For All Time

7 Um Lugar Sem Nome


Notas iniciais
Olá, gente. Engraçado quando a gente se depara com algo que escreveu há anos atrás e percebe como evoluiu néh? Pois é, essa história eu escrevi com 18 anos, e agora eu tenho 22, por isso ela é pouco detalhista, mas eu vou editando algumas coisas. Então, boa leitura!

Enquanto descia as escadas pela manhã seguinte, Joelce surpreendeu-se quando o telefone tocou e viu a foto de Serafina Duarte no ecrã. Não, não era estranho sua mãe ligá-la tão cedo da manhã, era até comum, afinal estavam em países diferentes e havia a diferença de horários, mas por instantes temeu que houvesse algum problema.

— Alô, mãe. — atendeu afobadamente.

— Filhinha, como você está?

Ouvir a voz dela apertou seu coração e a fez perceber o quanto tinha saudades de vê-la, mas também arrancou um sorriso de seus lábios ao mesmo tempo.

— Estou bem, e a mãe?

— Eu também, estamos todos bem cá em casa. Estás ocupada ou posso te chatear um pouco?

Sorrindo, a garota parou no último degrau da escada.

— A mãe sempre pode me chatear.

— Que bom! Como vão as coisas aí? As aulas?

— Tudo bem, mãe.

— Estás a ter juízo?

— Sim, como sempre. — disse séria, apesar da vontade de rir. Ela tinha 18, mas para seus pais não passava de uma criança, o que justificava a guerra que fizeram para deixá-la embarcar no estrangeiro na bolsa que garantia a conclusão de seu ensino médio, a faculdade e o mestrado em arquitetura, em Los Angeles.

Sabia que os tinha deixado muito inseguros, mas decididos a confiar nela. Bem, não nela, em Quentin, um amigo de longa data.

— Tenho tantas saudades tuas, filhinha.

— Eu também tenho, mãe. — disse sinceramente — Virei para aí nas férias!

— Quando é que são essas tais férias?

Joelce coçou a cabeça enquanto tentava consultar seu calendário mental que não era muito eficiente. Ela não era muito boa com datas e tinha se esquecido exatamente dentro de quanto tempo seriam as férias trimestrais.

— Assim que o trimestre acabar. Em breve. — disse, por fim.

— Está bem, vamos esperar que venhas.

— Eu virei. — prometeu, pois tinha saudades de sua grande família.

Embora sempre tivera sido fechada e como eles diziam, anti-social, ela os amava. Tinha saudades de seus irmãos mais velhos. Bem, suas cinco irmãs e um irmão, e de sua ninhada de sobrinhos barulhentos.

Após desligar a chamada, Joelce foi até a cozinha, onde encontrou Quentin a untar uma fatia de torrada com manteiga de amendoin. O cheiro rapidamente enjoou-a e fez uma careta. Será que ela era a única pessoa no mundo que não gostava de amendoin?

— Bom dia, Quentin.

— Bom dia, Duarte. Como dormiu?

— Bem, obrigada. E você?

— Também. — Quentin esperou que ela se sentasse na mesa que já tinha o café da manhã pronto, então acrescentou com calma — Queremos falar sobre ontem?

A rapariga encolheu os olhos.

— Eu acho que não tem nada para falarmos sobre ontem.

— Tem certeza? É que me parece que eu e Mary vimos um “quase beijo” entre você e seu professor de Inglês, o Jackson.

Ela mordeu o lábio e começou a servir-se café, pensando no que deveria dizer.

— Okay... — exalou profundamente, quando largou e somente encarou o tutor — Está acontecendo o seguinte. Eu estou apaixonada pelo Jackson, deixei umas cartinhas nas coisas dele como uma admiradora secreta anônima, marcamos um encontro e eu me revelei meio que involuntariamente e eu não estava conseguindo encarar ele mas ontem ele me deu carona depois de quase me atropelar, aí o clima ficou estranho e... deu naquilo que você chama de “quase beijo”.

Quentin simplesmente continuou a olhá–la quando ela puxou uma torrada, suspirando como se tivesse acabado de largar uma carga pesada.

— Dá para colocar algum entrave nessas palavras para que eu possa entender, por favor?

Voltando a olhá-lo, Joelce sorriu sem jeito. Então repetiu tudo numa versão mais lenta e compreensível, exclarecendo que não havia nada entre ela e Michael, mas que gostava dele, por mais que não parecesse certo.

— Eu não vou tentar te controlar, — começou Quentin, após ouvi-la atentamente — Você já é uma pessoa adulta e pode tomar suas próprias decisões. Mas quero que lembre que o que quer que aconteça com você eu serei responsabilizado, portanto tenha responsabilidade e cuidado nas suas decisões.

— Eu terei. E eu deixarei você saber do que acontece de agora em diante.

— Assim espero. Agora come, senão a gente vai se atrasar. — disse Quentin com um sorriso, ao qual ela assentiu.

~*~

— O que você sente sobre isso?

