For the first time
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Outra noite na balada... E...
Na manhã seguinte, Joe só pensava em como estava arrependido por ter bebido tanto, e de ter a maior das fomes, devido à ressaca. Pegou uma torrada e correu para o trabalho. Não olhou nenhuma vez o celular.
Certo de que a noite anterior tinha sido catastrófica
Claro, que a culpa não inteiramente da garota! Ele não teria feito o que fez só por insistência da garota... Joe praguejou o frio e colocou o capacete. Mais um dia longo de trabalho. Outro dia intenso de trânsito. Um dia novo de dor de cabeça e arrependimento. Arrependimentos...
Arrependimentos de não ter ficado em casa, descansando, vendo algum jogo da Liga. Poderia ter dormido mais e tirado de suas costas o peso do cansaço exagerado que tanto lhe puxava para o estresse... Pestanejou ter ido para boate. Arrependeu-se de todas as coisas que fez na noite passado, como sempre.
O Pragmatismo da sua vida havia voltado.
_ Ei garoto, anda logo. – O homem do carro prata, gritou apontando para frente. Joe bufou e seguiu o caminho para o serviço.
*
_ Oi, Joe! – A voz de Vera surgiu do outro lado da linha.
_ Oi, Vera...!
A voz entusiasmada da garota era totalmente oposta da voz rude e cansada dele.
_ Ah, meu querido amigo, eu tenho ótimas notícias, tipo aquela em que enfim consegui ser convidada para sair pelo garoto brasileiro... Tudo bem que eu meio que o forcei a me convidar para sair ou ele voltaria para o Brasil sem nenhuma história de aventura american pie para contar para os amigos. – Vera tinha uma voz entusiasmada e lançou-se a rir como se estivesse lembrando-se do ocorrido.
_Claro isso não me espanta. É a sua cara ameaçar de certa forma o pobre brasileiro.
_ Pro inferno, Joseph Harris.
_ Contigo, Verinha! – Joseph riu e então mudou de assunto receoso. – Vou dar uma passada aí na hora do meu almoço, tudo bem?
_ CLARO! Tem almôndegas e batata, ficarei imensamente feliz.
_ Ótimo. Até daqui a pouco. – E por fim, desligou.
Joseph coçou a cabeça pensando se era o certo a fazer.
Ele passara mais de uma semana pensando na garota de olhos cor de mar, pensando em como queria ter ficado na festa conversando com ela, conhecendo-a. Pensava em como seria sua risada e em como seu rosto deveria se iluminar todo, ele não sabia exatamente de onde tinha vindo tal pensamento, mas sabia que isto era algo que ele precisava muito descobrir. Sua pele clara, mascarada pelas luzes coloridas da festa... Como deveria ser diante da luz do sol? Poderia ficar conversando com ela o tempo que ela quisesse, falar tudo que viesse a sua cabeça, se encaixar se ela assim demonstrasse querer. Revelaria tudo que ela quisesse, se ela deixasse.
Sua cabeça girava, ansiando vê-la novamente, precisava muito disso.
Por mais que fosse a todos os lugares e conhecesse todas as garotas, não esqueceria aquele rosto, sua expressão de vergonha por ter derramado cerveja em sua blusa e todo o pequeno instante em que viu. Pequeno mas que jamais sairia da sua mente.
Ficava longos minutos parado, pensando em como era seu verdadeiro nome, em como seria tê-la por perto. Porque ele estava tão atraído por aquela garota?
Correu o quanto conseguia pelas ruas engarrafadas de Manhattan, louco para que as horas passassem o mais rápido possível. Cada entrega era um alívio. E quando o rádio tocava ele prontamente atendia ‘’ Pronto’’ e mais e mais trabalhos surgiam. Bancos a ir, projetos a entregar em obras, visitas de pagamentos, uma verdadeira costura pelas ruas e avenidas. Tudo com muita pressa, muita agilidade sem deixar em nenhum momento a cordialidade de fora. E era assim que a vida dele era, todos os dias. O sustentáculo, o cotidiano.
O rádio mais uma vez tocou e ele atendeu.
_ Pronto.
