Forever and Ever - Revisando

1 Capítulo – I The First Cut Is The Deepest


Notas iniciais
Ei gente! Outra respostagem minha segunda fic sobre TVD(eu acho) Essa diferente das outras se passa em um universo alternativo. Não existe nada de sobrenatural como vampiros e bruxas. É baseada na primeira série de adolescentes que assisti, Dawsons Creek

CAROLINE

Nós crescemos juntos numa pequena cidade onde todo mundo conhecia todo mundo. Corríamos pelas ruas de mãos dadas, subíamos no salgueiro velho no bosque, nadávamos pelados na cachoeira. Juramos ser amigos para sempre. Escrevemos nossas iniciais num salgueiro velho perto de casa e prometemos nunca nós separar.

Passávamos horas enfurnados em seu quarto conversando ou assistindo filmes antigos esquecendo-nos do tempo e dormindo juntos. Ninguém nunca achou estranho. Afinal aos olhos de todos e dele mesmo eu era a amiga, quase sua irmã.

E por alguns anos nenhum conflito existia naquele mundo maravilhoso chamado infância.

Mas não muito tempo depois tudo mudou. As brincadeiras e piadas mudaram lentamente. As conversas não eram sobre filmes e coisa do tipo. Ele entrou no time de futebol por insistência de seu pai que odiava seu jeito quieto e seu interesse em livros que como ele dizia; era pura perda de tempo.

Foi depois de sua entrada no time que o mundo que ela conhecia e amava mudou. Seu melhor amigo não passava todo o tempo com ela, ela não era mais o assunto principal em sua vida. E sim, Katherine Pierce.

A linda cheeleder que roubou o coração e sanidade de seu melhor amigo. Que passou a falar somente dela e de qual maravilhosa, linda e divertida ela era. Ele a filmava a todo momento com sua câmera e fazia milhares de filmes de super 8 com sua musa protagonizando todos eles. Naquela época ainda não entendia o sentimento que me fazia querer correr sempre que ele a tocava, sempre que caminhavam de mãos dadas ou aquele outro extremo que a fazia desejar arrancar fio por fio de seu cabelo.

Estava com os pés no lago tacando pedrinhas na água. Quando ele chegou correndo com seu irmão caçoando dele, por ela ter dito na frente de todos que ficou com ele por pena. E naquela noite depois de muito tempo, dormi ao seu lado. Aquela foi a primeira noite que ele chorou por ela, ela descobriu não muito depois que seria apenas a primeira de muitas.

Eu tinha dezesseis anos quando me olhei no espelho diversas vezes naquele dia, com um vestido acinturado amarelo. Coloquei minha jaqueta jeans velha e me admirei no espelho. Sai correndo quando me dei conta da hora que era. Minha tia Molly me parou olhando para mim de cima baixo.

— Hein mocinha

— O que foi Molly? Eu estou atrasada.

— Eu sei, mas precisa de mais uma coisinha antes de ir

— Ah é? O que é então.

Molly tirou do bolso um batom rosa, não muito forte e passou nos meus lábios. E tirou o elástico que prendia meu cabelo. Eu sorri correndo pela estrada fora. Aquele dia seria o primeiro dia no 3 graus. Eu tinha ótimas notas, estava no clube da pintura e jornal. Minha vida acadêmica era impecável. Mas já há social deixava muito a desejar como Molly adorava ressaltar. Sempre dizendo que deveria me divertir mais e não resumir meu tempo aos estudos. Respirei fundo e mesmo sendo uma superstição boba que eu e Stefan iniciamos no primeiro ano do colegial, entrei com pé direito. Ainda desejava que assim como todos os anos, ele estivesse ao meu lado.

Me apressei para chegar a meu armário tendo certa dificuldade em conseguir abrir aquele maldito cadeado. Katherine como sempre já vestia seu traje de líder de torcida, mascava um chiclete e tinha todos seus clones apostas para enaltecer seu ego. Enquanto pegava meu livro no armário, escutei como sempre ela falando mal de mim. Ela cruzou os braços e encostou em seu armário, franzindo a testa me olhando de cima a baixo.

— Olha quem está querendo se socializar este ano Bonnie.

