Forever and Ever - Revisando
8 Capítulo - 8 From here fifty years ago
Notas iniciais
CAROLINE
Duas semanas havia se passado e agora eu estava oficialmente namorando. Algumas garotas torciam o nariz quando nós via andando de mãos dadas pelos corredores do colégio. Porém, ele sempre me abraçava e dizia como eu era linda. E nada mais importava. E pensei que seria difícil, me adequar a ter alguém na minha vida, alguém que quisesses me ter quase que o tempo todo, passar horas a fio no telefone e mesmo ainda tínhamos milhares de coisas para falar... Mas com Matt tudo era fácil até mesmo isso.
Molly estava radiante, tratava Matt até melhor do que a própria sobrinha. Ela parecia realizada a não ter que me implorar para vestir vestidos. Eu estava tão ocupada revezado meu tempo em namoro, estudo e trabalho. Que meio que anulei o fora que Stefan havia me dado.
Mesmo estando despedaçada por isso, não conseguia ter raiva dele. Acho que a ficha de que ele não me amava como esperava, começava aos poucos a cair e mesmo Bonnie e Molly achando que tinha que afastar dele, não podia. Ele ainda continuava sendo meu melhor amigo, não conseguia simplesmente deleta-lo da minha vida por algo que ele nem tinha culpa. Não gostar de volta.
Por isso estranhei quando fui até ele e assumi que estava namorando Matt e notei a confusão em seus olhos. Talvez ele ainda não soubesse de verdade o que sentia por mim, mas nada disso importava.
(...)
— Uma festa para Matt?
— Sim é aniversário dele na sexta. Tenho certeza que meu maninho adoraria uma festinha. Principalmente se a namorada dele organizasse
Vicki se aproximou com os olhos brilhando. Eu sabia que o interesse dela, não era simplesmente fazer Matt feliz. Mas o que eu podia fazer, suspirei fundo concordando ela pulou me abraçando
— Tenho certeza que ele vai amar
— Eu não tenho a menor dúvida – menti fingindo animação
(...)
— E você concordou com ela? – Bonnie perguntou indignada
— O que queria que eu fizesse? É aniversario dele e vendo pelo lado positivo ele pode mesmo gostar – Bonnie ficou em silêncio – Ah Bonnie, para de fazer voto de silêncio e me diga o que faço! Porque eu não tenho ideia de como fazer uma festa.
— É bem simples, primeiro arranje o lugar – ela disse desanimada.
— Bonnie, por que está assim. Parece até que ficou chateada...
— Não e nada, relaxa. Já sabe o local da festa? – manei a cabeça negativamente.
— Eu sei onde pode ser – Damon surgiu colocando o braço em volta de meu pescoço e de Bonnie
— Nem começa, eu não escutaria nenhuma sugestão vinda de você – rosnei e ele fez beiço fingindo chateação
— Para de ser chata Barbie. Meu pai vai viajar
— E eu com isso? – Damon revirou os olhos.
— Ouvi a conversa de vocês. E acho que sua festinha pode ser na minha casa – sugeriu de súbito olhando para Damon – O que foi?
— Qual é seu plano maligno hein? – Damon caminhou até mim sorrindo e apertou minhas bochechas.
— Care, assim você me ofende. Eu não posso querer ajudar uma amiga? – tirei suas mãos do meu rosto.
— O que vai querer em troca, minha alma?
— Quer saber, eu vou dar uma festa. Você tem duas opções: Bancar a chata puritana e dizer não ou pode dizer sim e aproveitar a localização e fazer a festa para senhor perfeição. O que vai ser? – olhei para Bonnie pedindo ajuda e ela apenas deu ombros o que ajudou muito que me decidisse.
— Não está aprontando nada, não é?
— Não! – Damon bufou com minha descrença – Tem a minha palavra.
— Como se valesse muito – desdenhei.
— Alguma vez já deixei de cumprir promessas a você? – perguntou agora sério, senti minhas bochechas queimarem. Neguei com a cabeça e ele sorriu – Beleza, então sexta à noite.
