Forest Lake
8 Capítulo Oito - A Ajuda
Notas iniciais
6h00min, Domingo, Novembro de 2014.
Sandy, Will e Selena saem do carro e encontram a porta da casa de Sandy destrancada. Will entra primeiro, Sandy e Selena ficaram atrás do Will. Ele puxa do seu bolso sua carteira e de lá puxou um canivete. Os três dão passos pausados, a porta do quarto de Sandy estava escancarada. Eles vão entrando vagarosamente quando Selena sente uma mão segurando por trás o seu ombro, e ela era a última da fileira dos três. Selena grita alto em um tom grave meio agudo.
–NÃÃÃO!
Sandy e Will se assustam e viram-se. Quem tocou o ombro de Selena tinha cabelos castanhos arrepiados, pele relativamente branca, olhos verdes e uma barriga grande.
–Espera, espera! Calma... Calma... –Dizia Marvin a Selena.
–Calma Selena, este é o Marvin, meu irmão. –Sandy esclarece a Selena.
–Ah... Seu... Irmão... –Selena respira fundo. Ela ainda estava assustada.
–Prazer, e seu nome... –Marvin aguarda Selena apertar sua mão. Até ele ser surpreendido por um punho de pele escura acertar seu olho com muita força. Marvin cai sentado no sofá.
–Selena! – Sandy reclama e vai ajudar seu irmão.
–Desculpa tá legal, mas ele me deu um susto. –Selena limpa sua mão.
–Marvin, você está bem?!
–Eu estou. E, deveria deixar a porta trancada, alguém pode entrar e nos roubar! –Marvin sentia seu nariz deslocado. Sandy pegou gelo no congelador e passou com cuidado no minúsculo nariz do irmão. Marvin Campbell tinha 17 anos, e era o irmão gêmeo de Sandy, mas, por trabalhar direto em um restaurante, Marvin chegava muito tarde a casa deles. Por causa do abandono do pai dos gêmeos Sandy e Marvin, os dois decidiram morar sozinhos no apartamento do estado de Minnesota.
–E então, o que tá fazendo aqui? Não é seu horário de trabalho?
–Fui dispensado. Acabei de chegar. Assim como vocês. –Com todos distraídos, Will escorrega no corredor, tinha água por todos os lados. Will foi investigar sem que ninguém percebesse. Abre então a porta do quarto de Selena enquanto Marvin, Sandy e Selena se distraíam. Will se assusta com a cena que via. Diana caída no chão cheio de água e panos de chão ao seu redor. O aquário transformou-se em um cemitério de peixes, milhões de cacos de vidro impediam que o dono do quarto andasse tranquilamente ali. Will só detectou sangue na testa de Diana, mas nenhum sinal de morte. Ela estava apenas desacordada. Mas Will não sabia disto:
–Galera, venham ver isto aqui! –Will chama a todos. Os três entram e ficam perplexos.
–Diana! –Sandy corre para o chão e sente o pulso de Diana.
–Meu aquário! Que droga! –Marvin vai em direção à mesinha do aquário arrebentado.
–Ela está viva. –Will murmura aliviado andando em direção a Diana e Sandy que estavam no chão. Selena, por sua vez, sentiu-se constrangida em não precisar ajudar em nada e tenta cobrir a sua disponibilidade no quarto e diz:
–O AQUÁRIO! –Selena joga-se no chão molhado para ajudar Marvin a tentar remontar o aquário, mesmo sendo impossível.
Diana enfim abre os olhos, ainda processando o motivo de estar deitada no chão, observa os rostos preocupados de seus amigos Sandy e Will.
–Você está bem? –Will pergunta a Diana.
–Eu tô legal... –Diana responde levantando-se com a ajuda de Sandy.
–Traga ela para a cozinha. –Sandy ordena. Will vai guiando Diana até a cadeira da cozinha.
Logo, Diana já parecia melhor, seu rosto não estava tão pálido a ponto de se preocupar. Após algumas horas, todos estavam sentados nas cinco cadeiras da cozinha, Sandy tirava do forno com a ajuda de Marvin, uma lasanha tamanho família, afinal, todos ali tinham fome, principalmente o Sandy, Will e Selena que passaram aquele tempo no interrogatório.
–Não precisava de tudo isso... –Diz Selena sendo educada, apesar de estar com muita vontade de afundar o seu rosto naquela massa.
–Ah, não fale nada, vocês são nossos convidados. Sirvam-se! –Diz Marvin a Will, Selena e Diana, que estava com um esparadrapo na região da testa, onde tinha se ferido.