Katherine andou em volta de mim, mascando um chiclete como uma prostituta. Apertei os livros em minha mão. Olhei para Bonnie que estava seria, ela era única no grupo de macacas seguidoras de Katherine que parecia desaprovar muitas coisas que ela fazia, mas nunca dizia nada a respeito. Preferi ignorá-la como sempre fazia, rebatê-la sempre piorava as coisas, andei rápido pelo corredor, não tinha medo de Kath, longe disso. Porém detestava conflitos desnecessários.

Estava com minha atenção voltada para meu horário daquele ano, quando ele entrou pelo corredor. Desde as férias de verão eu não tinha o visto, nem mesmo sabia que ele estava de volta. Stefan entrou pelo corredor. Com uma camiseta cinza, que mostrava com eficiência os músculos que havia adquirido. Seu cabelo num topete perfeito. Todas no corredor até mesmo Katherine pareciam hipnotizadas por ele.

— Uau Damon o que seu irmãozinho fez nesse verão – inquiriu Katherine mordiscando o lábio, com olhos fixos em Stefan Damon forçou um sorriso e olhou sério para o irmão.

Fiquei paralisada, olhando para ele. A medida que ele se aproximava, podia sentir meu coração tamborilar no peito. Minhas mãos estavam suadas e trêmulas, tive que fazer um grande esforço para segurar o livro. Quando ele parou a poucos centímetros de mim, com as mão no bolso e um sorriso que roubou meu folego.

— Então não vai me dar um abraço?

Não consegui esboçar reação alguma além de abrir a boca para tentar dizer algo, mas ele me cortou me abraçando com força e me girando no ar.

— Para Stefan, tem gente olhando! – o reprendi extremamente corada, ele sorriu me dando um beijo demorado no rosto.

— Eu estava com saudades da minha melhor amiga, tenho direito de abraçá-la e de beijá-la depois de longo dois meses de separação – explicou ele, voltando a puxar-me pela cintura e estalando um beijo em meu rosto.

Prendi a respiração quando ele se afastou. Seus olhos verdes se encontraram com os meus e mergulhei neles com suas mão ainda envolta de minha cintura. Estávamos tão próximos que podia sentir seu cheiro e não fosse tão constrangedor e estranho eu iria abraçá-lo de novo apenas poder sentir seu perfume, com sorte ele se impregnaria a mim. Desviei meus olhos do dele, tentando me libertar da atração que ele exercia sobre mim. Olhei-o de cima abaixo e me arrependi. Minha boca levemente escancarada enquanto admirava qual bom ele ficava naquela calça jeans escura.

— Você está tão diferente.

— De um jeito ruim, ou de um jeito bom? – inquiriu ele com sorriso convencido.

— De um jeito diferente – Ele fez beicinho quando me neguei a elogiá-lo como quase todas as garotas pareciam fazer aquela altura. Ele pegou minha mão e assim como olhou-me de cima abaixo.

— Pelo visto não fui só eu – Stefan pegou em minha mão me girando – Como você está bonita Caroline – respirei fundo, sem conseguir encará-lo, lhe dei um tapinha no ombro.

— Diz isso porque é meu amigo – retruquei olhando para o horário tentando não notar as dezenas de olhos sobre nós.

— Não senhorita, digo isso porque tenho olhos – Stefan se apressou ficando ao meu lado, ele tirou o horário de minhas mãos.

— Teremos só três aulas juntos – choramingou com uma careta de descontentamento, dei ombros em resposta.

— Não faça drama, sou sua vizinha esqueceu? – Stefan sorriu

— Sim mas na escola e diferente. Precisamos nos unir e ficar juntos – ele entrelaçou os dedos com meus.

E por um segundo me esqueci como se respira, fiquei com olhos presos em nossas mãos unidas ele parecia ter a mesma reação que eu, embora parecendo estar se divertindo as minhas custas.

— Oi cunhadinho – Kath se aproximou de nós me fazendo desprender nossas mãos, estava de braços dados com Damon

— Olá irmão, não sabia que tinha voltado – Stefan e Damon trocaram olhares não muito amigáveis, enquanto eu e Katherine fazíamos o mesmo. Senti o corpo de Stefan se retrair a medida que ela se aproximava mais.

— Saberia se ficasse em casa – Stefan retrucou puxando minha mão e lhe dando as costas.

— Hein cunhadinho não mereço ao menos um oi da sua parte? – ele suspirou apertando mais minha mão para que eu fosse rápido.

