Notas iniciais
Se o Nyah não comer a minha formatação, as traduções estarão em itálico. ;)

Nosso vôo iria de Tokyo à Roma, de Roma pegaríamos mais um vôo para Palermo e então iríamos de carro até Favara, a comuna onde ficava a propriedade da família de Anna. Quando chegamos em Roma, Anna já tagarelava sobre como eu deveria me portar diante de sicilianos. Durante as duas horas que nos levaram até Agrigento, ela falou sobre como as coisas funcionavam na Família, sobre as trocas de favores e lealdade. Anna nunca usou a palavra Máfia, ninguém usava; mas era o que eles eram. Mas ela me disse que não havia o que temer, que homens como seu avô, apesar de influentes e temidos, são no fundo homens de bom coração, que prezam os bons costumes e a família acima de tudo. Quando chegamos à Parlemo, na saída do aeroporto, havia um carro preto estacionado próximo aos táxis. O homem de terno escuro encostado ao veículo, deu alguns passos em direção à nós e então sorriu.

- Anita! – ele abriu os braços.

- Paulie? – eu juro que teria ficado com medo se Anna não o tivesse reconhecido.

- Sì! Paulie!

- Come hai mi riconosciuto? – Anna riu e o abraçou brevemente.

[Como me reconheceste?]

- Vorrei te riconoscere da un migliaio di miglia. – ele gesticulou. – Adiamo! Adiamo! Il tuo nonno ti aspetta.

[Te reconheceria há mil milhas. – Vamos! Vamos! Teu avô te espera]

- Sì, andiamo. – Anna andou em direção ao carro e o homem veio pegar as malas. – Vem!

[Sim, vamos.]

- E questo deve essere il giapponese. – eu entrei no carro ao lado de Anna e o homem se sentou ao volante, olhando pelo retrovisor. – Il tuo fidanzato.

[E este deve ser o japonês. – O teu namorado]

- Sì. – Anna sentou mais perto de mim e pegou na minha mão.

- Traduci, Anna! Egli deve essere perso. – ele deu a partida.

- Ah, Paulie! – Anna riu. – Ele disse pra eu traduzir, você deve estar perdido.

- Ah, um pouco. – eu ri.

- Paulie é um dos homens de confiança do meu avô. Trabalha com ele desde que se conhece por gente. – Anna explicou.

- Prima volta in Sicilia? – ele se dirigiu a mim.

- Ele perguntou se é a sua primeira vez na Sicília. – Anna traduziu – Sì, la prima.

- Potrai piacere. – Paulie sorriu.

- Ele disse que você vai gostar. E vai mesmo. – Anna apontou pela janela.

Ela tinha razão. A paisagem era de tirar o fôlego. As colinas cobertas de trigo dourado, os vastos vinhedos e o mar azul eram muito melhores do que Anna havia dito. As construções antigas, as pessoas nas ruas, o céu claro apesar do vento frio, tudo parecia saído de um filme.Talvez não houvessem palavras bonitas o suficiente pra descrever aquele cenário. Conforme íamos avançando em direção à Favara, o trigo dava lugar a vinhedos e longas plantações de oliveiras. O carro entrou em uma estrada à esquerda, Anna apontou as plantações que rodeavam o caminho e disse que eram todas propriedade de seu avô. Anna parecia muito mais tranqüila agora do que a horas atrás, dentro do avião. E era de se entender; em um lugar daqueles, não poderia haver espaço para preocupações. A estrada desceu até uma planície entre as colinas. No centro da planície, mais ao fundo, havia uma casa grande e ao redor desta, seis outras casas, formando uma meia lua. Paulie deu a volta e estacionou de frente à casa maior. Nós descemos e uma senhora baixinha, de cabelos brancos, apareceu na porta da frente.

- Anna! – ela desceu as escadarias da entrada com os braços abertos.

- Nonna! – Anna andou até ela e recebeu um abraço apertado.

- Anna! Guarda! Che bella! – segurou o rosto de Anna entre as mãos e beijou-lhe as bochechas – Angelo! Vieni! Presto, presto! Anna è arrivata! – gritou, em direção a casa.

[Anna! Veja! Que bela! – Angelo! Venha! Rápido, rápido! Anna chegou!]

