Notas iniciais
Fala, pessoal, tudo bem? Cheguei com mais um capítulo e queria pedir desculpas já que eu pretendia postá-lo dias antes. Passei muito mal e estava sem condições de tocar no computador. Estou me recuperando, mas agora me sinto bem melhor que antes. Vou te falar, os comentários que a fic vem recebido tem sido maravilhosos. É o tipo de coisa que me motiva a escrever por prazer, e é o que eu venho feito aqui. Obrigada a vocês pelo carinho, em especial, Ana Camila, Molly e Fofura. Seus comentários aquecem meu coração ♥. Agradeço, também, a todos que estão lendo, isso também é muito importante pra mim ♥ Sigam-me os bons!

Era um dia ensolarado. Eles vestiam roupas escuras, na maior parte delas de cor preta. O tempo não fazia jus ao clima entre os que estavam reunidos naquele lugar.

Ela os viu ali, todos juntos, cada um confortando o outro. Óculos escuros, cabeça um pouco baixa, cumprimentos, abraços, tudo aquilo. Viu Catherine, Warrick bem próximo dela; viu Nick, Greg e até o doutor Robbins. Hodges, Mandy, Archie e Wendy; todos juntos. O capitão Brass estava fardado com o traje policial para cerimônia, assim como outros oficiais que o acompanhavam. Até a mãe dele estava por ali, inconsolável. Todos com um rosto vermelho e inchado por conta das lágrimas. Todos estavam próximos uns dos outros, exceto ela.

Ela estava distante deles, como se não estivesse ali. Destacada dos outros, mal parecia ser a noiva do homem que estava prestes a ser enterrado. A mulher olhou para sua mão e não encontrou nada, sequer um anel de compromisso. Como poderiam saber? Nem mesmo ela tinha certeza se ainda era sua noiva, dado o tempo distante um do outro. Talvez seu relacionamento com ele já não existisse mais. Definhou e não resistiu à distância e ao tempo.

Ela não queria estar ali, não queria se atrever a seguir em frente e continuar com a cerimônia. Queria fugir, quem sabe de volta para a Califórnia e se fazer acreditar que nada daquilo realmente tinha acontecido. Cada centímetro de seu corpo lutava para dar meia-volta e correr o mais rápido possível para longe.

— Eu sinto muito pela sua perda — sussurrou um homem que apareceu em sua frente sem que ela percebesse. Homem a quem não reconheceu e assentiu como se tivesse entendido e aceitado suas condolências.

Ela caminhou dois passos à frente. A multidão à sua volta a sufocava, mal conseguia respirar direito. Haviam muitas pessoas, rostos conhecidos e rostos que nunca viu antes que se desfiguravam em borrões. Todos parecendo sofrer da mesma tristeza e, ao mesmo tempo, não dar a mínima a ela. Quem a consolaria naquele momento se tampouco a natureza respeitava a ocasião? Ficar por ali era uma tormenta, sua via crucis.

A alguns metros dela estava o caixão de mogno fino caro e elegante, à altura para receber a pessoa que viveu uma vida dignamente. Faltavam poucos detalhes para começar a cerimônia final antes do caixão ser baixado ao solo. O reverendo faria uma última oração e, por fim, as homenagens se prosseguiriam. Na mão dela havia uma rosa branca, da qual ela pressionou com força, como se pudesse destruí-la e fazer tudo aquilo acabar.

Alguns começavam a olhar para ela, um sinal silencioso de que tinha de fazer sua parte; seu último encontro com o homem de sua vida. Mas ela não queria fazê-lo, não queria de forma alguma. Ao contrário dos outros, seu rosto continuava limpo, intocado pela tristeza ou pelas lágrimas. Talvez já tivesse chorado tudo o que tinha de chorar, mas ainda assim não queria deixar o seu noivo ir. Não poderia se conformar com isso.

— Sara. Você precisa ir — comentou uma voz feminina ao pé de seu ouvido.

