Nunca cheguei há morar muito tempo em um mesmo lugar, posso ate ser considerada uma nômade, faz 10 anos que estou no Japão, e hoje tenho 16 anos. Desde pequena estudei em escolas coreanas, portanto não tenho muitos amigos japoneses, alguns já me consideram japonesa outros não. Quando estava no Coréia me chamavam de japonesa e quando estou na Japão me chamam de coreana, vai entender né? E mais uma vez estou mudando de cidade, meus pais disseram que dessa vez vai ser definitivo, mas duvido, pois todas às vezes eles me falam isso para não ficar chateada, antes de me mudar havia prometido que iria visitar umas amigas que moravam na minha antiga cidade, como era perto uma cidade da outra prometi ir todo mês pra lá.

Mãe: Filha você não vai acordar? Já esta na hora!

Eram os gritos da minha mãe, todo dia é a mesma coisa esses gritos de manhã e várias brigas. Eu odiava trocar de escola porque ate você se acostumar com as pessoas demora dias e dias, normalmente nas escolas que eu estudava eu era a única de brasileira na minha sala. Levantei da cama e olhei o relógio que marcava 07h30min, na verdade as aulas só começam as 09h00min horas, mas como era o meu primeiro dia de aula tinha que chegar mais cedo, e também eu não sabia o tempo que levava ir andando de casa à escola.

Mãe: Filha você irá se atrasar no seu primeiro dia de aula.

Novamente ouço os gritos da minha mãe, ela não sabia que eu já estava de pé, pois toda vez que eu trocava de escola demorava pelo menos 10 minutos pra sair da cama.

Eu: Já acordei! – resolvi gritar, para avisa-la.

As cortinas nem estavam abertas e já dava pra perceber que o dia estava ensolarado logo de manhã, estava no começo de outono, então o sol não ajudava a esquentar muito porque mesmo sendo outono já estava bem friozinho. Abri as cortinas do meu quarto e olhando para a janela digo para mim mesma “Calma Chaerin você já passou por isso várias vezes, já deveria ate ter se acostumado. Só falta mais um ano para terminar a escola.” Ouvi os passos da minha mãe subindo as escadas, tinha certeza que ela iria vir para me tirar da cama e brigar comigo, mas ainda era apenas 7:35, se eu chegasse muito cedo na escola o que iria ficar fazendo lá? Ela bateu na porta e abriu.

Mãe: Eu e seu pai estamos saindo para trabalhar, já deixei seu café da manhã em cima da mesa e o seu almoço para você levar! Boa sorte no seu primeiro dia de aula, e tenha juízo se encontrar algum gatinho – me deu um beijo na testa e saiu.

Aqui as aulas começam as 09h00min horas e só terminam às 15h30min, por isso que eu tinha que levar almoço. Minha mãe sempre diz isso em relação aos meninos, à verdade é que eu nunca cheguei a gostar de um menino de verdade podia ser ate paquera, mas amor mesmo eu ainda não tinha encontrado. Quando eu pensava que o menino que estava gostando era o Deus grego, ele não me dava bola ou sempre tem uma turminha de meninas que ficam atrás dele olhando torto para mim. Por isso resolvi não me envolver com nenhum japonês! Depois que terminei de me arrumar, desci para tomar café e tinha um bilhete da minha mãe:



“Filha se precisar de alguma coisa me ligue, beijos mamãe.”

Ela sempre foi muito preocupada comigo, acho que era por ser filha única, ate mesmo depois de grande ela me tratava como se fosse uma criança. Por sempre estar trabalhando e chegando tarde, a gente mal se falava nos dias de semana e normalmente nos finais de semana meu pai inventava de sair, poucas vezes a gente parou e conversou, pois não dava pra conversar sobre tudo na frente do papai. Ela se preocupava muito também em assuntos sobre garotos, uma vez me disse para não casar com japonês, porque depois que eles se casam se tornam frios, e quando eu digo que o papai é japonês ela logo muda de assunto, ou fala que tem exceções porque ele sempre demonstrou muito carinho e amor por ela.
Assim que terminei de ler o bilhete, tomei o café e sai para ir pra escola. No caminho havia muitos estudantes porque em escolas japonesas os pais não podem levar os filhos de carro ate a escola, eu já era acostumada ir andando sem minha mãe desde pequena, quando a escola fica longe da casa pode ir de bicicleta, mas o problema que minha escola ficava dois quarteirões de casa por isso eu era obrigada a ir andando. Estava sentindo que tinha alguém me seguindo desde quando eu sai do meu prédio, quando olhei para trás havia um menino tocando o sininho da bicicleta para as pessoas darem licença para ele poder passar, tinha quase certeza que ele era da mesma escola que eu estava indo, parei para pensar se ele estava com pressa de chegar na escola que horas deveria ser? Tirei o celular da minha bolsa e quando vi o relógio era 08h35min eu tinha que estar na escola 08h40min porque todo mundo que entra na escola nova, tem que se apresentar para todos da sala e escrever seu nome na lousa. Mais um motivo para eu odiar mudar de escola, sempre quando me apresento fico vermelha de vergonha, e ainda por cima sempre soam alguns comentários: “Aquela aluna nova é coreana?” Apressei os meus passos e finalmente cheguei ao portão da escola, um alívio chegar na hora.

