For You
1 O Tigre
—Qual é a porra do seu problema, Walls? — A boca recém inchada de Bruce tenta pronunciar as palavras, mas o que realmente acaba sendo escutado é um chiado parecido com o de um porco.
Abano a mão repreendendo um gemido de dor, pegando um pacote de ervilhas verdes numa das prateleiras da dispensa. Coloco-o sobre a mão que acabara de socar a cara gorda de Bruce e solto um palavrão baixo:
—Seu tarado dos infernos, você tentou me agarrar- murmuro me afastando, dando-lhe as costas com o intuito de sair daquele cubículo escuro.
—ah, vamos! Não se faça de santa, Denise. Sabia muito bem o que queria quando aceitou vir pra cá- ele chiou mais uma vez, mas não virei pra olhá-lo.
A verdade é que não, eu não teria entrado nessa maldita dispensa se eu soubesse que Bruce Lanfy iria me agarrar.
Eu só queria pegar mais pacotes de ricota, não era pra ele ter me seguido. Afasto a sensação de nojo e cuspo na sua cara antes de sair.
—É melhor não botar as caras de novo aqui, Walls -berrou ele. — E pode ficar com as ervilhas, não vai ter muito o que comer já que está demitida.
Bato a porta e caminho decidida até a saída da lanchonete, tendo noção que todos os olhos estão nas minhas costas.
Respiro fundo do lado de fora, apertando o pacote congelado de ervilha na palma da mão.
—Meu Deus, meu Deus. — digo baixinho. — O que vou fazer agora?
Arranjar um emprego era uma das coisas mais difíceis do momento. Pra se ter uma noção, cada agência de emprego dessa maldita cidade havia sido fechada e nenhuma outra foi inaugurada, pelo que eu sabia. Tudo isso graças às competências de prefeito mal sucedido, que invés de ampliar, cortou gastos, e um deles foi no mercado de trabalho.
Suspiro e começo a caminhada rápida até meu apartamento alugado, parando numa cesta de lixo e pegando um jornal de hoje, amassado porém quase novo. Olho a seção onde demarcava empregos e franzo o nariz ao ver tão poucos anúncios.
Entro no meu apartamento e jogo o jornal em cima do sofá já velho e gasto pelo tempo, tiro meu tênis e os jogo num canto antes de ir até a cozinha guardar o pacote de ervilhas no congelador.
—Já tenho o que jantar. — murmuro voltando a sala.
Pego de novo o jornal e minha caneta da Madonna de cima da mesinha de centro manchada de cerveja e cinzas de cigarro.
—Bom, vamos ver...- fecho os olhos e levo a ponta da caneta ao centro da folha.- Ótimo, Deus. Agora me ajude. -resmungo enquanto, ainda de olhos fechados passo a ponta da caneta por toda a folha e assim que me sinto confiante, a paro.
Abro os olhos e mordo o lábio ao ver que a ponta da caneta parou certinho em cima de um anúncio. Com letras grande e em negrito leio que "Procura-se acompanhante segurancional" deve ter sido uma boa escolha, mesmo não acreditando nisso veemente.
Pego o telefone e disco o número indicado, mordendo a tampa da caneta ansiosa.
—*Pois não?*- alguém diz do outro lado.
—Oi, hã, eu estou ligando pra saber do...
—Rua Land Four número 2789. Esteja aqui as 9h da manhã em ponto. — a voz diz mecanicamente e depois desliga, sem mais.
Ergo a sobrancelha e pouso o telefone em cima da mesa novamente.
A verdade é que eu não teria que passar esse sufoco em relação a grana se não fosse pelo meu irmão internado. Não estou me queixando, obviamente. Ele é a única pessoa que me apoia na família, e quando ele caiu de cama, nossos pais ajudaram e insistiram em sua saúde pelos primeiros dois anos. Até saberem de uma forma inconveniente que Marcus era gay.
Foi o fim.
Enquanto meu pai brandia que filho do grande empresário Walls não deveria ser gay, minha mãe enchia pela décima quarta vez a taça de algo parecido com conhaque, porém mais forte. Lembro até hoje de sua maquiagem feita minuciosamente toda borrada, o batom vermelho já fosco e o delineado que nem existia mais.