Ele sentou em minha frente sem dizer mais nada. Fiquei observando-o por um tempo. Stefan tinha me contado que tinha acontecido algo com ele durante o tempo que esteve fora. Me perguntei qual seria o grande drama da vez, torci para que motivo entre a hostilidade entre ele Damon não fosse mais Katherine, afinal já fazia quase dois anos que ela escolheu Damon. Mas tensão entre o trio deixava mais que claro que ele ainda pensava nela.

Flashback on

Há três anos, Katherine parecia ter olhado finalmente para Stefan. Eu sentia vontade de correr e chorar quando os via juntos. Ela sempre procurava beijá-lo quando eu estava por perto, sempre procurava mantê-lo o mais distante possível de mim. Depois de muito insistir para que passássemos um tempo juntos, fazer nossa tarde de filmes e Stefan furar comigo pois tinham “coisas” mais interessantes a fazer com Katherine. Decidi não correr mais atrás dele, mesmo tendo sido difícil como inferno. Ele era meu único amigo no fim das contas, mas isso não parecia ser tão importante para ele. Desci do salgueiro estúpido, depois de horas olhando para casa dele decidindo voltar para casa.

Estava quase em casa quando lembrei-me que esqueci meu boné a beira do lago e quando voltei escutei risadinhas que me soavam muito familiar. Me escondi atrás da árvore e com cuidado inclinei minha cabeça para outro lado e o que encontrei me deixou paralisada.

Katherine e Damon estava no lago, muito à vontade uns com outros, se beijando. Fiquei tão atordoada sem saber o que fazer que acabei tropeçando no tronco estúpido da árvore tentando ir sem ser vista. Damon se desprendeu dos braços de polvo de Katherine e quando me notou ali parecia em pânico. Saiu correndo atrás de mim tentando explicar sua situação.

— Espera Care, eu posso explicar…

— Explicar o que? Que está dando uns amasso na namorada do seu irmão – continuei andando sem conseguir olhar para aquela cara dele, mas ele segurou meu braço com força.

— Quando começamos a ficar, eu não sabia que ela e Stefan estavam juntos.

— Como é? Seu irmão e louco por ela desde… Sempre. Como pode dizer com essa cara de pau que não sabia?

— Caroline eu também sempre fui apaixonado por ela – afirmou ele exaltado – Eu não queria machucá-lo, ele meu irmão. Mas eu a amo também. Eu não sabia que ela estava com ele…

— Está bem, mas agora sabe. Então dê um jeito nisso! Ela é uma vagabunda que esta brincando com vocês dois, será que não percebe?

Damon ficou quieto, podia ver o choque em seu rosto. Mas depois de um minuto ele se recompôs sorrindo se aproximando de mim, acariciando meu rosto com as mão molhadas.

— Não Care, ela me ama. E a mim que ela sempre amou. Não é o Stefan.

Me afastei adortada dele que mantinha um olhar meio louco, olhando para Katherine por cima do ombro. Sai correndo para casa dele e entrei pela janela. Stefan estava olhando o vídeo que ele tinha feito dela. Ele estava sorrindo debilmente para TV.

— Stefan eu preciso falar com você – Stefan não pareceu me notar – E muito importante… E sobre a Katherine.

Ele desviou os olhos da TV, olhando pra mim suspirando desanimado.

— Okay Caroline. O que vai ser dessa vez? Eu sei que você não aprova ela, mas ela é minha namorada. Tem que aceitar isso.

Ele despejou aquelas palavras deixando claro que não dava a mínima para o que eu pensava, ou o que tinha a dizer.
Eu não consegui dizer mas nada. Lembro-me que fiquei duas semanas o ignorando. O que o magoou profundamente, ele ia quase todas as noites para minha casa e tacava pedras em minha janela.

— Caroline desce e vai falar com esse garoto agora! – Molly reprendeu-me cansada– Essas malditas pedrinhas e gritaria dele não me deixam dormir.

Mas eu não cedi, abri a janela de má vontade.

— Vá em bora Stefan.

— Care por favor desa aqui, ou me deixe subir até ai.

— NÃO! Aqui você não entra. Vá pra casa da Katherine ou para inferno se preferir – gritei fechando a minha janela, ainda pude observá-lo por alguns minutos pela fresta da minha janela, sua expressão desolada se afastando.