O olhar da morena era vazio, perdia o foco ao seu redor. Sequer reconheceu quem lhe falou próxima, perdida em si própria. Ela reiniciou contagem e deu o primeiro passo em direção ao fim. Ao fazê-lo, sentiu o ambiente ao redor mudar; mundo girava em câmera lenta e as vozes das pessoas se transformavam em sons isolados.

Apesar das incertezas a mulher seguiu seu caminho. O reverendo já lhe encarava prestando todo o respeito que deveria, assim como os outros. A impressão que teve era de um círculo se formando ao redor dela, abrindo espaço para que passasse. Assim o fez.

Ela não teve tempo para se despedir, dizer o quanto o amava e o quanto era importante para si. Não que não tenha dito isso antes, mas sempre fica o vazio na mente e no corpo de não reforçar estas palavras para ele. Sentiu que não aproveitou bem a vida ao seu lado, que faltava muita coisa para fazer junto... Dissera antes que não estava preparada para dizer adeus, talvez nunca estivesse em quaisquer circunstâncias.

Ela continuou a caminhar, todavia quanto mais se aproximava mais o lugar ficava distorcido, sem sentido. O amontoado de gente se transformava em vultos, borrões; as vozes se misturavam num coral assimétrico e bizarro.

De repente, parou de caminhar. Ela não tinha coragem de fazer aquilo, não estava certo. Uma lágrima escorreu de seu olho e, sem querer, deixou a rosa cair. O mundo começou a girar rápido e mesmo que tentasse não ela não conseguia se concentrar em um único rosto sequer. Ela já não sentia mais as pernas, a visão ficou turva. Tentou seguir em frente, porém em poucos segundos perdeu o equilíbrio. Já sem forças, acabou caindo.

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Sara abriu os olhos gradativamente. Estava deitada em uma cama, sua e de Grissom. De lado, acordou com a vã esperança de que o encontraria ao seu lado; quem sabe recebendo-a com o sorriso sonolento que ela adorava. Depois disso os dois ficariam por ali conversando sobre assuntos banais e simples até o momento em que decidiriam se levantar e começar mais um dia.

À sua direita nada mais que um espaço vazio.

Ela esfregou os olhos e sentiu a umidade que lágrimas recentes causaram. Acabara de acordar de um sonho, pesadelo, o que for. Imagens tão realistas que pareceu ser real mesmo; acabou acreditando, ao menos por alguns segundos, que ele os deixou. O cemitério, as pessoas, o ambiente; tudo era real demais, típico daqueles sonhos/pesadelos que se assemelhavam com a realidade e enganava o sonhador. Não foi a primeira vez que sonhou com algo parecido e não seria a última vez. Queria que fosse.

Vindo a se sentar na cama Sara levou a mão à testa. Acordou com uma leve dor de cabeça, possivelmente por conta do estresse que vem sofrido. Um mês e dois dias mais precisamente: tempo desde o dia em que Grissom estava internado.

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O recém empossado sub-xerife Conrad Ecklie foi um dos beneficiados com a prisão de McKeen. Ele tratou de fazer algumas mudanças no corpo de oficiais que estavam ao seu alcance, além de ter prometido melhorias no ambiente de trabalho. Um discurso preparado, que junto de sua boa lábia, agradou os subordinados.

Foi ele quem chamou Catherine e Nick para uma breve reunião pós-turno. Incomum para eles, seu pedido foi até uma surpresa para os dois supervisores já que o sub-xerife se havia se encontrado com os dois numa ocasião anterior.

Na reunião que não durou mais de dez minutos, foram tratados de assuntos burocráticos e sobre o corpo da equipe. Até mesmo sobre a cogitação de efetivarem a CSI trazida do turno do dia ou de contratarem um outro perito para que o restante do time não ficasse sobrecarregado. Foi a partir daí que o nome de Grissom ficou mais evidente entre eles.

— Recebi uma ligação da xerife sobre o Grissom.

— O que foi? — Catherine o questionou na hora, temendo por uma notícia desanimadora pelo ar que Ecklie esbanjava.

— Me perguntou sobre uma estimativa de quanto tempo ele vai ficar em coma.

