Forevermore
2 Capítulo II
Ao abrir seus olhos dourados, já era dia e estava no seu apartamento. Como eu voltei para cá? Questionava-se mentalmente, porém, ao se levantar do sofá sentiu frio e dor nas costas. Ele estava pelado. A questão era: com quem ele tinha dormido mesmo?
— Ah, você finalmente acordou. — disse uma voz conhecida saindo da cozinha e ao olhar quem era, viu Oz e congelou. — Não, eu não dormi com você e pare de ter pensamentos homoeróticos comigo, seu pedófilo pervertido!
— Você lê mentes, por um acaso? Como sabia o que eu ia perguntar? — ficara com medo do quanto Oz era perspicaz.
— Vista alguma coisa antes! — disse num tom alto, segurando a risada e jogando o pano de prato que estava secando as suas mãos no rosto de Gilbert.
— Eu não sou pedófilo! — disse, enquanto via Oz voltando rindo para a cozinha. — Você tem quase dezoito anos nessa sua cara e ainda me chama de pedófilo? — ele vestia suas roupas que estavam no chão.
— Ainda faltam três dias para o meu aniversário, então, ainda só de menor sim. De qualquer forma, você se divertiu mesmo ontem, hein? — sua voz estava carregada de malicia.
— Fudanshi. — falou Gilbert adentrando a cozinha e logo pegando uma xícara já com o café dentro.
— Não sou fudanshi! — Oz corou olhando Gilbert ao seu lado que ria.
— Eu sei que não. — sorriu e bagunçou os cabelos do loiro. — Mas me diga com quem eu estava noite passada?
— Eu sabia, você não se lembra.
— Você vai me dizer quem é?
— Não.
— Cruel. — fez bico.
— O problema não é meu, se você tem sangue fraco para o álcool, mas tenho certeza que você vai se lembrar dele quando o ver. — falou pegando sua mochila que estava em cima da mesa.
— Você fala como se eu fosse encontrá-lo. — estreito o olhar para Oz, como se esperasse que ele dissesse quem era ele.
— Você vai e também está atrasado para o seu primeiro dia de trabalho. — disse o loiro indiferente, ainda estava irritado por ontem.
— Mas hoje é sábado.
— Mesmo assim, os professores tem reunião hoje e você será apresentado aos seus colegas hoje, lembra, cabeça de alga marinha estúpido? — disse Alice aparecendo com apenas o roupão na cozinha de Gilbert e logo pegando um prato, colocando o bacon nele que tinha na frigideira.
— O que você está fazendo aqui? — Gilbert questionou Alice.
— Eu a convidei para dormir aqui. — falou Oz colocando a mochila nas costas.
— Espero que vocês não tenham feito nada no meu quarto. — bufou Gilbert irritado só pela presença do “coelho”.
— Não fizemos nada que você não tenha feito no sofá ontem à noite, quando entramos aqui e, você e sua companhia nem perceberam. — Alice disse sentando-se a mesa.
Gilbert corou só de imaginar a cena, nem queria saber o quanto os dois tinham visto.
— Eu não assisti tudo, Alice ficou até o final, eu fui dormir. — comentou Oz.
O loiro realmente conhecia Gilbert, não eram necessárias palavras e o moreno corou mais ainda.
— Culpe o meu lado fujoshi. — ela dizia com a boca cheia de bacon só para deixar Gilbert mais constrangido.
Ele resolveu sair dali, pegou a chave do carro e desapareceu. Adentrou o veículo, ainda com as bochechas ardendo e ligou. Rumando ao seu emprego.
— Isso foi tão cruel com ele. — disse Oz aleatoriamente.
— Ele supera. — comentou Alice olhando Oz que também a olhava.
— Eu estou indo para casa, aqui está à chave. — disse colocando a chave do apartamento em cima da mesa. — Feche tudo quando for sair e... Até mais.
— Até.