O namoro que ele pensou ser épico durou mais uma semana até que Katherine terminou com ele numa festa. Eu estava no lago quando ele chegou despedaçado com Damon no calcanhar zombando dele.

— Cala boca Damon – Stefan grunhiu empurrando Damon, eu corri ficando entre os dois

— Ela disse na frente de todos que não gostava dele… Que nunca gostou.

— Eu vou te matar – Stefan tentou avançar contra o irmão que ria, divertido-se com a desgraça dele. Eu olhei seriamente para Damon

— Vá embora Damon! – ordenei e ele não ousou desobedecer, se calou e entrou em sua casa ostentando o sorriso vitorioso imbecil.

Passei por cima de toda magoa e orgulho ferido e o abracei quando vi a dor e aflição em seus olhos.

— Eu devia ter acreditado em você quando dizia que ela não prestava.

Flashback of

— Caroline, Caroline – Stefan me chamou tocando em minha mão. Eu voltei da minha viajem ao passado atordoada, com aqueles olhos verdes me encarando intensamente – Em que planeta você estava?

— Nenhum especial – levantei pegando meu livro – Marte talvez.

— Sabe o que andei pensando – Stefan passou o braço em volta do meu ombro – Quitão uma sessão de filmes. Hitchock, madrugada dos mortos…

— Stefan eu tenho que trabalhar no bar, você sabe.

— Care por favor, se quiser eu te ajudo no bar – implorou ele usando seu melhor olhar de cão para me convencer

— Não precisa, você deve estar cansado. Eu tenho uns duzentos pratos pra lavar.

— E daí eu não me importo – ele cutucou minha cintura – Está me evitando por acaso?

— O que? Não! Eu só tenho que trabalhar agora que a Molly esta grávida, eu tenho que ajudar mais no bar. Mas já que insiste tanto pode me ajudar se quiser

Não que não quisesse Stefan por perto. Mas admito que agora, depois daquele verão estava com dificuldade de ficar perto do meu melhor amigo. Principalmente agora que ele estava tão… Diferente. Stefan lhe contava tudo com detalhes sobre Inglaterra.

— Fez muitos amigos?

— Ah eu conheço esse olhar – Stefan tomou mais um gole de seu refrigerante – Mas não. Eu não tive nenhum romance de verão não, nenhuma aventura romântica.

— Hummm e por que não? Você estava num lugar lindo, sozinho e solteiro.

— Eu não fui pra lá para arrumar uma namorada – explicou ele, mas parou de fala quando Katherine se dirigia a nossa mesa.

— Oi Stefan. Sabe eu fiquei chateada, não recebi nenhum postal, ou ligação sua. Isso e uma tremenda falta de consideração. Principalmente levanto em conta nossa história.

Senti vontade de vomitar em Katherine com a menção da história de amor deles. Stefan permaneceu sustentando o olhar de Katherine com frieza

— Eu não lembro de história alguma. O que eu lembro é que você e namorada do meu irmão. Eu não mandaria postal nenhum para namorada dele – Stefan disse dando a última parte ênfase.

Damon surgiu sério e passou o braço em volta do pescoço de Katherine beijando para provocar alguma reação em Stefan que para minha alegria permaneceu indiferente.

— Dando as boas vindas para meu irmãozinho? – Katherine assentiu fingindo a melhor a cara inocente que tinha – Então maninho como foi sua viagem?

— Ótima!

— Eu estava tentando ser simpática, mas acabei cobrando um postal dele, acredita que ele não me mandou nenhum? – Kath fez um beicinho choramingando para Damon.

— Kath – Damon pegou em seu queixo sorrindo – A única pessoa que ele manda cartões-postais e para Caroline – Katherine desviou os olhos de Stefan para mim, ela me fuzilou por alguns instantes eu sustentei o seu olhar sorrindo.

— Então, ele te mandou postais?

— Oh! Sim umas dezenas por semana não é Stefan – Stefan assentiu sorrindo

— Obvio, mandei todos os dias – Katherine sorriu maliciosamente

— E bom ver essa amizade de vocês finalmente fluindo – Katherine saiu rebolando pelo pátio. Eu encarei Stefan por algum segundos pensando no “Fluindo”, desejando que eu não estivesse vermelha feito um pimentão.