Foi nesse pequeno intervalo de tempo que eu reparei que eu não era mais a ovelha negra da família, claro que me culpei depois por pensar em algo desse quesito em uma hora dessas, mas foi o primeiro pensamento que me ocorreu.
Ovelha negra era o meu título desde meus nascimento praticamente , quando meu pai passou a me odiar ao ver que eu tinha a pele escura, ou seja, literalmente ovelha negra. Eu ter sido uma gravidez fora do casamento destruiu o casamento dos meus pais de vez mas seria um escândalo se a mídia soubesse que Carlie Walls havia traído seu milionário esposo.
Então, quando meu pai soube da gravidez ele arquitetou um plano: se a criança fosse saudável, bonita e não um monstro com cabras no lugar de uma cabeça, ele iria aceita-lá como sua. Durante o período da gestação, e mais um ano após o meu parto, minha mãe ficou "escondida" numa pequena ilha que meu pai comprara de última hora, ele insistiu para que ela ficasse mais do que nove meses pois suspeitariam caso ela voltasse depois desse período exato.
Quando meu pai me viu pela primeira vez, aposto que ficou tão pálido que assustaria até Voldemort.
Ele esperava uma criança branca.
O alvoroço cresceu na mídia, e quando as perguntas não cessaram, eles responderam que minha mãe havia tido uma pequena viagem até uma vila africana, e adotaram uma criança em condições precárias.
Eles foram vistos como o casal solidário do ano.
Não sei o porque de meu pai aceitar isso tudo, apesar de se mostrar arrependido desde meus 7 anos ele nunca falou a verdade pra ninguém, exceto pra mim, no meu aniversario de 15 anos.
E foi por isso que meu título de ovelha negra foi para meu irmão.
Não tinham como dizer que adotaram meu irmão também. Pelo menos não depois de 21 anos.
E foi assim que o dinheiro deles nunca mais fora usado com Marcus, e quando eu reclamei, recebi um convite para me retirar dos aposentos reais do Sr. e Sra. Walls.
Nada podia estragar a reputação do casal de ouro. Nem mesmo seus filhos.
No outro dia, quando o taxista parou em frente à casa da rua Land Four meus olhos quase pularam. A casa era toda branca no estilo barroco,com janelas grandes depositadas em todo quanto é canto. Havia várias árvores enormes cobrindo toda extensão da casa, junto com seguranças armados.
—Parece a casa da Máfia. — o taxista murmurou.
—Eu ia dizer a mesma coisa.- resmungo lhe entregando o dinheiro antes de sair em seguida.
O carro parte e eu tento abaixar a saia social estilo profissional do sexo que Liz me emprestara.
—Você vai arrasar. Qualquer um com menos de 75 vai querer te comer.- lembro dela ter gritado atrás de mim, enquanto eu me olhava no espelho.
—Liz, eu achei que tinha dito que queria algo social.- grito ao ver metade das minhas pernas de fora.
Vejo-a revirar os olhos pelo espelho.
—É o que eu consegui, Den. Porra, você tá gostosa. -ela falou. — Eu sou lésbica, sei sobre roupas.
—Não quando o assunto é entrevista de emprego. E que papo é esse que qualquer um de 75...
—Qual é? Não acha mesmo que essa vaga para acompanhante segurancional seja algo meio gritante? Pra mim, soa como "jovem gostosa para dar de comer na boca de um velho babão".
Olho-a de modo reprovador ainda pelo espelho.
— Você é tão má.
Ela deu de ombros.
—Sim, e você vai se atrasar.
Afasto a memória da cabeça e ando decidida até a porta,aperto a campainha e em menos de dois segundos sou atendida por uma mulher de cabelos vermelhos vivos, sorriso ameaçador sustentado em lábios tão rosados que parecia que houve um massacre de morangos em sua boca.
—Denise? Ótimo, está atrasada dois minutos. Espero que saiba que isso conta como ponto negativo.- ela disse em tom jovial.
Abri e fechei a boca tentando pensar rapidamente.
—Me desculpe, achei que...
—Não temos tempo pra isso.- ela me cortou e ao ver que estava me deixando nervosa, abriu um sorriso falso encorajador.
—Entre, vamos começar.