- Moglie, non hai bisogno di gridare, già sono qui. – o senhor Angelo Giordano, Don Giordano para os sicilianos, apareceu na porta, vestindo uma camisa de botões, um casaco bege e suspensórios. Desceu as escadas apoiando-se na bengala. – Guarda questo, guarda. – parou em frente à Anna — Pensavo che non avevo mai vedere di nuovo, Anna.

[Mulher, não precisa gritar, já estou aqui. – Veja isto, veja – Pensei que nunca mais te veria, Anna]

- Nonno! Non essere drammatico! – Anna riu.

[Vovô! Não seja dramático!]

- Viene qui e dare il tuo nonno um abraccio. – ele abriu os braços e recebeu um abraço da neta.

[Venha aqui e dê um abraço em seu avô]

- Nonno, nonna... – se desvencilhou dos braços do avô e veio até mim – Questo è Kouyou, il mio fidanzato.

[Vovô, vovó... – Este é Kouyou, o meu namorado]

- Um altro giapponese. – o avô dela sorriu gentilmente e me estendeu a mão. – Piacere.

[Um outro japonês. – Prazer]

- Piacere, Kouyou. – a avó de Anna se aproximou, dizendo meu nome de um jeito engraçado e então me beijou as duas bochechas. – Viene, viene, voi deve essere stanchi.

[Prazer, Kouyou – Venham, venham, vocês devem estar cansados.]

- Dove è il mio padre? – Anna perguntou, enquanto nós subíamos as escadas e adentrávamos a casa.

[Onde está meu pai?]

- Al vigneto. – respondeu a avó de Anna, nos guiando pelos corredores da casa.

[No vinhedo]

Eu jurava que aquelas coisas só existiam em filmes. A casa era enorme, cheia de janelas e varandas que deixavam o sol entrar, dando ao interior um tom de dourado fraco. O assoalho de madeira do segundo andar rangia baixinho conforme andávamos. Um corredor amplo e comprido dava acesso aos vários quartos da casa.

- Qui, la vostra stanza, Anna. – a senhora abriu uma das portas, revelando um quarto que aparentava ser de uma menina de doze anos.

[Aqui, seu quarto, Anna.]

O papel de parede de flores miúdas combinava com a colcha bordada e a cama de colunas. Algumas bonecas de porcelana encontravam-se dispostas sobre uma estante, e ao lado dessa uma penteadeira antiga coberta de badulaques e caixinhas de jóia.

- Esse é o meu quarto. – Anna se aproximou de mim e enganchou seu braço no meu. – Era meu quando eu morava aqui.

- É bonito. – eu olhei em volta, ainda um tanto encantado com aquele universo tão diferente do meu.

- E Kouyou puoi dormire qui. – a senhora Giordano atravessou o corredor e abriu a porta em frente.

[E Kouyou pode dormir aqui]

- Nós não dormimos no mesmo quarto? – cochichei para Anna, enquanto a senhora andava pelo quarto, falando alto, mostrando como abrir as janelas.

- Não enquanto não formos casados, não sob o teto de Don Angelo Giordano. – Anna riu.

- Anna, eles sabem que a gente mora juntos?

- Ah, não. – ela sorriu sem graça. – E nem vão saber.

- Certo.

- Vai si lavare voi, dopo noi mangiamo. – disse a avó de Anna, nos separando, levando a neta para fora do quarto.

[Vão se lavar, depois nós comemos]

Ela fechou a porta ao sair. Sentei-me na cama alta e suspirei, pensando no quanto aqueles próximos dias seriam adoravelmente confusos e constrangedores. Eu estava ali para ser apresentado à família de Anna, estava ali para contar a eles que pretendia me casar com sua preciosa neta. Tão longe de casa, num lugar absolutamente estonteante onde ninguém falava minha língua. Deus sabe como eu estava ansioso e aterrorizado ao mesmo tempo. Mas até agora, as coisas não pareciam tão ruins quanto Anna dissera. Sua avó era uma senhora alegre, falante, muito vivaz para uma senhora de tal idade. Don Angelo era um homem de fato intrigante, notoriamente puritano e com um prezar enorme pelos costumes italianos. Tinha uma expressão gentil, mas ainda assim todos o temiam. Inclusive eu. Segundo Anna, seu avô era extremamente influente e não costumava deixar que as coisas fossem contra sua vontade.

