Fora dos Planos
1 I
Notas iniciais
eu jurei que não iria postar enquanto não terminasse, mas eu sou teimoso d+++
desculpem por qualquer erro
espero que gostem, até as notas finais.
Fora dos Planos
I
Lily Evans estava na pior. Enquanto mexia o canudo de alguma bebida qualquer que havia pedido no bar, seus olhos estavam desfocados e ela só conseguia lembrar-se das palavras, proferidas a ela por Edgar Bones alguns minutos atrás.
— Eu gosto de você Lily, de verdade, mas não está dando certo. A gente é muito diferente, não vou conseguir seguir em frente com esse relacionamento, me desculpe. Ah, e eu estou pegando a Emme, mas assim, eu queria que você soubesse por mim ao invés de por outras bocas. — Foram as exatas palavras que ele disse para ela, antes de dar um beijo na testa da ruiva e sair do bar.
Ele ignorara os sete anos em que eles namoraram – incluindo os três em que eles estavam noivos –, ignorara o fato de que ela estava perdidamente apaixonada, ignorara o fato que seus pais o tratavam como filho. Ele simplesmente pegou o relacionamento e jogou no lixo, como se não fosse nada.
Por esse motivo ela estava sentada em um banco qualquer num bar qualquer, bebendo uma bebida qualquer. Os cachos ruivos presos em um coque mal feito, as lágrimas pontilhando o rosto claro. Ela as enxugou com as costas da mão, de má vontade. Ela não iria chorar por aquele idiota. Ele não merecia suas lágrimas, de maneira alguma.
Nesse mesmo bar, dois bancos a direita de Lily, estava James Potter, completamente, irreversivelmente, maravilhoso. Os cabelos negros despenteados, espetados para todos os lados. Os olhos azuis focando em quem ele ficaria naquela noite. Os óculos de armação redonda, tortos no rosto, por conta do terceiro copo de uísque que ele bebia.
Ao contrário de Lily, ele parecia estar melhor do que nunca, o que realmente estava. Estava formado com louvor na faculdade de Engenharia, seu pai havia lhe oferecido um ótimo emprego e seu talento para pegar garotas estava cada dia melhor.
— Hey Prongs — Sirius Black, seu melhor amigo e a pessoa em que ele mais confiava na face da terra havia dito, algumas horas antes. — Tá a fim de ir ao Três Vassouras hoje? Eu vou sair com a McDonalds e ela vai levar uma amiga, vamos lá me ajudar?
E James fora. Sirius estava sentado em uma mesa a sua direita, engolindo Mary McDonalds como se eles nunca tivessem se visto e como se eles não estivessem em um lugar público. James estava sentado no banco, com Alice Prewett ao seu lado.
Quando ele viu quem era a amiga de Mary, quase caiu na gargalhada. A morena de cabelos longos havia sido sua primeira namorada, quando tinha uns 13 anos. Desde que terminaram, continuaram amigos, mas havia perdido contato por alguns anos, não se lembrava do motivo. No momento em que ela entrou no bar, acompanhada por uma garota baixinha, de cabelos curtos e pele esbranquiçada, James abriu um enorme sorriso.
Ambos se cumprimentaram, com sorrisos no rosto, e começaram a colocar a conversa em dia, enquanto James e Mary se esgueiravam para o banheiro e depois de alguns minutos lá dentro, saíram como se nada tivesse acontecido e estavam sentados numa mesa.
— Então quer dizer — James virou o terceiro copo de uísque e olhou para Alice, a sua vista já começava a ficar embaçada. — Que a senhorita está noiva? Quem diria hein.
Ela riu, enquanto pedia outra bebida.
— Pois é James. Ah, o Frank é um cara ótimo — murmurou. — A mãe dele tem uma casa em Brighton e vamos nos casar lá em Dezembro — contou. — Vai ser uma cerimônia pequena, mas ainda estamos arrumando alguns detalhes.
James assentiu com a cabeça, olhando ao redor. Por algum motivo, naquela noite ele ainda não havia dado em cima de nenhuma garota, e era o que ele precisava fazer, para tornar sua noite ainda melhor.
Seus olhos se focaram em uma ruiva, sentada também no bar, tomando uma bebida sozinha. Por um momento, os olhos de James Potter se arregalaram. Era uma das garotas mais lindas que ele já havia sequer pensado em conhecer. Os cachos ruivos estavam presos em um coque, mas algumas mechas escapavam e ela não parecia nem perceber. Brincava com o canudo, distraída, enquanto sua outra mão batucava no balcão.
— Ei, Terra para James Potter — Alice o chamou, estralando os dedos na frente do seu rosto. James se voltou para ela e balançou a cabeça.
— Desculpe, me distraí um momento.