A segui pela sala que tinha um grande carpete azul marinho, tão fofo que meus sapatos sumiram enquanto caminhávamos por ele.
—Tente não ficar nervosa- ela me avisou, parando em frente a uma porta de madeira azul escura. -Ele sente o seu nervosismo.
Ela se virou e abriu a porta antes mesmo que eu pudesse tentar entender o significado de suas palavras.
—Denise Walls, veio para a entrevista. — ela anunciou enquanto me dava passagem.
Entrei lentamente na sala que tinha a aparência tão pitoresca quanto o resto da casa em si. Além da mobília ainda conservadora, havia um tapete de urso estendido no chão. O que eu achei ter me assustado a princípio, mas foi a voz tremendamente grave ao meu lado que fez minha nuca se arrepiar.
—Não ligue para o urso. Ele não morde, pelo menos não mais.
Me virei e observei atentamente o homem posto ao meu lado. Eu nem notara sua presença e do nada ele estava ali, quase cheirando meu cabelo.
—Obrigada Stella, feche a porta quando sair- ele disse, se direcionando a mulher que me atendeu sem lhe olhar.
Stella saiu e ele apontou a poltrona do outro lado.
—Sente-se, por favor.
Caminhei até lá, me sentando e acabei sendo engolida pela maciez da poltrona em seguida.
—Creio que tenha algum tipo de qualificação como acompanhante, não é?
Encaro seu rosto belo.
—Esse é o problema. No anúncio nada se referia a que tipo de acompanhante vocês estariam necessitando.-tentei dizer de forma calma, tentando não estragar tudo logo no início.
O homem caminhou lentamente, caminhando igual a um tigre, em direção a mesinha de centro, servindo whisky em um copo com gelo.
—Bom, estamos aqui para descobrir. Entrevistei cento e poucas garotas, e todas deixaram claro para que vieram.- ele tomou um gole, enquanto me encarava. Seus olhos eram tão negros e tão intensos que um buraco negro seria engolido por eles facilmente.
Limpei a garganta e tentei organizar a minha mente.
—Creio que lhe acompanhar em reuniões sociais ou algo assim...-murmuro, voltando a encara-lo.
Ele apertou os olhos, e os senti me avaliando.
— Ora, não seja tímida. Sua imaginação não deve ser tão pobre assim.- ele disse.-Agora, me conte o que acha que estou procurando e o porquê.
Me esforcei para não revirar os olhos. Qual era o problema desse cara?
Tentei ser rápida e um estalo na minha mente fez eu me lembrar do que minha melhor amiga me disse mais cedo. Que talvez seja interesse Sexual. Abanei a cabeça e voltei a olhá-lo.
—Bom, -comecei. — o senhor deve ser um homem de negócios, provavelmente bem sucedido. Graças a isso o senhor deve receber várias investidas de mulheres interesseiras, até mesmo homens. Deve estar precisando de alguém para despista-los.
Ele nem piscou. Continuou com a mesma expressão calma e inteligente enquanto levava o copo novamente aos lábios.
—É isso?
Pisquei os olhos rapidamente.
— Creio que sim.- respondi prontamente.
—E não acha que eu poderia estar procurando uma companhia para me satisfazer?
Todos meus sentidos congelaram, estreitei os olhos e tentei articular alguma palavra mas meu cérebro ainda estava tentando sair do choque.
Porque um homem como ele colocaria isso num anúncio?
Ele não queria sexo.
Pelo menos era o que eu achava.
—Não faria sentido. Não colocaria em um jornal se estivesse procurando por...
—Sexo? — ele me cortou, parecendo se divertir com a situação.
—E porque acha isso?
—Porque poderia facilmente encontrar sexo sem a ajuda de um anúncio. -rebati — Homens como você atraem mulheres como um cervo atrai um leão. O que me dá nojo.
O silêncio rondou nós dois, sua expressão nem se modificou.
—Nojo? Sabe com quem está falando?
O nervosismo já estava longe de mim a essa altura, tudo o que eu sentia era um misto de raiva crescente e um pouco de adrenalina.
—Não faço ideia. -digo me levantando. — mas se está procurando por alguém que lhe dê sexo por dinheiro ,eu não sou a pessoa qualificada.
Vou em direção à porta e me viro para olhá-lo.
—Adeus,Sr...