Respirei fundo e fui tomar um banho, como a senhora Giordano me recomendara. Fazia um calor agradável, o céu estava claro e limpo. Demorei-me um pouco diante do espelho quando saí do banho. Quando vestia uma camisa clara, a porta do quarto se escancarou e Anna apareceu, sorridente, vestindo um vestido cor de lavanda.

- Tá pronto? – aproximou-se de mim.

- Quase. – resmunguei e ela tirou minhas mãos dos botões da camisa e abotoou-os ela mesma.

- Agora sim. – alisou-me a gola e beijou-me os lábios.

- Ah, se teu avô te pega, menina! – uma voz surgiu da porta do quarto.

- Otousan! – e ela vinha do pai de Anna, um senhor baixo e robusto, que usava um chapéu de feltro marrom. Anna correu até ele e o abraçou.

- Como vai, Anna? – ele perguntou, olhando para a filha com certa admiração.

- Bem, muito bem. E o senhor?

- Também, também.

- Otousan, você lembra do Kouyou né? – Anna me puxou para perto.

- É claro que lembro. – o pai dela sorriu gentilmente.

Nós já nos conhecíamos. Quatro meses depois que eu e Anna havíamos começado a namorar, ele foi visitá-la no Japão e eu o conheci. Uma pessoa muito agradável de fato, o senhor Osaki. Deixara o Japão e viera até a Itália em nome dos negócios da sua família. Apaixonou-se pela Sicília, como qualquer homem faria, mas nunca deixou de amar sua terra natal.

- Como vai, Kouyou? – perguntou-me.

- Muito bem, obrigado. – respondi com um sorriso aliviado. Eis aí uma pessoa que me impediria de ficar completamente perdido enquanto todos tagarelavam em italiano.

- Tome cuidado, hein, rapaz. Uma vez que você põe os pés na Sicília, é difícil tirá-los daqui. – deu-me um tapinha amigável no ombro.

- Difícil não gostar desse lugar. – comentei.

- Principalmente se você se apaixona por uma siciliana. – ele sorriu, olhando de mim para Anna. – Venham, vamos comer. Sua avó cozinhou para um batalhão, Anna.

- Eu imagino. – Anna deu um braço ao pai e um a mim e nós rumamos à cozinha. – Como estão os vinhedos, otousan?

- Estão ótimos. Teremos uma boa safra este ano. – ele respondeu, sereno. – Vocês vão ficar para a colheita das oliveiras, não vão?

- Não sei. Só temos uma semana. – Anna encolheu os ombros.

- Ah, então terão tempo. Nós vamos começar a colher em três dias. – soltou o braço da filha quando chegamos na cozinha e foi abrir o armário. A avó de Anna andava de um lado pro outro, colocando tigelas cheias de macarrão, pães, garrafas de azeite e talheres à mesa.

- Ah, que ótimo. – ela sorriu e nós nos sentamos à mesa comprida.
- Bebe vinho, Kouyou? – o senhor Osaki pegou uma garrafa de dentro do armário.
- Claro. – “Isso lá é pergunta que se faça?”, eu ri em pensamento.

- Esse é nosso. – ele serviu uma dose generosa em um copo e me alcançou. – Feito aqui.
- Ah, é mesmo?

- É. Só essa propriedade produz vinho, azeite de oliva, tomates e limões. – completou Anna, quando seu pai serviu vinho à ela e em seu próprio copo e então se sentou em frente a nós.

- Kanpai. – Osaki-san ergueu o copo e nós brindamos.

- Anna! Anita! – um homem chegou à cozinha, falando alto. Inclinou-se sobre Anna e beijou-lhe a bochecha várias vezes seguidas. Ela engasgou um gole de vinho, tentando sorrir.

- Fredo! – se levantou e abraçou-o. Ele apertou-a nos braços e ergueu-a do chão.

- Anita, pensavo che non avevo mai vedere di nuovo. – colocou-a no chão novamente e observou-a por alguns instantes, sorrindo.