Nick e Catherine trocaram olhares confusos quase no mesmo instante.

— Por quê? — A supervisora não segurou o tom de voz, imaginando ter algo ruim por trás disso.

— É a prefeitura que está arcando com os gastos médicos dele como forma de agradecimento aos serviços prestados. O problema é que... — Ecklie deu de ombros. — Isso dá a entender que eles podem não manter isso por muito tempo.

— Não fomos nós, nem ninguém que pediu à prefeitura que fizesse isso. — Catherine retrucou nitidamente irritada. — Agora ele vem com essa de cortar a ajuda?

— O prefeito pode fazer isso. — Ecklie falou, não se valendo do mesmo tom dela.

— Só queria dar uma de bom moço, isso sim. — Nick balançou a cabeça.

— Por que veio falar com a gente então? — Catherine o questionou.

— Vocês são próximos a ele, então achei que tem alguma atualização sobre o quadro de saúde dele.

— O Gil tá estável, mas continua no coma — afirmou ela. — Falei com o médico há uns dois dias.

— Ok.

— O prefeito vai mesmo cortar a ajuda depois disso? — Nick perguntou.

— Não sei. Espero que não. Tenho falado com ele para segurar. — Ecklie gesticulou e depois levou a mão ao bolso.

— Não importa. Nem que eu tenha de pagar do meu bolso o Gil não sai de lá sem estar recuperado.

A resposta imediata e convicta surpreendeu Ecklie e até mesmo Nick, que a olhou de canto. Parando para pensar achou estranho o fato de Catherine não ter incluído ele e os outros, vindo a tomar a carga para si. Mesmo não falando, Nick era um dos que faria de tudo pelo bem do supervisor e acreditava que seus companheiros pensavam da mesma forma.

— Tá. — O sub-xerife assentiu.

— Mais alguma coisa? — Catherine perguntou em sarcasmo, mas temendo que realmente houvesse algo a mais para se preocupar.

— Tem sim. — Ecklie soltou um suspiro de cansaço antes de continuar. — O prefeito vem conversado com a xerife sobre efetivar vocês dois como supervisores do turno da noite.

— Como é que é? — Dois segundos se passaram e Nick recebeu a informação com maus olhos.

— Que história é essa, Ecklie? O Gil não tá morto! Como vocês vão cogitar em fazer algo assim? — Catherine também se manifestou contrária à possível decisão.

— Grissom não está morto, mas está em coma há mais de um mês.

— A bala não atingiu o cérebro. A chances de ele se recuperar são enormes! — Ela explicou.

— Sim, ele pode se recuperar, mas quando isso vai acontecer? — O sub-xerife retrucou encarando os dois. — Não podemos esperar por uma vida até que ele volte. Até lá muita coisa já aconteceu por aqui.

— Não. — Nick balançou o indicador por várias vezes. — Não, eu não posso aceitar o que querem fazer com o Grissom. Só se passou um mês e ele já vai ser assim, descartado?!

— Nick. — Catherine o alertou discretamente por conta da leve alteração em sua voz. Nem mesmo ela esperava por isso.

— Assim como estou tentando fazer a prefeitura continuar com o auxílio, estou tentando segurar esta conversa. — Ele gesticulou. — Mas não posso fazer muita coisa.

— Você é o sub-xerife agora e não pode fazer?

Ecklie não gostou do comportamento que Nick apresentava após a notícia, porém estava casado demais para lhe dar uma chamada forte. Tudo o que fez foi lançar um semblante sério a ele para ver se recuava. Sequer lhe fez cócegas.

— Era isso.

Quando terminou de falar, Ecklie deixou a sala sem ao menos olhar para o rosto deles, que claramente perceberam algo de estranho ao final daquela conversa.

— Tenha cuidado ao falar com ele agora, Nick.

— Eu sei, só que... eu não consegui me segurar. Me desculpe. — Ele se defendeu. — Saber que estão querendo tratar o Griss como... uma "peça" descartável me pegou demais. É um absurdo!