–A propósito, Diana, já que está melhor, pode nos explicar o que aconteceu? –Sandy estava muito curiosa, pois Diana era a última pessoa que ela achava que encontraria caída no chão da sua casa. Nem se Penny aparecesse caída no seu quarto ela não iria se surpreender tanto, afinal, Penny era uma pessoa amarga, que fazia inimigos todos os dias com seu nariz empinado e seu cabelo alisado pela chapinha, e qualquer pessoa teria o prazer de quebrar um aquário na cabeça dela.
–Bom hoje, eu estava dirigindo, quando me faltou gasolina, e foi justamente do lado de sua casa. Então eu bati, mas ninguém atendeu. Foi quando percebi que sua porta estava aberta. Então quando entrei, vi que um aquário imenso estava com uma rachadura. Não quis que você achasse que fui eu a responsável, mas também não queria deixar seu quarto virar um rio. –Sandy assustou-se ao lembrar-se daquele sinal da rachadura, pelo menos, mais alguém presenciou a “coincidência”– Foi aí que fui a sua cozinha procurar panos de chão, quando senti um calafrio. Voltei ao quarto e percebi que o aquário havia aumentado à rachadura, e eu juro a vocês que eu vi! Não foi impressão!
–Acreditamos em você. Continue, fale cada detalhe. –Diz Will.
–Tudo bem, então eu pus aqueles panos de chão perto do aquário, e aquela maldita linha só aumentava e espirrava mais água. Foi aí que a mesinha do aquário começou a entortar, como se o aquário estivesse ficando cada vez mais pesado– Selena fazia uma expressão de surpresa, Will estava de boca aberta sem perceber– Foi aí que peguei qualquer livro da J.K. Rowling pra igualar as duas pernas da mesinha. Corri e tentei te ligar, Sandy, mas não consegui. –Sandy puxa seu celular do bolso e vê que ela não recebera nenhuma mensagem– Foi então que vi o aquário quase caindo no chão, joguei-me no chão para salvar os peixinhos, eles pareciam agressivos no meu ponto de vista.
–Agressivos? Sério isso? –Marvin interrompe, mas logo leve uma bronca de Sandy para que Diana continuasse:
–Calado Marvin! E o que mais, Diana?
–Bem, não houve muita coisa depois, só sei que na hora H que eu consegui segurar o aquário... Eu ouvi um grito seguido de uma voz. Era meio fino, não sei de quem era... Mas essa voz pedia ajuda: “SOCOOOOORRO! ME AJUDEEEEM!”, foi aí que o aquário se despedaçou nos meus braços. –Sandy sentiu um horrendo vento gelado quando Diana reproduziu a voz que ela ouvira– Só me lembro disso, eu devo ter batido a cabeça depois que o troço explodiu...
–Diana... –Selena acaricia seu braço arrepiado.
–O que, Selena?
–A voz que você ouviu... –Selena manteve sua frase incompleta. Sandy fez questão de termina-la:
–Foram as últimas palavras da Charlotte. –Sandy revela.
–Como assim?! A Charlotte morreu? –Diana estava perplexa.
–Ela foi morta há algumas horas. –Will revela com uma certa dor no peito.
–Charlotte... A nossa Charlotte? Charlotte Mason? Loira, cabelo ruim, rechonchuda, A NOSSA CHARLOTTE?
–Sim... –Selena suspira.
–Ai meu Deus. Onde, como? –Assim como Diana, Marvin também estava sem entender nada.
–Foi... Em um ataque de piranhas no Lago Queirozz... Ela até conseguiu sair da água, mas o cais do lago quebrou e ela caiu de novo no lago...
–Queirozz? Eu sempre nadava neste lago com minha namorada! Meu Deus! Ninguém nos informou! –Marvin assusta-se.
–Como vocês sabem disso tudo? –Diana arregala os olhos.
–Sandy previu que ela iria morrer. –Will responde.
–De novo, Sandy? –Marvin fica sério. Selena não parava de pôr comida em sua boca.