Ás duas primeiras aulas já havia acabado, tinha um pequeno intervalo para começar as outras aulas, de repente entraram na sala dois meninos do 3° ano eles estavam vindo na direção do menino que estava ao meu lado que ainda não havia levantado a cabeça pra nada. Um desses meninos que entrou na sala veio na minha direção.

Seunghyun: Você que é a aluna nova? – abriu um sorriso.

Eu olhei meio que assustada para ele, normalmente nos primeiros dias de aulas só as meninas falam comigo ou nem falam. A menina que estava na minha frente Seunghyunu da sala, e o menino que acabou de chegar sentou na cadeira dela de frente para mim, o outro menino que entrou junto estava vindo também na minha direção.

SeungRi: Você não vê que esta assustando a menina Seunghyun!

Logo em seguida eu resolvi responder para não parecer mal educada.

Eu: S-Sim sou a aluna nova.
Seunghyun: Não precise ficar com vergonha, viemos especialmente para te conhecer, por causa dos rumores que estão correndo pelo colégio que entrou uma coreana bonita na escola.

Eu fiquei sem palavras, realmente não sabia o que lhe responder fiquei apenas calada, ate que aparece mais um menino do 3° ano na porta da sala, onde todas as meninas pararam de fazer o que estavam fazendo para ficar babando por ele.

JiYong: Vocês não têm mais nada pra fazer? Do que ficar paquerando aluna nova. – indo para sua sala.

Um silêncio ficou logo após a saída desse menino, eu fiquei pensando o que será que ele tem para que todos ficassem calados como se tivessem respeito por ele.
SeungRi olhou para Seunghyun e foi andando em direção à saída da sala, Seung colocou sobre a minha mesa o celular dele e fez um sinal de silêncio para mim. Eu fiquei indignada com o gesto dele, eles pareciam que estavam com medo do outro menino que apareceu na porta. Olhei para o lado e o menino que estava debruçado sobre a mesa finalmente resolveu se levantar, quando olhei para o rosto dele, me lembrei do menino da bicicleta que estava atrás de mim hoje de manhã.


Ele apenas olhou para mim com uma cara de sono, se levantou e pegou o celular que estava sobre a minha mesa. Eu já não entendia mais nada, o que esses meninos dessa escola têm? A aula começou novamente e o menino que sentava do meu lado, ainda não tinha voltado para a sala, ninguém perguntava sobre ele e a professora continuava sua aula como se não estivesse faltando ninguém na sala. A imagem daquele garoto que estava na porta e que todos pareciam o “respeitar” não saia da minha mente, realmente eu estava curiosa para saber quem era esse garoto.

Finalmente bateu o sinal do almoço, cada aluno almoça na sua sala, como eu ainda não tinha conversado com nenhuma menina e era o meu primeiro dia de aula, era normal almoçar sozinha na minha mesa, estava almoçando quando alguém tampa os meus olhos. Quando consegui tirar as mãos dele sobre os meus olhos, vi que era o menino que

havia deixado o celular dele na minha mesa.

Seunghyun: Vou almoçar com você pode?

Eu fiquei novamente sem palavras.

Eu: Pode sim.
Seunghyun: Qual o seu nome?
Eu: Chaerin e o seu?
Seunghyun: Huum... Chaerin-chan! Que bonito nome, pode me chamar de Seunghyun.
Eu: Seunghyun?
Seunghyun: Sim pode me chamar assim.

Na primeira impressão pensei que ele fosse aqueles meninos que só dão em cima de novatas que não ligam para os sentimentos das meninas, e brincam com os seus corações, mas percebi que ele é simpático e que não parece ser “aquele” mulherengo.
Seunghyun tira do bolso o seu celular.

Seunghyun: Você conseguiu pegar o número?
Eu: Er... Não!

Eu nem iria imaginar que ele tinha colocado o celular sobre a minha mesa para que eu pegasse o seu número.

Seunghyun: O besta do Tae pegou o meu celular da sua mão?
Eu: Não foi isso.

Seunghyun: Então anote meu número ai...

Ele foi falando o número e eu apenas anotei em uma folha de caderno, mal o conhecia e ele já estava passando o seu número, era meio estranho. A menina ruiva que senta na minha frente estava vindo na minha direção.

Bom: Mal a coitada entrou na escola e o Seunghyun já ate passou o seu telefone, não se preocupe menina logo ele cansa e deixa de encher seu saco.
Seunghyun: Eu não vou fazer nada com ela como fiz com você!
Bom: Isso amor! – começando a mexer no meu cabelo – Não faça o mesmo que fez comigo porque ela me parece muito inocente. Com o passar do tempo ela vai descobrir que pessoa realmente é você!
Seunghyun: Não encoste um dedo nela – tirando as mãos dela do meu cabelo.
Bom: Qual o seu nome mesmo?
Eu: Lee Chaerin e você?
Bom: Sou Park Bom, pode me chamar de Bom.
Seunghyun: Ela não precisa ter tanta intimidade com você!
Bom: Verdade né? Depois que você cansar de brincar com ela, ela não vai mais querer ser minha amiga. – sendo irônica.

