For The Love Of A Daughter
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Eu queria fazer um cap. POV Selena, mas não deu ainda. Perante as circunstâncias e o que eu quero dessa fic, e como não quero fazer da Selena um personagem melancólico, acaba ficando meio patético se colocar com os pensamentos dela. ENTÃO, eu apaguei e refiz com o POV Demi de sempre.
Não sei o que me deu ontem a noite, não sei como fui parar no meu quarto e nem como deitei na cama limpa e de pijama. A última coisa que lembro que está nítida na minha mente foi o lance de ontem à noite com Selena no quarto, que foi extremamente estranho ela me agarrando daquela forma. Eu queria perguntar, mas estava sem jeito. E depois Miley me levando para a festa e pegando umas Ices pra gente, ela me contou coisas sobre ela e Selena e Taylor, que ela e Selena haviam ficado. Isso me deu um aperto no peito, uma sensação chata que me perturbava toda vez que me lembrava dela contando isso, ela não estava me protegendo coisa nenhuma e sim evitando que eu ficasse com Miley para ela poder tê-la. Estava com raiva, frustrada, excluída e enganada. Quem pensaria no meu bem, afinal?
Quando Miley falava de Taylor, seus olhos nunca paravam num lugar. Ficava nervosa, parecia querer esconder algo, e não deixava de gaguejar de vez em quando pra depois limpar a garganta timidamente e mudar de assunto. Quando me dei conta já estava bebendo vodka no gargalo e dançando como louca. E o resto é tudo um borrão: Eu beijando Miley, ela saía correndo para o banheiro para vomitar. Perguntei-me se ela estava com nojo de mim ou se foi algo que comeu, senti-me mal por isso. Eu rindo histericamente. Alguém, acho que um tal de Bieber, me levando até meu quarto, e Selena. Não sei bem o que houve depois, mas passam uns flashes na minha cabeça, eu havia quase a beijado também, mas ela não parecia querer. Isso só me fez certificar o que já estava desconfiada, ela nem mesmo me quer também. Nunca me senti tão rejeitada da vida.
Novamente acordei com dor de cabeça, dessa vez de ressaca. Maldita hora que eu fui a uma festa. Eu ia ficar parada no meu canto só observando, não era? Esse era o plano, não aceitar bebida de uma estranha. Repreendi-me mentalmente por isso.
~
Jennifer olhava com uma cara assustada de mim pra Selena e com a cabeça balançando na negativa e pernas e os braços inquietos, queria dizer algo, não sei se pra mim ou pra Selena. Tentava disfarçar, também não sei pra qual das duas. Ela não sabia falar com os olhos.
- ...uma gostosa dessas pro meu quarto e... – ouvi a voz de Selena quando cheguei mais perto.
- Bom dia – disse Jennifer tentando disfarçar.
- Só se for pra você. – disse revoltada. Não, não estava tendo um bom dia. — Selena, tomei a liberdade de pegar outro remédio pra dor de cabeça.
- Sem problemas.
- E eu quero dar uma palavrinha com você, será que tem como? – pedi.
- Eu, ãhm...
- Agora! – praticamente gritei, impaciente e saí andando esperando que ela viesse atrás.
- Tá bem! – apressou-se a dizer e veio atrás.
Precisava ir para um lugar onde ninguém nos ouvisse. Banheiro estava fora de cogitação, sempre havia meninas lá fofocando. Fui andando pra qualquer lado e encontrei uma portinha suja, maltratada e feia diferente das outras. Girei a maçaneta esperando que abrisse, e pra minha surpresa, abriu. Agi como se já tivesse estado ali milhares de vezes, a puxei para dentro e fechei. Ficamos no escuro, preferia não acender a luz para não chamar atenção de quem passasse do lado de fora.
- Isso aqui é o armário dos zeladores!
- Que aconteceu ontem a noite? – perguntei ignorando seu comentário.
- Desde que parte?
- Da parte que você me agarrou no quarto – disse em tom de desafio tentando não parecer tímida.
- Olha, Demi, desculpa, eu não sei o que deu em mim... – interrompi numa explosão.
- Eu me abri com você, Selena, eu contei coisas que não podia, eu confiei em você, — evitei falhar a voz, estava com aquilo engasgado e precisava tirar — mas você nem pra me dizer que ficou com a Miley, disse. Isso era tudo ciúmes? Esse negócio de “me proteger da Miley”, era tudo ciúmes dela, Selena? – começou a falhar, o nó na garganta atrapalhando minha voz. Já não estava mais ligando — Tá mentindo pra Taylor também? Aposto que ela nem sabe disso, não é? Diga-me! O que você queria me agarrando daquele jeito? Fazer-me esquecer da Miley, esquecer da festa, ficar lá no quarto e assim você tem a Miley só pra você? – já estava chorando liberando toda raiva em mim. Como ela pôde?
- Demi, não tem nada a ver. – seu tom era macio e convincente — Por favor, não fica assim. Eu não contei porque foi algo insignificante. Foi antes de Taylor ficar com Miley, e não, ela não sabe por que ela me contou que estava apaixonada por Miley na mesma semana e se eu dissesse ela desistiria de tudo.
- Eu acho que ela ia preferir a verdade, Selena, — funguei — assim como eu.
- Quando fiquei com a Miley percebi que ela estava infeliz. – começou o que me parecia ser uma longa história, deu uma pausa e continuou — Ela também quase confessou estar apaixonada por Taylor naquele dia e quando soube da parte de Taylor, eu tive que ajuda-las a ficarem juntas, sabe. Ponha-se no meu lugar, o que você teria feito? Teria contado pra estragar tudo? Mesmo, Demi?
