For all my life
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Enquanto caminhava pelo corredor apertado, cheia de pastas e folhas na mão, a caminho de encarregá-las para Silvia, Marília procurou através do tato o botão para chamar o elevador. Poderia muito bem usar as escadas, principalmente por conta do acúmulo de pessoas que ali tinha naquela tarde, todavia, não conseguiria com toda aquela papelada em seus braços. Assim que chegou, adentrou cuidadosamente na cabine, mas nem isso fez com que tudo permanecesse no lugar, muito pelo contrário, uma grande pasta caiu com tudo. Tentou abaixa-se, mas quando estava próxima de pegar a pasta caída, alguém se apressou e avançou nos papéis antes dela. Por conta do excesso de coisas em suas mãos, Mia não pôde olhar para o rosto do cidadão que a ajudou.
— Obrigada. — Agradeceu apesar de constrangida pela sua situação, às vezes sua tendência a ser desastrada se apresentava nas horas mais inapropriadas.
—De nada. — A voz máscula soou perto de si, e então confirmou suas suspeitas, era um homem que a ajudara. Através de sua visão, só conseguia notar alguém vestido formalmente ao seu lado, conseguia enxergar também músculos definidos através da camisa do rapaz, isso a deixou um pouco fora do eixo, mas logo refez sua pose. Corou sutilmente, feliz por ter certeza que ele mal conseguiria vê-la por causa da tralha que carregava e também pelas várias pessoas que compartilhavam o elevador com eles. —É nova no departamento?
—Sim, fui contratada há poucos dias. A Silvia é uma ótima chefa. —Respondeu de forma casual, tentando equilibrar ainda tudo o que carregava. Por conta de seu afazer, e do calor infernal, seu rosto encontrava-se um pouco molhado por conta do suor.
—Ah, claro. Devo confessar que ela é mesmo incrível. Não é à toa que é minha avó.
A boca de Marília entreabriu-se graças à surpresa. Jamais imaginaria que Silvia já fosse avó, muito menos de um rapaz daquele tamanho. Achou estranho, mas não queria duvidar do garoto. Não tinha motivo para ele mentir sobre algo tão sério. Conseguiu conciliar seu braço com toda aquela papelada, por isso agora conseguiria olhar para o rapaz com maestria. Porém, não o fez. Não queria ser pega corando, muito menos que ele me pegasse olhando-o.
—Boa sorte, menina. Aguenta firme aí! Se possível, diga a Silvia que mandei um beijo a ela, e se não estiver muito ocupada, ir até minha sala. —Ele disse assim que o elevador parou, e a porta se abriu. O rapaz saiu e Mia assentiu, confirmando sua intenção de dizer a chefa sobre o pedido do garoto.De relance, enquanto a porta se fechava, a garota viu o rosto dele se virar escondendo seu meio sorriso. Não evitou não sorrir, até porque ninguém ali estava se importando com o fato dela parecer uma retardada por sentir-se um pouco atraída simplesmente por causa de uma voz que nunca tinha escutado na vida, oras. Até porque, isso soava muito indiscreto para o seu gosto. Aliás, Mia pôs na sua cabeça que aquilo tudo se dava ao fato da gentileza vinda do rapaz, e não por aquela voz não sair de sua cabeça pelo resto do dia.
Quando ela chegou a sua mesa, notou que Silvia não estava por aquelas redondezas. Frustrada por ter carregado tudo aquilo à toa, despejou aborrecida todo aquele material sobre seu local de trabalho. Sentou-se e relaxou os ombros, liberando todo o ar que prendeu durante um bom tempo. Aproximou o pote de canetas e, com o dedo, ficou girando deliberadamente os objetos ali situados. Havia canetas de diversas cores e tamanhos, e lápis e lapiseiras também. Seus pensamentos vagaram sutilmente e pôde reinventar a voz daquele desconhecido em sua cabeça. Reinventar não seria a palavra certa, porque ela gostava do som do jeito que escutou, e isso a aborrecia ainda mais.
Quase terminando seu horário, Mia avistou Silvia caminhar majestosamente até seu escritório. Antes que a mulher abrisse sua porta, a garota de cabelos escuros se materializou à sua frente, impedindo-a um pouco grosseiramente de continuar. Assim que notou que não fora nada delicada, o rosto da menina ruborizou.
—Desculpe-me, Silvia. É que os arquivos que pediu que eu providenciasse foram difíceis para conseguir, uma burocracia enorme! — Revirei os olhos, demonstrando minha indignação quanto a todas as folhas que tive que assinar. —Mas, ainda bem, estão todos sobre minha mesa, organizei por ordem alfabética, para a procura ficar mais fácil.—Explicou. A mulher apenas sorriu, soava estranho quando Mia olhava para ela e lembrava-se que ela era avó. Não tinha nenhum sentido, as aparências realmente enganam. —E o seu neto, pelo que ele me contou, pediu que fosse à sala dele.
