For My Demons
26 Capítulo 26 - Escolha
Veronica avistou uma cabana, mas não lhe parecia uma cabana de bruxa como nos filmes, os mesmos filmes em que demônios são mostrados como um tipo de sanguessuga que não quer nada além de tomar o maior numero de almas possível, nada além disso. Entretanto sempre surge algum tipo de padre ou guru para “expulsa-lo”, o que é uma perda de tempo, pois na continuação alguém descobre que o demônio não se foi.
Voltando ao foco central que é a morada de Maeve...
Na varanda haviam alguns vasos de flores com ervas, muitas ervas, todas pareciam bem cuidadas. E em quanto se aproximava seguindo Belphegor, o cheiro das plantas ficava mais forte, quando parou na varanda sentiu-se inebriada pelas especiarias.
Não precisou que Belphegor batesse a porta, Maeve já os esperava e sabia que tinham chegado.
Veronica assustou-se com a imagem que viu, a mulher que abriu a porta lhe parecia assustadora, mas teve que disfarçar.
Maeve tinha olhos brancos que encaravam o nada, as veias azuis que saltavam a pele pareciam poder transitar por seu corpo. Ela sorriu mostrando os grandes dentes brancos tão brancos quanto os olhos.
A bruxa fez uma breve reverencia em frente ao demônio e fez sinal para que entrassem.
Veronica olhou para todos os lados, para as paredes com janelas embaçadas, quadros com imagens um pouco desfocadas. No centro da mesa algumas pedras com cores foscas, nada refletia nelas. Tudo ali era simples e cheio de sombras, mas num canto, perto da janela havia um vaso de flores, elas eram coloridas e cheias de vida, parecia ser a única coisa viva de verdade naquele lugar.
Maeve fechou a porta virando-se para eles.
—Venham, sentem-se.— Ela pediu indo em direção á uma mesa.
Belphegor sentou-se sendo acompanhado por Veronica, que continuava olhando tudo que havia ali, preferia observar os móveis do que encarar a bruxa que parecia não parar de lhe observar.
—Preciso que ensine algumas coisas a ela em quanto resolvo alguns problemas, ensine o máximo que puder.— O demônio pediu quase mandando.
Maeve maneou a cabeça e deu alguns paços lentos para chegar a Veronica.
—Deixe-me vê-la...— Falou calmamente agarrando seu queixo e puxando para que a visse melhor. Algo que chegava a ser cômico, pois a bruxa parecia cega— Talvez eu possa fazer algo por ela.— Concluiu com desdém.
O demônio já esperava que a bruxa agisse dessa forma, imortais não mudam muito e Maeve sempre foi conhecida por sua hostilidade, mas isso não é grande coisa quando se está perto de demônios. Mas foi algo que fez muita diferença quando Lucifer a exilou, mantendo-a presa na floresta, podendo apenas ver o que acontecia do lado de fora, mas não podendo interferir.
—E como vão as coisas por aqui?— Ele indagou sem muito interesse, mas com muito sarcasmo.
—Está tudo como sempre, durante séculos... Mas sei que sua vida não está tão monótona—Maeve rebateu.
—A única coisa que você fez por séculos foi ver a vida de todos?— Belphegor perguntou com o cenho franzido, testando a paciência da bruxa.
—É a única coisa a fazer já que estou presa aqui.— Disse um pouco nervosa, mas logo forçou um sorriso.
Veronica continuava sentada ao lado de Belphegor tentando não entrar na conversa dos dois, mas sabia que só estava adiando as coisas, estar naquela cabana era uma das consequências de seus atos, isso não mudaria.
Maeve a encarou. Não era possível ver o que a bruxa via, ela parecia ver sua alma, seu amago, te despindo de suas proteções. Era perturbador ter aqueles olhos presos em você.
—É melhor que fique até amanhecer.— Ela falou olhando de volta para Belphegor.— Os “cães” são soltos quando escurece completamente.
As apalavras da bruxa fizeram Veronica conter-se para não encolher-se, mas sua imaginação vagou no que poderiam ser os tais “cães” que Maeve preferia evitar e que aconselhava um demônio como Belphegor a não sair em quanto eles estivessem soltos.
—Pegue...— Maeve falou colocando uma chave em cima da mesa na frente do demônio, Veronica perguntou-se de onde aquela chave havia saído afinal de contas a bruxa estava com mãos vazias segundos antes e não havia nem se mexido.— Pode abrir aquela porta. —Apontou para um canto onde até então só havia uma parede No final do corredor tem um quarto para vocês.
"Um quarto para vocês", ecoou na mente de Veronica. Ela já não era uma adolescente pura e convenhamos que já tinha dormido com o demônio, mas insistia em ficar "desconfortável" com a ideia de ficar no mesmo quarto que o mesmo, porém não iria fazer questionamentos sobre isso; apenas seguiu Belphegor.
Não era nada muito sofisticado, combinava com a entrada da cabana, mas era estranhamente espaçoso.
—Tem roupas para você no armário, para o tempo que ficará com Maeve.— O demônio avisou caminhando para dentro do banheiro.
