o segundo se abaixando ao meu lado.

- Andrew — chamou Maurizio, com um misto de seriedade e preocupação. — O que há?

Sr. Davis suspirou.

- Precisaremos de um veterinário especializado — ele disse, sem retirar os olhos de Ren. — Não consegui identificar o que ele tem; parece ser algo interno.

- Vou providenciar isso — Dhiren disse e eu senti certa afeição por ele, de repente. Ele tirou um papel do bolso e o entegou a Maurizio. Achei melhor não questionar.

Pouco tempo depois, os três retornaram às suas respectivas tendas, Dhiren demorando-se um pouco ali, observando ora a mim, ora ao tigre. Eu não sairia dali tão cedo; queria ficar atenta aos movimentos de Ren e sair correndo caso precisasse.

O tigre branco dormia silenciosamente, o corpo apoiado em seu lado direito e a boa mostrando ligeiramente suas presas. De vez em quando ele suspirava, e eu o olhava atentamente quando o fazia.

Não adormeci naquela noite. Quando cochilava, despertava com sons que existiam apenas em minha mente — gritos, trovões, explosões... Minha vida se tornara um pesadelo, mas deste eu não podia acordar.

* * *

No dia seguinte, o tal veterinário apareceu. Não tive tempo de vê-lo, na verdade; estava ocupada arrumando algumas cadeiras para a apresentação do dia, porém Sr. Davis me disse que ele estava apenas com alguns problemas não muito graves e cansado. Apesar disso, senti que ele estava omitindo alguma coisa.

Passei o restante do dia com Ren, frequentemente falando com ele ou acariciando suas orelhas. Abri sua jaula para colocar mais água e ele se aproximou. Hesitei. Ren parou a minha frente, se esfregando em minhas pernas. Meus olhos novamente se encheram de lágrimas e eu me abaixei, deixando o medo de lado e envolvi seu pescoço com os braços, libertando, enfim, todas as lágrimas que havia segurado até então.

- Eu estou aqui — murmurei dentre soluços. — Sempre estarei aqui.

Ren pareceu entender o que quis dizer porque ouvi emitir um som. Ele parecia ronronar.

Soltei-o depois de um tempo, completamente abalada e triste. Ren retornou à sua jaula e coloquei-lhe a água e comida, como uma tentativa de fazê-lo comer algo. Sr. Davis apareceu.

- Olá, Kelsey. Vejo que ele está comendo agora.

Sim, ele estava. Era bem menos do que o habitual, sendo que ele deixara metade da comida no recipiente, porém já era um grande avanço. O Sr. Davis tirou uma embalagem do bolso e abriu-a, revelando uma seringa na qual ele colocou uma agulha na ponta.

Arregalei os olhos para aquilo.

- O que é isso? — perguntei, lutando para manter a voz firme.

Ele deve ter percebido meu desespero e apressou-se em dizer:

- Oh, Kelsey, não quis te assustar. Desculpe. Isto é apenas um remédio para ajudá-lo com o cansaço. Caso ele se anime, ficará mais fácil de tratar o resto.

Perguntei-me se o remédio era algum tipo de droga alucinógena, mas permaneci quieta. O Sr. Davis aplicou a injeção em Ren, que não esboçou reação alguma.

- Sr. Davis — chamei -, este medicamento é seguro?

- Extremamente — ele afirmou enquanto realizava o processo de descartar a seringa. Suspirei, aliviada, porém este alívio se esvaiu quando Ren parecia prestes a adormecer. Questionei Sr. Davis. — É um efeito colateral, não se preocupe. Amanhã ele vai estar bem novamente.

Assenti, pensativa.

* * *

À noite, Dhiren apareceu antes da apresentação e sentou ao meu lado em uma cadeira nos fundos da tenda. Olhei para ele.

- Obrigada. — murmurei.

Dhiren sorriu.

- Não foi nada. Aquele tigre ainda tem muito pela frente.

Eu ri, sem saber exatamente o por quê. Porém meus pensamentos mudaram repentinamente e eu fiquei triste. Primeiro foram meus pais, depois aquele sonho que me destruía por dentro — e eu já tinha esquecido grande parte dele -, e agora... Não. Eu não deixaria aquilo acontecer. Ren não iria morrer; eu dera minha vida por ele dezenas de vezes em meu sonho — pelo menos o que eu me lembrava — e agora não seria diferente.

Percebendo que minha expressão se alterara, Dhiren pareceu desconcertado e passou um braço sobre meus ombros, me dando um meio-abraço. Não pude evitar sorrir, pensando nas milhares de vezes em que aquilo acontecera em meu sonho.

Notas finais
NÃO ME MATEM! Foi só uma pequena tortura, o.k.? Isso vai ajudar demais a história. Ficou curto, mas prometo fazer capítulos maiores a partir de agora.
Vão se animar agora: http://www.youtube.com/watch?v=7Z0qK1RvzI0 :D