[Anita, pensava que nunca mais te veria de novo]

Ele parecia ter a mesma idade de Anna. A pele morena oliva, o sorriso galanteador, o nariz marcado, os cabelos escuros e brilhantes, as sobrancelhas grossas e os ombros fortes denunciavam o quão italiano ele era. Senti o ciúme crescer em mim de repente. Desci um grande gole de vinho pela garganta. Eles sorriam e conversavam em italiano, dando a entender que se conheciam há muito tempo. As mãos dele insistiam em correr pelos cabelos dela e eu jurei que se ele fizesse aquilo mais uma vez eu esqueceria que estava sob os olhos de italianos severos e voaria pra cima daquele sujeito.

- Fredo, este é Kouyou, meu namorado. – Anna veio para perto de mim e eu me levantei.

- Namorado? – ele me estendeu a mão, falando em japonês para minha surpresa. – O que há com as mulheres dessa família que deram de se interessar pelos japoneses?

- Kouyou, esse é Frederico, meu velho amigo de infância. – disse Anna.

- Prazer em conhecê-lo, Kouyou. E perdoe meu japonês, já faz tanto tempo que Anna me ensinou. – “Fredo” sorriu e se sentou do outro lado de Anna, deixando-a entre nós dois.

- Freddie é neto de uns dos homens de mais confiança do vovô. – Anna explicou – Nós crescemos juntos, aqui mesmo, nessa propriedade.

- Parece que foi ontem, hã, Anita? Você correndo atrás com suas pernas finas no meio das oliveiras, querendo me bater porque eu escondi o seu gatinho. – ele riu, colocando um tanto de azeite no prato e molhando um pedaço de pão nele.

- Você era terrível. – Anna riu e deu-lhe um tapa no ombro.

- Você também. – ele retrucou, rindo. – Então, conte-me, Kouyou, em que fábrica você trabalha? Honda?
- Eu não trabalho numa fábrica. – respondi e bebi o resto do vinho de um gole só.

- Kouyou é músico. – Anna completou, enganchando seu braço no meu.

- Músico? Numa banda? – ele pareceu surpreso.

- Mais vinho, Kouyou? – o senhor Osaki ofereceu, vendo que eu suspirara fundo, olhando para o copo vazio.

- Sim, obrigado. – agradeci, quando ele me encheu o copo. Dei mais um gole e continuei – Sim, numa banda.

- Você canta? – perguntou, ainda surpreso.

- Não. Eu toco guitarra. – finalizei, tomando outro gole.
- Cadê o vovô? – Anna desviou o assunto.
- Tá no escritório. – Frederico respondeu.
- Reunião a essa hora? Quem ousa desrespeitar o horário de almoço do Don Giordano?
- Tessio e o tio Luca. – disse o outro.

- Ah, claro. – Anna baixou a cabeça.

- Quindi, è la verità di ciò che ho sentito! – duas senhoras entraram na cozinha. A mais gorda delas, pôs as mãos na cintura e encarou Anna com um sorriso.

[Então é verdade o que eu ouvi!]

- Zia! – Anna levantou-se e foi abraçar a mulher.

[Tia!]

Novamente eu vi minha futura esposa ser apertada em abraços sufocantes e beijos estalados. As pessoas seguravam seu rosto e brilhavam os olhos ao olharem para ela. Essa senhora gorda, de rosto redondo e cor-de-rosa, Anna apresentou-me como sua tia. Tia Alfosina, de quem eu já ouvira muitas histórias. Era famosa por ser uma pessoa de bom coração, sempre alegre. Já a outra, mais magra, de rosto fino e lábios encrespados, eu reconheci ser Paolina, a mãe de Anna. Trocou algumas palavras e um abraço mecânico com filha e se sentou perto da ponta da mesa. Um silêncio tenso se instaurou por alguns instantes até que o avô de Anna chegou à cozinha, seguido de um senhor muito velho, e mais dois homens que pareciam ter pouco mais a idade do pai de Anna. Mais um pequeno alvoroço se fez quando estes viram a sobrinha. Os tios Luca e Santino a abraçaram efusivamente, dando-lhe palmadinhas carinhosas no rosto. O mais velho deles, o senhor de bengala, era o tio-avô Bruno, sobrevivente da Segunda Guerra. Era um pouco cego, precisou que seu irmão lhe dissesse que se tratava de sua sobrinha-neta, e então a abraçou. Quando os ânimos se acalmaram, todos se sentaram à mesa. Don Giordano deu graças e então os pratos de canolli, macarrão, polenta e antepasto de pimentão começaram a passar de mão em mão. Os copos estavam cheios de vinho, os guardanapos manchavam-se com o molho vermelho e todos tagarelavam em italiano, falando as mãos. Exceto eu e o senhor Osaki, que comíamos e bebíamos calados. De tempos em tempos ele sorria para mim, em um ato de cumplicidade. A paz reinou durante o almoço até que a tia Alfosina pediu a Anna que lhe alcançasse o azeite. Quando ela o fez, a tia segurou a mão de Anna, olhando-a de perto.