—Acabei de sair de lá, querida. Mas obrigada por avisar. Seu turno já está acabando, não? – perguntou-a, a outra assentiu sem entender. — Eu não queria ser indiscreta, muito menos pedir muito de você. Até porque está começando, e isto não será sua obrigação. Então, Marília... Como eu te disse, eu estava na sala do meu neto, estava ajudando-o com um projeto. Porém, não poderei finalizar com ele porque meu marido está precisando de mim em casa. Lu realmente precisa de um suporte, uma ajuda, ele normalmente finaliza tudo rápido... Mas está passando por muitos problemas, e sua cabeça está meio aérea. Se puder, claro, será que ficaria com ele para terminar? Falta muito pouco, eu prometo. Não pegará muito do seu tempo...
—Sim, claro. Eu o ajudarei. —Mia respondeu rapidamente, mas por um momento, não achou muito saborosa aquela ideia. Ela tinha faculdade, e deveria estar em casa às 07h00min, no mínimo. Todavia, não achou agradavelmente deixar o neto de sua incrível chefe em apuros. Não que ela fosse muita coisa, tampouco tinha algum talento para qualquer tema. O que fez com que ela respondesse sim foram os olhos daquela mulher fazendo um pedido inegável. Não era um simples pedido, não era como aceitar ir pegar um café ou coisa parecida. Era dar continuidade a algo que ela já começara, e isso parecia possuir uma responsabilidade inquestionável.
—Obrigada, Marília! Sabia que você aceitaria, é uma menina de ouro! Não precisa se sentir pressionada a nada. Obrigada mesmo, tirou um grande peso das minhas costas! —Silvia de repente abraçou-a, assustando a garota inicialmente. Os olhos desta última arregalaram-se, contudo, acostumou-se a sentir a seda macia da blusa de Silvia. E retribuiu calorosamente o terno abraço.
—Pode me chamar de Mia.— Sussurrou.
—Tudo bem, Mia. Agora tenho que ir, meu marido está desesperado esperando que eu chegue em casa o mais rápido possível! Homens, sem nós nada são. — Silvia falou enquanto revirava os olhos, Marília apenas sorriu e acenou despedindo-se da mulher que andava até a saída um pouco afobada, indo embora o mais rápido possível, depois de dizer em que andar ficava a sala de seu neto. Deveria ser algo bem sério para ela ter que ir tão urgentemente para casa, entretanto, agora Mia tinha mais coisas importantes para fazer: Ajudar o mais rápido possível o garoto e chispar para casa, afinal, seu tempo estava escorrendo como água de cachoeira!
A menina usou o elevador para chegar ao andar acima do seu, e se assustou ao deparar com o andar um pouco mais vazio. Havia algumas mesas espalhadas na entrada, estava um pouco escuro por conta do horário, e algumas luzes também estavam apagadas.Apenas uma mulher encontrava-se por ali. Porém, logo sairia também, porque esta estava arrumando suas coisas dentro de sua bolsa. E por estar inclinada um pouco, não viu Marília passar pelo corredor e aprofundar-se naquela imensidão. Ao fundo, ela avistou uma porta, e ao notar que era a única sala iluminada daquele lugar, e perceber que a porta estava encostada, girou a maçaneta sutilmente para não fazer nenhum barulho. Apesar de ranger um pouco, o barulho não soou alto o suficiente para despertar o homem que se encontrava à frente de uma das paisagens mais alucinantes que Marília já vira na vida. A menina deu passos curtos, porém precisos, chegando por trás daquele rapaz que mais cedo a ajudara com as papeladas que carregou. Por notar que sua presença não havia sido notada, aproveitou os poucos segundos para analisar atentamente a silhueta da única pessoa que compartilhava aquele ambiente com ela naquele horário.
Ao contrário do que vira anteriormente, agora ele encontrava-se com as mangas de sua camisa suspendidas; deixando seu bíceps à mostra. Seus cabelos delicadamente desgrenhados davam a ele um ar altruísta, imoralmente charmoso e um pouco... Abatido. Mia ameaçou abrir a boca para quebrar aquele silêncio, porém não o fez. Primeiramente, ela ameaçou encostar a ponta do dedo no braço daquele rapaz, mas desistiu covardemente com medo de sua reação. O que ele tanto pensava? Ela murmurou baixo para si mesma.
Marília deu exatos cinco passos, colocando-se do lado do jovem rapaz. Finalmente notando a presença da garota, ele virou o rosto e, ao vê-la, franziu a testa. Por algum motivo, ela não lhe era estranha. E, estranhamente, ele não parecia estranho para ela também.
