For You
2 Paciente Desconhecido
Notas iniciais
Yoochun POV’s
Não conseguia entender minha raiva. Naquele momento eu precisava sair dali. Meu pai não entendia, HyeSoo não entendia. Eu estava cansado de tudo. Dinheiro, trabalho, agenda lotada e noites mal dormidas. Eu queria um pouco de paz, não queria ser igual ao meu pai...
Esse pensamento me fez compreender de onde vinha aquele sentimento ódio e revolta. O trabalho tornou meu pai um homem frio e solitário. Foi por culpa desse maldito trabalho que perdi minha mãe. Se meu pai tivesse dedicado mais tempo à nós, minha mãe poderia estar viva ainda. E mesmo que não estivesse, meu pai não estaria vivendo na extrema solidão e amargando todos os dias de sua vida por se achar culpado pela morte dela.
E era assim que eu estava ficando. Frio e solitário. Não tenho amigos, não consigo estar perto da minha noiva, prefiro beber sozinho trancado no meu escritório ou na minha casa. Que vida era essa?
Não sei quanto tempo eu dirigi, sei que quando dei por mim, eu já estava em outra cidade. Mesmo não sendo tão distante de Seul, notei que a cidade era bem diferente. Parecia mais tranqüila. Era de noite e as ruas estavam mais escuras do que eu estava acostumado. Não havia tantas luzes e luminosos como Seul tinha. Dirigi olhando as pessoas e os lugares. Não prestei muita atenção na hora e nem me preocupei em ligar meu celular. Parei o carro num lugar qualquer, desci e estiquei meu corpo. Olhei o relógio e notei que era madrugada, três horas. Fiquei andando pela cidade e notei o pouquíssimo movimento. Andei, andei e andei até me cansar. Vi uma praça e fui me sentar no banco para descansar minhas pernas. Tirei do bolso minha carteira e meu celular. Fiquei olhando para esses objetos por um longo tempo. Ali havia tudo o que eu era. Um telefone de última geração com os contatos de todas as pessoas importantes para meus negócios, meus cartões de crédito, talão de cheques, dinheiro e meus documentos pessoais. Com aquilo eu poderia ir a qualquer lugar que eu quisesse. Mas senti uma súbita vontade de me livrar daquilo que eu era, pensei em jogar tudo fora, mas não consegui. Apenas atirei meu celular numa lixeira qualquer e continuei a caminhar.
Já era manhã quando dei por mim. As pessoas já estavam indo trabalhar ou tomar conta de seus afazeres. Vi uma loja de CD’s do outro lado da rua de onde eu estava. Pensei em ir lá ver o que tinha de bom para ouvir, fazia alguns dias que eu não ouvia música. Encaminhei-me para lá pensando em minhas opções para o dia. Eu poderia voltar para Seul, poderia ficar ali naquela cidade e aproveitar o passeio, poderia ir para outro lugar qualquer, poderia...
Foi quando ouvi o som alto de uma buzina, me virei a tempo de ver um carro avançando sobre mim. Perto demais para eu poder fazer algo para impedir. Uma dor dilacerante invadiu meu corpo e tudo escureceu.
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– Junsu, acorda! Você vai se atrasar de novo! – Changmin deu um tapa no braço do primo e saiu do quarto.
Junsu não demorou a levantar-se e fez seu ritual de toda manhã, banho, escovar os dentes, trocar de roupa e dessa vez teve tempo para tomar café junto com o primo e a tia.
Logo partiu para mais um dia de faculdade. Não precisou correr dessa vez, foi caminhando pelas ruas e observando as pessoas, enquanto recordava do que estudara na noite anterior. Mas foi tirado de seus pensamentos quando ouviu o som de uma buzina e um estrondo. Um amontoado de pessoas indicou o lugar do problema e Junsu se encaminhou rapidamente para lá para ver o que era.