_ Joseph, o senhor McCandless, pediu que você viesse aqui antes de ir para seu horário de almoço. Pediu um pouco de urgência. – A voz metódica da assistente do diretor da empresa soou pelo rádio.
Argh! Logo agora?
Seus olhos reviraram impacientes.
Okay, ele iria, até mesmo porque se fosse rápido não perderia tanto do seu horário de almoço. Bem, pelo menos ele esperava assim.
Ele tirou o capacete e arrumou o cabelo, ou ao menos tentou. Acenou para a secretaria geral do hall, uma velha conhecida... Uma conhecida íntima que por acaso era bem escandalosa na cama. Só Deus sabe o quanto ela fazia barulho e o quanto o pessoal do apartamento de baixo deve ter ouvido e reclamado. No entanto, era bem simpática e bonita. O caso mais simples dele. Não era mesquinha e nem nariz em pé, mas também era amiga demais para ser um caso sério.
Ele pegou o elevador e quando chegou ao andar da diretoria sentiu-se mal por estar ali. Era um lugar com pessoas de nível bem maior que o seu. Cada um recebia o triplo vezes dois do que ele recebia, pelo simples fato de ter uma graduação, era pós graduado, e etc. Pensou na sua faculdade que deixou de lado e sentiu-se impaciente.
_ Ele vai atendê-lo logo, Joseph. – a secretária disse calma.
_ Ah tudo bem, Gianinne. – Não, não estava tudo bem. Ele estava perdendo seu horário de almoço.
_Sente-se aí... Mas e aí como foi o fim de semana?
Ele mordeu o lábio inferior pensando no que iria dizer.
_ Pense em alguém que ficou na casa dos amigos comendo e vendo os jogos da Liga... Pois bem, este cara não fui eu, com certeza.
Gianinne fez uma expressão de que lamentava e depois riu. Ele revirou os olhos.
_ Por que quis, eu aposto. Olhe para você Joseph, é jovem, bonito e muito inteligente para um office, aposto que poderia ter muito mais do que tem com um piscar de olhos e alguns livros da universidade.
Ele aproximou-se da mesa de Gianinne e beijou-a no rosto.
_Claro que se esqueceu de que os livros da universidade no atual momento não pagariam as contas e o meu apartamento. – Ele deu um sorriso torto e voltou a se sentar no sofá.
Gianinne revirou os olhos verdes e voltou seu olhar para a tela do computador. Como Joseph podia ser um garoto tão sem grandes expectativas? Era um mistério, assim como ele em si era um mistério.
_Senhor Harris?! – A voz do diretor o chamou. Joseph pôs-se de pé num átimo de segundo. Arrumou a camisa e deu um jeito em sua postura. Olhou para Gianinne que acenou positivamente sorridente com a cabeça.
Ele entrou na sala, nervoso e engolindo em seco.
_ Então, Senhor Harris... Desculpe atrapalhar seu horário de almoço mas precisava que alguém entregasse com muita urgência esta procuração. Eu pediria a outro office mas não tenho a mesma confiança. Prefiro que seja você.
Joseph abriu a boca para agradecer, mas foi interrompido antes mesmo que qualquer som saísse de tua boca.
_ Não se preocupe, eu pagarei o extra por esta encomenda já que é assunto pessoal. Espero que não se importe.
_ Não Senhor. Fico muito feliz que meu trabalho o agrade. – ele respondeu francamente, meio sem saber o que dizer.
O Diretor sorriu e assinou o papel e colou no envelope.
_ Como vai a faculdade? – Ele perguntou despreocupadamente, enquanto terminava de colocar os documentos no envelope.
Pronto! Responder aquela pergunta era um tanto quanto desconfortável. Talvez vergonhoso porque aquele cara meio gordo, de meia idade, tinha até mais que um doutorado em Engenharia e Relações Internacionais. Era um cara bem sucedido e Joseph era um office ridículo, novo, fumante e doido que não tinha nada.
_ Tive que para Senhor... Por um tempo. – acrescentou rapidamente.
Ele o olhou chocado.
_ Achei que gostava de Direito. – O Diretor que entregou o envelope.
