Notas iniciais
oi gente, espero que vocês gostem!

Acordei com um sobressalto, completamente encharcada de suor, me sentei na cama e olhei para o lado, esperando que ele ainda estivesse lá, mais mesmo assim aquela visão foi como um soco no meu estomago, ele estava cheio de bandagens e talas, os curativos dos seus braços estavam cheios de manchas vermelhas do sangue que continuava a sair.

Os curandeiros tinham ficado realmente assustados quando o viram, foram necessários cinco filhos de Ares para segura-lo e mais sete curandeiros para tratar das suas feridas, quando acabaram deram um pouco de ambrosia para ele na esperança de que ele dormisse um pouco, mais não adiantou, Floyd precisou tomar cinco copos de leite de papoula para dormir, e mesmo assim se debatia tanto que parecia ainda estar acordado.

Levantei e coloquei um casaco por cima do que restavam das minhas roupas, e saí da enfermaria silenciosamente, tecnicamente eu deveria ficar em observação por mais alguns dias, já que eu tinha quase perdido a minha mão esquerda para o fogo, porem tecnicamente sátiros não existem, e o acampamento meio-sangue é uma invenção de um ex professor de literatura.

Saí sem dificuldades, sou silenciosa quando eu preciso

Andei em silencio pelo acampamento até chegar no lago, como eu estava descalça simplesmente coloquei os pés na água e deitei na relva, eu devo ter ficado horas ali, deitada de barriga para cima olhando as constelações e chorando, chorando pelo Floyd, chorando por meu parente olimpiano que nem sequer se preocupava em me reclamar, mais principalmente chorando pela Cat e pela Nic, elas tinha feito coisas horríveis hoje, eu não quis deixar transparecer quando elas vieram falar comigo, mais eu estava apavorada, nunca tinha sentido tanto medo na minha vida, mais principalmente nunca tinha me sentido tão sozinha, essa parte deve ter soado estranha, já que eu me dava bem com todo mundo do chalé de Hermes, mais eu não tinha nenhum grande amigo ou coisa parecida, a Rita tinha sido minha melhor amiga por muito tempo, mais agora andava tão envolta em outros assuntos que um aceno vindo dela já era uma grande surpresa, tenho certeza de que ela nunca realmente gostou de mim, era a porra do trabalho dela, só isso.

–Mel? – uma voz chamou.

Me virei e vi o Mike, os olhos azuis dele brilhavam como diamantes na luz da lua, ele se aproximava, eu queria falar pra ele ir embora, mais eu não conseguia, eu estava tão sozinha, precisava de alguém naquele momento.

–Tudo bem? – ele perguntou preocupado.

De novo em quis dizer que sim, que eu estava ótima, e que ele não precisava se preocupar, e podia me deixar sozinha de boa, mais eu não pude, não tinha forças para mentir naquele momento, então, apenas continuei chorando.

–hey, calma – ele disse me abraçando de frente, de um jeito que a minha cabeça encostava no ombro dele, em questão de segundos senti a camiseta dele ficar encharcada com as minhas lágrimas – o que foi?

–Tudo – em consegui dizer soluçando – eu achava que conhecia a Cat e a Nic, mas derepente elas são nada mais que duas estranhas, o Floyd pode estar morrendo agora mesmo, o Kyle deve me odiar, já que o primo dele era responsabilidade MINHA! E eu como sempre fodi com tudo, é só pra isso que eu sirvo, sabe? Eu sempre fodo com tudo, eu sou a merda de um desastre, eu não faço nada certo, e nada nunca dá certo pra mim.

Só quando eu acabei de falar e irrompi em uma nova chuva de lágrimas foi que eu percebi como eu tinha falado e rápido, e como ele deveria estar me achando patética, toda suada, como cabelo sujo de sangue e terra, eu também não escovava os dentes á um bom tempo,as minhas roupas estavam rasgadas e queimadas, e ainda por cima desabafando com alguém que não era muito mais que um estranho, e com quem eu não tinha falado mais de meia dúzia de vezes.

Afastei-me de Mike, e voltei a ficar deitada na grama com os pés no lago, ele pareceu ficar pensativo por algum tempo, mais logo tirou os tênis e as meias, deitou-se ao meu lado de forma que os nossos ombros se tocavam e colocou os pés na água.

–Mel... – ele começou.

–Não precisava falar nada, sério, eu não deveria ter desabafado assim com você, desculpa, se quiser pode ir embora, juro que eu não vou ligar- na verdade eu ia ligar, mas eu não queria que ele soubesse disso, eu não estava mais chorando, então meu rosto já devia estar desinchando.

–Não, eu não vou embora,Mel, você é importante pra mim, não vou deixar você sozinha agora, ok? – ele disse se virando pra mim, me virei para encara-lo, ele só estava sendo legal, acho que não faria mal se ele ficasse, pelo contrário.

–Tudo bem – eu disse, então me virei para olhar as estrelas denovo, Mike delicadamente colocou a mão no meu queixo e virou me rosto para que eu o olhasse nos olhos.

–Mel, você não é um desastre, e nem inútil, e nenhuma dessas coisas que você falou, você é... incrível, sabe quantas pessoas conseguiram sair da enfermaria sem permissão? Você foi a primeira, nesse momento eu acho que nem a Cat e nem a Nic se conhecem direito, muita coisa esta mudando elas, só de um tempo ao tempo, o Floyd vai ficar bem, ele é forte e já melhorou bastante, daqui a algumas semana ele já vai estar correndo por aí e enchendo o nosso saco, voce vai ver, e o Kyle não te odeia, eu tenho certeza, mais se odiar, ele é uma das pessoas mais idiotas que eu já conheci.

Ai ele me beijou, e eu tive a sensação de que todos os fogos de artifício do réveillon estavam estourando na minha cabeça, no meu estomago e em todas as outras partes do meu corpo.

Nós devemos ter ficado nos beijando por tipo, dez minutos, até que ele me afastou gentilmente e se levantou, ele parecia pálido.

–Mel...desculpa, eu não queria me aproveitar da sua fragilidade, meu deus, eu sou um idiota, me desculpa por favor, eu vou te deixar sozinha como eu deveria ter feito desde o começo, eu deveria ter entendido que voce não quer companhia e...

–Mike? – eu disse já em pé

–O que? – ele perguntou meio sem jeito, encarando os pés.

–Cala a boca – eu me aproximei e beijei ele, Mike soltou os tênis que tinha nas mãos e envolveu a minha cintura, meus braços foram para o seu pescoço.

Nunca na minha vida eu tinha me sentido tão feliz como naquele momento, era como se o mundo inteiro não importasse, e realmente não importava.