Notas iniciais
Eu mudei muito umas partes desse cap. então se tiver alguma coisa sem sentido aí no meio é q eu esqueci de apagar ou mudar junto. Já reli umas 73587279 vezes, mas posso não ter percebido. Qualquer coisa é só falar.

Minha cabeça estava a ponto de explodir de tanta dor. Passei a noite inteira em claro, tirando apenas uns cochilos dos quais era acordada com o menor barulho, até do armamento do chuveiro ou do frigobar que tinha ali e acabei acordando assim. Não tinha muita opção do que fazer, só o que queria era expelir aqueles pensamentos então tentei fugir deles planejando o dia que já amanhecia.

Dormi sem perceber provavelmente por volta das 5 horas e acordei com o som de talheres batendo em pratos que ecoava do térreo. Chequei o relógio de parede que marcada 7h16.

Levantei-me e arrumei a cama, fui até o frigobar e peguei um copo d’água, entornei metade garganta abaixo. Não tinha remédio para dor de cabeça e não acordaria Selena para pedir um, e não estava com vontade alguma de sair do quarto pedir a alguém da enfermaria, nem mesmo para comer por mais que estivesse com um pouco de fome.

Sentei na cama bebendo o resto da água de vagar e olhando pela janela o movimento nos jardins: pessoas andando de um lado para o outro, conversando com alguém ou sozinhas, com lanches, alguns grupos estavam sentados fazendo deveres, outros fazendo um tipo de pique nique, outros apenas jogando conversa fora, rindo e pentelhando os colegas. E num lugar mais escuro tapado por folhagens, árvores e arbustos que cobriam pelo menos uma pessoa e mais metade dela, estava um casal se agarrando, parecia que o homem poderia comer a garota viva. Eu conseguia ver por estar do alto e por estarem bem debaixo da minha janela, mas ninguém parecia ir ali.

Engano meu. Uma cabeça loira e cacheada que reconheci ser de Taylor Swift estava chegando bem perto do lugar, pé ante pé e um pouco agachada. Ela tentou ver por entre as folhagens que tapavam o casal, imagino que tenha visto e então se permitiu cair de joelhos, sentou de costas para a planta, abraçou as pernas com os braços finos e encostou a testa no joelho. Entendi logo: era Miley quem estava ali.

A morena estava encostada num tronco largo de uma árvore já com a boca desvencilhada do desentupidor que devia ser a do cara, os braços fortes dele cercavam-na um de cada lado do seu corpo. Ela estava de braços cruzados olhando qualquer lugar menos os olhos dele. Ele pegou seu queixo com brutalidade e a fez olhar para ele, disse algo num sussurro que Miley respondeu no mesmo tom. Ele ria quando deixou seus braços caírem, de forma que a garota ficou livre, e deu um passo pra trás. Ela empurrou-o com toda força que tinha o que não foi suficiente para fazê-lo mover um músculo sequer, não ligou e saiu dali pisando forte e em passos largos, aborrecida. Taylor já havia saído dali.

- Bom dia, flor do dia.

Virei-me para Selena que arrumava a cama.

- Bom dia, Sel. Ei, você tem remédio pra dor de cabeça?

- Tenho sim – abriu seu nécessaire, pegou uma cartela de comprimidos e entregou-me, pegando o copo já vazio da minha mão que tinha bebido água.

Tirei um comprimido dali e pus na boca, logo ela voltou com o copo cheio até a metade e me entregou. Agradeci e bebi alguns goles até terminar de descer o remédio.

- Você não pregou os olhos a noite inteira, não é?

- É... você também ficou acordada?

- Não, mas pude ouvir a cama rangendo o tempo todo, o que indicava que você estava se mexendo, o que não é muito comum pra você quando dorme.

- Sua capacidade de dedução lógica mesmo com sono é surpreendente.

- Surpreendente é meu apelido... – fez uma cara pensativa – pensando bem não é não.

- Valeu a tentativa.

- Demi. – pousei meus olhos na garota que me chamou – Precisamos conversar, não acha?

- Oh... sim – o que eu menos queria agora era tocar naquele assunto – mas depois, está bem? Agora quero comer, estou morrendo de fome.

Chegamos ao refeitório e lá estava Jennifer acenando freneticamente da mesma mesa que sentamos todos os dias. Dei um aceno tímido de volta e fui pegar o lanche. Pus algumas panquecas e calda por cima e fui pra mesa falar com o pessoal. A dor de cabeça já havia passado, estava um pouco melhor, mas com muito sono. Já estava cansada de abrir tanto a boca para bocejar dentre os quinze minutos ali. Acabei as panquecas e não havia falado quase nada. Taylor e Ashley estavam cochichando alguma coisa, os olhos da Swift estavam vermelhos, provavelmente chorou muito depois do que viu hoje mais cedo. Pobre Taylor. Selena falava só quando falavam com ela, por isso tentavam perturbá-la com piadinhas e tacando migalhas de comida. Dei graças a Deus por não terem feito isso comigo.