— Infelizmente é. — A supervisora tocou em seu ombro gentilmente por alguns segundos. — Só que você tem que entender: para o sistema, todos nós somos descartáveis se alguma coisa acontecer.

Ainda incomodado pela conversa recente, Nick acabou se sentando na cadeira mais uma vez. Ele suspirou por um bom tempo e depois ficou mexendo no anel em sua mão.

— Não me conformo com isso. O Grissom vai sair daquela situação. Só não sei quando...

— Ele vai sair. — Catherine até pensou em se juntar a ele sentando em uma cadeira próxima, porém mudou de ideia.

— E a Sara? Ela sabe disso? — Perguntou ele após alguns segundos de silêncio.

— Dos custos ou da substituição?

— Dos dois. — O perito deu de ombros.

— Sobre a despesa ela sabe. Se soubesse disso antes não iria aceitar, mas não teve escolha. Sobre o que estão querendo fazer... fomos os primeiros a saber disso. Talvez... ela tenha pensado na possibilidade, eu não sei.

— Não conseguem nos dar um minuto de paz — declarou ele, decidindo se levantar.

Catherine encarou o amigo como se estivesse refletindo sobre o que acabara de dizer. Nick achou estranho, e sem falar, questionou a ela o que gostaria.

— Você tem razão. A gente precisa de um pouco disso.

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— Obrigada por vir. Sei que pode não estar muito a fim, mas... é bom saber que tenha aceitado.

— Desculpe, não consigo nem disfarçar — disse a morena, baixando um pouco a cabeça pela vergonha.

— Qualquer um no seu estado ficaria assim. — A CSI respondeu olhando brevemente para a amiga logo após estacionar o carro.

Foi decisão de Catherine chamar Sara para tomar um café à tardinha. Demorou para convencê-la, mas a ruiva teve seu mérito. Passado o tempo de sua estada em Las Vegas, Catherine aproximou mais a relação com Sara, coisa que talvez nunca tiveram a chance de fazer quando ela ainda trabalhava no laboratório. A supervisora se sentia no dever de zelar por seu bem-estar apesar de não ter obrigação alguma.

— Não vai demorar muito. — Catherine explicou e novamente a morena fez questão de ressaltar que ela não se preocupasse.

O local era um café bem conhecido por eles, assim como o restaurante no qual gostavam de frequentar. Ao sul do centro, tendo um ambiente agradável e quase familiar, era a escolha ideal para quem quisesse um pouco de tranquilidade na agitada Vegas.

— Ei, olha só quem chegou por aqui!

Distraída, a ex-CSI levou um susto ao ouvir alguém gritando em sua direção, já que entrara antes de Catherine. No momento não reconheceu a voz, mas logo notou que era de uma pessoa conhecida. De repente, mais pessoas se juntaram àquela voz e comemoraram sua chegada.

— Nick?! Céus, vocês querem me matar? — Sorrindo por nervoso, Sara ficou estática praticamente à entrada do restaurante. Chamando a atenção de outros olhares a morena corou mesmo tentando evitar.

Não muito tempo após o CSI aparecer, Greg e Warrick vieram em seguida e cumprimentaram-na cada um do seu jeito. Sem estar combinado, Nick foi o primeiro a abraçá-la, e depois os outros. Eles começaram a congestionar a entrada sem dar muita importância de início. Entretanto, quando a supervisora notou a situação, pediu que seguissem para a mesa separada para eles.

— Você sabia disso, não sabia? — Sara perguntou a ela, que deu de ombros e estendeu as mãos em defesa, mas sem esconder o sorriso culpado.

Ao sentar à mesa junto dos outros Sara se sentiu um pouco acuada. Estava há mais de um mês em Las Vegas e nunca teve a oportunidade de se reunir com seus velhos amigos sem que fosse no hospital. Focou-se demais em seu próprio mundo e em Grissom que deixou pequenas coisas escaparem.

— Nossa, isso...

— É nostálgico. — Greg completou a amiga, que mal conseguia falar direito. Ele notou que Sara olhava para cada um com afeto, como se há muito tempo não os visse.