Stefan riu, eu dei graças a deus do sinal tocar. Apressei-me para sair dali. Stefan sorriu se divertindo as minhas custas.

— Porque a pressa para aula do Lincoln? – Stefan se levantou me acompanhando pelo corredor – Você sempre odiou a matéria dele.

— Ele pega no meu pé desde da sétima. Não quero ficar na detenção esse ano.

— Por que não? A detenção e melhor parte – franzi a testa não acreditando nas palavras de Stefan, eu parei colocando a mão em sua testa.

— Quem é você é o que fez com meu melhor amigo?

— Eu continuo o mesmo, porque a surpresa. A detenção pode ser divertida.

— Ah sim principalmente se a Katherine estiver no meio.

Stefan ficou meio desnorteando com a menção do nome dela. No sétimo ano, nos três e mais dois alunos ficamos em detenção. Ele esqueceu completamente de mim, quando senhora Alvero saiu ele ficou dando uns amasso em Kath. Eu deixei ali parado e corri para minha aula.

Eu estava farta de vê-lo sempre dar jeito de falar em Katherine. Sempre me arrependi não ter lhe dito sobre Katherine e Damon quando tive chance. Mesmo depois da humilhação, mesmo depois de um dia que ela terminou com ele, ela logo começou a namorar Damon.

Todos chamavam Stefan de corno, mesmo depois de três anos ouvindo suas promessas na frente do espelho que nunca mais olharia para ela. Naquele dia todas as minhas esperanças e convicções foram por água a baixo. Stefan sempre amaria Katherine, mesmo que ela fosse a vadia mor da cidade. Eu já estava cansada de esperar que um dia ele me notasse.

Stefan

Procurei por Caroline por todo canto, mas ela parecia ter evaporado no ar. Fiquei desnorteado pela maneira que ela jogou em minha cara toda aquela coisa com a Katherine. Afinal, não sentia mas nada por ela há muito tempo. A única pessoa que tive saudade enquanto estive fora, foi Caroline. Ela, no entanto, parecia evitar, ou estar de saco cheio de mim.

Estava tão submerso pensando nisso, em minha amizade que há tempos estava estranha. Não que não fossem mais amigos, não que não conseguisse ler os olhos dela como antes. Não que não soubesse todos os trejeitos de quando a mesma estava chateada, alegre ou nervosa porque ele sempre saberia, não importa qual longe eles estivessem.

Estava tão absorto nesses pensamentos que nem notei que estava sozinho no corredor. Me apressou para sair logo dali quando uma menina saiu do banheiro, correndo em minha direção, ele tentou desviar mas era tarde.

— Me desculpe – abaixei para pegar os livros da garota que havia caído no chão.

— Não tem que se desculpar …

Não consegui dizer mas nada, era Katherine ali em minha frente. Mas seu cabelo estava liso e mais cumprido do que o normal, seu jeito e principalmente o olhar estava diferente. Entreguei o livro de má vontade

— Segura logo, eu não tenho o dia todo.

— Ah… Tá legal – dei as costas para garota. Qual era o truque dessa vez – Espera.

— O que quer? – sua expressão foi de total surpresa com meu tom hostil

— Me desculpe, mas poderia me mostrar a onde fica a diretoria? – acabei rindo, com o cinismo dela,

— Qual e o truque dessa vez? Vai bancar a desmemoriada – dei as costas novamente mas a garota pegou em meu braço. Senti um arrepio percorrer meu corpo, quando me virei pronto para xingá-la, seus olhos se encontraram com os meus eu não consegui formular nenhuma palavra.

— Nenhum. É que sou nova aqui. Preciso ir até a diretoria. Mas não faço ideia da onde fica.

— Nova?

— Sim.

— Katherine, qual é brincadeira dessa vez?

— Katherine – ela suspirou com sorriso de lado – Eu não sou a Katherine. Meu nome e Elena – disse estendendo a mão – Sou irmã da Katherine, irmã gêmea.


Caroline

Olhei para o relógio à cada cinco minuto. Já tinha lavado os pratos, estava escurecendo e nada de Stefan aparecer. Pelo visto ele tinha ficado chateado comigo ou tinha arrumado coisa melhor para fazer.

— Ele não vem mais Caroline? – Molly perguntou enquanto dava a conta para um senhor

— Acho que não – respondi fazendo bico – Ele podia ao menos me avisar que não viria.

