Notas iniciais
Oi, gente! Tudo bem? Andei sumida, eu sei… 😅 Pra quem acompanha minha outra fanfic, eu prometo que em breve volto com as atualizações. Sobre essa história: este é um spin-off especial de fim de ano da fanfic Fora de Sintonia, minha primeira fanfic publicada e que mora no meu coração. 💙 Recomendo a leitura de Fora de Sintonia antes de começar essa, pra aproveitar melhor as relações e os sentimentos envolvidos. Esse especial é mais leve, com clima natalino, confusões, presentes problemáticos e aquele caos de festa que eu amo. 🎄✨ Agora, sem mais demora…

O Salão do Grande Mestre do Santuário raramente era usado para algo que não envolvesse guerra, estratégia ou destruição iminente do mundo. As paredes de pedra já testemunharam planos de batalha, discussões sobre ameaças divinas e juramentos solenes feitos perante os deuses. Por isso, quando todos os Cavaleiros de Ouro estavam sentados ali sem suas armaduras, alguns com copos de vinho tinto equilibrados nas mãos, outros recostados de qualquer jeito nas cadeiras ancestrais como se estivessem numa mesa de bar qualquer, era sinal inequívoco de que algo definitivamente fora do comum estava acontecendo.

O sol da tarde entrava pelas janelas altas, lançando feixes dourados sobre a mesa de pedra polida. Havia uma leveza no ar que pouco se via naquele lugar, algo próximo da normalidade.

— Então — disse Aiolos, apoiando os cotovelos na mesa e entrelaçando os dedos com um sorriso —, estamos oficialmente organizando uma festa de Natal.

Afrodite foi o primeiro a falar:

— Eu me recuso terminantemente a comer churrasco de novo — declarou ele — O Aldebaran queimou a carne no seu aniversário. Aquilo não foi um churrasco. Foi uma tentativa de envenenamento. Um crime contra a culinária e contra meu paladar.

— Ei! — Aldebaran protestou imediatamente, rindo alto e batendo a mão na mesa com força suficiente para fazer os copos tilintarem.

Afrodite virou o rosto lentamente na direção do Cavaleiro de Touro, com uma expressão impassível.

— Aldebaran — disse ele, pausadamente —, o fogo não incinerou sozinho o pão de alho. Aquilo foi negligência culinária. Sugiro, com veemência, que encomendemos comida de um buffet especializado em festas. Natal pede algo refinado. Nada de carvão e carne queimada.

Algumas risadas surgiram ao redor da mesa. Até Shaka, que normalmente permanecia sereno e distante dessas discussões mundanas, deixou escapar um sorriso discreto. Aldebaran revirou os olhos, mas também estava rindo.

— Tá bom, tá bom. Buffet, então. Mas eu ainda acho que foi um acidente isolado.

— E o local? — perguntou Mu mudando o assunto. — Onde vamos fazer essa festa?

Afrodite sorriu como quem já tinha o plano perfeito traçado há dias.

— Aqui, no Salão do Grande Mestre — anunciou. — Espaço amplo, boa acústica, pé-direito alto… e eu faço questão da decoração. Uma decoração natalina de tirar o fôlego. Luzes cintilantes, guirlandas frescas, alguns arranjos de rosas brancas… vai ficar divino!

— Desde que não seja exagerado — murmurou Aiolos, com os braços cruzados e uma sobrancelha erguida em ceticismo.

Afrodite concordou com a cabeça, porém a mente o ignorou completamente o que o outro disse, continuando a descrever mentalmente a paleta de cores ideal.

Shura pigarreou, chamando a atenção de volta para o grupo.

— Já que é uma confraternização de verdade… que tal fazermos amigo secreto? — sugeriu ele, com um sorriso tranquilo. — E podemos convidar os Cavaleiros de Bronze também.

— Boa ideia — Aiolia concordou de imediato, batendo levemente na mesa com o punho fechado em aprovação. — Eles também fazem parte do Santuário. Lutam ao nosso lado. Faz sentido incluí-los.

— Concordo plenamente — disse Mu, assentindo. — Vai ser bom integrar todo mundo. Fortalecer os laços fora do campo de batalha.

As cabeças assentiram uma após a outra, num consenso reconfortante.

Foi então que Milo se inclinou para frente, apoiando os antebraços na mesa. Havia aquele sorrisinho nos lábios dele, aquele que sempre antecedia algum comentário questionável ou politicamente incorreto.

— Só uma coisa — disse ele, com a voz carregada de diversão maliciosa. — Não acham estranho uma festa de Natal só com homens? Tipo… isso aqui tá ficando meio gay demais, não?

A sala explodiu.

Gargalhadas ecoaram pelas paredes de pedra. Aldebaran bateu na mesa de tanto rir, quase derrubando o copo. Até Dohko, que estava quieto até então, soltou uma risada rouca e sincera.

— Finalmente alguém falou o óbvio! — disse Aldebaran, enxugando os olhos. — Cara, a gente devia convidar a Atena, pelo menos! Equilibra as energias!

— Eu acho uma ótima ideia — Milo continuou, dando de ombros com falsa inocência. — Uma presença feminina equilibra o ambiente. É questão de harmonia, pessoal.

— E as Saintias também — completou Aiolia, apoiando a sugestão com entusiasmo.

A discussão se instalou imediatamente. Opiniões cruzadas, argumentos sobrepostos, comentários cada vez mais caóticos. Alguns defendiam a inclusão total, outros achavam que complicaria o amigo secreto, outros estavam mais preocupados com a logística da festa em si.

Aiolos levantou a mão, pedindo silêncio com a autoridade natural.

