Forever Now

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
OiOi, gente!One shot aqui.

Entrei no quarto já batendo a porta com força. Eu não aguentava mais, foi a gota d’água. Em cima da minha bela penteadeira estavam vários perfumes e produtos caros, que fiz questão de jogá-los no chão sem dó nem piedade. Tudo ali foi ele quem me deu. Eu não precisava mais.

A sua cara de cinismo ainda assombrava meus pensamentos enquanto eu me jogava na cama, as lágrimas banhando o meu rosto. Eu não possuía mais forças para aguentar o que ele fazia comigo, não depois de tanto tempo.

As traições sempre frequentes, a frieza como me tratava, o seu ego exacerbado, tudo me causava raiva e náuseas. E eu, que por tanto tempo tentei me manter fiel a um casamento, meu símbolo, fui tratada como uma qualquer. Eu não saberia dizer se o conhecia, no começo ele sempre fora carinhoso e atencioso, mas com o passar das eras foi criando uma casca dura, me tirando de sua vida. Minha hipótese mais plausível é que somente se casou comigo pelo poder que teria. E infelizmente ele conseguiu.

De qualquer jeito eu estava farta. Cansei de fingir ser cega, de não ver suas frequente fugas, suas noites ao lado de outras, o seu sarcasmo para comigo. Finalmente vou poder me libertar desse mal que me assolou por eras.

Sempre acreditei na união, na felicidade da família, na fidelidade. Diversas vezes fui taxada de vilã, mas só o que eu fiz foi tentar manter minha família perfeita unida. O problema é que nunca cooperaram, ele nunca cooperou. E isso quebrou a fina camada de cristal que nos envolvia.

A determinação tomou conta de mim e prontamente me levantei, rumando para o closet. Peguei uma mala e soquei nela as minhas roupas de qualquer jeito. Eu tinha que ser rápida, sempre que discutíamos ele voltava para me fazer desculpá-lo, mas não desta vez.

Respirei fundo e enxuguei minhas lágrimas. Sei que fugir é arriscado e eu estaria abandonando tudo que construí com esmero, com certeza tudo aqui ficaria desajustado. Porém a minha mente estava abalada demais para manter tudo aqui nos eixos.

Eu conseguia ouvir a sua voz retumbante ecoando pelas paredes e clamando o meu nome, cada vez mais perto. Com dificuldade fechei a mala e com um estalar de dedos mandei-a para o meu refúgio, um lugar que ninguém encontraria. Num estrondo a porta foi escancarada e meu nome berrado outra vez. Imediatamente tranquei a porta do closet, numa tentativa falha de me esconder. Através da madeira oca eu ouvia sua respiração e passos pesados, a ansiedade não contida por meio de suas atitudes.

Encolhi-me contra a parede quando percebi a sua aproximação. Sua sombra era vista pela fresta da porta e sua respiração era como a de uma fera. A maçaneta foi girada, mas a porta não foi aberta.

– Hera, abra essa porta agora. – Eu não sabia se era eu ou a porta que estava tremendo. Talvez nós duas. – Vamos, eu não tenho todo o tempo do mundo, abra agora ou eu não vou ter mais controle dos meus atos.

Como se você sempre tivesse, completei sarcasticamente em meu pensamento. Um nó se fez em minha garganta quando um chute foi posto contra a pobre madeira que me protegia, me fazendo pular. Eu não poderia ficar mais ali.

Comecei a concentrar minha mente em algum lugar movimentado e difícil de me encontrarem, mas as batidas me deixavam desnorteada, sem foco. Juntei todas as minhas forças e assim comecei a me desintegrar.

– Nem pense em fug... – Não consegui terminar de ouvir sua frase já tão conhecida por mim.

Quando abri os olhos me vi dentro de uma cafeteria lotada. Garçonetes iam de lá para cá atender aos pedidos dos clientes afobados enquanto o sininho da porta soava sem parar, indicando a saída e a entrada das pessoas. O falatório era terrível e era difícil distinguir o cheiro das comidas. Milagrosamente eu estava com uma mesa só para mim.

Olhando pela vidraça vi a movimentação das pessoas, cheias de sacolas com presentes de Natal. A neve caía imaculada, manchando de branco as ruas e toldos das lojas. É, a 5ª Avenida era uma boa opção para me camuflar.

Suspirei aliviada, sentindo a adrenalina finalmente se esvair. Levei um susto quando senti uma mão sobre o meu ombro e me virei assustada, cogitando a possibilidade de ser Zeus. Por sorte era somente uma garçonete, que me olhou com um sorriso culpado. Ela me perguntou o que eu queria e depois de alguns minutos olhando o menu eu havia me decidido, deixando-a ir até a cozinha.

Eu não tinha a mínima ideia do que iria acontecer depois da fuga. A previsão de volta estava incogitável no momento, fazendo um misto de emoções surgirem dentro de mim. Era ótimo ter liberdade, mas uma imortalidade sem objetivo era um tanto quanto triste e tediosa.

Além disso, o Olimpo entraria em caos, já que sou a única que consegue manter tudo em ordem.

A noção das horas saiu do meu alcance, enquanto eu me perdia em meus pensamentos. Ao longe eu ouvia o burburinho das conversas e o tilintar agudo do sininho da porta. Um descafeinado acompanhado de um muffin de chocolate foi posto a minha frente, a pessoa saiu tão afobada que não me deu tempo de agradecer.

Quando fui levar o copo cheio do líquido quente a minha boca, um ser que não presa à vida esbarrou em meu braço, fazendo todo o conteúdo cair sobre mim. Fiquei estática, sem reação. Antes que eu pudesse me virar, já ouvia a pessoa pedir desculpas e sua mão em meu ombro.