Veronica permaneceu no lugar que havia parado para observar o cômodo, seus olhos pararam no abajur que como quase tudo ali, tinha um tom amarronzado, parecia ser feito de um tecido entrelaçado, uma trama contínua... Se perdeu observando as continuações de cada parte daquilo.
—Vai ficar ai parada?—A voz soou perto de seu ouvido, fazendo-a saltar para longe.
—Tenho que colocar um sino no seu pescoço.
—Tem que ficar mais atenta—Rebateu vendo a humana se afastar, abrir o armário e ficar um tempo admirando tudo que havia ali.
"Não sei como, mas levarei esse armário para minha casa" Era o que Veronica pensava com os olhos arregalados para as roupas que pareciam ter sido escolhidas pela própria, antes de pegar uma camiseta grande o suficiente com uma estampa um tanto quanto agressiva e com um nome de uma banda ainda mais "agressiva", coisas de humanos...
Com uma camiseta a tiracolo, Veronica seguiu para o banheiro numa dessas cerimônias noturnas, e assim como aconteceu com o armário, no banheiro também haviam todos os produtos que precisaria. E no quarto Bel, digo, Belphegor libertou-se da roupa sem pestanejar; detestava as roupas daquele século, aliás, ele era conhecido por sempre detestar vestimentas, e se teria muito trabalho no dia seguinte, preferia aproveitar um pouco sem aquele tecido.
A porta do banheiro se abriu e a humana voltou para o quarto, se deparando com um demônio milenar em sua forma humana. Devo dizer como seu narrador e guia que bruxas, demônios, e qualquer outro ser "inumano" não se importa com nudez, isso não significa que não podemos nos afetar pela mesma, mas significa que temos mais controle sobre isso do que humanos. Essa explicação pode servir para reafirmar qualquer afirmação que fiz anteriormente sobre o descontrole humano.
Veronica estancou no terceiro passo, mas logo forçou-se a agir naturalmente sempre olhando para qualquer coisa que não fosse Belphegor, até que conseguiu deitar-se.
—Curte dormir de conchinha?— Perguntou tentando quebrar o silencio com humor, mas apenas recebeu um olhar serio e mais silencio— Não que isso seja um convite, só foi uma pergunta.... Sabe, humor.
—Quer mesmo conversar?—O demônio perguntou com o rosto a alguns centímetros do seu, e ela se deu conta pela primeira vez que nem percebeu o momento em que ele havia se aproximado tanto.
—E me dá opções?— Questionou de volta sem tirar os olhos dos dele, não só por ter lembrado que estava com um demônio nú, mas por querer enfrenta-lo.
—Sempre dei, pois gosto de brincar com você, deixar que escolha. E você sempre escolheu, escolheu me invocar e escolhe esconder coisas de mim.
—Você sabe que não é pessoal.—Sussurrou com humor.
"Olhando assim nem parece um demônio" Veronica pensou olhando de perto Belphegor que tinha um sorriso pequeno no rosto.
—Sei, mas da minha parte é pessoal: você me invocou, me trouxe problemas e ainda vai trazer mais.—Suspirou cansado.
—Desculpe, mas não me arrependo.
—Por enquanto, você sabe o que acontece se não conseguir poder o suficiente?
—Vão me encontrar?—Respondeu um tanto incerta.
—Se não conseguir poder, você morre, mesmo sem alguém te matar, sem precisarem ir atrás de você. E depois disso vai para lugar nenhum, sua alma simplesmente deixa de existir.
—Mas você me marcou e me deu poder...
—Não. Eu te dei uma porta, uma semente e se não tiver capacidade de despertar esse poder, ele irá apodrecer dentro de você. Não é fácil ser uma bruxa, mas acredito que você é.
—Pelo menos alguém tem esperança.—Comentou com humor.
—Não é esperança, é uma suspeita.
—De qualquer forma obrigada, sua suspeita me dá um pouco de ânimo.—Falou sorrindo.
—Maeve irá forçar todo o poder para fora de você, tente aprender o máximo possível, ela é assustadora, mas não fará nada letal—Assim que Belphegor terminou de pronunciar a ultima palavra a um estrondo foi ouvido, como se um carro tivesse acabado de bater contra a parede na cabeceira da cama.—Além de assustadora, ela ouve muito bem.—Sussurrou.
—Ela ouve tudo a todo momento?—Indagou estática.
—Sim, Maeve parece cega, mas vê e ouve mais que nós dois juntos. Agora, seria bom se dormisse, amanhã terá muito o que fazer aqui, e eu partirei.
—Bel, espere.—Disse antes que ele se afastasse e sem pensar muito se aproximou selando os lábios junto aos dele e movendo lentamente, abriu os olhos encontrando duas iris castanhas paradas, não parou de movimentar os lábios até ter os mesmos capturados entre os do demônio. Veronica sentiu uma mão grande espalmada entre seus seios forçando seu tórax contra a cama e cedeu ao peso, ficando totalmente deitada.
Poderia se sentir uma presa naquela situação, mas estava ansiosa por um pouco mais. De uma forma louca ela lembrava a "primeira vez deles" como algo forjado por causa da transformação e nebuloso em sua memória; queria algo vívido.
Belphegor aprofundou o beijo enquanto vagava com a mão por cima da camiseta da humana que era grande demais e nada elegante, erguendo o tecido até retira-lo.
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