Fora De Perigo

1 ⚓ Capítulo 1 - Loire


Acordei com meu despertador zumbindo ao lado do meu ouvido; maldito barulho.
Puxei os cobertores mais para cima do meu rosto tentando me esconder do sol que invadiu minhas cortinas, e fugir do barulho. Pena que minha tentativa foi em vão.

—Bom dia, Loire.

A voz do meu pai está impedindo meu esforço de voltar a dormir.

Afundei-me ainda mais nas cobertas, os olhos ainda bem fechados, ás cegas, buscando um travesseiro para possivelmente jogá-lo.Meu corpo gira para esquerda, meus dedos entrando em contato com o final da cama. Estava no meio do colchão e estava confortável.

—Loire!

Eu estava confortável.

—Pai...mais cinco minutos. -gemo.

Puxões tiraram meu edredom e, logo eu perdi o cabo de guerra. O vencedor está de pé, com minhas roupas de cama apertadas em seu peito, segurando-as como se fosse um refém caso eu tente recuperá-las.Meus olhos estavam se ajustando, antes dele abrir as cortinas da minha janela sobre a minha desarrumada escrivaninha, enrolei-me tentando me encolher como uma bola.

—Temos que ir ao supermercado, amanhã eu não vou estar mais aqui. — Sr. Carlos me lembrou; ele partirá amanhã para Los Angeles.

Estiquei meu braço para pegar meu celular em cima do criado-mudo, acabei derrubando algumas coisas até conseguir, tê-lo em mãos.

08:02h

—Ainda é muito cedo.-reclamo frustrada sentando-me desajustadamente na cama.

Meu pai largou meu edredom no final da minha cama, e voltou a ficar na minha frente.

—Você dormiu muito tarde ontem, Loire tem que ser mais responsável. — Carlos disse em tom severo.

Alguém está de mau humor.

Eu tinha uma boa explicação: Era sexta!

E eu queria aproveitar minhas últimas semanas de férias do colégio, já íamos entrar em agosto, para o último período de aula do ensino médio.

—Você está me ouvindo?- ergui minha cabeça para olhar a figura a minha frente... Cadê?

Ele estava ajoelhado a minha frente, meu pai me olhou através dos óculos de grau, uma carranca engraçada surgiu e eu ri.

—Eu disse que vou sentir sua falta. — papai me explicou.

Eu o dei um sorriso triste, minha mente começou a me mostrar as porções de coisas que ele não estaria presente. Afastei os pensamentos.

—Eu também vou...principalmente das suas cantorias pela manhã. Pai me prometa que não vai cantar em Los Angeles, vão te expulsar de lá.

Meu pai fez uma cara de tédio, me olhando com os olhos semicerrados e a boca em uma linha dura. Eu cai em uma gargalhada quando ele se levantou.

—Vista-se.- foi a última coisa que ele disse antes de desaparecer porta a fora.

Bufei caindo para trás em minha cama desarrumada.

***

As portas de vidro automáticas se abriram quando entramos no supermercado atrás de uma velha senhora com uma bengala. Havia uma música alegre ecoando no espaço.

Rapidamente desviamos dela, me espelhei do gesto de meu pai pegando uma cesta, antes de me arrastar pelo corredor de produtos de beleza.Eu contornei todos os diferentes potes de cremes de xampus coloridos, escolhendo um de cada, logo me estreitei para o meu objetivo, um corredor que eu, relutantemente, teria que visitar.

Eu bufei, franzindo a testa enquanto olhava para os pacotes de absorventes na prateleira acima.
Balançando a cabeça eu me perguntei por que estavam empilhados fora do meu alcance. Já era constrangedor –para mim.
Eu dobrei meus joelhos, pulando para cima. Meus dedos roçaram um par de pacotes, os tirando de equilíbrio.Dei um passo para trás quando eles caíram no chão. Eu os peguei rapidamente e coloquei os pacotes dentro da minha cesta antes de fazer uma saída rápida dessa sessão.

***

Oh!

Esse simplesmente não era o meu dia. Mais uma vez eu estava olhando para a prateleira mais distante do meu alcance.

Eu estava agora em uma aérea mais familiar do supermercado, o corredor do chocolate. Olhei ansiosamente para cima, para o maior pote de Nutella.

Coloquei minha cesta no chão para escalar a prateleira. Mesmo com a minha nova altura ainda não era capaz de alcançar o frasco, ele era um dos últimos na prateleira, no fundo.
Eu rapidamente virei minha cabeça ao ouvir uma risada profunda.

—Deixe que eu pego isso para você. — ele falou com uma voz rouca.

Desci, permitindo que ele se inclinasse para o objeto que eu estava lutando para conseguir. Sua altura elevada fez com que isso parecesse fácil, ele sorriu entregando-me o frasco.

Ele é do tipo de menino que teria garotas caindo aos seus pés na escola; rosto bonito, cabelos escuros e cacheados, longos cílios, mandíbula forte, olhos verdes e uma boca muito bonita.

—Obrigada.-eu falei baixinho.

—Não há de que.- ele respondeu ainda com um sorriso no rosto.

—Sou Harry Liv. — ele estendeu a mão para mim.

—Loire.- eu aceitei o seu gesto, colocando minha mão na sua.Seu toque era quente, o que contrastava com a sensação áspera de seus dedos. Minha mão escorregou de seu domínio persistente.

—Será que eu poderia ter o seu número?- ele pediu pouco confiante.

Fiz uma pausa, sem entender como ele iria querer isso. Quero dizer, ele tinha me visto escalar uma prateleira, e com certeza reparado em meu cabelo, o coque, que mais parecia um ninho e esquilo mal feito. Mas ainda sim ele olhava para mim com expectativa.
Ele podia ser lindo, mas um nome apenas não era o bastante.

—Desculpe, mas eu tenho que ir.

Onde está meu pai dessa vez?

Estragando meus momentos com os meninos?

Confesso que seu olhar triste me fez sentir culpada. A cabeça de Harry caiu em desgosto por não ter meu número, eu abaixei pegando minha cesta para fugir dali, antes de levantá-la e colocar a alça em meu antebraço joguei o pote de Nutella junto com os outros objetos.Virei-me para sair da sessão de doces e seguir até outra, não olhei para trás, porém tive a certeza de que o menino que eu havia deixado, estava me observando.

Vermelho ou azul?

Estava em duvida de qual escova de dente levaria, as duas eram iguais, mas de cores diferentes.

—Já terminou?- reconheci a voz do meu pai.

Ele não estava só com uma cesta agora, estava com um carrinho cheio, ele olhou para minha cesta no chão, seus olhos se arregalaram ao ver quantas coisas havia ali dentro.

Ele se abaixou para pegar, eu devolvi a escova de dente vermelha de volta ao pino jogando a azul dentro da cesta que estava indo em direção ao carrinho.

—Quer mais alguma coisa?

Eu desviei meu olhar do rosto amigável do papai para ver Harry no fim do corredor, eu desviei meu corpo um pouco para a direita, meu pai estava me cobrindo.

—Não, é só isso. – disse colocando meu cabelo escuro atrás de minha orelha.

Depois de pagar, nós caminhamos para a saída, desviando de todas as pessoas que estavam entrando, a porta de vidro já estava aberta quando passamos por ela.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!