Reparei que não sabia seu nome, mas isso não tinha muita importância, ja que provavelmente não ia conseguir o emprego.
—Donovan. Ethan Donovan.
Naquela noite enquanto Liz me levava para o nosso pub favorito para esquecer do meu desastre de entrevista, eu não achei que iria receber uma surpresa não muito boa, ainda mais naquele antro.
O clube não era um dos mais requisitados pela elite, havia brigas direto e a cerveja era cara apesar de ruim , mas o Dj era bom e a pista enorme. Liz e eu estávamos sentadas com nossa pequena turma de sempre, além de nós duas Paul ,Abigail e Math estavam sentados nas enormes poltronas no centro do pub, olhando o pessoal dançar na pista no piso de baixo.
— Ah qual é, Den. O cara é o maior babaca, desencana.- Math disse me passando uma cerveja.
Fiz um brinde a ele e tomei um gole.
—Como era o nome dele mesmo? -Abigail perguntou, tirando uma mecha azul de frente dos olhos negros.
—Ethan Donovan- Disse- provavelmente mais um filhinho de papai.
Ela arregalou os olhos e deu tapinhas frenéticos no couro da poltrona. Ela sempre fazia isso quando algo a deixava surpresa.
—Porra,Den. É o cara mais gostoso do ano!
Nós todos olhamos para ela sem entender.
—Abi, o que vc anda fumando?- foi a primeira coisa que Paul disse à noite toda.
Abi revira os olhos e caçou a bolsa dela, a procura de alguma coisa.
—Vocês acham que eu estou louca mas eu vou provar... Achei!- ela resmunga enquanto esfrega na cara de cada um de nós uma revista.
—Tem como explicar logo e parar de fogo?- Liz suplica, tomando um gole demorado do seu whisky.
Abi volta a se sentar e aponta para a revista enquanto lê.- "Ethan Donovan, o milionário mais sexy do ano , pela quinta vez consecutiva. O gato além de executivo inteligente, adora novas aventuras e para as mocinhas de plantão, o tigre está solteiro..."- ela termina e joga a revista no meu colo.
—Você desperdiçou trabalhar pro Tigre.- ela diz, parecendo muito desapontada.
Pego a revista e olho para Donovan. A imagem dele parece não ter sido alterada com fotoshop, estava perfeitamente igual ao que eu me lembrava. Os olhos negros avaliativos demonstravam curiosidade, enquanto ele arrumava a gravata sedutoramente com uma mão e com a outra desarrumava o cabelo cheio e escuro.
—hum, ele não é tudo isso na vida real.- minto enquanto Liz puxa a revista de mim e assovia.
—Madre de Dios, que homem!
—Será que tem como parar de falar desse cueca?-Paul surge de novo, dessa vez me encarando.- Se quisesse tanto esse filho de prédio, teria que ter ido bem na entrevista.
Encaro ele por alguns segundos tentando entender sua reação mas antes que eu pudesse dizer algo Liz se debruça sobre mim.
—Não olhe agora, mas Ethan Donovan está vindo em nossa direção.
—Mas o que...? — Viro a cabeça bem a tempo de ver Donovan se aproximando, andando calmamente com os olhos fixos em mim. Realmente eu deveria ter sido a única que não ficou "enfeitiçada" por ele, pois enquanto caminhava, todos os olhos femininos — e alguns masculinos até — estavam sobre ele.
—Podemos conversar? — ele pergunta diretamente, ignorando todos ao redor.
—Ela tá ocupada, cara. — Ouço Paul dizer.
Donovan nem o encara, mantém os olhos fixos em mim.
—Quero que ela responda, se não for pedir muito. Creio que isso não é da sua conta- rebate ele calmante, como se estivesse pegando uma joaninha de uma folha.
Sabendo do gênio de Paul, resolvo levantar. Paul já se metera em muita briga por menos, e dependendo como ele estava , não seria difícil entrar em uma hoje.
— Tudo bem, Paul. -digo de forma gentil.- Vamos lá pra fora. -digo, agora me dirigindo a Donovan.
Ele me guia até o lado de fora do clube, e se afasta um pouco da multidão que está por lá.
—Como me encontrou?-pergunto quando ele para a minha frente.
—Mandei alguém te seguir- ele diz , assim direto e polido.
