For My Demons

12 Capítulo 12 - Questões e a Menina do Corvo


Notas iniciais
Estou preparando mais coisas para os próximos capítulos, aguardem. LEIAM AS NOTAS FINAIS

Veronica acordou assustada no meio da noite, isso costumava acontecer quando ela era criança, naquela época ia correndo até o quarto de sua tia, mas só o até então, marido dela (Davi) que levantava e ia cuidar da pequena Veronica. Mas agora ela não tinha pra onde correr, não iam leva-la de volta pra cama abraça-la e dizer que não há perigo.

Ela vai até a cozinha em busca de um copo de agua e talvez alguma coisa com baixo valor nutricional para comer. Mas a primeira coisa que encontra ao ligar a luz da cozinha é Belphegor sem camisa, sentado na mesa de mármore negro comendo algo.

_Droga, quer me matar do coração?_ Ela perguntou nervosa, não só pelo susto, mas por estar tentando disfarçar o quanto ficou fascinada pelos belos músculos e a pele bonita mas com algumas cicatrizes, que teve que conter-se para não tocar.

_Infelizmente você tem um coração forte, não irei te matar com um susto._ Ele disse erguendo uma sobrancelha.

_Direi isso ao meu cardiologista._ Veronica disse com um sorriso pequeno.

_Você não dorme?_ Ela perguntou sem conter a curiosidade.

_As vezes, mas não preciso disso._ O demônio respondeu com naturalidade.

Veronica foi até a geladeira e pegou a jarra de suco, antes que ela se distanciasse da geladeira Belphegor a olhou e disse:

_Aproveite e pegue uma cerveja pra mim.

É claro que ele sabia o que aquelas palavras iriam causar, que com o feminismo, os direitos iguais e as marchas em busca de respeito aos direitos das mulheres. Isso tudo fez com que algumas mulheres, ficassem em alerta á qualquer demonstração de machismo, tudo era machismo, até mesmo uma ordem dada a um subordinado, poderia virar machismo aos olhos de feministas malucas. E ele esperava que ela fosse uma feminista maluca, para acabar com uma noite entediante com uma boa discursão sobre direitos e qualquer outra coisa.

Veronica não acreditava que ele estava sentado na bancada de mármore, comendo e MANDANDO ela pegar uma cerveja. Era um comportamento humano, de um humano cretino ao seu ver, mas ainda era humano.

Sempre que Belphegor comportava-se como um humano comum Veronica não levava tão a serio o que ele dizia.

Como ele ousa mandar eu pegar uma cerveja? Esse demônio sem educação!, foi o que ela pensou servindo um como de suco.

_Pegue você mesmo, não sou sua empregada._ Ela disse sentando em um dos banquinhos em volta da bancada.

_Qual é seu problema?_ Belphegor perguntou surpreso por ela não ter ligado para sua provocação.

_Tenho muitos problemas. Um deles é um demônio sentado na minha bancada._ Ela respondeu lentamente.

O demônio deu de ombros e foi pegar uma cerveja.

Depois de algum tempo sentada ali, Veronica olhou dentro do prato de Belphegor e viu um pedaço sanguento de carne. A imagem a enjoou um pouco e a imagem de alguns segundos atrás de que havia pensado nele quase como um humano, dissipou-se. Mas depois que o enjoo tinha passado ela pensou que poderia ser pior... Aquela carne pelo menos era a que uma das empregadas havia deixado descongelando, não era carne humana, ou de algum animal doméstico dos vizinhos.

_Bel, isso foi preguiça de cozinhar?_ Veronica perguntou apontando para o prato.

_Não me chame de Bel!_ Falou irritado._ E prefiro crua, tem mais sabor._ Ele concluiu dando um gole na cerveja.

_Tem muita gente que gosta de carne mal passada, não deve ser uma coisa muito estranha comer carne crua._ A humana disse tentando ver aquilo como algo banal.

_Você está bem?_ Belphegor perguntou erguendo uma sobrancelha e estudando o comportamento da feiticeira.

_Por que não estaria?_ Ela perguntou e o olhou com aquele olharzinho perspicaz.

_Você não está conseguindo dormir mesmo quase se dopando toda noite, está mais irritada que o normal, está desanimada e quase não consegue trabalhar, que é uma coisa que você gosta de fazer. Se você não fosse quem é, eu diria que está em depressão, mas se tratando de alguém com sua bagagem emocional, penso que está muito cansada._ O demônio respondeu parecendo distante.

_Talvez..._ Ela falou, fazendo uma imitação ruim do demônio.

_Você imita muito mal_ Belphegor disse com um pequeno sorriso.

_Irei treinar mais._ Retrucou com mal humor.

_Não faça isso, já ouviu a história da menina do corvo?

_Não, nunca ouvi falar disso._ Veronica disse com uma careta.

Depois de um longo suspiro, o demônio disse:

_É uma história antiga sobre uma menina, a alma e um pássaro. A menina criou um corvo quando era criança, ele aprendeu a comportar-se como um corvo por instinto, mas sempre voltava até a janela dela. Depois de um tempo ela foi deixando a fascinação que antes sentia por ele se esvair e...

_Quando entra a alma?!_ A humana interrompeu, e Belphegor a fuzilou com um olhar.

_Como estava dizendo..._ Ele prosseguiu sem responde-la_ Ela o deixou, mas depois de alguns anos voltou para a antiga casa e ele estava lá, como todas as tardes. Ele perguntou por que ela havia o deixado e outras coisas, ela se desculpou e voltou a ir à casa toda tarde. Até que numa tarde ela não foi. Mas depois apareceu com a alma, a menina e como um pássaro, e pode viver ao lado do corvo, que era seu dono desde o dia que ela decidiu cuidar dele._ Belphegor concluiu.

_Tá... Mas não entendi nada, o que nossa conversa tem a ver com essa menina e o corvo, e quem perdoaria uma pessoa que foi embora e nem disse nada?_ Ela perguntou indignada.

_A menina passou por transições, e por ter uma grande fascinação pelo corvo absorveu naturalmente algumas características dele._ O demônio explicou já sem paciência.

_Isso quer dizer que se eu te imitar, me tornarei um demônio?_ Ela perguntou rindo.

_Quer dizer que teremos mais coisas em comum do que já temos._ Ele disse olhando no fundo dos olhos da humana, que parou de sorrir e olhou para outro lado.

_Por que um papagaio?_ Belphegor perguntou sorrindo.

_Quê?

_Quando você me invocou sacrificou um papagaio, porque um papagaio?

A jovem riu ao lembrar- se do dia em que resolveu comprar um papagaio para o sacrifício.

_O papagaio foi a única opção, não conheço nenhum lugar que venda galinhas, não me sentiria muito bem matando um cão, um gato ou outro animal assim. E também aproveitei minha raiva de papagaios._ Ela contou em quanto dobrava o guardanapo distraidamente.

_Eu tinha que acabar com essa maldita questão que estava me corroendo por dentro._ Ele falou exagerando e ela sorriu. Depois de alguns segundos olhando os grandes olhos castanhos da feiticeira ele disse:

_É melhor você ir dormir, já está ficando com olheiras.

Notas finais
Essa história da Menina do Corvo, é de minha autoria e está na minha lista de criações, é um conto meio poético, se estiverem curiosos leiam. Não sei se estão conseguindo acompanhar meu ritmo, estou postando mais de uma vez por semana. Acho que começarei a postar apenas nos sábados.O que acham??? Continuem comentando, adoro responde-los. Se estiver gostando muito indiquem.