Michael recostou–se melhor no cadeirão e levou os olhos ao amigo depois de divagar por uns instantes.

— Não sei, seriamente... não sei. — sorriu levemente — Só sei que foi realmente surpreendente e eu fui um tolo, eu não desconfiava que era ela, tão cegamente que mesmo após a ver se aproximar apenas pensei que vinha me cumprimentar...

— Michael, meu caro — Ne–yo abanou a cabeça para ele — Lamento informar, mas eu sei o que você sente sobre isso. Você está apaixonado por essa garota. Olha só para esse teu sorriso idiota.

— Apaixonado? — Michael arregalou os olhos — Paixão não é palavra, mas... há algo nela que... que eu sinto que busco.

— Hum... seu malandro, então você já está pensando naquilo.

— Credo, Ne–yo, você precisa fazer uma restauração de cérebro, amigo. Seu nível de raciocínio está baixo, o mundo não se resume em “sexo”, tire o pensamento disso. É algo além disso.

— Hum... sei, e eu sou virgem. — Ne-yo revirou os olhos.

— Idiota! — Michael puxou uma almofada e jogou nele, que apenas riu.

~*~

Michael postou–se diante da janela da sala de Departamento do enorme colégio, tendo acesso à visão do campo de Educação Física, onde ficou a olhar para a turma que fazia exercícios, reconhecendo uma das meninas de uniforme que consistia em calções pretos e t-shirt branca, como Joelce.

Esta fazia alongamentos, acompanhando os colegas, sobre a orientação de Zad Miller, seu colega, o gigante professor de Educação Física.

Quando este apitou, todos os alunos fizeram uma queda dorsal, começando a fazer de braços, e ele viu quando Joelce caiu mole, parando antes dos demais. Educação física não parecia ser o seu forte, já que ela aparentava ser uma menina frágil.

Assim, viu Zad ir até ela e segurá-la na cintura puxando-a de volta para suas mãos, enquanto a instruía a prosseguir os movimentos. Por algum motivo, a cena era desagradável para ele, e começou a irritá-lo quando Zad continuou a segurá-la, mesmo quando ela já estava conseguindo fazer sozinha.

Era necessário que ainda a segurasse? Perguntou-se mentalmente, e fez uma careta para o próprio pensamento. Ora, e se não fosse? E se ele simplesmente quisesse? Por que aquilo o irritava? Estava ele com ciúmes?

— Aqui está você.

Ao som da voz feminina e o barulho da porta, Michael virou-se vendo Inês com um sorriso de orelha em orelha. Ela era uma mulher linda, e parecia deslumbrante num corte novo de cabelo, num vestido verde apertado, mas não se via retribuir o interesse romântico que ela fazia questão de demonstrar ter por ele.

Entretanto, sorriu.

— Estava me procurando?

— Sim, não terminamos a nossa última conversa, que eu me lembre. Você tem alguma aula agora?

— Não agora… — após consultar seu relógio de pulso, Michael voltou a olhar para ela que agora estava perto de si — Então, pode falar.

— O que vai fazer nesse fim de semana? Fui convidada à uma festa no sábado, gostaria de tê-lo como companhia.

— Penso que não será possível, eu tenho algumas coisas. — ele procurou esquivar, embora não fosse de todo mentira. Tinha provas a corrigir, e depois gostava de ir visitar os pais.

— Ah… — Inês tomou uma expressão de decepção — Nesse caso você terá que me recompensar. Aceita almoçar comigo hoje?

— Hoje eu também tenho uma coisa. — adiantou, pugando nos livros que deixara sobre a mesa, e afastou-se para a porta — A gente se fala outra hora melhor, eu tenho que ir. — e foi, esperando que não tivesse sido insensível com ela, mas que ela tivesse percebido de uma vez que não teriam nada além de amizade.

~*~

Joelce aproximou-se da entrada do balneário feminino, falando ao telefone com Quentin, ou pelo menos ouvindo-o, pois ela estava tão ofegante e exausta que falar era uma missão difícil

— Já saí da casa da Mary, estou vindo te pegar, okay?

— Okay, não demoro, vou só me trocar e te esperar lá fora.

— Certo.

Desligando a chamada, Joelce suspirou e olha para a frente, quando seus ossos ficaram moles a deixando bamba, ao se deparar com o homem alto na frente dos seus olhos. O que ele fazia ali? Bem, o corredor era público, mas por que se aproximara dela?

Com o coração agitado, percebeu que ele queria dirigir-lhe palavra, e amaldiçoou seu aspecto. Suada, embaixo do uniforme sem graça de educação física que a fazia parecer um menino já que era magrinha e mal tinha seios, e o cabelo preso no que deveria ser um coque, mas com certeza não era.

— Olá, Joelce.

A voz dele fez todo seu corpo arrepiar, mas se concentrou e exalou profundamente.

— Olá... hum.... professor.

— Eu não quero incomodá-la, mas acho que precisamos ter uma conversa... — Michael olhou ao redor do corredor e voltou para ela — Mas aqui não é de perto o melhor lugar para conversamos. Penso se você gostaria de... sair, mais tarde, comigo...