Levanto às sobrancelhas e enfio as mãos no bolsos da calça jeans.
—Qual é o teu problema?
—No momento, vários. E vou precisar da sua...ajuda.
Estreito os olhos e estalo a língua.
—E porque eu faria isso?
—Porque você também precisa da minha ajuda. Posso lhe pagar muito mais do que qualquer outro emprego que procure. — ele fala enquanto encosta na parede escura atrás dele.-Você sabe disso.
— Não preciso do seu dinheiro.
Ele levanta uma sobrancelha apenas, me avaliando.
—Não? Aposto que não. Mas me diga, Denise. E o seu irmão? Soube que uma daquelas máquinas custa muito dinheiro.
Sinto minhas pernas bambearem, limpo a mão suada na perna da minha jeans enquanto o encaro.
—Como sabe...? — desisti dessas perguntas, um homem influente como ele poderia arranjar qualquer coisa. Abano a cabeça -Olha, Cara. Não sou esse tipo de garota...
—Eu sei disso.- ele me corta.- É exatamente por isso que estou aqui.
Ele suspira e me agarra gentilmente pelos ombros,seu toque me fez sentir um calafrio em forma de uma onda eletrizante que me alcançou pelo corpo inteiro, se ele sentiu alguma coisa, não demonstrou.
—Olha, eu fiz aquelas perguntas mais cedo porque queria ter certeza que não seria iguais as outras.
— E o que quer exatamente?-pergunto, com um fiapo de voz.
—Quero que seja minha companheira. Que vá comigo em locais sociais. Como você mesma disse lá no meu escritório.
—Nada mais ?- pergunto, oscilosa.
—Nada mais. -garante ele.
Penso por um instante e avalio minhas saídas, não seria nada demais. Só sair com ele e posar para algumas fotos.
Pensei em meu irmão e suspirei.
—Tudo bem. Mas quero vale-refeição.
Ele ri , uma gargalhada pesada e ecoante. Ele para de repente , parecendo surpreso.
—Você tá bem? -pergunto.
—Hã...claro.
Ele ainda está com as mãos em meus ombros, e antes que eu pudesse me afastar ouvi cliques de câmeras e flashs me desnortearam.
—Bom, parece que a encenação vai começar- ele murmurou pra mim enquanto eu observava fotógrafos tirarem fotos da gente, enquanto faziam perguntas.
Donovan me levou até o meio fio e por um momento achei que ia me jogar para aquele tanto de paparazzi, mas foi só uma medida para que eu entrasse em um sedan preto que estacionara na nossa frente.
—Nos leve pra...onde você mora?
Tentei pensar rápido e lembrar do meu endereço mas isso pareceu impossível no começo.
—Hã, na próxima quadra, prédio 178.
O motorista assentiu e dirigiu rapidamente.
—Bom, você passará a noite aqui mesmo. Mas durante a manhã, vou pedir para Alan vir te buscar.
—Me buscar?- tudo estava acontecendo de forma muito rápido.
—Sim, não podem descobrir que minha...acompanhante mora num apartamento brega.
Encarei ele que nem pareceu sem graça ao dizer aquilo, bem na minha frente.
—É um ótimo apartamento, se quer saber.-resmungo.
—Se não tem cobertura não me agrada.
—Se ele fosse seu eu até entenderia, mas como o senhor não tem nada a ver com isso...-deixei a frase terminar no ar e pude ter a satisfação de ver sua expressão de surpresa enquanto o motorista ria e fingia ter uma crise de tosse.
Talvez ninguém tenha falado dessa maneira com ele, provavelmente tentavam agrada-lo de toda forma afim de ter sua atenção. Reprimi uma careta e volto a olhar a rua pela janela.
Alan estaciona o carro bem na porta do meu prédio e eu já estava quase saindo quando Donovan me agarra pelo pulso.
—Esteja aqui na frente oito horas da manhã. Leve pouca roupa e nada mais, o resto comprarei durante a semana.-ele disse enquanto avaliava minhas vestes em forma de negação.
Pensei em dizer que não havia nada de errado com minhas roupas, mas quando dei por mim, Alan já havia aberto a porta e eu já estava a caminho do elevador.
Onde eu me metera , meu Deus?
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