ღ
Gilbert caminhava a passos fundos para a sala dos professores, já conhecia o lugar, Oz estudava aqui e ele estudou aqui, nada havia mudado, talvez um pouco. Tinha se esquecido completamente da reunião de apresentação, porém, ao adentrar a sala, imediatamente recuperou sua “perda” de memória da noite passada quando viu que quem era o pedagogo do colégio de seu amigo. Claro, tinha que ser meu “chefe”.
— Ah, Gilbert-sensei. — ele disse sorridente.
— Você... — antes que Gilbert pudesse continuar, sentiu alguém lhe cutucando as costas e ao se virar, viu uma mulher de seios fartos e cabelo rosado longo.
— Você está bloqueando a passagem... Com licença. — ela disse com uma cara de sono e bocejou assim que Gilbert dera espaço para ela entrar, nem reparou que estava parado na frente da porta.
— Desculpe. — falou.
— Ah, sem problemas. — ela se sentou de qualquer jeito em uma das cadeiras que tinham ao redor da mesa redonda. — Você é um demônio, me fazendo trabalhar em pleno sábado de verão. — ela disse irritada e dirigindo um olhar fulminante para o homem de cabelos prateados.
— Oras, Charlotte, seja fofa e faça seu trabalho. — retrucara colocando pilhas e mais pilhas de papel em cima da mesa.
— Maldito palhaço. — Charlotte rangeu os dentes e começou a ler a papelada com uma careta irritada.
Gilbert permanecia calado, olhando os dois, eles pareciam ser bem próximos, se tratavam como irmãos, pelo menos, era o que o moreno pensava.
— Gilbert-sensei, você pode ajudar a Charlotte-sensei e novamente seja bem vindo. — disse o albino e saiu da sala, Gilbert apenas o acompanhou sair com o olhar.
— Sensei o cacete! — gritou Charlotte.
— Hei... — Charlotte olhou Gilbert, que a olhava também. — Quem é ele?
— Xerxes Break, o pedagogo daqui. Tenho pena das crianças que pedem o auxilio dele. — respondeu e comentou.
— Ah, merda. — disse sentando-se em uma das cadeiras, ficando de frente para Lottie e escondendo o rosto com as mãos.
— O que aconteceu? — perguntou curiosa.
— Eu dormi com ele. — respondeu abafado pelas mãos, mas Lottie ouvira claramente e quase caiu da cadeira.
— O QUÊ? — gritou alto demais.
— Sh! — Gilbert disse, pedindo silencio, agora sem as mãos no rosto.
— Desculpa, mas eu não acredito que um novato como você tenha pego um filho da puta do bem feito o Break. — Gilbert corou. — Ou será que ele pegou você, hein? — ela sorriu maliciosa, o que o fez corar mais ainda, na verdade queria se esconder num buraco agora. — Então, quem é o passivo da história? — ela realmente queria saber os detalhes.
— Sua fujoshi.
— Fujoshi o cacete! Nós não estamos no Japão, você e Break se merecem por gostarem dessas coisas!
— Na verdade, é a namorada de um amigo meu que gosta disso, digamos que convivência faz coisas extraordinárias.
— Entendo, mas de qualquer forma, esqueça o Break, você só o teve uma vez e assim será para sempre. — ela disse meio triste e voltando sua atenção a papelada.
— Professora Charlotte, você gosta do Break? — perguntou curioso.
— Me chame de Lottie, Gilbert, certo?
— Aham.
— E não. — ela o olha. — Eu o odeio e mesmo se não odiasse, nós não daríamos certo.
— Por quê?
— Porque ele não tem peitos.
— Peitos? — ele não entendera e ela suspirou.
— Eu e você estamos no mesmo barco.
— Você gosta de mulheres?
— Tanto quanto você gosta de homens.
— Entendi.
— Agora me ajude, porque quero ir pra casa logo. — referiu-se a papelada.
— Claro.
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