Pediu licença para as pessoas dizendo que era estudante de medicina e podia ajudar. Todos o deixaram passar e Junsu se assustou com o que viu. Não porque o homem que estava caído no chão estava sangrando e inconsciente, mas sim porque era extremamente parecido com o homem elegante com o qual sonhara algumas vezes nas ultimas semanas. O homem que ele sempre tentava socorrer, mas não conseguia.
– Aiigo, será que é ele? É muito parecido. – murmurou para si mesmo enquanto checava o pulso do acidentado.
Depois de observar sem deslocar o homem, Junsu percebeu que o homem tinha um ferimento grave na cabeça e sangrava muito. Pressionou o ferimento para tentar estancar o sangramento enquanto não vinha socorro.
A ambulância não demorou. Junsu explicou para enfermeiro o que havia feito e o que as testemunhas disseram.
– Você o conhece? – o homem da ambulância perguntou.
– Não, nunca o vi.
– Pode nos acompanhar? Vamos precisar de alguém lá com ele e também o médico pode pedir alguma informação sobre os seus primeiros socorros.
– Certo, eu vou sim.
Junsu entrou na ambulância depois que lhe entregaram a carteira e chaves que estavam no bolso do acidentado. Junsu nem olhou, apenas ficou observando o homem ferido, esperando que ele ficasse bem.
Já no hospital, depois de falar com o médico e o homem estranho ter sido levado para a emergência, Junsu pegou a carteira e as chaves que estavam com ele. As chaves pareciam de um carro, e pelo jeito não era um muito barato. Na carteira encontrou o documento, onde descobriu que seu acidentado chamava-se Park Yoochun e tinha 30 anos. Passou as informações para o moça da recepção que fazia a ficha dos pacientes e voltou a aguardar notícias.
Uma hora e meia mais tarde, Junsu foi chamado pelo médico, que disse que o paciente estava fora de perigo, mas que precisava de cuidados extras e observação, pois a pancada na cabeça era bem grave e podia leva-lo a ter complicações.
– Se quiser pode vê-lo. Ele ainda está dormindo devido a anestesia, mas logo vai acordar.
– Mas eu não o conheço doutor. E não encontrei telefone de alguém da família, não havia nenhum celular com ele. Somente a carteira.
– Bem, nesse caso, você poderia ficar e esperar ele acordar, pelo menos para ver se ele se lembra de algo que possa nos ajudar a encontrar um parente. Mas se precisar ir embora, o hospital vai tentar ajuda-lo...
– Não, tudo bem. Eu fico. Já perdi minha aula da faculdade mesmo. Vou esperar ele acordar.
Junsu se dirigiu ao quarto onde o paciente estava ainda inconsciente, antes ligou para o seu chefe no trabalho e explicou que talvez não conseguisse chegar a tempo devido ao acidente. O chefe disse que tudo bem e que daria o dia de folga que estava devendo à Junsu há dois meses. Pegou uma cadeira e colocou ao lado da cama e ficou ali esperando e observando seu desconhecido. Era um homem bonito, de cabelos curtos e arrepiados, bem escuros. Pele muito branca e olhos puxados caidinhos. E aparentemente rico, a julgar pelas roupas que vestia e pelas chaves do carro que encontrou. Acabou adormecendo enquanto o olhava, pois como sempre estava cansado.
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Yoochun abriu os olhos lentamente e demorou algum tempo para perceber onde estava. Olhou em volta notando o quarto de hospital e aos poucos foi se lembrando do som de uma buzina e da dor que o choque com o carro causou.
Depois de alguns minutos notou que alguém estava ao seu lado. Virou a cabeça lentamente para olhar melhor e descobriu que isso o fazia sentir uma dor horrível, mas conseguiu virar um pouquinho.
Notou que seu acompanhante era um rapaz jovem, de pele branca e macia, de cabelos escuros com um corte moderno. Estava vestido de forma simples. Calça jeans, camisa xadrez de mangas longas e tênis. Notou que ao seu lado havia uma pasta. Devia ser um estudante. Por um instante pensou o que aquele estudante estaria fazendo ali, não o conhecia e geralmente quem deve estar ali é um parente. Deviam ter avisado seu pai ou algo assim, será que não o haviam encontrado ou seu pai estaria muito ocupado? Começou a ficar confuso e sentiu uma pontada de dor e gemeu baixinho. Mas foi suficiente para o rapaz ao lado acordar.