Damon se aproximou beijando-me no rosto. Por alguns segundos, senti aquela sensação estranha e perturbadora. Aquela vontade de empurrá-lo, mas fazer com que durasse mais. Ele se afastou, eu não me movi tentando voltar ao normal. Bonnie me deu um encontrão com ombro sorrindo
— Não me olha assim! – avisei
— Foi mau! Mas é que para duas pessoas que se odeiam vocês dois parecem próximos demais, quase... amigos.
Eu sorri negando com a cabeça, virei à cabeça para trás e o encontrei encostado em seu armário. Olhando para mim, sorrindo. Desviei os olhos rapidamente tentando afastar o calor e a sensação que seu beijo havia me causado.
ELENA
Era oficial nos completaríamos um mês na sexta-feira. Um mês de uma coisa que eu não fazia ideia do que era. Não era como se ele não gostasse ou me desejasse, pois sabia que ele sentia isso. Porém, a minha insegurança em relação aos sentimentos dele por Caroline estava aumentando, justamente quando era para ter terminado.
Ele tinha ido até ela e conversado, tinha deixado claro que a queria apenas como amiga. Mas ele não contava que depois de um ou dois dias Caroline assumiria namoro com Matt. Podia ver o quanto ele ficou perdido, para não dizer em choque com situação.
— Oi Elena – Bonnie me deu um beijo no rosto
— Ah… Oi Bonnie – respondi olhando para Caroline que estava abraçada a Matt que beijara carinhosamente sua testa.
— Eles fazem um belo casal não é? – concordei com cabeça forçando um sorriso
Stefan passou pelo corredor aquele instante, cumprimentou-os com a cabeça e veio até mim, beijando meu rosto. Fiquei desconcertada demais, mas era normal. Ele nunca me beijava quando estávamos na frente dela
— Oi Bonnie – Stefan cumprimentou, encostando-se ao armário. Matt entrou na sala, Damon ficou conversando um tempo com Caroline e ambos vieram em nossa direção.
— Olá Maninho e cunhadinha – Damon beijou meu rosto
— Eu tenho que ir para aula – Stefan apressou-se em dizer.
— Tudo bem maninho, mas eu preciso dizer uma coisinha – Stefan voltou de braços cruzados olhando incomodado para o braço de Damon que ainda se mantinha em volta do ombro de Caroline – Vai rolar uma festinha na sexta-feira lá em casa.
— Festinha, qual o motivo?
— Primeiro: porque a casa estará vazia, temos bebida e segundo porque não tem motivo para dar uma festa.
— Não sei o porquê está me dizendo isso, você sempre faz o que quer – retrucou mal-humorado
— Eu não tenho culpa de ter um irmão mais novo, que mais parece um velho rabugento – estava prestes a intervim quando Caroline se pronunciou.
— Calma, vocês dois! – ela ordenou – O que o Damon está fazendo isso porque eu pedi.
— Pediu? Por que pediu isso?
— Porque ele vai fazer a festa por minha causa – explicou ela e Stefan fitou Damon incrédulo.
— Antes que você surte... A Barbie aqui. Vai fazer sua primeira festa – ele bagunçou os cabelos dela – Eu vou ajudar, ela a fazer algo… Descente.
— Isso é ótimo, fico feliz por isso – Stefan retrucou com ironia
— Stefan, eu vou fazer uma festa surpresa para Matt. Damon ofereceu sua casa e espero que não se importe – avisou e Stefan a fitou incrédulo. Ela se desprendeu de Damon e seguiu para sala
— Se estiver tudo bem pra vocês, porque se não tiver faço em outro lugar. Apenas me digam, okay?
Aproximei-me de Stefan tocando seu ombro que estava duro feito pedra. Ele virou o rosto para mim e forçou um sorriso. Beijou-me e seguiu para sala. Fiquei parada no corredor absorvendo a cena e ciúme. Na mesma sexta feira que havia planejando uma noite romântica, Caroline daria uma festa para o então namorado, na casa do melhor amigo que tinha um irmão que também gostava dela.
O pior que ela realmente pareceu não se importar com minha presença ou meu status de quase namorada de Stefan. Sentei ao seu lado, esperando que ele se desculpasse e me irritei com ele quando ele continuou com olhos fixos na parede, perdido em pensamentos, ou melhor, pensando nela. Já estava virando rotina aquilo tudo. Todo aquele ciúme dela na minha frente.