Dei tchau e fui caminhando de volta ao quarto. No meio do caminho começo a ouvir passos atrás de mim, não olhei pra trás e comecei a andar mais rápido. Não conhecia muita gente ali, nunca se sabe se vai ou não encontrar um psicopata, maníaco ou serial killer. Ok, talvez tenha exagerado um pouco. Mas estava com medo e continuei andando, os passos atrás de mim também ficaram mais rápidos e eu quase comecei a correr se não fosse uma mão macia e com unhas enormes e bem feitas me segurando pelo braço.

- Com medo, Lovato? – ecoou uma voz maliciosa sem dúvida alguma de Miley Cyrus.

Deixei meu corpo rígido de medo relaxar agora que sabia quem era.

- Me assustou, Cyrus! – disse tentando parecer brava, mas não estava.

- Era essa a minha intenção – fez cara de superior, eu ri – Vai rolar uma festinha particular no meu quarto hoje, quer ir?

- Festinha particular?

- Faço todo mês. Chamo somente umas dez pessoas para não dar bandeira, sabe, não são permitidas festas aqui, então não pode ser uma coisa muito grande.

- E também é um cômodo pequeno pra mais de dez pessoas, não acha? – observei.

- Demi, querida, não seja ingênua. Acha que mesmo com espaço ficamos muito afastados uns dos outros, hm? – piscou com um olho – Então, o que me diz?

- Bem, eu... – não era nada prudente ir a uma festa dessas e correr o risco de ser pega.

- Vamos, Dems, vai ser divertido!

- Está bem. – dei-me por vencida — Que horas posso ir e qual o número do seu quarto?

- Eu mesma venho te buscar, só esteja pronta às 21h.

Concordei e voltei a caminhar de volta ao quarto. Iria à festa apenas para não parecer chata e ter que negar, não faria nada, ficaria no meu canto quieta e só observando e iria embora assim que deixassem de notar minha presença.

Entrei no quarto e fui direto lavar o rosto para espantar o sono que me consumia. Ainda teria que fazer os deveres pendentes que não eram nada poucos, faria primeiro os dessa semana e depois o resto. Peguei o caderno, os livros, lápis e borracha e comecei.

Não havia terminado de escrever nem a primeira resposta do questionário de biologia e a porta abriu, vindo atrás Selena bebendo alguma coisa no canudo. Continuei o que estava fazendo evitando conversa.

- Então... – começou – foi convidada pra festa da Cyrus, né. – não foi uma pergunta.

- Sim – respondi sem tirar os olhos do papel.

- E você vai? – quis saber.

- Vou. Algum problema? – enfrentei lembrando-me da conversa noite passada.

- Não.

- Ótimo. – forcei seriedade querendo rir daquela reação dela toda vez que Miley falava comigo. Não que fosse engraçado, só achava bonitinha a preocupação dela – Ficou nos ouvindo no corredor? – perguntei indignada.

- A culpa não foi minha, eu estava voltando e ouvi vocês conversando sem querer.

- Claro, da próxima vez faço questão de falar baixinho. – debochei. Revirei os olhos e voltei a fazer o que havia parado.

- Demi – começou de novo depois de algum tempo – vamos, não fuja do assunto.

Sabia qual, mas me fiz de desentendida voltando ao do corredor e logo ela me cortou.

- Tá bem, você venceu. Não conte a ninguém, Selena, isso é muito perigoso.

Contei um pouco da minha vida antes de meu pai virar alcóolatra, contei dos meus amigos, da minha antiga escola, da minha melhor amiga, a que lembrava Miley, mas não comentei essa parte. Não falei sobre agressão, aprisionamento ou incesto. Menti que mamãe se separou dele e foi embora com Dallas e que tive que ficar com meu pai porque a justiça mandou. Disse que minha mãe não me procurou mais, isso não era bem mentira e doía saber disso, e que Patrick resolveu me dar aulas em casa, outra mentira, pois não tive aulas esse tempo todo, mas ele conseguiu enrolar as pessoas, todos achavam que eu havia ido embora com minha mãe e irmã então não desconfiavam que ele me aprisionasse. Falei a verdade quando disse que Hope, a minha melhor amiga, me procurou, mas ele não me deixou falar com ela, e depois de um tempo ela parou de ligar.

- Como a justiça foi te deixar com um alcóolatra? Isso é loucura! – Selena exclamou, abismada.

- Vai saber. – dei de ombros. Nunca ia saber responder isso, nem mesmo tinha acontecido.

- Não entendo porque sua mãe não te procurou. – disse fitando o chão, pensativa.

Outra coisa que eu não sabia responder. Por quê? Por que ela me deixou com aquele troglodita? Por que ela me deixou sofrer esses anos todos? Fechei os olhos impedindo que as lágrimas caíssem, respirei fundo.