– Ah, você acordou! Como se sente? – Junsu disse calmo e num volume baixo para não assustar o homem.
– Eu estou com dor. – Yoochun conseguiu dizer bem baixinho depois de procurar sua voz, que estava rouca.
– Vou chamar o médico para você. – Junsu disse se levantando.
– Espera. Quem é você? Eu te conheço? – Yoochun resmungou mais uma vez.
– Não, você não me conhece. Meu nome é Junsu. Kim Junsu. – e sorriu para Yoochun.
Yoochun sentiu um desconforto em seu peito, seus batimentos cardíacos aumentaram e Junsu percebeu ouvindo o aparelho ao lado da cama começar a fazer “bips” mais rapidamente.
– Você está bem? – Junsu se aproximou.
– Sim, acho que sim. Estou um pouco confuso, não me lembro direito do que ouve, lembro de uma buzina, da dor... Meu pai... Onde ele está?
– Bem, acalma-se ok? Você foi atropelado e eu fui o primeiro a te socorrer, eu estava passando e sou estudante de medicina, por isso ajudei. Só achei sua carteira e suas chaves de carro. Você se chama Park Yoochun, certo?
– Sim, me chamo Yoochun. – respondeu com o olhar perdido.
– Então, não encontrei nenhum telefone e então não ligamos para ninguém. Você se lembra do telefone de alguém que a gente possa chamar? Seu pai ou sua mãe? Um parente ou um amigo?
A palavras de Junsu fizeram novamente a cabeça de Yoochun funcionar. Lembrou-se que havia jogado o celular no lixo. Começou a se lembrar da discussão com o pai e de sua mãe. Quando lembrou da foto de sua mãe, sentiu mais uma pontada na cabeça e gemeu alto.
– Eu vou chamar o médico. — Junsu disse e saiu, voltando rapidamente com um médico em seu encalço.
O médico examinou Yoochun e aplicou mais uma medicação para dor. Pediu que descansasse e depois tomariam providências para localizar a família.
– Está melhor? – Junsu disse depois de um longo silêncio.
– Sim, a dor diminuiu. Obrigado... Por ter me ajudado. – Yoochun disse sem graça, não estava acostumado ser ajudado, sempre fez tudo sozinho, até mesmo quando estava doente, além do fato de não apreciar a companhia de outras pessoas, ainda mais estranhos.
– Imagina, era o que eu devia ter feito. Afinal, esse vai ser minha profissão, ajudar as pessoas. – Junsu sorriu novamente, de um jeito meigo que fez o desconforto no peito de Yoochun voltar. Junsu percebeu a alteração, mas não disse nada.
– E então Yoochun, o que vamos fazer? Você quer que eu ligue para alguém?
– É mesmo, me desculpe. Você deve ter o que fazer ao invés de ficar aqui me pajeando.
– Não, não é isso. Não se preocupe. Estou apenas dizendo, pois deve ter alguém preocupado com você em algum lugar, não?
– Na verdade, eu nem sou daqui. Sou de Seul. Eu tive um dia difícil e acabei dirigindo até aqui sem ver. Mas... – ele pensou antes de continuar – Não quero que ligue para ninguém.
– Mas...
– Sim, eu sei o que vai dizer, mas tenho meus motivos. Preciso de um tempo. Depois decido o que fazer.
– Tudo bem então, você é quem sabe senhor Park.
– Por favor, só me chame de Yoochun.
– Ok. Você é quem sabe Yoochun.
– Se quiser ir embora, tudo bem. Eu me viro aqui. Não se preocupe. – Yoochun não demonstrou fraqueza em momento algum. Era o papel que costumava fazer diante de qualquer pessoa.