— Porque não vai até lá e a beija de uma vez – ele saiu do transe e me chamou mais não atendi, agradeci pelo professor não ter chegado ainda e sai correndo para banheiro. Não queria chorar na frente de ninguém.
Fiquei trancada no banheiro por uma aula ou duas quando sai, olhei meu reflexo. Olhos inchados e vermelhos. Abri a torneira e molhei o rosto, fiquei olhando para meu reflexo. Pensei no que minha mãe me diria se soubesse da minha obsessão pelo ex da minha irmã.
Fechei os olhos tentando conter as lágrimas quando ouvi alguém passar mau dentro de uma dos banheiros, estava secando as mãos quando Katherine saiu, mas branca que um papel. Lembrei que já se fazia dois dias que ela não voltava pra casa.
— Você está péssima – ela disse indo em direção a pia e molhando o rosto
— Eu péssima – me aproximei dela tocando em seu ombro – Você está passando mau? – ela riu desvencilhando o ombro
— Que meigo, minha irmãzinha se importando comigo – revirei os olhos me afastando, mas Katherine quase caiu se apoiou na parede com os olhos fechados. Eu ajudei a ficar em pé.
— Vem, eu te ajudo a chegar à enfermaria.
— Não – ela disse enfática, mesmo com a voz falha – Quero ir para casa.
— Vai acabar repetindo de ano Katherine, sem contar que não vão deixar que saíamos.
— Quer saber, esquece. Eu dou meu jeito.
Ela pegou algo no bolso e enfiou na boca, era um comprimido ele saiu cambaleando, mas caiu no chão. Eu a segurei.
— Tá legal, qual seu plano para sair daqui?
Katherine ligou e pediu que um amigo se fizesse passar pelo John, dentro de poucos minutos ela e eu fomos liberadas. Ela estava péssima, o mesmo comprimido que havia tomado, pouco depois vomitou.
— Que diabos você tem?
— Nada que seja da sua conta – rosnou e voltou a vomitar, senti vontade de largá-la ali mesmo, mas não pude. Ela era minha irmã afinal das contas. Abaixei-me segurando seus cabelos.
— Onde estava nos últimos dias? – ela ia rebater com a mesma resposta, mas o vômito a deteve – Tá eu sei, não é da minha conta.
Katherine se sentou em beira num banco da praça.
— Por que estava chorando no banheiro? – desviei meus olhos para rua, algumas pessoas passavam e olhavam abismadas para nós duas. – Já sei, Stefan!
— Não vamos conversa sobre isso, ou melhor, não vamos conversar.
— Soube que estão namorando, mas se quer saber não vai durar.
— Vai durar, eu vou fazer dar certo – Katherine riu – Para de rir!
— Desculpa mais essa sua ingenuidade e digamos fofa. Eu fui namorada dele e ele era louco por mim. Para não dizer obcecado...
— Nem começa, ele não esta comigo por sua causa — cortei temendo ouvi-la por mais tempo.
— Não, não acho que esteja. Não diretamente. Nós somos água e vinho. Mas se quer saber, ele não te ama e nem vai amar.
— Por que ele ama você? – ri do cinismo dela. Katherine se levantou endireitando a saia
— Pode rir, mas nunca disse que era eu. Stefan ama alguém e não sou eu, nem é você. É a Caroline – afirmou ela seria.
Um bolo se formou em minha garganta, mal consegui falar. Katherine percebeu e sorriu de satisfação.
— O pior é que você sabe.
— Mas ele está comigo! E meu namorado.
— Se isso te consola – ela deu ombros, se levantou amarrando o cabelo num coque – Vocês dois já transaram?
— Que? – perguntei envergonhada. O rosto inexpressível de Katherine mudou, ela explodiu em gargalhadas
— Como espera manter o seu namorado que por sinal já nem é apaixonado por você? Com beijinhos e declarações de amor. – ela revirou os olhos – Além de mosca morta e virgem?
— Eu não sou virgem, mas não eu… Quer saber, não tenho o porquê falar disso ou de qualquer coisa com você.
— Tudo bem – ela gesticulou com as mãos em desistência – Se acha que só esse seu amor vai prender ele, está muito enganada – Katherine se levantou com sua roupa estúpida de líder de torcida. Fiquei sentada no banco, pensando se ela tinha mesmo razão.