_ Eu também. – Ele pegou envelope e retirou-se mudo.
‘’Merda, eu não poderia ser mais patético. ’’ Ele pensou ao apertar o botão com indicação DESCE do elevador.
*
Joseph estacionou a moto, caminhou até a porta do prédio de Vera e adentrou.
O calor e a falta de água o fizeram ficar com muita dor de cabeça, ele só queria sentar-se, comer e esquecer que havia uma vida lá fora, que Manhattan estava lotada a plenos pulmões e que era apenas só mais um dia de Segunda-feira.
_Você veio, enfim!
Ele abraçou Vera cuidadosamente e ela o puxou para dentro do apartamento conhecido. Agora parecia normal diferentemente de suas lembranças da noite em que vira Jazz.
As paredes de cores claras harmonizavam-se com os móveis bem arrumados e decorados de Vera. A luz entrava pela janela iluminando naturalmente o ambiente e dando a ele u charme que ninguém nunca conseguiria reproduzir em quadros.
A cozinha arrumada impecavelmente tinha um pirex com almôndegas e purê de batata e um bilhete ao lado escrito ‘’ JOE GARANHÃO COMERÁ AINDA, NÃO GUARDE.. BOM ,E U ACHO’’
Ele riu alto. E apontou para o pirex.
_ Garanhão? Agora sou um cavalo?
_ Qual é?! É a sua cara a palavra garanhão. Você sabe! – Vera respondeu, sorrindo. Entregou-lhe um copo com refrigerante. Ele balançou a cabeça.
_ Okay, Dementadora de brasileiros que não sabem falar bem o inglês. Vai se foder.
Ambos riam livremente, como antes, quando Joseph morava ali também. Quando ele também era um universitário que só sabia estudar, participar de festas jovens e que não ligava em ser o modelo para as garotas que cursavam Moda. Ele até ria muito quando Vera o colocava para ser o manequim delas e tirar foto com as roupas para colocar no site de roupa delas.
Tudo era tão empolgante como a melodia de Queens and Kings do 30 seconds to mars. Simples como a música Somebody to You, do The Vamps. Onde todos queriam ser bilionários, mas ele só queria amar. Onde Manhattan não era a cidade do trânsito chato, mas sim das madrugadas acordados onde dormir era algo para os fracos.
Vera pegou um prato para ele e uma colher para ele se servir.
_ Joseph Harris, o que foi aquilo com Wendy Wester? Quero dizer, ela disse que você é o maior dos canalhas e que queria cuspir na sua cara para todo os Estados Unidos verem.
Joseph gargalhou e continuou a se servir de almôndegas.
_ Eu estava fora de mim.
Era ótimo ela tocar no assunto da festa, ele se soltaria mais para o assunto que ele queria tratar, no entanto, por outro lado, falar de Wendy brochava qualquer coisa.
_ Mas pegou a riquinha Wester. Você é o cara mais filho da puta que já conheci. – Ver deu um gole em seu refrigerante e cruzou os braços sorridente.
Ele revirou os olhos.
_ Por sinal, dinheiro não vale nada. Aquela garota além de ser muito pegajosa, era péssima de cama já dormi com universitárias melhores. – Ele deu uma mordida na almôndega e apontou o garfo para sua amiga – Por falar nisso, será que todas as garoas de Moda são tão ruins assim?
Vera levantou o dedo do meio para ele, séria.
_ Não generalize!
Ele engoliu e pegou outra almôndega.
Faltava pouco menos de meia hora para seu horário de almoço acabar. Era agora ou nunca!
_ Preciso conversar com você...
_ Ela pegou uma almôndega dele e assentiu.
Ele suspirou. Não acreditava no que iria dizer. Por nunca fizera isso, de tal forma.
_ No dia da festa... Uma garota derramou cerveja em minha camisa, e eu não sei algo me intrigou nela. Os olhos dela era tão azuis que só consigo me lembrar do mar... Jazz!
Os olhos de Vera arregalaram-se e ela balançou a cabeça negativamente dizendo ‘’ ah não, não, não, Joe.’’
Fale com o autor