Forever
14 Segundas Chances
Notas iniciais

Durante aquele tempo, Jade era lembrada constantemente, por mim, e nossos amigos até mesmo pela Tori de que estavamos realmente juntos, e ela assistiu a vídeo nossos, olhou para fotos cerca de várias vezes. Ela estava lentamente percebendo que a vida não era um sonho ruim, do qual ela despertaria mais cedo ou mais tarde, e vivenciava uma nova realidade. E, por mais que me rejeitasse quando não conseguia se lembrar de que havia memórias que não conseguia acessar, ela sempre tinha a sensação de que eu estava lá, como seu protetor e companheiro. Ela sabia que havia algo especial em mim, pois eu sempre me esforçava ao máximo para estar com ela e ajudá-la e dizia:
“Eu acho que, se me apaixonei por esse cara antes, provavelmente posso fazer isso novamente.”
Um mistério enorme para mim, ainda, era a dificuldade de saber no que Jade estava pensando de um minuto para outro. Suas flutuações de humor eram bruscas e imprevisíveis. Francamente, nosso relacionamento, como um todo, era imprevisível. Eu não sabia mais como Jade era, e não sabia se seu verdadeiro eu, qualquer que fosse, estava representado por suas ações, ou se havia uma desconexão entre o que ela pensava e o que ela fazia. Eu me perguntava se, talvez, em sua cabeça, ela soubesse como devesse se comportar, como interagir comigo, como controlar sua raiva, como demonstrar carinho e como perdoar, mas não conseguisse colocar todo esse conhecimento em prática devido à sua lesão. Ou podia ser que ela não tivesse noção sobre qualquer uma daquelas coisas. Quem sabe estivesse realmente comunicando o que pensava e sentia. Talvez essa fosse a nova Jade.
Naquele ponto, Jade e eu mal conseguíamos ficar no mesmo cômodo sem brigar. E eu sabia que a culpa não era toda dela. Eu precisava de ajuda. teria que me desmontar por inteiro para poder me reconstruir na forma do namorado que eu precisava ser para ela, e eu finalmente percebi que alguma outra pessoa teria que me ajudar a fazer aquilo. Assim, finalmente aceitei o conselho de André e liguei para o hospital psiquiátrico estadual para marcar uma consulta. Era estranho pensar em conversar com um psicólogo sozinho, depois de ter passado por tantas sessões ao lado de Jade. Mas eu, realmente, não tinha escolha: havia trabalhado para conseguir aquilo durante mais de 6 meses sem sucesso. Havia desapontado a Jade, e aquela sensação era devastadora.
Compareci à minha primeira sessão com o psicólogo Mike Hill, cuja sabedoria e perspicácia logo teriam um forte efeito sobre mim. Ele não era um terapeuta comum. Não era esnobe nem reservado. O que se via era a pessoa real. Um homem amigável, aberto e que não tinha medo de absolutamente nada.
Contei toda a nossa história a Mike, terminando com a certeza de que, embora não pretendesse terminar com Jade, seria difícil vivermos juntos e sermos felizes, e a minha melhor chance seria ajudá-la a chegar a um patamar em que ela pudesse ser autossuficiente e viver sozinha. Ele pensou por um minuto antes de perguntar:
— Por que você acha que Jade decidiu ficar com você?
— Porque sou divertido, charmoso, inteligente e bonito. — Eu disse, em tom de piada. Mike sorriu, mas não respondeu. Ele esperou pacientemente pela minha verdadeira resposta.
— Acho que foi por causa da maneira que eu a tratava, eu não tentei muda-la eu a aceitei do jeito que ela era. — Respondi, finalmente. — Eu estava interessado nela como pessoa, não apenas como uma garota com quem eu poderia ter um relacionamento, e acho que ela gostava disso. Éramos almas gêmeas antes de nos apaixonarmos. Sempre houve um lado muito forte em nosso relacionamento, desde o começo.
— E como você a trata agora?
— Como um pai. Como um treinador.
— Então ela acha que está namorando com o pai?
Foi a minha vez de sorrir.
— Você me pegou nessa, Mike. Não sei como ela se sente. Sei que ela está disposta a aceitar que nós estamos juntos porque todos ficam dizendo isso a ela. E, honestamente, acho que ela quer me amar como namorado. Mas, no fundo, eu não sei realmente se ela sabe quem eu sou.