— Katherine – ela virou olhando-me surpresa – Tem uma festa na sexta, você tem que ir.
— Festa de quem?
— Uma festa surpresa para Matt, Caroline vai organizar
— Caroline? Na casa de quem, dela?
— Não, na do Stefan.
Nós entreolhamos e depois de 11 anos podíamos ler o pensamento uma da outra novamente. Iríamos à festa, e acabaríamos com ela.
STEFAN
O que se faz depois de se dar conta que cometeu a maior burrice da sua vida? Qualquer pessoa no meu lugar teria beijando-a em cima daquele telhado. Dito que a ama… Bem, eu disse que a amava.
Ela me abraçou e pude ver a felicidade brilhando em seus olhos. Mas mais uma vez eu fui covarde, não consegui lidar com a explosão de sentimentos que ela me causava apenas com um toque, um olhar. Fui covarde naquele dia e não a beijei, ela saiu correndo.
Decepcionada e tão destruída quanto eu, as palavras de Damon ressoava ainda mais altas parecendo zombar de mim. Ele tinha razão, eu tinha medo.
Medo de me deixar levar por isso, medo de amá-la tanto que esquecesse até de mim mesmo. Depois de dois dias, de telefonemas curtos e confusos e silêncios incômodos, ela subiu até meu quarto. Com cabelos soltos e batom nos lábios. Quando a vi pular a janela, prendi a respiração me forçando a falar, a sorrir agir normalmente ela sentou-se na cama sem dizer nada.
(...)
— O que está assistindo? – ela perguntou olhando para TV, franzindo a testa.
— Eu não faço ideia – ela sorriu – Quer assistir outra coisa?
— Não, eu vim te dizer uma coisa.
Endireitei-me na cama olhando-a, suas bochechas estavam vermelhas e ela apertava a pulseira no pulso.
— Sim, é algo importante?
— Por quê? Estou te atrapalhando – ela se levantou indo em direção a janela, eu segurei seu braço com mais desespero do que tentei demonstrar
— Não, eu tenho todo o tempo do mundo pra você – Ela suspirou sentou se na cama e prendeu uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e mordeu o lábio.
— Tudo bem, lá vai. Stefan… Eu estou namorando Matt Donavan
Fiquei chocado demais para dizer algo. Senti-me nauseado tonto como se acabasse de ser atropelado por um trem. Fechei os olhos e imaginei Caroline nos braços dele, ele olhando com aquele olhar abobalhado, podia ver nitidamente ele fazendo-a rir, beijando-a. Acho que fiquei assim por uns cinco ou dez minutos. Caroline tocou meu ombro com olhar preocupado.
— Stefan está tudo bem? – ergui a cabeça olhando e assenti
— Sim, eu só fiquei um pouco surpreso. Há quanto tempo estão …
Tentei terminar a frase, mas senti-me nauseado demais para falar.
— Juntos? Bem, amanha completaremos uma semana.
Ela respondeu sorrindo. Forcei todos os músculos de meu rosto para sorrir, mas não consegui. Minha mente calculou o tempo e de repente um estalo. Fazia uma semana que quase nos beijamos e naquele mesmo dia ela aceitou o pedido de Matt. Levantei atordoado e ela se aproximou tocando em meus ombros.
— Foi naquele mesmo dia não foi? – senti suas mãos se depreenderem de meu ombro ela suspirou
— Stefan olha pra mim – ela ordenou – Por que está perguntando isso?
— Apenas responde, foi naquele mesmo dia?
— Sim, foi. Eu sai do telhado chorando. Matt me consolou, disse que queria cuidar de mim, que me faria esquecer… Você.
Aproximei-me dela tocando em seu rosto a vontade beijá-la parecia arder em mim, desci minha mão para seu pescoço. Sua respiração estava acerada, olhei para seus lábios, não conseguia ver nada, além disso. Mas para minha surpresa ela recuou tirando minhas mãos de seu rosto.
— Qual é o seu problema?! Não ouviu o que eu disse, estou namorando Stefan, Matt se lembra dele? – ela gritou passou as mãos pelo cabelo.