— Nem imagino o que vocês devem ter cancelado para estarem aqui...

Sara já sentiu na pele o quanto o trabalho poderia consumir suas energias. Dobrar, triplicar os turnos era quase rotina para eles, às vezes sem hora extra. Todavia eles estavam ali, fazendo questão de garantir presença numa oportunidade única como aquela.

— Não esquente com isso. — Warrick reafirmou, erguendo a mão direita. — Pense no agora, é melhor.

Sorrindo em resposta, Sara mal soube o que dizer a ele que não fosse um "obrigada".

— Bem, já que a gente está aqui, vamos pedir uma coisa logo!

— Greg. — Catherine lhe lançou um olhar desconfiado ao jovem CSI. — Você sabe que eu não quero ninguém caindo de bêbado no trabalho.

— Calma, eu só ia pedir café! — Ele brincou, dando uma piscadela para Sara.

— Sei. — A supervisora assentiu. — Sei.

Greg chamou pela garçonete e aproveitando a deixa todos fizeram seus pedidos. A maioria optou por uma xícara de café e donuts recheados, especialidade da casa. Sara tinha de confessar que sentia falta das rosquinhas; só de imaginar seu cheiro e sabor já começava a sentir fome, ainda que chegasse ao local saciada.

— E então, hein, parece que a Califórnia está fazendo bem a você. Pegou uma corzinha. — Nick tirou um palito de dente do suporte na mesa e apontou para a amiga. — Não que aqui não tenha o mesmo sol de lá — brincou, se referindo ao tempo quente bastante presente em Vegas.

— Mas a diferença é que ela consegue ver a luz do dia ao contrário de nós, vampiros da meia-noite. — Greg respondeu por ele, fazendo com que os outros rissem.

— Essa foi boa. — Warrick assentiu e se voltou a Greg. — E não se esqueça da praia.

— Ah, claro!

— Nem percebi. — Sara olhou para o braço direito a tentar perceber alguma diferença. — Mas nada disso vai apagar a falta que eu sinto por vocês.

— Agora pode falar a verdade. — Catherine aproveitou o momento e tirou sarro dela.

— Não, é sério. — Assim como seu discurso, o semblante de Sara também mudou. — Estou sempre pensando em vocês.

Uns dois minutos após a conversa inicial, a garçonete chegou com os pedidos do grupo que se serviu na mesma hora. As rosquinhas açucaradas vieram quentes e com um aroma que pareceu preencher todo o lugar. Cada um foi se servindo e não levou mais de um minuto para que todos provassem ao menos um pedaço dos donuts. O sabor açucarado e a consistência que derretia na boca provocavam sensações agradáveis.

— Deus, por que a gente nunca mais veio aqui? — Warrick os questionou indignado.

— O outro lugar é mais perto. — Greg deu de ombros enquanto falava de boca cheia.

— Nossa... acho que sentia mais falta disso do que de vocês. — A morena curvou os lábios num sorriso brincalhão e mal dando bola para os outros, que começaram a rir em resposta.

— E então, o que tem feito lá? — Nick puxou o assunto após notar um estranho silêncio que surgiu entre eles.

— Pesquisa para o Instituto de Ciências da UCLA. — Ela afirmou logo após tomar um gole do seu café. — É legal. — A mulher puxou um tom convidativo. — O ambiente é amigável e ainda me pagam para viajar.

— Avise se estiverem contratando. — Nick brincou num leve sarcasmo.

A conversa e as zombarias junto do lanche quente e agradável adocicaram a tarde do grupo. Sara deixou de ser o foco do encontro; melhor para ela, acostumada a não ser o centro das atenções, seu lugar de conforto. Ela se sentiu melhor assim. Desta forma, pôde aproveitar o máximo de cada um sem que perdessem o objetivo do qual se reuniram ali.

— Sabe, Greg, acho que devia continuar com seu o seu sonho do livro — disse a morena, dirigindo-se ao amigo.

— Eu? — Distraído, o jovem CSI apontou para si mesmo e olhou para os colegas ao redor.