— Eu percebi — a garota riu e viu para onde ele estava olhando. Vendo a garota, suas sobrancelhas se ergueram e ela disse num tom surpreso e agradável. — Lily?
A ruiva ergueu a cabeça e olhou ao redor, procurando quem a havia chamado. O bar estava bastante cheio, então ela demorou um pouco até encontrar a fonte da voz. Abriu um sorriso tímido e acenou para a amiga.
Pela primeira vez, James viu seus olhos. Era cor de esmeralda brilhante, brilhavam tanto que pareciam que estrelas haviam se condensado em suas orbes e estavam encarando-lhe naquele momento.
— Alice — Lily abriu os braços quando a amiga chegou para abraçá-la. — Ai meu Deus, há quanto tempo que eu não te vejo.
— Pois é, acho que já fazem uns três anos não é? Desde que você ficou noiva do Edgar... — a menção desse nome, o rosto de Lily se entristeceu completamente e ela suspirou pesarosamente. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. — Ei? O que aconteceu?
— O Ed... Ele... Ele terminou comigo — e desabou em lágrimas, afundando seu rosto no ombro de Alice. A morena ficou parada, sem saber o que fazer, dando tapinhas nas costas da amiga.
— Ai meu Deus, mas o que... — ela se interrompeu. Era melhor não perguntar o motivo ou Lily choraria cada vez mais. Ficou ali, parada, abraçando a amiga.
Enquanto isso, James estava sentado observando a cena. Por algum motivo a ruiva chorava desolada e tudo que ele queria era ir consolá-la. Balançou a cabeça. O que estava acontecendo com ele? Nem conhecia a garota e parecia estranhamente atraído a ela, de maneira que nenhuma outra garota o atraíra.
Aquilo certamente era culpa da bebida. Não era possível.
— Ei Jay — Alice chamou. Ele olhou e a amiga o chamava com o dedo indicador. — Vem aqui, por favor. — Quando ele chegou ao lado dela, a ruiva ergueu os olhos, enxugando as lágrimas com as costas das mãos. Ela encarou James com os grandes olhos verdes. — Essa é Lily, Lily esse é James. Vocês não se conhecem. Se conheçam. Eu preciso atender essa ligação urgente. Eu já volto. — Alice falou as palavras tão rapidamente que James não entendeu metade, em seguida ela saiu apressada, colocando o celular na orelha.
Um silêncio constrangedor se instalou no momento, enquanto Lily voltava para sua bebida e James ficava alternando seu peso entre os pés. Ele realmente não deveria estar fazendo aquilo. Sua cabeça girava.
— Então — ele começou. — É você a amiga que anda plantando bananeiras? — Brincou, tentando quebrar o gelo. No momento em que terminou de falar, se arrependeu. Tinha tantas maneiras para tornar o clima melhor do que fazer uma brincadeira sem graça como aquela. A ruiva provavelmente nem se prestaria ao papel de olhar para ele.
Só que ela olhou. E riu da piada sem graça.
— Eu mesma — inclinou a cabeça. — Você é o cara do pênis anormalmente grande?
James paralisou olhando para ela com os olhos arregalados. Em seguida ela gargalhou.
— Me desculpe — Lily esticou a mão para o rapaz. — Lily Evans, passando por um término difícil, faço piadas sem graça quando estou triste.
James soltou o ar que não sabia que estava segurando e apertou a mão estendida a sua frente.
— James Potter, fim de faculdade, adoro garotas que fazem piada.
Um sorriso brincou no rosto da ruiva enquanto ele puxava um banco e se sentava ao lado dela.
— Vamos lá. Conte-me sobre esse cara. Talvez eu possa te ajudar.
— Eu prefiro não falar sobre ele — ela sussurrou colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Ah, por favor. Essa é sua chance. Um cara completamente estranho deixado aqui pela amiga está te pedindo para xingar o cara de todos os nomes possíveis. Uma oportunidade dessas não aparece todo dia.
— Tudo bem. Eu concordo com você. Eu namorava com esse cara desde meus quinze anos. Parecia tudo perfeito. A gente dividia um apartamento, eu me dava bem com a família dele, era tudo ótimo. Ficamos noivos três anos atrás, íamos nos casar em junho do ano que vem, quase tudo pago já. Estava tudo certo. Hoje iríamos encontrar nossa organizadora de casamento, mas na verdade ele veio e terminou comigo porque estava transando com aquela vaca — ela bateu o punho fechado na mesa. — Mas eu estou ótima sabe, realmente tudo que eu menos precisava era dele.
James ergueu as sobrancelhas ao ouvir a história. Chamou o barman e pediu outra bebida para ela e para ele ao perceber que o copo que ela bebia estava vazio.
— Sinceramente? Eu não sei quem ele é, mas porra, ele deve ser o maior babaca do mundo para te trocar por alguma outra garota. — James disse. — Você é linda e merece alguém bem melhor do que ele, eu posso te confirmar.