—Olá, eu sou a garota do elevador! Sua avó pediu que eu te ajudasse com... Alguns projetos. — Mia procurou preencher o silêncio constrangedor, implorando que seu rosto continuasse da cor que era. Não queria ruborizar, não queria mostrar quão estranha poderia ser. —Não que eu consiga te ajudar, o que eu acho bem improvável mesmo... Mas ela... — continuou a tagarelar, então, ele a interrompeu segurando uma risada, vendo o desespero da menina para quebrar o silêncio. Por algum motivo, Luís gostava de vê-la nervosa.
—Desculpe-me não ter te visto. Estava aí há muito tempo?— A voz dele era grave, contudo, tinha uma serenidade e uma delicadeza que a fez lembrar-se de fruta madura do pé. Algo que ela sentia muita falta; algo que ela deixou no seu passado.
Marília respondeu-lhe gentilmente, criando postura e tentando agir como a menina sensata que no fundo era. Os dois moveram-se um pouco e ela fez um agradável elogio sobre a visão panorâmica que ele tinha. Realmente, era impressionante. Era como se toda a cidade tivesse sob seus pés, era como se o mundo fosse diferente, como se tudo se congelasse sob ela. E, então, pudessem visualizar aquele vislumbre de lugar. Era mágico, poderia sempre observar aquela paisagem, e não se cansaria. Não seria suficiente. Observava o tão congestionado tráfego de carros, e não se sentia imponente diante dessa visão.
— Vamos ao trabalho? — Mia perguntou, percebendo que as horas corriam feitas piloto de fórmula1.
—O que você acha disso? — Ele perguntou analisando-a atentamente, mostrando para ela um dos seus rascunhos. Não tinha nada a ver com o projeto que dera continuidade com a avó. E esperava que esta não tivesse descrito a assistente o que eles tinham feito. Inexplicavelmente, Luís sentiu o desejo de saber a opinião da garota quanto ao que tinha dedicado horas do seu tempo e de sua paciência para realizar, e apesar disso soar um ato precoce e ridículo, ele não se sentiu envergonhado quanto a sua vontade.
Principalmente quando os olhos daquela garota, até então misteriosa, o encararam um pouco mais severos e, minuciosamente, suavizaram e expressaram sintonia com seu curvado sorriso, este permanecendo por algum tempo a de mostrar-lhe sua singela satisfação quanto ao que ele a tinha apresentado.
Aquele sorriso não lhe era estranho, pensou Miguel, e por mais que não soubesse de onde vinha, percebeu que sentia falta dele.
—Uau! — Mia murmurou encantada com o que via à sua frente. Como se seu dedo pudesse prejudicar a imagem materializada à sua frente, sutilmente, permitiu que seu dedo deslizasse por uma distância segura do papel de uns dois centímetros sobre a ilustração e seus olhos brilharam ao notar sentir a essência daquilo perfurar-lhe o coração. Ela sentia tanta falta daquilo, a imagem nada mais era que o quintal de sua antiga casa. Claro que não, literalmente falando, até porque seria muita coincidência. Mas, com certeza, era muito parecido! Isso a cativou grandemente. —n ão entendo por que sua avó pediu que eu viesse te ajudar. Você parece tão criativo quanto ela. Provavelmente, só ficarei olhando você transformar ideias em arte. — Confessou.
— Eu não tive coragem de mostrar a ninguém, até agora. Acredito que por eu não ter concluído. E por parecer algo sem sentido...
— Sem sentido? — Mia arqueou a sobrancelha, com enorme vontade de rir dele. A última coisa que aquilo soava era sem sentido! Pelo que percebeu, aquilo faria parte de uma campanha de um suco. E nada mais natural e singelo que voltar às raízes! — Você tem que finalizá-lo, então. Confesso que não sou grande admiradora de comerciais, mas se eu visse esse, eu sairia correndo até a padaria para comprá-lo! Brigaria como uma obsessiva consumidora para consegui-lo. Da mesma forma que uma patricinha brigaria por uma sandália!
Ele riu, surpreendendo-se com o pequeno exagero da menina.
— Ajude-me a finalizá-lo, então, senhorita. Creio que, mesmo que não consiga o produto, isso valha muito mais. — Luís propôs, e Mia notou que havia gostado do neto de Silvia. Ele não era de todo mal, e além da boa aparência, parecia gentil e divertido. Mesmo que não houvesse mais motivos para ela ficar nervosa, esses sintomas barulhentos e inquietantes continuavam firmes e presentes.
A noite se passou em um piscar de olhos, Mia esqueceu-se completamente da faculdade, e Miguel esqueceu-se completamente de sua conversa marcada com Fabrício.