Depois de algumas sessões com Mike, quando ele já tinha uma boa ideia sobre a nossa situação, ele achou que seria uma boa ideia trazer Jade comigo para uma das sessões. Ela concordou, e sua conversa com Mike acabou sendo a resposta que precisávamos para começar a colocar nossas vidas de volta nos trilhos.
Assim, Jade veio à minha sessão de terapia. Ela e Mike conversaram por algum tempo, e Mike lhe disse:
— Sabe Jade, não acho que você se lembre de ter conhecido, e namorado com Beck.
Por mais inacreditável que isso pareça agora, ninguém nunca havia lhe dito aquelas palavras simples.
O rosto de Jade se iluminou com a revelação de Mike.
— É isso mesmo! — Ela disse, animada. — É isso! Não admira que tudo seja tão esquisito.
Todos nós entendíamos que Jade havia perdido sua memória. Sua família, amigos e eu sabíamos que ela não se lembrava de haver me conhecido, ou namorado comigo. O que não havíamos percebido era que, apesar de inúmeras conversas durante seu período de reabilitação, Jade não entendia realmente o que havia acontecido com ela. As pessoas lhe diziam incessantemente que ela estava namorando comigo, que ela era a garota que aparecia nos vídeos e nas fotos, mas ninguém havia lhe falado de forma tão clara e concisa quanto Mike, naquele dia, em seu consultório.
Jade sabia que sua memória havia sido apagada, mas ela se sentia confusa porque achava que devia me conhecer, embora não conhecesse. O que ela finalmente percebeu era que não havia qualquer problema em não me conhecer. Não era sinal de que ela estava louca. Ela não estava em um sonho. Ela simplesmente não conseguia lembrar-se da nossa vida a dois porque sofria de amnésia. Com aquilo em mente, ela não tinha que me conhecer. Era impossível. E não era sua culpa não poder se lembrar de nada.
Assim, Mike desenvolveu um plano. Nós já havíamos percebido que nossos papéis no namoro estavam muito confusos. Estávamos vivendo como técnico e atleta, ou como pai e filha, não como namorado e namorada. Em resumo, eu tinha todo o controle e esperava que ela seguisse as minhas ordens. Havia pouco da troca que caracterizava um namoro saudável. Mike nos ajudou a ver que precisávamos reestabelecer a igualdade em nosso namoro. Essa igualdade havia sido arrancada pelo acidente, tínhamos que reconstruir uma história em conjunto.
— Você e Jade precisam recomeçar. — Mike explicou. — Jade não tem um conjunto de lembranças compartilhadas que incluam você. Memórias compartilhadas deixam um rastro de ligações emocionais que ela pode seguir até o momento em que vocês se conheceram, mas essa é uma jornada emocional que ela não se lembra de haver vivenciado, e, assim, não é de se espantar que ela pergunte: “Como foi que cheguei até aqui?” Um novo conjunto de memórias, das quais ela consiga se lembrar, vai construir novos laços emocionais entre vocês. Acho que a velha Jade não vai mais voltar. É hora de você conhecer a nova Jade. E é hora de permitir que ela venha a conhecê-lo.
— E o que devemos fazer agora? — Eu perguntei.
— Como você conheceu a velha Jade? — Rebateu Mike.
— Nós saímos para namorar. Fomos assistir a peças, íamos ao cinema, jantávamos com amigos...
— Então se permita conhecer a nova Jade da mesma maneira.
— Começar a "flertar" minha própria namorada? — Pensei em voz alta.
— É uma maneira de substituir as memórias que Jade perdeu. Para ela, vocês não têm um passado a dois, nenhuma base sobre a qual possam construir um relacionamento sólido. É uma segunda chance de conhecê-la.
Fiquei animado com a possibilidade de ter uma segunda chance com Jade. Para mim, eram duas maneiras de ter uma segunda chance. Em primeiro lugar, eu ganharia uma nova oportunidade de fazer as coisas darem certo depois do acidente. E, em segundo lugar, teria mais uma chance de conhecer aquela mulher maravilhosa. Eu havia gostado muito da primeira vez, e esperava gostar igualmente da segunda.
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