- Não sei se acredito em você. – minha voz soou fria. Ela parecia sincera, mas eu era orgulhosa demais pra admitir.
- Pois então pergunte a Stone ou a Benson.
- Quer dizer Jennifer e Ashley?
- Isso. Elas sabem de tudo, foram as únicas pessoas pra quem contei.
- E depois da festa? Que aconteceu? Como eu fui parar na minha cama? – perguntei mudando de assunto.
- Eu ajudei. – riu negando com a cabeça – Você estava completamente bêbada. Como é que Miley trás bebidas pra cá é que eu não sei. – ria debochada.
Nem eu sabia. Questionei isso quando cheguei lá, mas não me responderam.
- Ela não podia ter feito isso. – disse indignada.
- Mas fez. Eu disse pra ficar longe dela.
- Não começa com “eu disse”. – repreendi revoltada.
No momento seguinte a porta do armário se abriu e uma faxineira assustada e mal encarada, gorda e com os cabelos ouriçados nos mandou sair.
- Que estão fazendo aqui? Estão aprontando alguma, hã? Se eu descobrir vou pegar vocês!
Sua voz já estava ao longe, pois estávamos correndo de volta ao refeitório deixando-a gritando sozinha. Tomei apenas um suco e ela não comeu mais nada.
- Selena, onde é a sala de informática? – perguntei quando voltávamos ao saguão. Não sei por que ainda insistia nesse assunto com ela.
- Naquele corredor – apontou para um corredor escuro e vazio.
- Vou lá agora – disse decidida. Já sabia o que fazer, mas ela me puxou de volta.
- Não vai a lugar nenhum, mocinha. – disse autoritária — Além disso, vai entrar lá sem chave?
Já tinha tudo sob controle, sabia o que fazer e não podia perder nem mais um minuto. O caminho mais fácil seria chama-la para ir junto torcendo para que não negasse e pedisse mais explicações. Felizmente foi o que ela fez, me seguindo para o lugar. O corredor não acendia por sensor como os outros. Agradeci por isso.
Sabia que ela estava com uma pulga atrás da orelha sobre como eu faria pra entrar ali, então antes que perguntasse, enfiei a mão no bolso da calça que vestia e puxei o molho de chaves inteiro que havia pego, segurando apenas uma chave, a que sabia ser a certa, com o polegar e indicador balançando levemente para não fazer barulho bem na altura dos seus olhos.
- Como você conseguiu isso? – perguntou boquiaberta.
- Estava passando por ali e não vi ninguém no balcão. – disse dando de ombros — O tumulto me fez passar despercebida quando abri a portinha do balcão e peguei as chaves. E a certa é essa aqui com o número 6 que estava escrito num papel colado numa gaveta – sorri vitoriosa.
- Então anda logo com isso antes que alguém dê falta! – ela disse olhando pra trás, inquieta.
Enfiei a chave que encaixou perfeitamente na fechadura, girei e ouvi um estalo indicando que a porta abriu. Abri um sorriso enorme, meu coração começou a pulsar forte magoando minhas costelas e ela sorriu de volta, terna. Entramos cautelosas, fechei a porta sem trancar, ela ligou o computador mais próximo e sentou esperando. Parecia uma eternidade esperar que ele ligasse. Quando o fez, ela abriu uma janela para começar a procurar.
- Qual nome completo da sua mãe? – perguntou.
- Dianna Bonheur Hart Lovato. – respondi rapidamente.
Inclinei-me para ver mais de perto ficando pouco acima do ombro de Selena. Carregou sem pressa alguma como se tivéssemos todo tempo do mundo ali, mas não obtivemos resposta sobre ela quando terminou de carregar, havia nomes parecidos, com sobrenome igual, mas nada de minha mãe. Ela digitou “Dallas Lovato” e não disse nada, ela sabia o que fazia. Quando vi os resultados, meu coração deu um pulo, parecia que sairia pela boca e minha respiração ficou mais forte.
"Dallas Lovato (@dallaslovato) on Twitter
twitter.com/dallaslovato
Sign up for Twitter to follow Dallas Lovato (@dallaslovato).”
Ela clicou. Mas antes que eu pudesse ver, dizer ou até mesmo pensar em alguma coisa, algo me puxou por trás da camisa e fez o mesmo com Selena, e pude ver quem era. Poucos segundos antes da janela no PC fechar, consegui dar uma boa olhada na foto.
Era uma moça de até no máximo 20 ou 21 anos, batia com a idade real de Dallas já que ela faria 20 no início do próximo mês, ou seja, dali uma semana e pouca. Cabelos longos e lisos de um castanho claro quase loiro, como os de Dallas. Os olhos de um castanho claro também muito semelhante ao de Dallas. Os traços do rosto eram muito parecidos, parecidos comigo, com minha mãe. Era tão bonita... como sempre foi.
Fui tirada de meus pensamentos quando a faxineira rosnou.
- Eu sabia, eu sabia que vocês estavam aprontando alguma! Estão encrencadas, ah se estão. – deu uma risada que me deu calafrios.
Minha cabeça estava á mil. Havíamos sido pegas. Eu meti Selena nisso. Se fôssemos expulsas, seria culpa minha. Se fugíssemos, eu e ela seríamos perseguidas pelos capangas de Patrick, exatamente como eu temia. Seria minha culpa. Se eu fosse direto pra casa, seria ainda mais torturada do que em todos os anos que passei trancada naquele quarto. E a garota? Era mesmo a minha Dalls, minha irmã? Queria ir atrás dela, mas não tinha informações, apenas seu nome. Eu não sabia o que fazer, estava completamente perdida.
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