Junsu ficou em silêncio por alguns instantes e depois se aproximou da cama de Yoochun.
– Olha, não sei o que houve com você, mas não vou te deixar sozinho. Vou fazer assim, vou até minha casa avisar minha família que estou aqui e pegar umas roupas limpas para você. Vai precisar quando sair daqui, seu terno está arruinado. E depois eu volto, certo?
– Não precisa se incomodar, eu dou um jeito. Posso mandar alguém comprar algumas roupas para mim e...
– De jeito nenhum, vou lá rapidinho e volto. É aqui perto. Durma um pouco e eu estarei de volta antes que acorde. E também acho difícil você arrumar alguém para comprar alguma coisa pra você, não conhece ninguém aqui e pelo que vi não pretende ligar para alguém que possa ajudar, certo?
Assim Junsu deixou seu estranho e desconhecido, mas já querido paciente e foi em casa. Explicou para a tia que havia acontecido e a deixou toda orgulhosa por saber que ele havia socorrido tão bem uma pessoa.
– Ai, querido, você será um grande médico. – disse apertando as bochechas de Junsu.
Junsu correu em seu quarto e arrumou uma mochila com uma troca de roupas. Pegou as peças maiores que tinha, pois pelo que notou, Yoochun era um pouco maior que ele. Pegou um pouco de dinheiro que havia guardado e no caminho para o hospital, comprou uma escova e pasta de dentes, desodorante e um sabonete, pois sabia que o sabonete do hospital tinha um cheiro horrível.
No caminho ficou pensando se deveria ajudar tanto, o homem do hospital era em estranho e pelo jeito acostumado a ter mil pessoas ao seu redor esperando por um único estalar de dedos dele para fazerem o que ele queria. Mas sentia que tinha que ajudar, havia algo naquele homem que mexia com Junsu, não sabia se era pelo fato de ter sonhado com alguém tão parecido ou se seu senso de responsabilidade por querer se tornar um médico.
Chegando no quarto de Yoochun, viu que o mesmo ainda dormia. Colocou as coisas que trouxe num canto e sentou-se ao lado dele novamente. Depois de uma hora, Yoochun despertou e pediu um pouco de água.
– Vou colocar um canudinho, você não pode levantar a cabeça ainda. – Junsu disse enquanto servia um copo de água.
Junsu passou a noite no hospital e saiu logo cedo para ir à aula. Passou em casa para tomar banho, se trocar e comer alguma coisa. Antes do trabalho passou novamente no hospital para ver Yoochun e viu que ele já estava melhor. O deixou para trabalhar, dizendo que voltaria depois do trabalho. E assim o fez durante a semana toda. Passou suas noites dormindo na poltrona do hospital, para não deixar Yoochun sozinho. Yoochun insistia o tempo todo que não era necessário, que já estava se sentindo um fardo para o menor. Até cogitou ligar para seu pai, mas lembrou-se do que o esperava em Seul, então desistiu da idéia. Junsu sempre negava que Yoochun estava dando trabalho e insistia em ficar por perto, já que o maior estava sozinho ali na cidade. Fez-se de surdo diante dos protestos de Yoochun e continuou a vê-lo.
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– Não é possível! Já passou uma semana e ninguém conseguiu localizá-lo? – O senhor Park gritava dentro de seu escritório, andando de uma lado a outro.
– Eu sei senhor Park, estamos fazendo o possível para encontra-lo.
– Já procuraram nos hospitais? Pode ser que tenha acontecido... – baixou a voz e tentou não pensar no pior.
– Sim, todos os hospitais de Seul foram avisados. Estamos fazendo o possível, pedimos para rastrearem os cartões dele, pode ser que assim o encontremos se o cartão for usado.
– Certo, entendi. Obrigado. Já pode sair.
O pai de Yoochun sentou-se na poltrona e fechou os olhos. Estava desesperado por notícias no filho. Assim como sua noiva e a família dela. Não queriam pensar o pior, mas a cada dia que passava não conseguiam mais pensar em coisas boas.
Continua...
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