- Vai me ajudar ou não?

- É claro que eu vou! – disse sentando ao meu lado e me envolvendo com seu corpo quente – Dems, eu sinto muito. Eu não fazia ideia.

Retribuí o abraço apertando seu corpo contra o meu com força e mergulhei o rosto em seu pescoço e cabelos. O aroma era delicioso, deixou-me tonta por um segundo e embrulhou meu estômago de uma forma engraçada. Ela não fez menção de sair daquela posição e nem eu.

~

Passamos a tarde fazendo deveres. Com a ajuda de Selena foi tudo muito mais rápido e já havia acabado o de toda a semana que passou e alguns dos outros. Conversamos muito como nunca antes, ela me fez rir, eu a fiz rir. Ela era mais legal quando não estava zangada por causa de Miley. Ela comeu uns dois potes de picles e eu um pacote de cheetos com coca. Não tocamos mais no assunto de antes, eu queria um tempo desses pensamentos e ela estava dando. Não fez mais perguntas, não tentou me confortar com palavras bonitas, era o que eu menos precisava, pois isso só me faria querer chorar. Só precisava esquecer, e foi o que ela fez: fez-me esquecer de tudo e só ver nós duas nos divertindo. Selena sabia cuidar das pessoas, soube cuidar de mim. Não poderia ter sido mais certo se não tivesse contado a ela.

Já estava quase na hora de sair o resultado do teste de ontem e eu não estava nada confiante. Fiz questão de esperar pelo menos uns quinze minutos passarem a partir da hora marcada para não pegar tumulto em volta do mural. Desci as escadas na maior calma e andei até o mural perto do balcão em frente à entrada do prédio olhando pra baixo, com as mãos nos bolsos da calça. Tentei descontrair um pouco quando estava me aproximando. Lá estava a folha com os nomes, mas antes que pudesse ler a voz alegre de Miley atrás de mim me pegou de surpresa.

- Bom trabalho, Dems! Sabia que conseguiria.

Continuei a olhar o papel para ter certeza que aquilo era verdade e lá estava meu nome: Lovato, Demetria.

- Wow! Miley, eu consegui! – comecei a rir abobada – Como assim eu consegui? Sério que eu fui bem?

- Você foi muito bem, Demi, sério. – ela ria. De mim ou comigo, tanto faz. Eu estava feliz, mais do que achei que ficaria.

Cheguei afobada abrindo a porta do quarto num estrondo e Selena deixou o livro que estava lendo cair e pulou da cama.

- Que isso, garota! – me olhava assustada.

- Eu consegui, Selenalenalena!

- Ooh! Parabéns. Você foi realmente bem.

- Ei! Ontem você disse que fui bem, mas você nem me viu, você não estava lá. Nem você, nem Taylor, vocês sumiram. – fechei a porta atrás de mim com mais calma.

- Eu vi sim, mas estava escondida. Aquela é praticamente a área da Miley, acha mesmo que seria vista por lá? Já Taylor ficou com o pessoal. – pegou o livro do chão e voltou a ler.

- Área da Miley... – repeti baixo achando isso a maior besteira que já ouvi.

Dormi por umas duas horas, quando acordei eram 22h30 então fui procurar uma roupa pra vestir na festa, escolhi um vestido e sapato vermelhos. Deixei esticado encima da cama e fui tomar banho. Selena que me arrumou, passou uma maquiagem leve e ajeitou meu cabelo.

Ela estava de frente pra mim terminando de arrumá-lo e dar uns retoques na maquiagem. De novo seu rosto muito perto do meu. Sentia seu cheiro já dali, aquele que me deixou tonta mais cedo, e que quase fez acontecer o mesmo agora.

- Você tá mais linda do que já é – elogiou.

Sorri sem graça e abaixei a cabeça.

De repente ela pegou na minha cintura num movimento rápido e com força, juntou seu corpo no meu e empurrou com o dela o meu para trás. O objeto atrás de mim não deixou que eu continuasse, mas ela continuava fazendo força com seu corpo contra o meu. Seu rosto estava muito perto do meu. E cada vez mais perto. Eu estava ficando mole. Estava ficando com calor. Seu cheiro invadia meus pulmões e sua respiração estava pesada como a minha. Ela apertou minha cintura com mais força e fincou as unhas o que me fez arrepiar.

- Selena... – minha voz saiu rouca e apenas isso. Queria dizer algo como “Selena, me solta”, mas não consegui.

Quando ouvi três batidas na porta, Selena me soltou rápido, deu um chute no armário e foi direto para o banheiro batendo a porta. Fechei os olhos me concentrando em organizar os pensamentos e fui atender Miley.

Notas finais
Carência é o que há. E com a Dedems no mesmo quarto não ajuda muito, se é que me entendem. :9
Revieeeeews lindos?