- Che cos\'è questo? – perguntou.

[O que é isso?]
- Che cosa? – a avó de Anna se aproximou – Anna! – exclamou, ao ver o anel.

[O que?]

- Che cosa succede? – a conversa chamou a atenção de Don Giordano.

[O que está acontecendo?]

- Anna sta per sposarsi. – respondeu a tia. “Ai, problema...” pensei. Todos pararam de prestar atenção em seus pratos e observaram Don Giordano, esperando uma reação por parte dele.

[Anna vai se casar]

- É vero, Anna? – ele colocou os talheres de lado e encarou a neta calmamente.

[É verdade, Anna?]

- Si, é vero. – Anna engoliu em seco. Todos ameaçaram reagir, mas o Don continuou a falar, prolongando o silêncio por parte dos outros.

[Sim, é verdade.]

- Vene qui. – chamou a neta para perto de si. Anna obedeceu e foi para perto do avô, este segurou suas mãos e perguntou – Tu é innamorata?

[Venha aqui – Está apaixonada]

- Pazzamente, nonno. – Anna corou.

[Profundamente, vovô]
- Sei contenta, vero?

[Está feliz, não está?]
- Si, moltissimo.

[Sim, muitíssimo]

- Va bene. In questo caso... Il tuo nonno é contento, anchi. – ele sorriu gentilmente. – Sedersi.

[Está bem. Neste caso... Seu avô está feliz também – Sente-se]

Anna voltou a sentar ao meu lado e então os olhares se voltaram à nós. Alguns contentes, outros chocados e outros ainda tentando esconder desapontamento. O avô de Anna se voltou ao pai dela e disse:

- Traduci a il ragazzo, va bene?
- Si. – ele concordou e então virou-se para mim – Ele quer te dizer algumas coisas, se você não se importa.

- Ah, tudo bem. – eu tentei sorrir, mas minhas mãos suavam frio.

- Spero che lei sappia che il mio nipote è una donna molto speciale. Si è innamorato di lei, aspetto di essere il meglio che potete per lei. Sono sicuro che non mi deluderanno. – o senhor disse, pausadamente, sorrindo ao terminar.

- Ele disse que espera que você saiba que a neta dele é uma moça muito especial. E que ela está apaixonada por você. Ele espera que você dê o seu melhor por ela e tem certeza que de você não irá desapontá-lo. – traduziu o senhor Osaki.

- Bom... – respirei fundo e pensei que isso significava a bênção de Don Giordano. – Diga a ele que a amo profundamente e que cuidarei e respeitarei Anna até o fim dos meus dias. E que sou grato pela sua compreensão.

Anna apertou minha mão sob a mesa, eu olhei para ela e notei que mordia os lábios, lacrimejando. Osaki-san traduziu minhas palavras e Don Ângelo acenou com a cabeça. Por fim levantou-se, seguido de todos os outros presentes, e propôs um brinde. Quando nos sentamos novamente, Anna soltou o ar dos pulmões, denotando alívio. Eu tinha que confessar que também estava extremamente aliviado. Fora mais fácil do que eu pensei, mas não foi simples. A tia e a avó vieram nos abraçar alegremente, os tios me apertaram a mão efusivamente, até mesmo Fredo nos congratulou. O pai de Anna me cumprimentou com um sorriso sincero, mas sua mãe permaneceu impassível. Era difícil dizer o que estava pensando.

Notas finais
give me some sugar :*