Forever and ever
1 One shot
Notas iniciais
Ps: todos os personagens saíram da minha mente brilhante -qqq
Quando nossos lábios se selaram em um beijo com gosto de amor e remédio, foi como se todos os nossos medos, problemas e segredos se esvaíssem como a gélida brisa de fim de julho. E eu me senti realmente livre. Como se minha alma se desprendesse de meu corpo e se misturasse ao adorável aroma que emanava de seus cabelos negros. Aquela seria a melhor coisa que eu sentiria na vida. Nem que vivesse milhares delas.
Mas acho melhor eu explicar todo meu percurso até aqui. Meu nome dever ser uma boa maneira de começar.
Bom, meu nome é Júlia, mas todos me chamam de Ju. Saiba que com “todos” me refiro à família e a meu único amigo e confidente: Pietro. O resto das pessoas meio que nunca me chamaram a atenção. Sempre foram pessoas tão comuns, seguindo suas vidas sem motivo aparente, sendo levadas pela falsa esperança de uma vida melhor. Não sei se entende o que eu digo, às vezes é necessário se estar face a face com a morte para melhor se entender a vida. Mas acho que esse não é nosso ponto.
Ah, um fato que pode te interessar sobre mim: eu estou morrendo.
A doença é algo desnecessário de se dizer, já que não interferirá em minha história.
Não ter muitos amigos sempre foi uma questão de escolha pra mim. Não me sinto confortável tendo muitas pessoas à minha volta. Mas se existe alguém com o qual eu sempre me senti assim, esse alguém é Pietro, que esteve comigo desde que posso me lembrar e não passou a me olhar permanentemente com aqueles olhos “Coitada, ela está morrendo” após meu diagnóstico.
Nossa vida seguiu em frente. Nossas brincadeiras e cumplicidades permaneceram inabaladas.
Me lembro de um dia que passei com ele que foi um dos melhores de minha vida. Era tarde de outono. Estávamos correndo pelo campo, rindo, como se crianças de novo, até que esbarramo-nos. Quando nossos olhos se encontraram, pude sentir a Terra desacelerar, meu coração bater descompassado, minhas pupilas dilatarem-se e meu peito se encher de algo que eu nem mais me lembrava: esperança.
Jamais saberei o quanto aquele instante durou. Pelo que sei, pode ter durado segundos, o resto da tarde, ou até mesmo da vida. E foi naquele momento que um fogo diferente se acendeu no olhar daquele garoto que agora parecia algo mais que meu melhor amigo.
Mas como a vida sabe muito bem ser injusta, no dia seguinte, eu morreria por fim.
Estamos na escola, quando a vida fica em câmera lenta e o chão vem lentamente ao meu encontro.
Quando acordo, estou deitada em uma maca, num quarto branco e frio de hospital. Ouço vozes ao longe. São meus pais. Há mais alguém. Pietro. Cada vez que eu acordo, há um rosto diferente pairando choroso sobre mim.
Na última vez em que experimento a consciência, vejo Pietro com seus olhos azuis profundos inundados de água, assim como o oceano a me sussurrar "Não morra, Ju. Eu te amo. Não me deixe. Por favor". Eu quero respondê-lo. Prometer que tudo ficará bem. Mas simplesmente não posso mentir para ele. Então apenas toco seu rosto.
É nesse momento que voltamos ao início de minha história.
Quando nos desprendemos daquele beijo, toda aquela calma é substituída por uma dor lancinante que chegara como uma enorme onda a afogar-me. E pude sentir o resto de meu sopro de vida deixar-me enquanto eu tinha um último vislumbre da vida na forma do rosto de um garoto. O único que fui capaz de amar.
Agora, vazio.
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