Ela riu.
— Mas é difícil sabe? Eu compartilhei quase todos os momentos da minha vida com ele, é como se um pedaço de mim tivesse sumido.
— Eu conheço um remédio ótimo para que essa parte sua volte — James contou erguendo uma sobrancelha.
— Ah é? — A ruiva parecia descrente. — E qual seria?
— Tequila! — Ele gritou no momento em que o barman colocava duas doses em sua frente. Lily abriu um enorme sorriso enquanto ele pegava uma das doses e virava, com uma careta. E empurrou a próxima para ela. — Vamos lá, sua vez.
— Não sei, eu nunca tomei tequila...
— Para tudo se tem uma primeira vez. — Seu tom de voz era bastante sério.
A garota esticou o braço e pegou o copinho. Então, sem pensar, virou-o inteiro na boca. A sensação de que tinha era que toda sua garganta estava em chamas enquanto o demônio em pessoa soprava seu hálito quente em seu rosto.
— Meu Deus do céu — ela reclamou enquanto tossia. — Vodka eu até entendo, mas como alguém consegue gostar disso?
James riu ao ver a reação da garota.
— A primeira vez sempre é ruim. Ei — chamou o garçom. — Mais quatro doses, por favor. — Aquela noite seria interessante.
Depois que ambos haviam tomado seis doses cada, e estavam gargalhando feito loucos ao ver um homem cair no meio do bar, Alice voltou, guardando o celular na bolsa.
— James Charlus Potter. O que você fez com ela? — Perguntou abraçando a amiga.
— Ela estava... Irc... Triste. Então eu a animei — ele respondeu, piscando os olhos.
— Relaxa Ali — Lily a tranquilizou enquanto se levantava e se apoiava nos ombros da morena. — Eu to super bem.
— Eu percebi.
— Porque eu não estaria bem? Só porque meu noivo terminou comigo, meu pai perdeu uma boa quantia em dinheiro investido naquela merda de casamento, e eu não tenho mais nem onde morar? Esse é o melhor momento da minha vida! — Exclamou sorrindo. Em seguida a sessão de chorou recomeçou, enquanto ela abraçava a amiga.
— Eu... Ai... Eu... — Alice suspirou. — Vem, você pode passar a noite na minha casa, aposto que Frank não vai se importar. Vamos agora antes que você fique pior. Jay, a gente se fala depois e... Diga pra Mary que eu... — os dois olharam para a mesa onde ela estava se agarrando com Sirius. — Não diga nada. Vamos Lily.
Passando o braço da ruiva pelo seu ombro, Alice saiu do bar. James seguiu as duas com o olhar, uma dose de tequila na mão. Ao abrir a porta, Lily olhou para trás e lhe deu um aceno, enquanto sumia com seus cabelos cor-de-fogo pela multidão da noite londrina.
James não se lembra de como conseguiu chegar ao seu apartamento na noite passada. Ao acordar, com uma enorme dor de cabeça e sensibilidade a qualquer som exterior, ele soltou um gemido enquanto apertava o travesseiro sobre o rosto.
O quarto azul escuro parecia surpreendentemente claro, por conta de uma fresta na cortina que parecia iluminar o cômodo por completo e fazer sua cabeça explodir cada vez mais de dores. Enquanto se buscava os óculos no criado-mudo e os colocava no rosto, ele se sentou e apertou a cabeça.
Flashes da noite passada o invadiam. Ele se lembrava de estar no bar, com Sirius e Alice... E então uma garota ruiva... Eles estavam bebendo... E ela fora embora. Qual era o nome dela?
Por mais que tentasse forçar a mente, não conseguia se lembrar do nome dela de jeito nenhum. Não se lembrava de nem do porque deles terem começado a conversar e a beber. Balançou a cabeça e se levantou, percebeu que usava apenas uma cueca samba canção. Ele realmente não se lembrava de ter conseguido chegar em casa, encontrar o caminho para seu quarto e se despir.
Abriu a porta e o cheiro de panquecas queimadas empesteava o apartamento inteiro. Tampando o rosto com o antebraço, foi até o banheiro e enxergou seu rosto no espelho. Grandes olheiras estavam embaixo de seus olhos e ele parecia abatido. Realmente essas noites de bebedeira não lhe faziam muito bem. Jogou uma água no rosto e seguiu em direção à cozinha.
Mary McDonalds estava lá, fazendo, ou pelo menos tentando fazer, panquecas. Usava apenas uma camiseta cinza — que James tinha quase certeza de que era sua — e parecia completamente perdida.
Segurava uma espátula e tentava tirar os restos de uma panqueca de uma frigideira com um olhar desesperado. Ele pigarreou ao se sentar numa das cadeiras da cozinha e ela olhou para ele assustada.