— Claro – Molly concordou rindo

— Tia Molly!

— Desculpa, mas você ainda não se acostumou? Desde da sétima série que ele não cumpre mais as promessas que faz a você.

Senti uma pontada aguda no coração. Aquele gosto amargo na boca ao pensar nisso. Infelizmente eu não era mais a primeira opção dele, não mais. Quase não tinha espaço para mim em sua vida. Entre sua vida popular entre o time, filmes e garota, fui deixando de a protagonista da vida dele, para ser uma coadjuvantemente qualquer. Molly tocou em meu ombro me trazendo a realidade.

— Se quer saber minha opinião. Ele e um idiota – Molly me abraçou me encarando nos olhos – Um dia ele vai olhar pra trás e se perguntar…

— Que diabo ele estava vendo para não me notar – completei e Molly beijou-me na testa assentindo com a cabeça

— Acredite em mim querida – ela ergueu meu queixo – Um dia ele vai se perguntar. E vai se arrepender amargamente.

Sorri sem animação, Molly entrou para cozinha. Me encostei na viga de madeira olhando para o mar, me perguntando onde ele estaria agora? Constando que Molly estava errada, não tinha a menor convicção de que ele olharia para mim como algo mais que sua amiga.


Stefan

Acompanhei Elena até metade do caminho e ela me contava sua história . Tudo que conseguia ver era o qual diferente ela era de sua irmã. Parecia surreal depois de tanto tempo descobrir que Katherine tinha uma irmã, ainda mas que fosse sua gêmea idêntica. Apesar da aparência. Elena e Katherine era como água e vinho. Elena tinha um sorriso doce, um olhar sereno e sincero, que jamais vi em Katherine.

— Então, por que exatamente nunca ouvimos falar de você? — Elena sorriu colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha

— Nosso país se separam quando tínhamos seis anos. Eu fiquei com minha mãe e Katherine ficou com meu pai, ele decidiu voltar para cá. Enquanto eu e meu meio irmão fomos para Virgínia com minha mãe. Katherine nunca mencionou nada sobre mim, não é? – neguei com a cabeça ela mais uma vez sorriu, fiquei hipnotizado olhando para seu sorriso – E bem a cara dela, ela nunca quis manter contado com gente.

— E por que exatamente veio para cá agora? – Stefan notou a expressão triste tomar o belo rosto de Elena.

— Minha mãe morreu…

— Eu sinto muito – Elena assentiu forçando um sorriso.

— Faz três meses, ela e meu padrasto morreram num acidente de carro.

Stefan forçou um sorriso para Elena que olhava perdida para rua, passamos em frente ao cemitério, ela parou olhando para um anjo branco. Em cima de um lapide. Por algum motivo estranho ela entrou lá dentro, eu a segui. Elena parou olhando atentamente para o anjo, sua asa estava quebrada, seu rosto amarelado pelo tempo. Elena abaixou os olhos olhando para foto.


Joshua Smith
“Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nos”.

— Sempre vou me perguntar, porque alguém tão jovem morre – Elena tocou no anjo de concreto ao mesmo tempo que eu, quando minha mão tocou a dela. Um calor percorreu todo meu corpo. Uma sensação calorosa e agradável, nossos olhos se encontraram e Elena sorriu abaixando a cabeça.

— Desculpa, esse lugar me acalma apesar de tudo. Sempre vou a cemitérios para escrever em meu diário. E uma bobagem não é?

— Não, não é. Eu também escrevo num diário. Mas não em cemitérios – Elena sorriu com olhos arregalados

— Você tem um diário? – assenti com a cabeça

— Eu sei. É muito estranho um cara escrever um diário.

— Sim, mas não quer dizer que seja ruim.

Ficamos em silêncio olhando um a para o outro, acho que poderia permanecer ali olhando para ela a vida toda. Mas as gotas grossas e geladas de chuva começaram a cair.

— Ah minha nossa. Eu e Elena corremos para de baixo de uma árvore rindo, ele e Elena estavam ensopada dos pés a cabeça.

— O meu deus, meu livro.

— Eu te empresto o meu – tirei a jaqueta de couro colocando nos ombros de Elena – Aqui, vai te aquecer.