— Caroline, você não entende…
— Não entendo? Você é que não entende droga nenhuma! Está namorando a Elena, ou ficando tanto faz. O que eu sei é que a escolheu. Deixou claro naquele telhado que não me amava, que queria mesmo era ficar com ela.
— Eu estou confuso, confuso como nunca estive antes.
— Pois bem, essa confusão quer dizer que gosta de mim e dela. E se fosse em outro tempo eu aceitaria, não pensaria duas vezes e deixaria que me beijasse, mas não hoje. Eu não vou ser seu tapa buracos, não vou ficar com alguém que quando está com a namorada está pensando em outra.
Puxei seu braço tentando explicar, desmentir o que ela dissera, mas cada palavra estava certa. Ela me empurrou
— Porque veio até aqui Caroline, porque me disse isso? Queria se vingar.
Caroline olhou para mim indignada me deu outro empurrão
— Eu vim aqui, porque mesmo depois de tudo... Eu ainda quero continuar sendo sua amiga. Tentei passar por cima de tudo, do meu orgulho da minha dignidade e aceitar sua escolha. Tentar conviver com Elena, por você. Queria que soubesse por mim que estava com Matt... Quer saber deixa pra lá.
Ela não me deu tempo de dizer, nada saiu batendo a porta com força, mas dessa vez a segui corri até ela que virou a cabeça para me ver e acabou tropeçando no ultimo degrau e caiu.
— Merda!
— Caroline, você está bem? – A peguei no colo, mesmo com ela debatendo para que a soltasse.
— Está tudo bem Stefan, eu vou embora – a coloquei no sofá e coloquei sua perna em cima da e quanto toquei ela gruiu de dor – Ai.
— Foi só uma luxação, dói quando faço isso?
— O que você acha? – retrucou mal-humorada – Merda Stefan, é tudo culpa sua! — acabei sorrindo, ela sempre ficava ainda mais linda quando estava irritada – Esta, rindo? Aposto que se tivesse quebrado o pescoço você faria uma festa.
Peguei uma bolsa de gelo e coloquei sua perna em cima da minha, ela reclamou por um tempo depois cruzou os braços
— Está melhorando? – ela deu ombros, fazendo bico. Comecei a massagear seu pé, com ela mordendo o lábio gemendo de dor. De repente comecei a subir mais um pouco, com seus olhos seguindo cada movimento meu, ela desviou os olhos da minha mão e se fixou em meus olhos, um leve rubor surgiu em suas bochechas, ela desviou os olhos se levantando.
— Já estou ótima... Eu vou embora, agora.
Ela firmou o pé no chão, mas quando deu outro passo se desequilibrou e a segurei pela cintura rindo, ela bateu em meu ombro irritada mais com meio sorriso em enfeitando seus lábios, mas os risos logo desvaneceu quando me aproximei de seu rosto. Com uma das mãos segurando firmemente sua cintura e outra subi para sua cabeça enredando meus dedos em seus cabelos, seus olhos assim como os meus se desviram para lábios e por um momento, ela deixou que me aproximasse mais, tanto que nossos narizes roçavam um no outro. Fechei os olhos com coração acelerado prestes a beijá-la e teria feito se não fosse por ele.
— Maninho a sua namoradinha está aqui…
Damon ficou parado olhando para nos, Caroline se endireitou, nervosa. O que me deixou ainda mais nervoso ver a pressa com a qual ela se afastou quando olhou para ele
— Atrapalhei algo?
— Não! – ela respondeu envergonhada e olhei para ela no mesmo instante e quase perguntei se quase me beijar não era nada. Ela se encolheu e desviou os olhos para chão.
Elena entrou na sala sorrindo, podia ficar pior ou mais confuso? Damon e Caroline se olhavam intensamente. E Elena olhava para mim parecendo entender o que estivera prestes acontecer, ela saiu correndo sem dizer nada.
— Não vai atrás dela? – Caroline que me perguntou, olhando para mim e para porta – Anda Stefan, vai.
E dessa vez ela ordenou, mas não arredei o pé.
— Vou te levar em casa primeiro.