— Ah, oi James — ela disse. — Eu tava tentando fazer um café da manhã na cama para o Sirius, mas não deu muito certo.
James até tentou forçar uma risada, mas sua cabeça doía demais para isso. Ele se contentou em resmungar algumas coisas enquanto deitava a cabeça na mesa.
— Não se preocupe comigo, eu já estou de saída. Não consegui fazer o café mesmo — Mary começou a tagarelar sem parar. — Eu nem devia estar aqui, eu havia prometido para mim mesma que não iria sair com o Sirius de novo, mas você o conhece, ele me convenceu, ele é bem charmoso quando quer sabe...
— Mary! — James a interrompeu antes que ela começasse a divagar ainda mais. — Você pode, por favor, fazer o favor de não fazer barulho? Eu to com uma bela de uma ressaca.
— Ah me desculpe James, de verdade. Sabe, minha avó tem uma ótima receita para curar ressaca. Água quente, folhas de louro fervidas, fio da pena de um pavão-albino e... Ou era pavão-rei? Não me lembro direito. Ela costumava confundir as coisas quando contava e então eu não consigo pensar em qual era.
James choramingou enquanto batia a cabeça na mesa, fazendo sua dor explodir cada vez mais.
Naquele mesmo momento, do outro lado da cidade, em uma casa particularmente grande, Lily Evans estava debruçada sobre um balde, vomitando todas as bebidas que havia ingerido na noite anterior.
Não sabia o que havia dado nela. Nunca havia bebido daquele jeito, mas depois que havia experimentado a Tequila, outra Lily Evans surgira naquele corpo. Ela virava doses atrás de doses e nem se importava com as consequências. Se tivesse sido mais esperta, não estaria vomitando no quarto de hospedes dos Prewett naquele exato momento.
Alice havia sido muito generosa ao levá-la para sua casa. Elas não se viam desde que Lily trancara a faculdade de artes cênicas por achar que o curso não agregaria nada a sua vida. Então quando Alice disse que a abrigaria naquela noite, ela ficou bastante surpresa e aliviada, pois tudo que menos queria era voltar para o apartamento que dividia com o maldito do Edgar.
Ao se lembrar dele, também se lembrou do garoto com quem havia ficado completamente bêbada na noite anterior. O tal de James Potter. Ela estava surpresa de se lembrar do nome do rapaz, que em alguns minutos, estava totalmente a par dos maior problema que Lily enfrentava naquele momento.
Não tinha lugar para morar. Seu noivado estava acabado. O dinheiro que seus pais tanto economizaram para o casamento havia sido jogado no lixo. Realmente, seria muito fácil surtar naquele exato momento. Mas não pode fazer isso pois uma nova onda de vômito subiu por sua garganta até despencar no balde.
Depois de algum tempo vomitando, ela levantou, com o corpo doendo e sua cabeça explodindo, ela cambaleou até o banheiro e jogou o conteúdo do balde na privada, dando descarga em seguida. Lavou o balde na pia e o deixou de canto no banheiro. Em seguida entrou embaixo do chuveiro e ligou na água fria.
A ducha ajudou a clarear seus pensamentos um pouco e ela deixou a água escorrer pelo seu corpo. Não se demorou muito, estava de favor na casa de Alice, não iria abusar. Desligou a água e se enxugou com uma toalha deixada lá especialmente para ela. Colocou a mesma roupa da noite anterior e fez a cama.
Desceu as escadas o mais silenciosamente possível, e quando chegou ao pé dela, viu que Alice estava na cozinha, colocando o café na mesa. Seu noivo Frank, estava sentado na ponta da mesa lendo o jornal. Seu rosto era agradavelmente fofo. Lily percebeu que ele e Alice combinavam completamente.
— Bom dia flor do campo — Alice falou, abrindo um sorriso ao ver a amiga. — Tudo bem?
— Na medida do possível — respondeu, se aproximando da amiga. — Muito obrigado por ter me deixado passar a noite aqui, se não fosse você eu não saberia o que fazer da vida.
— Amigas são para isso, não são? — Alice a abraçou. — Como você está se sentindo?
— Como se um ônibus tivesse passado em cima de mim e como se uma plantação de pimenta malagueta crescesse dentro do meu esôfago.
Frank soltou uma risada e se levantou para cumprimentar a hóspede.
— Frank Longbottom — se apresentou, estendendo a mão. Lily a apertou fracamente.
— Lily Evans. Muito obrigado por ter aceitado me abrigar — brincou. O rapaz deu uma risada leve.
— Não há de que, querida. Sente-se, tome café com a gente.
Lily não queria tomar mais tempo deles, mas acabou se sentando e tomando o melhor café que já havia experimentado em sua vida.
Notas finais
até o próximo capítulo!
Fale com o autor