Notas iniciais
'Brigada.

New York, Manhattan – Abril de 2010.

Ryan,

Me surpreende muito – talvez seja a maior surpresa dos últimos meses – que você tenha escrito. Chega a ser muito engraçado eu poder tocar em algo que veio de você. Olhar para algo que foi escrito por você chega a ser... difícil, mas para variar um pouco, você me surpreende. E eu achei que nada mais vindo de você me surpreenderia. Como eu pude estar tão errada, hm?

Sabe, Ryan, por mais que o contato comigo seja inexistente, às vezes me pego pensando no tamanho das feridas que você fez em mim. Eu ainda tenho medo da sua capacidade de me ferir – e acho que eu vou ter medo disso para sempre, não é Ryan? Seu maldito egoísmo que me deixou de lado por tantas vezes, vezes das quais, você esperou que eu explodisse, que eu jogasse tudo em cima de você e resolvia tudo com um abraço e um sorriso mais doce – que hoje eu analiso como cretino. Eu sequer deveria responder ao seu “pedaço de papel”, mas não posso ignorar o que você vai fazer sem meu consentimento. Eu não quero vender a nossa antiga casa, porque ao contrário de você, eu gosto de ir aí ao menos uma vez por ano, isso quando tenho tempo.

Se for para vender nossa casa, eu compro a sua parte com todo o prazer do mundo. A vista de Las Vegas do nosso quarto é estupenda. Não há outra igual no mundo e eu ainda gosto de fazer café, com meu roupão em seda cor-de-rosa e me sentar no parapeito da janela para ver o sol nascer. O único problema é que eu não terei mais seus gritos deseducados pedindo mais tempo para dormir. Isso não deveria ser considerado um problema, certo? Certo. Então descartamos essa possibilidade. A próxima vez que eu for a casa tomar café eu não sentirei sua falta.

É uma promessa. É um decreto. É uma lei. E isso não vai mudar.

Deixe minhas coisas na casa – isso se você já não tomou a liberdade de levar para sua casa da Califórnia e está procurando um jeito de me entregar o que estava lá -, e isso me faz pensar um pouco, o que foi que você jogou fora? O que meu você jogou fora, Ryan Ross? Eu realmente espero que nada que eu vá me importar, como nossas fotos em cima do criado-mudo. (mentira, eu vou me importar sim). Na verdade, eu não estou nada feliz com o fato de você querer vender o que nós construímos juntos. Me chateou. Me feriu outra vez, mas eu não deveria me surpreender, deveria? Definitivamente: não. Você só sabe fazer isso comigo e mais nada, não é mesmo?

Qual o valor dos nossos sonhos, Ryan? Mande-me, por favor. Eu não quero nada que foi nosso com você porque será corrompido pelo seu egoísmo e sua visão realista do mundo. Desculpe, Ryan, mas estou em um momento que tornou você apenas uma lembrança ruim e lembranças ruins me afastam. Como provavelmente essa será minha única carta, preciso de uma resposta. Uma resposta que eu quero saber dar aos seus fãs quando eles me perguntarem: She Had The World foi mesmo escrita pra mim? E, por favor, não minta. A verdade dói, mas é uma dor necessária.

Keltie.