Entra na sala o menino que sentava do meu lado.

TaeYang: O sinal já bateu o que faz aqui ainda?
Seunghyun: TaeYang você esta me expulsando?
TaeYang: Só estou falando para o seu bem.
Seunghyun: Tudo bem cara, nós iremos terminar a nossa conversa fora da sala! Vêm Chaerin-chan – me puxando pelo braço.

TaeYang segura meu outro braço.

TaeYang: Ela não tem nada a ver com a briga entre você e Bom.

Seunghyun fica com um olhar de raiva para TaeYang, e Seunghyun da sala batendo a porta. Mais uma vez fiquei sem entender o que estava acontecendo entre eles, TaeYang sentou no seu lugar e voltou com a mesma posição que tinha começado a aula. No meio da aula Bom virou para trás.

Bom: Você deve estar curiosa sobre esses meninos.
Eu: Não! Não!
Bom: Pode falar a verdade.
Eu: Ta bom eu estou.
Bom: Como posso começar a te contar... Nessa escola tem os quatro meninos mais populares da escola, sendo o líder Know JiYong ele é do 3° ano, sua mãe é a dona da escola e seu pai é dono de um hospital, ele é considerado o líder por esses motivos e além de todas as meninas dessa escola amar ele, mas ele não liga muito para isso. O seu braço direito é o Dong Youngbae, mais conhecido como TaeYang esse que esta sentando ao seu lado, é considerado o mais temperamental e o rebelde, mas mesmo assim as meninas o amam. SeungRi é o caçula dos quatro ele é do 3° ano também, ele é o mais educado e o estudioso, sempre esta estudando para ser o melhor da sala, dificilmente você o encontra de mau humor e por último Seunghyun ele é o que todos sabem menos de sua vida, o mulherengo dos quatro.

Bate o sinal do final da aula, Bom estava se levantando quando ela vira.

Bom: Ah! Deixa te avisar JiYong o líder, ele não gosta de coreanos, ate estava proibido a entrada de estrangeiros na escola, mas você teve sorte de conseguir entrar aqui. Não ligue, se ele não te olhar ate ele se formar.

Estava indo embora pensando na última frase de Bom, porque será que ele não gosta de brasileiro? Isso não me importava mesmo, como Bom tinha dito eu tive sorte de entrar nessa escola, eu nem conhecia o garoto pra que iria querer saber o porquê disso. Havia um sininho tocando atrás de mim um bom tempo, como estava tão pensativa não tinha prestado atenção nesse sininho, logo ouço.

TaeYang: Acho que vai ser difícil passar se você não me der licença.

Conhecia essa voz de algum lugar resolvi virar para trás para saber quem era, TaeYang breca a bicicleta com tudo, tirando os fones de ouvido.



TaeYang: Menina você esta louca?
Eu: Desculpe!

Virei para frente e dei espaço para ele passar, comecei a andar e TaeYang não tinha me ultrapassado ainda, ele ficou do meu lado.

TaeYang: Se não quiser se machucar não mecha com nenhum de nós quatro.

E saiu na minha frente pedalando mais rápido. Desde manhã só estou refletindo com as coisas que todos falam, não sabia o que fazer se eu pudesse queria mudar de escola, mas tinha acabado de chegar à cidade e entrado nessa escola. Estava começando a ficar com medo dessas pessoas, mas parei para pensar me machucar? Em que sentido ele quis dizer isso?
Cheguei em casa e ninguém tinha chegado ainda, resolvi ligar para minha amiga contei tudo o que estava acontecendo só ela podia me entender, acho que nem minha mãe me entenderia.

No dia seguinte cheguei à escola e TaeYang ainda não estava fiquei mais sossegada quando não o vi, porque depois que o mesmo disse aquilo para mim fiquei com um pé atrás em relação a eles, tive medo de encontrar eles nos corredores, de cruzar olhares, tive medo de que Seunghyun viesse falar comigo novamente, não sabia como reagir se nos encontrássemos, minha cabeça estava no ponto de explodir de tanto que estava pensando ultimamente.
O sinal bateu e nenhum deles apareceu até agora, nem se quer a Bom tinha chegado à sala. Quando bateu o sinal do intervalo entre as duas primeiras aulas, fui ao banheiro e lá ouvi umas meninas dizerem que Seunghyun e Bom estavam discutindo lá fora desde o começo das aulas, Sai do banheiro com a cabeça baixa ainda com medo de encontrar alguns deles e de repente esbarrei em alguém, antes de erguer a cabeça passou tudo pela minha mente, só estava rezando para que não seja nenhum deles quando ouço a voz...

Seunghyun: Chaerin-chan você esta bem?
Eu: Er... Sim estou. – indo à direção a minha sala.
Seunghyun: Hoje posso almoçar com você? – segurando meu braço.
Eu: Acho melhor não! – tirando a mão dele e continuando andando.

Notas finais
Sei que não está bom, mais no decorrer fica melhor, prometo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.