— Quem mais escreve aqui, Greg? — Warrick falou sarcasticamente, mas de modo saudável. Os outros riram pela reação dele.

— Bem... Ah... — Greg deu de ombros sem saber o que responder. — Eu não sei. Depois do que houve, eu... Desanimei.

— Pois eu acho você devia continuar. — Nick apontou para ele. — Tem uma mina de coisa interessante no seu livro. Com certeza vão gostar dele e vai vender bem.

— Eu concordo. Não acho que deve deixar um talento coberto. — Sara lhe mostrou um sorriso afetuoso.

Greg chegou a balbuciar algumas palavras. Ficou envergonhado, na verdade. Nunca foi realmente o centro das atenções quando o foco era seu livro. Mas sempre gostou de falar sobre ele com uma ou duas pessoas por perto.

— Não é obrigado a nada, Greg — Catherine ponderou. — Mas eu notei o quanto se esforçou para realizar o seu sonho. Não acha que o Gil iria desejar o melhor pra você?

O comentário da supervisora deixou o jovem CSI tocado. Aos poucos, impulsionado por ela e por seus amigos, a confiança outrora presente em Greg, voltava para si como uma injeção de ânimo. Após se manter calado

— Ok, ok! — Ele ergueu as mãos para o alto em rendição. — Vou ver o que posso fazer e conversar com o pessoal das editoras, tá bom pra vocês?

— Ah, agora sim! — Nick puxou a comemoração e os outros fizeram o mesmo. Só abaixaram o volume quando Catherine percebeu que estavam chamando atenção alheia. Vendo isso ela gesticulou e os alertou para que diminuíssem o tom. Mas isso não impediu que a alegria estampada em seus rostos se apagasse.

Eles falaram, se divertiram e mal perceberam o tempo passar. Assim como nos velhos tempos; do jeito que Sara gostava. Apesar das marcas deixadas em sua vida pelo tempo que viveu em Las Vegas a ex-CSI tinha muito a se lembrar, sentir orgulho e saudade. Ao menos algo bom para se lembrar ali ela tinha, mas não um motivo sólido para retornar. Estava feliz vivendo na Califórnia novamente; bem, quase 100% feliz. Não tinha ao seu lado o homem que amava e seu maior motivo para ter deixado seu lar e a companhia de seus amigos e colegas de trabalho.

— Eu sei que nós mal falamos dele por aqui, mas... — Antes de continuar, Nick encarou seus amigos em silêncio e com certa seriedade no olhar. — Depois de tudo que nós estamos passando, a Sara principalmente, acho que podemos fazer um brinde a ele.

Nick fez uma pausa, imaginando que recebesse alguma resposta acerca disso. O que ocorreu foram rostos atentos e bocas fechadas, todos atentos ao seu discurso improvisado e de última hora.

— O Grissom passou por um perrengue, mas ele tá se recuperando, a gente nota isso. Em outros casos já teriam desistido, só que... nós... nós acreditamos nele e que ele vai se recuperar. Em breve vai estar aqui com a gente.

O CSI Stokes visou Sara e lhe transmitiu um sorriso afetuoso. Discretamente ela assentiu para que continuasse.

— Não temos vinho ou uma taça por aqui, mas vamos brindar com o que temos. — Tomando a iniciativa, Nick ergueu a xícara de café de uma recém nova rodada.

Sara seguiu seu exemplo, esperando que os outros fizessem o mesmo. Como numa reação em cadeia, cada um deles ergueu sua xícara e trocaram olhares orgulhosos um com o outro. Eles uniram suas xícaras no centro da mesa e brindaram com vontade.

— Ao Grissom — falou Nick. A primeira vez foi em voz baixa, porém na segunda ele puxou dentro de si forças para falar mais alto e firme. — Ao Grissom.

— Ao-

— Espera, espera. — Nick estendeu a mão no intuito de pará-los no último instante. Catherine, assustada, chamou-lhe atenção mesmo rindo por isso. — Ao Grissom e a Sara. — Ele visou a amiga e estendeu sua xícara novamente.