— Vamos fazer assim — disse ele, firme mas amigável. — Atena e as Saintias ficam à vontade para participar da festa. Mas o amigo secreto será apenas entre nós, Cavaleiros de Ouro, e os Cavaleiros de Bronze. Mantemos simples.

— Faz sentido — Mu concordou, pensativo. — Sejamos honestos, a maioria aqui mal tem contato constante com o público feminino. Comprar presente seria um desastre anunciado. Um constrangimento para todos os envolvidos.

Houve alguns murmúrios de concordância envergonhada.

Foi então que Máscara da Morte falou de repente. Ele tinha uma expressão indignada e vagamente ofendida.

— Discordo! — declarou ele, batendo a mão no peito. — Eu saberia muito bem comprar um conjunto de lingerie pra uma Saintia que eu acho bonitinha. Vermelho, rendado, com aqueles detalhezinhos…

Afrodite ergueu uma sobrancelha, interrompendo-o com um olhar afiado.

— Máscara… — Afrodite suspirou, cruzando os braços. — Você lembra que está namorando… ou prefere que eu desenhe?

Máscara da Morte fez uma pausa.

Olhou ao redor.

Processou.

— Eu… — hesitou, coçando a nuca. — Só pensei alto.

A sala caiu na gargalhada novamente.

~*~

Mais tarde, já na Casa de Escorpião, Milo se jogou na cama com um suspiro longo. O colchão afundou ligeiramente sob seu peso. Ele ficou ali, de costas, encarando o teto.

O amigo secreto.

O Natal.

O presente para Camus.

"Que diabos eu vou dar pra ele?"

Camus não era fácil. Não era prático. Não era previsível. Ele não pedia nada, não demonstrava querer nada, e tinha aquele jeito minimalista e distante que tornava qualquer tentativa de presente um desafio épico. E isso, estranhamente, tornava tudo… interessante.

Pensando nisso, Milo acabou adormecendo sem perceber, ainda vestido, com um braço jogado sobre os olhos.

~*~

Acordou com algo quente e familiar.

Braços o envolviam por trás, firmes mas suaves. O corpo de Camus estava colado ao seu, encaixado perfeitamente como duas peças de um quebra-cabeça. A respiração dele era calma, regular, quente contra a nuca de Milo. A mão espalmada na barriga de Milo fazia um carinho lento, quase inconsciente, subindo e descendo pelo abdômen num ritmo hipnótico.

Milo relaxou imediatamente.

Ficou ali alguns minutos, apenas sentindo. Aproveitando. Memorizando.

Até que, com cuidado para não acordá-lo bruscamente, se desvencilhou dos braços de Camus. Virou-se devagar, ficando de frente para ele. A luz da manhã entrava suave pela janela, iluminando o rosto sereno do aquariano.

Milo se inclinou e deu um beijo leve nos lábios de Camus.

O aquariano abriu os olhos devagar, ainda meio sonolento, mas com aquele olhar que sempre parecia enxergar mais do que deveria.

— Bom dia — murmurou Milo, com um sorriso simples.

Camus sorriu de leve, um daqueles sorrisos raros, quase secretos. Beijou a testa de Milo com delicadeza.

— Vou fazer nosso café da manhã — disse ele, com a voz ainda rouca de sono.

Milo apenas assentiu, observando enquanto Camus se levantava e saía do quarto com passos silenciosos.

Algum tempo depois, Camus voltou com uma bandeja simples mas cuidadosa: café quente fumegante, pão na chapa crocante e geleia de frutas vermelhas. Silêncio confortável preenchia o espaço entre eles enquanto comiam lado a lado na cama.

Foi quando Camus quebrou o clima casualmente, sem tirar os olhos da xícara:

— Você… está precisando de alguma coisa ultimamente?

Milo quase riu.

Ele entendeu na hora. As entrelinhas eram claras demais para ignorar, Camus estava sondando. Tentando descobrir, de forma sutil e indireta, o que ele gostaria de ganhar de natal.

O coração de Milo se aqueceu de um jeito bobo, quase infantil, mas profundamente satisfatório.

"Ele se importa."

E isso, sinceramente, já bastava.

— Não — respondeu Milo, tranquilo, tomando um gole do café. — Não preciso de nada.

Mas por dentro, tinha certeza absoluta: Camus ia acertar no presente. Mesmo sem dicas.

~*~

Mais tarde, depois do treino que Milo conduziu com os novatos, futuros Cavaleiros de Bronze que ainda tropeçavam nas próprias pernas mas tinham fogo nos olhos, foi tomar um banho longo e quente.

Ao sair, já vestido com roupas casuais, pegou o celular largado na mesinha de cabeceira.

Havia várias notificações do grupo do Santuário.

Mu havia enviado o link do sorteio do amigo secreto.

Antes de clicar, Milo rolou a tela e reparou que alguns já tinham colocado suas preferências.

Milo sorriu ao perceber que Camus havia deixado o presente livre, ou seja decidiu não deixar opções.

"Típico."

Deu uma risadinha interna. Alguém além dele teria muita, muita dificuldade em escolher algo para o Cavaleiro de Aquário. Pobre coitado que o tirasse.

Finalmente, respirou fundo e clicou no link do sorteio.

A tela carregou.

O nome apareceu.

O sorriso sumiu.

Os olhos arregalaram.

Milo ficou parado, completamente imóvel, encarando a tela do celular como se ela tivesse acabado de lhe mostrar uma profecia apocalíptica.

Camus.

Ele havia tirado Camus.

— Puta que pariu… — murmurou para o quarto vazio.

Duplamente ferrado.

Duplamente pressionado.

E, estranhamente… duplamente animado.


Notas finais
Então é Natal ... Gente esse especial será curto, com 4 a 5 capítulos no máximo. 🎄✨ Beijinhos e até !💋