Naquele momento, parecia que a prioridade era aquele projeto. Mia notara quanto jeito aquele rapaz tinha e surpreendeu-se quando suas ideias brotaram e foram jogadas para fora sem nenhum consentimento seu. Luís escutava tudo com clareza e sorria cada vez que escutava a menina falar, sua voz era doce e ao mesmo tempo concreta. Ele gostava de levantar os olhos de vez em quando e reparar a maneira como ela pegava os fios soltos do cabelo e os enrolavam de volta ao coque, principalmente da cor deles. Era um tom muito familiar. Porém, o que mais o fascinava, era a forma como ela corava quanto ele a fazia algum elogio, até mesmo comentários sobre sua falta de coordenação motora. Quando isso acontecia, ao ver suas bochechas rosadas, ele lembrava-se imediatamente de cerejas. Isso, instintivamente, fazia-o retornar a sua infância. Sem notarem, era como se o tempo não tivesse parado.
Era como se tudo fosse como antes, como tudo deveria ter sido. Nenhum reconhecia a presença do outro, totalmente inconscientes da identidade do companheiro; mas ambos estavam ali, de volta, trazidos à tona do mais profundo abismo.
Ninguém era testemunha da forma como a menina sorria com vida pela primeira vez há muito tempo. Ninguém testemunhara a forma como Miguel conseguiu nem notar a tempestade que já caía lá fora. Uma bolha indestrutível havia sido criada entre eles, e se nenhum deles notasse;a bolha não seria perfurada.
—Está tarde, acho que nos empolgamos um pouco. —Mia sussurrou cansada, constrangida pelo momento de intimidade que tivera com aquele rapaz, cujo nome lhe era dúvida ainda. Ouvira Silvia pronunciar Lu, mas era pessoal de mais para chama-lo dessa forma. Com esse apelido, poderia ser desde Luciano a Lucas.
— Está chovendo muito, e passamos da hora. Acho que temos duas alternativas: Ficamos aqui e esperamos a chuva passar. Ou, se preferir, se estiver sem carro, posso te levar até sua casa para não se molhar. — Como um desejo oprimido, ele desejou que ela escolhesse a primeira opção. Não se importaria em passar mais um tempo com a menina, ele de um modo estranho se sentia bem ao seu lado.
— Vamos esperar a chuva passar. Eu tenho medo que de trovões, acho que tenho fobia. — Ela confessou timidamente, não queria demonstrar sua repulsa.
— Eu tinha uma amiga, uma antiga amiga... Que também tinha fobia de trovões e relâmpagos. Estranhamente, eu conseguia fazê-la se sentir melhor. —Ele confessou com um meio sorriso no rosto. Marília ergueu a cabeça, olhando-o duvidosamente. Não era possível isso, não havia cura para isso, quer dizer, não mais. Ele notou sua dúvida quanto a sua informação.
— E o que você fazia, senhor eu posso tudo, para curá-la de sua fobia? —Ironizou, rindo de Luís. Este, com determinação, decidiu provar sua afirmação.
Um trovão estridente alarmou o estado de pânico da garota, e isso fez com que ele ganhasse mais coragem. Seus olhos escureceram-se em sintonia da escuridão da noite.
— Permita-me provar? — Luís pediu. Não tendo alternativa e duvidando ainda do garoto, Mia assentiu a cabeça confirmando. Cuidadosamente, com medo de assustá-la, ele levou sua mão esquerda até o braço da garota, puxou-a gentilmente para mais perto. Os pés dela bambearam para frente dele, permitindo que os dois ficassem bem mais próximos. Timidamente, ela levantou a cabeça deixando seus olhos pousarem no dele, que estes também estavam direcionados ao dela. Nervosamente Mia tentou balbuciar algum som, mas não teve êxito.
Felizmente, a dúvida se dissipou no momento em que ela sentiu uma pequena pressão contra seus cabelos, fazendo suas bochechas encostarem-se ao peito forte e inebriante dele. Seus cabelos foram jogados para seu ombro, deixando o outro livre.
Então, pela primeira vez depois de mais de dez anos, ela não se importou e não deu a mínima para a forte tempestade que atingia toda a cidade que estava sob seus pés. Seus olhos vagaram por todo o lugar, e sorriu ao sentir uma proteção que lhe fazia muita falta. Era como se Lu fosse Miguel. Mas não era.
Seria muita bizarrice, pensou ela.
Ao sentir a cabeça da menina de cabelos escuros em seu peito, tudo o que ele pôde fazer foi suspirar tranquilamente. Aquilo era muito inapropriado, ainda mais se tratando de uma situação tão inusitada. Mas, tudo o que ele menos queria, era que aquela sensação terminasse. Tê-la ali, perto de si, era como se sua procura tivesse finalmente terminado. Mas aquela garota não era cereja, não tinha como.
Seria muita bizarrice, pensou ele.
— É. Você tem razão. — Marília sussurrou baixo o suficiente para que ninguém ouvisse, exceto ela mesma.
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