Elena sorriu levemente ruborizada, inclinou a cabeça e olhou para céu. A chuva havia diminuído restando apenas uma garoa fina, que caia sobre nós. Fiquei olhando as pequenas gotas caindo em seu rosto, quando ela notou que meus olhos estavam nela, ela sorriu sem jeito.

— Acho que já posso ir. Tenho que voltar, Jonh deve estar preocupado – Elena se afastou mas parou olhando para mim – Obrigada… Pela ajuda… Ah antes que me esqueça… Eu ainda não sei seu nome.

— Stefan, Stefan Salvatore.


Caroline

Apertei a campainha da casa de Stefan e a melodia Fifth de Beethoven ressonou, porém tudo estava quieto. Girei os calcanhares dando meia volta para ir embora. Quando Damon surgiu sem camisa abrindo a porta.

— Olá “Care, a estranha” – Damon olhou de cima baixo para mim – Quer dizer não tão estranha assim, até que você está ficado bem bonitinha esse verão.

Damon sorriu maliciosamente, revirei os olhos nauseada.

— O Stefan, ele está ai?

— Não! – Damon franziu a testa – Interessante, ele saiu e não levou a doce Caroline com ele? Ow, pelo visto alguém aqui está perdendo espaço.

Revirei os olhos novamente, sem paciência para ouvir toda aquela ironia dando as costas, mas Damon se antecipou a mim ficando em minha frente encarando-a com aquele sorriso desdenhoso.

— Entra vai, ele já deve estar voltando.

Pensei por um momento, mas a curiosidade de saber o motivo pelo qual Stefan havia me dado um bolo, estava me remoendo por dentro. Damon abriu a porta esperou que eu entrasse. Ele sorriu, e se sentou jogado no sofá, assistindo TV. Fiquei em pé de braços cruzados em frente ao corpo olhando para fora e para seu velho relógio de pulso.

— Vai ficar ai sentada feito um dois de paus? Senta aqui, eu não mordo sabia? – Damon se endireitou – A não ser que você queira.

Bufei com suas cantadas baratas, como ele conseguia ser tão… Irritante! Mas acabei sentando-me no sofá. Mantive uma distância segura de Damon, ele aquele perfume barato me dava enjoou. Damon zapeava os canais, parou em filme qualquer de terror

— Eu sempre me perguntei o que você e Stefan fazia todos esses anos no quarto, sozinhos? – Damon arqueou a sobrancelha sugestivamente sorrindo.

— Nada. Só ficamos assistindo filmes e comentando sobre eles – respondi suspirando entediada. Damon sorriu e alternou o olhar para TV e para mim

— Ele sempre foi um panaca mesmo – acabei sorrindo enrolando uma mecha de meu cabelo – Nunca entendi o porque de não ter contado a verdade a ele. Sabe que as coisas entre vocês seriam diferentes se você tivesse contado.

Suspirei pensando nessa possibilidade, talvez Damon tivesse razão. Talvez Stefan teria começado a odiar Katherine muito mais cedo. Talvez nós tivessemos começado aquele ano entrando no corredor de mãos dadas

— Sabe o quanto ele ficaria arrasado se soubesse – Damon abaixou os olhos pensativos

— Meu irmão e um romântico incorrigível. Ia fazer um drama ou um filme sobre isso. Quem sabe faria sucesso com nosso triângulo amoroso. O que seria bem melhor das porcarias que ele faz.

Damon forçou um sorriso, eu fitei sua expressão por um tempo. Mesmo sendo o maior idiota, imaturo. Mesmo sendo o cara mais irritante que já conheci. As vezes conseguia enxergar uma certa culpa mascaradas em seus olhos azuis-celestes.

— Você se importa não é? Pelo menos um pouco com ele…

— Grande dedução loirinha, ele é meu irmão mais novo – Damon fungou trocando de canal rapidamente – Eu sei que não acredita em nada que eu digo … – afirmei sorrindo – Mas eu não queria que tivesse acontecido daquele jeito – gargalhei olhando desconfiada para Damon

— Olha que interessante, para um cabeça de bagre… Nunca pensei que tivesse um coração ou que soubesse o que culpa – Damon riu nervoso ele se aproximou de mim

— Rá, Rá, Rá muto engraçado – Damon se aproximou de mim fazendo me cócegas – Retira o que disse!

