Forbidden Paradise
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nicolle on
“Hei de sonhar debaixo dos lençóis, nessa madrugada fria e chuvosa, e acordar ao som de carros passando em ruas totalmente alagadas, e com a imagem de uma janela coberta pelas gotículas do orvalho, e eu, desenhando nela, a minha paixão inexplicável, por alguém inexistente?!”
Ass: Nick Kinsley
Esse foi um poema que eu Nicolle Kinsley fiz, até parece estranho, por que nunca fiz um poema e também não sou dessas que ficam “colocando o sentimento no papel”, mas o que aconteceu comigo foi tão nada a ver que eu acabei fazendo. Eu irei explicar tudo agora, ele (o poema) foi tipo um resumo de minhas férias pós-término do colegial rumo à universidade, vou explicar melhor.
Umas duas semanas depois de as aulas terminarem, eu comecei a sonhar com um cara, mas como todo sonho, eu não conseguia ver o rosto dele, pra me deixar mais angustiada, e o mais estranho, eu sonho com ele frequentemente, e não é sempre a mesma coisa não, é sempre diferente, tipo uma história de romance perfeitinha, não que eu esteja incomodada com esse sonho, mas é meio macabro, tipo uma perseguição em forma de sonho (nesse momento Nicolle gesticula com as mãos e faz careta como se estivesse falando o que está pensando).
Pra terminar a minha explicação, eu acho que um ser feminino de 17 anos, quase 18, não deveria ficar “talvez” apaixonada por um cara que aparece no sonho toda noite sem mostrar o rosto. Sério, eu to me sentindo meio ridícula e criança de acordo com os meus sentimentos, que bom que eu tenho meus lindos e queridos amigos, a Sca (Scarlet) e o irmão gêmeo dela, o Emett, pra me entenderem quando acontecem essas maluquices, eles são essenciais para mim, não vivo sem eles, não mesmo, e também não é pra menos, conheço eles desde a primeira série, os dois são como irmãos que eu nunca tive, então imagina a emoção de terminar o colégio ao lado desses dois, é imensa, aliás, eu não os vejo desde quando terminou as aulas, o que é estranho, por que eu nunca fiquei mais de uma semana sem vê-los, mas daqui uma semana e alguns dias vai ter a festa de réveillon aqui em casa, e óbvio que eles vão vir daí já mato a saudade desses dois.
Sério, não existe nada melhor que acordar por livre espontânea vontade num sábado de manhã, friozinho e chuviscando, aah...
— Filha! Olha a hora! Desce. — Minha mãe gritando num volume 100.
Pulei da cama, olhei pro meu relógio em formato de estrela e era exatamente... 10h da manhã. Nessa mesma hora deu vontade de matar a minha mãe, por ela ter interrompido o meu lindo pensamento sobre... Sobre... O que era mesmo que eu tava pensando? Ah é naquele sonho maldito, se é que não da para dizer que é um pesadelo, enfim, vou descer antes que ela venha até aqui em cima.
Enquanto eu estava no corredor indo pra cozinha dava para ver minha mãe com uma vassoura dançando e cantando musicas do CD totalmente antiquado da prateleira dela, o que me fez rir muito, o mais engraçado é que ela estava tão empolgada que nem viu minha presença ali deitada no chão de tanto rir. Aliás, a minha mãe não é do tipo mãe normal, ela ainda tem a personalidade de adolescente, o que faz querer saber tudo o que acontece comigo e com todos ao meu redor, e sim, todos os meus amigos adoram ela, não tenho que me queixar, ela é descolada e compreensiva, às vezes ultrapassa a barreira da minha privacidade, mas eu entendo que ela só quer o meu bem, ultimamente me fez passar vergonha por tentar se enturmar com meus amigos tentando ser “maneira”, de vez em quando ela consegue ser mais infantil do que a minha própria pessoa, o que é difícil hein, mas mesmo assim eu amo aquela mulher, pois me conhece como ninguém, sabe o que eu estou sentindo só pela fisionomia do meu rosto. Mas voltando naquela dança um pouco mais que ridícula, e acabando com essa babação toda pela Dona Nora (Minha coroa) que afinal canta muito, rs. Vou desligar o som pra ela sair do mundo da lua.
Nora on
Hoje acordei por volta das 7h, com alarme, por que se não eu não levantava por nada nesse mundo, a maioria das vezes eu acordo depois da minha filha Nicolle. Resolvi acordar cedo para limpar a casa para arrumar os preparativos da festa de Ano Novo. Vou descer e começar a limpar...
Quando cheguei à sala tive a idéia mais inteligente da manhã, colocar o meu CD do Elvis Presley para ficar mais divertido e menos cafona, eu odeio essas mães que gostam de se sentir velhas, tem que mais é curtir a vida até o último minuto, essa é minha lei de vida, por exemplo, depois que eu passei dos 50 eu não digo a minha idade, só 50 anos e deu, enfim... Enquanto eu estava limpando com a vassoura e ouvindo minhas músicas favoritas, resolvi acordar a minha filha, por que aqui estava um silêncio, tirando a música e a minha cantoria, na verdade não é por isso que a chamei, foi mais por que eu adoro incomodar a minha pequena, e para minha surpresa eu acho que ela já estava acordada, e ela odeia quando eu a chamo antes dela me chamar, e me surpreendendo, já no corredor e ainda rindo da minha cara, falou:
— Mãe! O que você está fazendo?! – Varrendo... – falei desligando a música pelo controle remoto.
— Quer ajuda? – Se você fizer um café da manhã para nós, eu agradeço. Respondi.
Ela foi fazer o café e eu comecei a passar o aspirador nos tapetes, e assim se completou a nossa manhã até sairmos para almoçar, por que alguém fazer almoço nessa casa é quase impossível.
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