Notas iniciais
Acabei postando logo o segundo capítulo porque não sei se vou conseguir postar amanhã. Por favor, deixem a opinião de vocês.

– O que você quer que eu faça? – Nash me perguntou.

– Primeiro me ajuda a levantar porque minha perna já está toda marcada por causa dessas pedrinhas.

– Olha a ideia que você teve de andar de skate no calçadão. É lógico que ia acontecer alguma coisa.

– Eu gosto de viver perigosamente. – respondi fazendo uma cara de adolescente rebelde que tenta esconder os problemas pessoais fingindo que não dá a mínima.

Me surpreendi quando ele soltou uma gargalhada com a minha resposta. Ele me fizera rir tantas vezes. Era bom arrancar um sorriso de seu rosto.

– Tá bom. – ele botou a mão nas minhas costas com cuidado. – Posso segurar aqui ou tem mais alguma cratera espalhada por perto?

– Só mais uma no meu joelho mesmo – eu sorri.

Nash me levantou com cuidado enquanto eu passava o braço por cima de seu ombro. Quando levantei, percebi que não conseguia sair do lugar.

– Meu pé direito está machucado e minha lateral esquerda TAMBÉM está machucada. Estou parecendo um pinguim andando. – falei tentando equilibrar o peso. Mesmo apoiada em Nash, era extremamente difícil de se locomover quando você está toda ardendo.

– Pode se apoiar, a gente anda devagar. – ele falou, rindo — Para onde você estava indo? Você quer que eu te leve para casa?

– Não, eu só estava andando de skate mesmo. Acabei de sair de casa.

– Eu tenho que te levar para um hospital. Você vai ter que me guiar até o mais próximo porque eu não conheço nada do Rio.

– Me leva até a minha escola. Eles tem um plano que leva os alunos que se machucam até um hospital aqui perto.

– Você não prefere que eu te leve logo para lá?

– Não sei se vou aguentar o caminho todo. Só vai seguindo reto que a escola é nessa rua mesmo. – peguei seu pulso pra olhar as horas no relógio. Eram 14:45. – Ela ainda deve estar aberta.

O porteiro abriu o portão da escola assim que nos viu chegando.

– Beatrice, o que aconteceu?

– Oi, seu João. – abri um sorriso e apontei para o skate que Nash segurava.

– Andando no calçadão de novo?

– Pois é.

– Já falei para você parar com essa mania. – ele pegou o skate e ajudou Nash a me sentar em uma cadeira. – Esperem aqui que eu vou chamar a Ana Cláudia.

Ana era a minha inspetora desde o ano passado e ela sempre me ajudava quando eu precisava de alguma coisa.

– O pé ainda está doendo? – Nash perguntou enquanto se sentava ao meu lado.

– Um pouco. Acho que dá para aturar se eu não o apoiar no chão. – ele começou a olhar ao redor, e eu fiz o mesmo. – Se bem que você não se saiu tão mal para chegar até aqui. – falei me virando para ele novamente.

– Com alguém me falando para onde ir fica fácil.

– Já é um começo. – eu ri.

– Obrigada por me trazer até aqui. E me desculpa por atrapalhar sua viagem.

– Não, tudo bem. Esse é o meu primeiro dia aqui. Ainda tenho uma semana para ver tudo. Sua cidade é muito bonita.

– Obrigada.

Seu celular apitou, o que eu presumi que fosse uma mensagem. Ele tirou o iPhone do bolso.

– A pessoa que estava te esperando deve estar preocupada.

– É o meu amigo. – ele olhou para mim e depois voltou a escrever a mensagem – Eu ia me encontrar com ele no hotel mesmo. Ficou cansado com o voo e preferiu descansar, mas eu não aguentei ficar dentro do quarto com tudo isso para conhecer.

– Acho que com conhecer você quer dizer as praias e não uma menina maluca que caiu do skate. – nós rimos. – Desculpa por tomar seu tempo.

Ele fez que não com a cabeça, como se não fizesse diferença conhecer o Rio ou ficar trancado numa sala com uma garota que não bate bem da cabeça.

– A ambulância está chegando. – Ana chegou falando como se eu estivesse com uma hemorragia extremamente grave e que se eu não chegasse no hospital em menos de cinco minutos poderia correr sérios riscos de vida.

– Ambulância?

– Você quer que a gente te leve na maca pela rua? – eu ri com a piada sem graça dela. – Vamos, já está aqui.

Alguns enfermeiros me ajudaram a subir na maca e eles me empurraram para dentro do veículo. Era tudo muito estranho. Nunca tinha acontecido alguma coisa assim comigo antes, mesmo que eu achasse tudo aquilo um exagero para um pé torcido. Nash observava tudo de longe. Ele entrou na ambulância quando eu fiz um gesto com a mão para chamá-lo.

– Se você quiser ir embora a Ana pode me acompanhar até o hospital.

– Você tem certeza?

– Não quero tomar mais seu tempo.

– Considerando o fato de que eu vou chegar no hotel e ficar esperando o meu amigo acordar, o que deve acontecer lá para a hora do jantar, um dia no hospital me parece uma boa ideia. – ele sorriu. – Eu quero ter certeza de que você vai ficar bem. E de que você não vai voltar para casa de skate. O que é bem provável, considerando o pouco que eu sei sobre você.

– Parece que você já se decidiu. – falei assim que ele se sentou ao lado da minha maca.

Ana veio até mim com cara de preocupada.

– Acho melhor eu ir com você. O garoto mal fala português.

– Ele não fala português, é pior ainda. – nós rimos. – Mas você não vai mandar ele embora porque você não sabe as mínimas chances que tinham de isso acontecer. E aconteceu. Ele não vai embora antes de tirar uma foto comigo.

– Quem é esse menino, Beatrice?

– É um americano que eu sou apaixonada. – agradeci por ele não estar entendendo uma palavra que eu dizia, precisava desabafar isso com alguém. – E eu tenho que fingir que não faço a menor ideia de quem ele é e agir normalmente.

– Boa sorte com isso. – ela falou rindo e deu um beijo na minha testa. – Me dá notícia – ela berrou enquanto saía do veículo.

Notas finais
Música: Stranger: http://www.youtube.com/watch?v=tT7lQp-ZnBg
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.