— Ao Grissom e a Sara. — Os outros repetiram em uníssono sem hesitar. Deu mais gosto falar daquele jeito, afinal, planejaram a reunião justamente por ela.

Quando terminaram o brinde, alguns tomaram outro gole da bebida morna e aos poucos voltaram a comer o restante das rosquinhas. Sara, porém se retraiu e enxugou rapidamente uma lágrima do rosto. Ela não esperava por isso, zombando de si mesma por se emocionar. Achou que devesse ficar mais feliz que tocada pelo gesto coletivo, mas isso mexeu com ela de alguma forma. Sara viu que Grissom era querido demais por ele; não somente seu noivo, como ela mesma era. Quem sabe nunca tenha imaginado a dimensão daquilo.

— A gente ama vocês, Sara! — Greg declarou. — Ou achou que nos esquecemos de você?

— Vocês... não tinham obrigação nenhuma de fazer isso. — Sara respondeu hesitante. — Não fiz nada por vocês, mas... — Ela se calou por um instante. — Eu não mereço isso.

— Claro que merece. — Catherine foi incisiva. De repente se lembrou do tempo que trabalharam juntas, em especial nos primeiros dias de trabalho dela ao chegar em Vegas. A relação entre as duas não começou bem de início, mas os conflitos foram deixados para trás com o passar do tempo. Tornaram-se amigas ainda que não fossem coladas uma na outra, mas o suficiente para dizer que era uma amizade, e sincera. Pensou também no dia que sugeriu seu retorno à Califórnia no intuito de poupá-la de mais sofrimento. Não que tivesse mudado de ideia, mas agora respeitava ainda mais a decisão de Sara em ficar e faria o que estava ao seu alcance para deixá-la confortável aqui.

Vendo que a mão de Sara estava próxima, a supervisora alcançou-a e a cobriu gentilmente. Ao mesmo tempo que achava melhor para ela voltar para São Francisco ao menos por um tempo, sentia falta de sua presença tanto no trabalho quanto no dia a dia.

Sorrindo em agradecimento, a morena cobriu os lábios na tentativa de segurar o choro, mas percebeu que seria inútil. Mistura de felicidade por receber tanto carinho e tristeza pelo contexto que aquele encontro se encaixava. Ao menos podia admitir com toda certeza que aproveitaria aqueles momentos de paz. Paz que valeu muito, talvez não o suficiente para apagar as lembranças ruins; ao menos o bastante para fortalecer seus laços afetivos com seus amigos.

— Tá tudo bem, não precisa segurar. — Greg comentou baixo a ela. Assim como ele, os outros vieram consolá-la, cada um do seu jeito. Abraços, toques caridosos, palavras de conforto. Sara nunca achou que precisasse daquilo até receber o amor de cada um.

O restante da tarde foi passado ali no Café. Uma espécie de reunião pós-trabalho que teve um atraso de meses. Nem o cansaço dos peritos atrapalhou o tempo deles ali, que se esqueceram dos problemas lá de fora.

Carpe diem.

Notas finais
Foi mal pelo troll de início de novo kkkkkk não desistam de mim. Eu adoro escrever sonhos, a gente ganha uma liberdade e pode usar várias linguagens por isso eu caio em cima. Eu gostei muito dos comentários sobre a opinião da Catherine sobre a Sara em que o melhor para ela seria voltar. É muito legal ver os tipos de opiniões diversificadas, não só no cap anterior como nos outros. Ao final da história eu conto pra vocês os detalhes que foram mudados na fic. Alguma ideia do que seria? Tem bastante coisa haha Passamos da metade da fic, e em breve espero lançar um projeto curto (que eu ainda não comecei, mas deve acabar logo kkkk) Manhunters está na geladeira ainda, mas logo vai pro forno. Cês não aguentam mais sofrer, né, pois é, eu tô gostando de escrever a fic, não é pra deixar vocês tristes não, mas é que eu tô gostando mesmo hdajksadhk Obrigada a todos que leram! Um beijão e até o próximo capítulo! ♥ ♥