–É... Eu tive outra premonição... Como no cinema, só que desta vez, eu não consegui impedir... –Uma lágrima desce de seu olho esquerdo. Marvin a abraça e consola e coitada:
–Você fez o que pôde... Não se preocupe, vai achar um jeito de livrar-se desta culpa. –Marvin acaricia os longos e ondulados cabelos castanhos de Sandy, que levantou sua cabeça e disse:
–Eu já achei. –Assim, Sandy corre para a cozinha, desenrosca a chave do carro do chaveiro pendurado que lá havia, e diz:
–Selena e Will. Venham comigo, e depressa. –Sandy corre para o elevador rumo ao estacionamento. Selena e Will, que já tinham se servido, despedem-se de Marvin e Diana, e vão embora. Diana, por sua vez, não sabia do que eles estavam falando, mas os seguem com intenção de ajudar. Marvin fica só no apartamento e pensa em voz alta:
–Droga, sobrou pra mim lavar os pratos... –Marvin passa a mão na nuca.
O Domingo estava só começando. Logo,... Sandy, Selena e Will descem de escada, e Diana também:
–Gente, o que é que tá acontecendo? Primeiro o Howl... –Esta conversa rolava enquanto todos desciam rapidamente as escadas– E agora a Charlotte?
–Por que você acha que temos algo a ver com estas mortes? –Will pergunta correndo ao lado de Selena e Sandy.
–Dá pra ver... Nos olhos de vocês, a preocupação, – Selena para de correr– o desespero, – Will também para– e a culpa. – Sandy, por sua vez, para de descer as escadas instantaneamente como os outros. Diana percebera o ponto fraco de cada um sobre aquela situação, só pelo olhar de cada um enquanto ela contava a história.
–Eu posso não saber o motivo desta “corrida contra o tempo”, mas, eu sei o básico. –Diana suspira.
–O básico?! –Sandy perguntas suspirando.
–Ah, como poucos dos seus amigos, eu acredito nos sinais quando algo alguma coisa ruim vai acontecer, e agora, sei sobre essa matança dos sobreviventes. E que, isso não vai parar. Não agora. –Sandy se surpreende pela forma que Diana encarou essa realidade, ela realmente parecia disposta a descobrir tudo, Diana se sentia exatamente como o trio. – Eu não estou pedindo para que vocês me deixem fazer parte da equipe... Só estou me oferecendo, para dar uma ajudinha... Afinal, vocês viram que eu ouvi as últimas palavras da Charlotte, mesmo eu estando mais de seiscentos km longe dela. Eu sou quase como você, Sandy. –Selena sentiu ciúmes depois desta frase– E, eu, acredito que eu posso ser útil. Agora... Eu quero a... Resposta. –Todos se entreolham... Diana realmente poderia ser útil.
–Anda, não temos tempo pra isso! A delegacia fecha logo, logo. –Selena realmente não achou uma boa ideia, pois era possessiva, e queria seus amigos só pra ela.
–Espera Selena. Então Diana... Na atual conjuntura, como estamos precisando mesmo de uma ajudinha extra, você... Pode vir com a gente. –Sandy decidiu.
–Ah, claro, obrigada. –Por dentro, Diana estava soltando fogos de artifícios e dançando de tanta alegria, mas decidiu demonstrar seriedade no momento, ser, igual à Sandy.
–Mas, antes, precisa ficar a par de algumas coisas, para ver se você concorda.
– Que... Coisas? –Diana hesita.
–Vamos te contar tudo no carro. –Will responde por Sandy.
–Ok... Agora... Que tal sairmos desta escadaria antes que alguém caia e quebre o pescoço igual a que eu vi na novela? –Selena aponta para a saída. Eles já estavam no térreo.
–Vamos, então. –Os quatro andam até chegar ao carro. Diana gostou do carro de Sandy, combinava com a sua cor de cabelo, vermelho.
Meia hora depois...
–Nossa, que doideira. Por isso vocês estão nessa correria. Mas, agora que a Charlotte morreu, e vocês não têm ligações com a família do Howl, só resta uma saída mesmo... Que situação... Agora que vocês estão falando... Lembro-me de uma vez que li algo deste tipo em um livro. Sobre a morte. –Diana lembra.
–Jura?! E você se lembra do nome do livro? –Sandy quer saber.
–O Título era em uma língua esquisita, mas o conteúdo era da nossa língua. –Diana fazia força pra lembrar.
–E o que tinha escrito lá? –Will pergunta a Diana.
–Bem, ele é bem antigo, era de um amigo de infância meu, na época que eu tinha um estilo meio rebelde, usava uma peruca roxa e piercings falsos no nariz. Mas isso não vem ao caso. Mas, o livro falava sobre uma teoria que foi escrita há muito tempo.
–Teoria... –Sandy pensa em voz alta.
–Sim, era uma teoria sobre a morte...
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