Forget you is inevitable...
1 Winter Surprise
Notas iniciais
Winter Surprise...
Era inverno, o inverno mais triste que eu poderia passar. Estava sem meu namorado, minha grande paixão da vida inteira. Seria o pior porque eu passaria todo o inverno sem ele. Acho que nunca me senti tão triste e abalada esse tempo todo. Como uma pessoa pode me fazer ficar assim? Chorando o inverno inteiro? Talvez porque ele realmente deixou uma marca em mim, uma marca chamada paixão.
Essa marca dói. Ha como dói. Acho que você não sabe o quanto é ruim sofrer por amor. Eu estava no meu quarto, pensando em um milhão de motivos para não ter deixado ele ir embora daqui. Não devia ter deixado, devia ter insistido, tentando, agora nunca mais vou saber o que aconteceria se eu tivesse insistido para ele ficar.
Talvez eu não o amasse o bastante para desejar que ele realmente ficasse, talvez eu não gostava tanto assim dele quanto eu pensava.
Mas logo retirei esse pensamento bobo, porque eu estava sofrendo com tudo isso, e pensei que se eu não o amasse de verdade, eu não estaria sofrendo tanto com uma coisa tão boba. Sou capaz de aguentar um dia no máximo sem vê-lo, mas o inverno inteiro? Não, assim seria um castigo.
Está sendo um castigo, está sendo o pior castigo de todos ter que aguentar o inverno sem a presença dele.
Olhando a neve caindo da janela, decidi sair, de pijama mesmo, até a rua. Fui na calçada, afundando em pensamentos ruins. Às vezes eu queria tirar minha negatividade excessiva, mas nas vezes em que tentei, não obtive sucesso, tento ao máximo afastar os maus pensamentos, mas não consigo na maioria das vezes.
Nessa vez as perguntar dançavam na minha mente, uma dança da saudade. Onde ele está? Por que não ficou? Por que não o impedi de ir? Por que fui tão covarde? Por que? Por que? Por que?
Eu estava cansada de tantas perguntas, cansada do mundo, cansada de viver. Pra que viver, se não for com ele sempre do meu lado. Me ajudando a levantar e cuidando de mim cada vez que eu me machucar com alguém.
Sempre me juguei fraca, sei que não sou a única no mundo, mas me julgo a mais fraca de todas nesse mundo idiota. Choro por qualquer coisa, se alguém me deixa eu choro, se caio choro, choro por tudo, estou cansada de chorar, de sofrer, de viver.
Sei que a vida vale muito para muitos, mas para mim não vale mais nada além de vazio. Sim. Estava tudo vazio. Naquele lugar eu só poderia ouvir minha respiração.
A rua estava deserta, talvez porque as famílias estavam reunidas em suas casas com todo mundo, jantando e festejando, já eu...estava sozinha em casa, não tinha nada que festejar, estava abandonada nessa cidade, sem amigos, sem alguém que me amasse, sozinha.
E nessa rua eu gritei, gritei bem alto.
– A culpa é toda minha!
Enfiei minhas mãos já geladas na neve, na neve gelada e branca, minhas mãos sangravam, meu corpo paralisava, e as lágrimas que caiam congelavam antes de chegar ao chão. Via minhas mãos congelarem, meu sangue congelar, e minhas mãos sangrarem mais ainda.
Retirei minhas mãos da neve afogadora e olhei para o céu, vi muitas estrelas, mas a primeira que vi denominei ser só minha.
– Estrela, já que és a única me ouvindo, me faz um favor. Me mata.
Desejei isso com todas as minhas forças como se já não me bastasse nada além de lágrimas, mas sim, bastavam.
– Não peça isso a estrela querida, ela não fará isso, porque eu preciso de você.
Olhei para trás, mal pude acreditar nos meus olhos, era uma visão ou uma ilusão por eu estar chorando demais e sonhando demais? Era...ele, era finalmente ele. Ali na frente estava a certeza que eu teria a melhor vida de todas.
Que eu seria a pessoa mais feliz nesse mundo inteiro. Vi aqueles olhos brilharem e penetrarem os meus, como meses atrás, quando ele foi embora. Pegou minhas mãos e me abraçou, como aquele abraço me esquentava, e ele falava com uma calma tão grande, que me acalmava também, eu chorava de felicidade, finalmente ele limpou minhas lágrimas e me beijou, fez aquilo que eu queria que ele fizesse.
Meu amor me beijou, depois de tantos anos esperando eu pude finalmente receber minha recompensa, um beijo da pessoa que eu mais amo e sempre amarei em toda essa terra.
– Vamos para dentro. Temo que te esquentar.
Disse meu amor, me levou para dentro, troquei minhas roupas e vesti outras bem quentes. Depois de receber mais milhões de abraços naquela noite, fomos finalmente festejar. Ele preparou uma comida maravilhosa, puxou a cadeira para que eu sentasse na mesa. Foi um cavalheiro, como sempre tinha sido, depois beijou minha mão e sentou em minha frente, jantar à luz de velas, o sonho de toda garota-mulher.
– Minha garota, não sabe o quanto senti saudade. – Ele sorriu.
Pude ver seus dentes extremamente brancos e bonitos sorrirem para mim, aqueles olhos lindos que me encantavam a cada olhar me observaram mais uma vez, me dando uma certeza de que nunca mais seria deixada para trás novamente.
– Acho que não sentiu mais que eu. – Eu disse, também sorrindo.
O olhei nos olhos e ouvi suas piadas que nunca deixaram de ser engraçadas, na verdade, acho que ficam mais engraçadas com o tempo, e mesmo que não estejam tão engraçadas não importa, ria delas, porque estou feliz, porque o tenho aqui de novo. E esse motivo é o mais puro para se rir de uma coisa que não faz o menor sentido.
Depois do nosso jantar romântico caseiro, fomos para fora de casa, na pracinha, onde tinha um lago congelado bem na nossa frente, as luzes da cidade iluminavam nossos rostos e nossos corações, a medida em que chegávamos mais e mais perto do presente tão distante.
– Você me ama mesmo? – Ele perguntou, fiquei indignada com a pergunta e bem surpresa, como ele poderia duvidar disso?
– Claro que amo, morreria por você, sabe disso, já que foi testemunha disso hoje.
Eu falei com o maior tom de singeleza possível, ele por sua vez sorriu, um sorriso doce e sincero de pura felicidade. Passou a ponta de cada um dos dedos nos meus lábios e no meu rosto, foi nos aproximando cada vez mais e por fim aconteceu.
Um beijo enfim!
Um beijo, um grande e apaixonado beijo, sentia nossas respirações cada vez mais ofegantes, mas levei um tapa na cara da realidade, precisávamos de ar para respirar ainda. Depois de nos afastamos rimos divertidamente juntos, deitei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos, logo depois os abri, para ter certeza de que não era um sonho, mas não era.
Como eu esperava tudo continuava lá, eu, ele e a cidade. Tudo. Ainda bem.
Aquele sem dúvida foi o melhor dia da minha vida, pela volta dele, por eu ter aprendido a ser forte, por eu ter aprendido que o amor mesmo com distancia atravessa realmente grandes barreiras. Antes eu pensava que amor não passava de uma coisa besta, que só nos machuca, mas agora sei, que o amor é mais que isso. Muito mais que isso.
E aqui os deixo, com uma mensagem...
“Nunca deixem de amar, nunca...”
Assinado: A pessoa mais feliz desse mundo...
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