— Não se preocupe maninho, eu levo a Barbie – Damon se ofereceu alegremente
— Isso Stefan. Seu irmão me leva, agora vai atrás da sua NAMORADA de uma vez – ela gritou, ressaltando namorada, lançando um olhar raivoso para mim. Sai de lá como se minhas pernas carregassem cem quilos, olhei para trás. Vendo Damon carregá-la no colo
DAMOM
Podia parecer burrice, oferecer minha casa para que ela desse uma festa para o namorado. Porém eu tinha um plano, eu e Caroline passávamos muito tempo juntos agora. Eu odiava a maldita escola, último ano pela terceira vez. As mesmas matérias, as mesmas caras todos os dias.
Mas aquele ano, era diferente.
Ela reclamava de tudo o que eu fazia, mas estava determinada a me fazer passar de ano. Deu-me um livro, me fez ler e disse que não voltaria a falar (brigar) comigo se eu não o lesse. Acabei lendo e por alguma peça do destino, não tirei a pior nota da sala, o que a deixou feliz. Era certo que ela estava agora nesse exato momento com ele, mais eu não desistiria. Sabia que não era ele que ela amava, era meu irmão.
Porém, meu irmão estava focado em fingir que também não amava. Eu não iria mais recuar, não ficaria sentado esperando o dia que ele lutaria por ela. E quando chequei em casa com Elena, fiquei paralisado com medo de aquele dia ter chegado. Elena saiu correndo e Caroline ordenou que ele fosse atrás dela.
(...)
— O que você e meu irmão estavam fazendo pra isso acontecer – Caroline revirou os olhos
— Cala boca e me carrega!
— Hummm virou Cleópatra agora, acha que pode mandar em mim é?
— Primeiro você nem deve fazer ideia de quem e Cleópatra, segundo eu mando sim. Me carrega!
— Oh, não pedindo assim de jeito nenhum! Tem que pedir, por favor e me dar um beijo de pagamento.
— Nunca, nem se minha vida dependesse disso – ela ralhou, e a soltei ela caiu no sofá – Ai, porque me soltou?
— Porque me soltou – imitei sua voz, o que deixou fula – Porque eu quis, não vou carregar uma garota chata, mimada que acha que sou um burro de carga.
— Ah é?
— Eh! – ela se levantou apoiando no sofá, pulando com uma perna só. Podia ver que ela sentia dor e mesmo querendo que ela caísse numa poça de lama e se afogasse a peguei no colo.
— Não precisa me carregar, consigo ir sozinha.
— Claro que consegue –
Revirei os olhos, mas a sensação de tê-las nos braços arrepiava é todo meu corpo parecia responder, quando respirava e sentia seu perfume
— Do que está rindo?
— De você, com esse perfume – ela desviou os olhos para frente – Usando batom, para namoradinho.
— E o que isso tem demais? Ele e meu namorado e tenho que… Ficar bonita para ele – Eu a coloquei sentada no banco em sua varanda
— Mas você gosta dessa sua superprodução? – ela deu ombros
— Não faço isso só por ele, faço por mim também – me inclinei ficando da sua altura tirei a mecha de seu rosto e beijei seu rosto demoradamente.
— Nunca achei que precisasse.
— Que precisasse do que?
— Nunca achei que precisasse de nada para ficar bonita – Caroline sorriu, abaixou a cabeça pode ver o rubor em seu rosto beijei sua testa – Boa noite, mandona!
— Damon – ela puxou minha mão ergue-se e me deu um beijo no rosto – Boa noite.
Ela foi pulando para dentro. Fiquei parado na varanda, parecendo ter sido beijado pela primeira vez por uma garota.
CAROLINE
Molly me deu dinheiro e milhares de dicas e tutorias de como fazer uma festa. Naqueles momentos percebia os sacrifícios que ele fez por mim. Ela tinha tanta vontade de me ver ingressar numa boa faculdade, ter amigos e me divertir. Porque indiretamente eu interrompi sua adolescência. Ela tinha dezessete anos quando minha mãe descobriu que tinha câncer e dentro um ano e meio ela morreu.
Lembro de esperá-la para jantar, com desenho bobo que havia feito.