– Sinto muito mais uma vez. – A voz grossa penetrou em meus ouvidos de novo, me fazendo arrepiar. Lentamente olhei para o rapaz ao meu lado e quase entrei em transe com sua beleza descomunal. – Posso me sentar?

Fiquei muda por um tempo e eu não percebi que havia o deixado sem resposta. Ele franziu as sobrancelhas negras num gesto de confusão e imediatamente eu me dei conta. Com um sorriso envergonhado apontei o banco estofado de frente para o meu.

Enquanto ele se largava sobre o sofá a confusão se apossava de mim. Eu não agia daquele jeito. Eu não fico envergonhada de jeito nenhum e já teria o pulverizado por conta de ato desastrado. O que está acontecendo comigo? Por mim!

– Olá? – Estremeci e saí de meus devaneios quando sua mão encostou-se à minha. – Você estava um pouco desligada. Meu nome é Tony, e o seu?

Fiquei em silêncio encarando as suas orbes verde-mar. Inventaria um nome ou não? Nunca tive nenhum tipo de relação com mortais que não conheciam realmente a minha identidade, e não seria agora que eu quebraria essa prática.

– Hera. – Minha voz saiu rouca e eu imediatamente tomei um pouco do descafeinado que sobrou. As sobrancelhas grossas de Tony foram franzidas e sua testa enrugada. – Prazer em conhecê-lo – Soltei rapidamente.

Ele assentiu e sorriu, mostrando dentes brancos e alinhados, além de duas covinhas nas bochechas que eram escondidas por sua barba por fazer. Realmente muito charmoso.

– Que legal, igual à deusa grega! – Exclamou feliz. Arqueei minhas sobrancelhas. – Ah, desculpe, você não deve conhecer sobre mitologia grega...

– Conheço sim! – E muito, completei em pensamento. Ele sorriu animado. – Minha mãe colocou esse nome justamente em homenagem à deusa.

Ele sorriu de lado e levou a xícara até a boca, sobrando a fumaça antes de beber o líquido. Mordi meu muffin para me ocupar com algo que não seja observar o bonito ser diante de mim.

– Eu já estive na Grécia. – Ele comentou depois de engolir um pedaço de bolo. – Muito bonito o lugar. Quem sabe um dia eu volto?

Sorri. Talvez ele pudesse aceitar com maior facilidade o fato de eu ser uma deusa. Oh, céus! Olhe o que eu estou pensando!

Balancei a cabeça para afastar esses pensamentos irreais e me concentrei em sua conversa cativa. Ou melhor, nos seus gestos que me prendiam. O simples fato de ele bagunçar o cabelo preto já arrepiado, ou de sorrir de lado timidamente já me faziam esquecer o tema da conversa, o fazendo chamar minha atenção diversas vezes.

– Mas eu só estou falando de mim! – Ele comentou entre risadas. Sorri um pouco sem jeito, sem saber o que contar. Já vivi tanto que as histórias eram várias, e escolhê-las assim tão de repente era um pouco demorado. – Quero saber mais sobre você.

– Eu não tenho o que falar sobre mim. – Dei de ombros, mentindo descaradamente. O que eu mais queria era partilhar com alguém um pedaço da minha vida real. – Sou mais uma dessas pessoas que vagam por Nova York.

Ele me olhou desconfiado, não caindo na minha laia. Suspirei pesadamente, olhando a garçonete retirar da mesa tudo o que utilizamos. Quando eu finalmente ia dar uma resposta o celular dele tocou. Pediu licença, atendeu e começou uma breve discussão, que foi finalizada minutos depois.

– Sinto muito – ele comentou após um suspiro. O olhei sem entender. – Infelizmente vou ter que ir, tive alguns problemas na firma.

– Ah. – Foi a única coisa que saiu dos meus lábios, mas que expressou toda a minha chateação. Tony me olhou entristecido.

– Mas não acredito que esta seja a última vez que nos vemos. – Seus olhos relampejaram divertimento. – Que tal nos encontrarmos aqui amanhã e no mesmo horário? Talvez você fale um pouco sobre si mesma, já que é tão misteriosa.

Minha boca se abriu em surpresa. Aquilo seria um encontro? Nunca estive em um. Quando casei com Zeus foi algo direto, sem romantismo. O encarei ainda chocada.

– Pode ser. – Falei um pouco receosa. A insegurança tomando conta de mim.

Tony mordeu os lábios escondendo um sorriso e segurou minha mão, levando aos seus lábios e depositando um beijo. Arfei diante do gesto tão galante.

– Foi um prazer te conhecer, Hera. – Ele se inclinou. – Mal posso esperar para te ver amanhã.

E depositou um beijo no canto da minha boca, fazendo o meu coração acelerar e os arrepios incontroláveis tomarem conta de mim. Fechei os olhos, somente para apreciar o carinho tão gentil.

– Eu também. – Quase sussurrei, observando-o se distanciar, ainda com os olhos sobre mim. Somente com o tilintar do sino da porta que eu pude realmente relaxar no banco, suspirando pesadamente.

O que estava acontecendo? O que era aquilo tudo? Eu realmente não sabia. O estrago já estava feito e eu estava me deixando levar pelos meus sentimentos, mas tinha certeza de que não queria voltar para o Olimpo tão cedo.

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Olá gente!

Tudo bom?

Essa é a minha primeira one shot sem ser Poseitena e com um ponto de vista um pouco incomum: o de Hera.

Espero que tenham gostado, porque eu fiz com muito amor e carinho :DD

Mandei reviews, oks?

Beijos e até lá

Anne Sophie.

P.S.: Quem gamou no Tony levanta a mão o/

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!