— O que? Que você é um cabeça de bagre metido ou que tem um coração do tamanho de um feijão – inquiri entre risos tentando afastar suas mão de mim

— Retira!

Stefan entrou e ficou parado na sala, olhando para mim e Damon com uma expressão estranha no rosto. Eu e Damon nós afastamos de imediato, como se houvéssemos levado um choque afastou de mim voltando-se para TV

— Demorou irmãozinho. Tive que aturar sua amiguinha…

— Stefan, onde esteve? – perguntei me levantando Stefan estava sorrindo agora. Um sorriso alegre que me deu calafrios, ele estava molhado – Por que está molhado?

— Porque ele estava na chuva dãh. As vezes esqueço que você é loira…

Stefan subiu para o quarto dele sem dizer nada, eu e Damon nos entreolhamos confusos por ele não dizer nada. Corri até o quarto de Stefan e o encontrei sem camisa. Eu tentei recuperar o folego tentando oxigenar de novo meu cérebro. Senti aquela onda de calor de novo, tive que me esforçar para dizer algo e desviar os olhos de seu abdômen perfeito de músculos definidos.

— Stefan – me aproximei sentando em sua cama, ele sorriu se jogando na cama olhando para o teto. Eu conhecia aquele olhar, eu conhecia aquele suspiro. Um pavor me tomou, uma raiva crescente – Stefan dá pra me dizer o que ouve?

— Desculpa o que disse? – senti uma dor esmagadora, ele parecia nem si quer ter notado minha presença.

— Eu perguntei onde esteve? Por que está sorrindo feito um panaca?

— Ah, estava por aí. Acabei perdendo a noção do tempo.

— Que ótimo! Mas agora me fala porque esta sorrindo assim? – inquiri, sem querer realmente ouvir sua resposta. Stefan suspirou sorrindo.

— Eu conheci uma pessoa hoje... Ela e garota mas diferente que já conheci – os olhos dele brilhavam enquanto ele falava.

— Diferente como? Tinha olhos muito separados e pernas de dois metros? – Stefan riu com ironia em minha voz

— Não. Quero dizer, ela era divertida e misteriosa e linda, a mais linda que já vi – lágrimas se formaram em meus olhos, sem que eu tivesse controle – O nome dela é Elena. E a parte mais interessante você nunca vai adivinhar…

Eu não queria adivinhar, nem se quer queria continuar a ouvi-lo contar sobre outra garota que ele se apaixonou instantaneamente como Katherine. Respirei fundo e olhei para cima tentando conter a vontade esmagadora de chorar ali mesmo.

— Que ótimo, Stefan! Eu estava mesmo ansiosa pra saber o motivo do bolo que me deu. Ainda bem que foi por algo tão incrível e maravilhoso – Stefan se levantou atordoado

— Desculpa Care, eu me esqueci completamente – Stefan se levantou tocando em meu braço. Desvencilhei do seu toque e lhe dei o melhor dos meus sorrisos.

— Não precisa desculpar, pela centésima vez Stefan. Já decorei cada palavra que vem a seguir e si quer saber... Eu não quero vir, não me importo!

Sai de seu quarto correndo, quase tropecei nos degraus da escadas. Damon se levantou do sofá olhando para mim com testa franzida, mas o ignorei corri o máximo que podia para não ter que escutar as desculpas esfarrapadas de Stefan.

Entrei correndo em casa, Molly me seguia chamando por mim com preocupação. Mas não parei para lhe dar satisfação, mas ela continuou a bater na porta insistentemente. Por mais que eu a mandasse embora ela continuava.

— Molly, ela quer ficar sozinha – Thomas disse tocando em seu ombro

— Pois eu não vou deixar ela ficar sozinha, abre a porta agora!

Molly gritou batendo na porta. Me arrastei até a porta e a destranquei. Molly olhou para mim, com seu olhar doce, cheio compreensão. Se sentou na cama perto de mim que estava abraçada aos joelhos escondendo o rosto. Molly tocou em seu joelho e Caroline levantou os olhos para irmã chorando. Molly beijou o topo de sua cabeça, Caroline ficou olhando para as estrelas através da janela, enquanto chorava ouvindo sua irmã dizer que aquela dor passaria.

Notas finais
TBC.. Então gnt, diga-me se devo continuar repostando as fics, incluindo essa, okay? XOXO