Num vestido amarelo com babados. Era sem dúvida um vestido horrível , mas foi o último que ela havia me dado de aniversario. Naquele dia ela demorou, eu esperei em frente à janela e vi quando Molly estacionou em frente a casa, com os olhos vermelhos me abraçou e pediu que eu subisse para quarto. Meu pai não esboçou reação. Foi Molly que tivera que me contar, ela penteou meu cabelo e me contou. Ficou a noite inteira abraçada comigo até que eu dormisse.
Pouco depois do funeral, meu pai sumiu no mundo. Passou-se muito tempo até descobri que ele havia fugido para Memphis com George, um conhecido dele. Molly e eu brigávamos o tempo inteiro, ficava dias sem falar com ela e sempre gritava que ela não era minha mãe. Mas a verdade é que ela era.
— Caroline está me ouvindo? – ela colocou as mãos na cintura irritada – Tudo bem então, não dou mais palpite.
Me levantei indo até ela dando lhe um beijo no rosto, ela me encarou confusa com misto de choque nos olhos.
— O que ouve?
— Nada – peguei o vestido de sua mão e coloquei em frente a meu corpo. Verificando o tamanho ela se aproximou e verificou a temperatura em minha testa – O que foi?
— Está se sentindo bem? – acabei rindo
— Sim, estou ótima. Acha que Matt vai gostar?
— Tenho certeza que ele vai – Matt surgiu no umbral da porta.
Fui até ele o abraçando. Molly o cumprimentou e saiu sorridente do quarto.
— Não era para ter visto ele – choraminguei ele beijou-me repetidamente enlaçando minha cintura
— E porque do vestido? – Me dei conta que ele poderia sacar.
— Nenhum motivo especial, apenas para nossas tardes no boliche
— Vai jogar boliche com esse vestido? – questionou me olhando de cima a baixo
— Sim, algum problema?
— Não, nenhum. Exceto os marmanjos que terei que bater por olhar pra você.
— Hummm e ciumento é?
Ele assentiu com a cabeça sorrindo ele me abraçou pelas costas beijando meu pescoço. Era tudo tão novo e estranho para mim. Não tinha muita ideia do que fazer, mas ele nunca reclamava quando pedia que parasse. Dava-me um beijo no nariz e se afastava, sempre sorrindo.
— Matt – ele beijou meu pescoço e me puxou para seus braços ficamos de mãos dadas – O que você gostaria de ganhar de presente? – ele franziu a testa
— Mais um beijo – ri lhe dando outro beijo
— Bobo, estou falando sério!
— Eu sei, mas sério. Não quero nada, já comecei o ano ganhando uma namora e olha que nem pedi pro papai Noel.
— Então tá, mas seria legal se me dissesse – ele me calou beijando-me.
Entreguei-me a seus beijos esquecendo que a porta estava aberta. Pode ser que esqueci um pouco dos limites que nos mantém longe de problemas. Quando me dei conta estava sem fôlego com dois ou quatro botões da camisa aberta. Com minhas mãos em volta de seu pescoço puxando seu cabelo. Afastamo-nos e até mesmo ele em fitou surpreso. Fiquei vermelha, feito um tomate pela atitude e pela vontade continuar.
— Eu tenho que ir – ele murmurou se levantando
— Mais já – reclamei fazendo beicinho e ele sorriu, antes de beijar-me de novo
— Tenho que trabalhar e Charlie odeia que eu me atrase – ele colocou a jaqueta.
— Eu te acompanho.
Fiquei olhando entram em sua picape vermelha velha. Que fazia um grande barulho para ligar. Disse a ele que era a suspensão. Ele me olhou como se fosse uma alienígena por entender alguma coisa automobilística. Antes de ir ele me deu a jaqueta, avisando que estava frio e garoando.
Ele me beijou lentamente antes de partir e fiquei parada na varanda olhando-o sumir de vista. Estava com sorriso bobo no rosto quando notei que alguém me observava. Stefan estava encostado no salgueiro, ele disfarçou quando notou que percebi. Refleti se deveria ir até ele.
A verdade era que ninguém nem mesmo Matt, consegui cessar a saudade que sentia dele. Stefan era importante para mim, estava ao meu lado segurando minha mão quando perdi minha mãe e logo em seguida quando meu pai me abandonou. Ele nunca ficava irritado com as minhas mudanças de humor quando fui crescendo. Mesmo que nos afastemos ele sempre seria importante, meu melhor amigo, ainda o homem que amava. Stefan encostado na árvore agora com os olhos fechados. Desejei ter o poder de entrar em sua mente.
Decifrar todos os seus pensamentos e sentimentos, entender tudo que seus olhos verdes ocultavam. Sentei-me a seu lado, encostando a cabeça em seu ombro, ele passou o braço em volta de mim. Ficamos em silêncio admirando o cinza das nuvens e o movimento do lago com os pingos da chuva que caia.
— Bonita sua jaqueta – ele disse quebrando o silêncio
— Sim é muito bonita, sabe que sempre quis ter uma!?
— Serio?
— Sim, aqueles filmes de mulherzinha a garota sempre ganhava a jaqueta do namorado, era uma fantasia minha – admiti
— Bem agora se realizou – ele sorriu, mas o sorriso não alcançava seus olhos.
— Stefan, eu queria te perguntar uma coisa.
— O que?
— Ficou chateado por ser na sua casa. Eu nem te consultei antes de fazer isso – ele suspirou.
— Não fiquei. Apesar de estar realmente apenas surpreso, você nunca gostou de festas.
— É ainda não gosto – ele franziu a testa agora me olhando
— E por que vai organizar uma?
— Pelo Matt – disse em voz baixa – E aniversario dele na sexta.
— Ele parece... Gostar mesmo de você – ele disse sorrindo, mas sua voz soou como lamento.
— Sim, ele gosta.
— E você?
Fui pega se surpresa com a pergunta refleti por um segundo no turbilhão de sentimentos confusos que pareciam crescer e atropelar os antigos. Acabei sorrindo lembrando do sorriso. Ou a maneira como o pegava olhando para mim, sem motivo.
— Sim, eu gosto – disse por fim – Ele me faz sentir a garota mais especial do mundo.
Stefan sorriu, mas havia tristeza em seus olhos toquei seu rosto e ele beijou minha mão
— Stefan…
— Está tudo bem, mas agora me dei conta de quanto tempo passou. Parece que foi ontem que nadávamos aqui, ou escalávamos essa árvore – assenti olhando em volta – E difícil, não te ter ao meu lado o tempo inteiro.
Uma lágrima escapuliu dos meus olhos, ele secou olhando-me com aquele olhar preocupado dele.
— Stefan, nós já estávamos afastados – ele negou com a cabeça
— Enquanto estava longe, deixou de pensar em mim? Por que eu sei que em nenhum momento você saiu da minha cabeça... Ou do meu coração. Eu não menti quando disse que é a pessoa mais importante da minha vida...
— Sim eu sei, mas agora a pessoa mais importante tem de ser a Elena. Ela parece gostar muito de você e até que parece ser melhor que Katherine – disse fazendo careta, o que o fez rir – Tem que cuidar melhor dela, pode perdê-la se continuar com essa alienação toda. Você sabe que é muito lento pra pensar e geralmente garotas detestam... – riu alto me interrompendo – O que foi, do que está rindo?
— Nada, apenas estava com saudade disso – ele fez uma pausa acariciando minha mão – De nós.
— É eu também – encostei a cabeça em seu ombro ainda com a mão entrelaçada a dele
— Sabe como me imagino daqui há 50 anos? – neguei com a cabeça – Aqui em baixo, nesse mesmo salgueiro, de mãos dadas com você.
As lágrimas inundaram meus olhos. O encarei sentindo vontade de beijá-lo e repetir aquela frase de três palavras. Mas não podia, tinha um namorado agora, alguém que gostava e devia fidelidade, devia respeito. Bati meu ombro contra o dele, afastando aquele impulso, incontrolável que chegava a doer meu peito, me asfixiar como se me afogasse fora d'água.
Era estranho e injusto, nos amarmos e não podermos nos amar. Tinha uma barreira entre nos é era justamente esse amor, construído em cima de um pedestal que não podia ser quebrado. Estávamos ligados pra sempre de uma maneira ou de outra, podia não ser da maneira que queria ou esperava. Mas naquele momento, não duvidei que aquela cena um dia se repetisse daqui há 50 anos, porque sabia que não poderia me afastar ou esquecer ele.
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