Joelce tremeu os lábios numa tentativa de responder. Ela estava sonhando, certo? Confusa, o viu continuar:

— Eu poderia ir pegar você mais tarde e nós poderiamos ir à algum lugar.

Está falando sério? Joelce teve vontade de perguntar, pois não podia acreditar que realmente ele estivesse fazendo um convite à ela, seria possível?

— Então, o que me diz? Precisa de pensar? Percebo se for isso, e eu...

— Eu quero, sim, nós precisamos conversar.

Michael sorriu, um sorriso leve e maroto que deixou os joelhos da garota mais moles ainda, mas ela continuou erguida e sorriu de volta.

— Te pego às cinco, pode ser?

— Ham... sim.

— Quentin deixa?

— Yeah, ele não tem complexos. — Joelce mordeu o lábio levemente quando o viu sorrir denovo, o sorriso de Michael era o mais charmoso e contagiante que existia na face da terra.

— Então a gente se vê logo. — ele concluiu se afastando, e desapareceu de vista.

Nisso, ela liberou o ar dos pulmões e se lembrou de respirar. Eles iriam sair?

~*~

— O verde ou o azul? Ou o preto? Ou será que eu deveria usar outra coisa e não vestido? Acho que ficarei mais à vontade nos meus jeans e tênis… — Joelce falava nervosa e atrapalhada, aparecendo diante do PC com um monte de cabides com roupas.

Do outro lado, duas de suas irmãs riam.

“Vadia, primeiro fica calma, ainda é cedo.” Edy ria.

— Eu sei, mas... eu estou muito emocionada.

“Dá pra ver, mas procura se acalmar, senão vais só apanhar um ataque ainda. Todos os vestidos são lindos, mas vai experimentando para vermos o melhor.” Dizia Nilza.

“Onde ele vai te levar mesmo?” perguntou Edy.

— Não sei, acho que vamos dar um passeio por algum lugar ou.... não sei, desde que seja com ele eu vou até pro inferno.

“Ele vai te levar apenas para um lugar onde possa abrir as tuas pernas” Edy disse, estúpida como sempre.

“Edy, sua estúpida”. Nilza bateu-a no ombro, enquanto Joelce ria sem jeito.

Era óbvio que não, aquele não era o tipo de Michael, e ele só queria conversar com ela para exclarecer que não podia retribuir seus sentimentos, mas a ideia bem que causou-a um frio na barriga.

~*~

Ao ouvir passos na escada, Quentin tirou o olhar da TV, e avistou a garota que descia as escadas, vindo depois até ele.

— Uáu, como você está linda!

Joelce sorriu para ele.

— Obrigada.

— Ele já chegou?

Joelce mal abriu a boca para responder que estava à caminho, seu telefone tocou, então abriu a mensagem de texto que acabava de cair.

“Estou aqui fora”.

Mordeu o labio.

— Ele está lá fora.

— Okay... eu continuo a achar que eu deveria ir supervisionar esse vosso passeio... mas tudo bem, tenha juízo! — Quentin gracejou, e com um sorriso Joelce saiu.

— Adeus, Quentin!

~*~

Colocar o pé na calçada deixou Joelce gelada de nervosismo, mas foi simplesmente demonstração comparando à quando avistou o Citroen C4 Picasso estacionado perto e... o dono encostado nele, um braço cruzado e o outro dispondo a mão de pegar o celular no qual mexia.

Seu rosto chamejava de nervosismo, mas ela pôs–se a desfilar na sua direção, os passos logo o chamando atenção e fazendo o rosto de beleza exagerada levantar para ela.

O olhar de Michael logo assumiu uma expressão de admiração, admitindo interiormente que ela estava maravilhosa naquele vestido marrom com jaqueta preta adicionada e sapatinho preto, aquele penteado apanhado e a maquilhagem fraca que realçava os olhos rasgados.

E ele, como Joelce também apreciava no momento, estava tentador. Havia apostado num sobretudo longo e preto, com golas ligeiramente altas que subiam de encontro aos fios curtos do cabelo, camisa também preta no fundo e calças escuras como os sapatos.

Quando ele fez o movimento de colocar as mãos dentro dos bolsos, ela chegou ao seu destino, esboçando um sorriso.

— Boa tarde.

— Boa tarde, Joelce. — Michael deixou o nome dela derreter na sua boca — Você está maravilhosa.

— Obrigada, você está... perfeito.

Michael a olhou com uma expressão de “sério?”, mas então abriu a porta do carro para ela.

— Obrigada. — Joelce entrou, aspirando o ar frio do automóvel quando ele fechou a porta e fez seu caminho até entrar do seu lado.

— Extremamente pontuais!

Joelce olhou para ele, vendo que deparava com as horas no carro, 17 em ponto. Sorriu quando Michael a encarou.

— Há algum lugar que gostaria de ir?

— Ham... não, onde quiser me levar eu vou.

O sorriso que Michael deu em resposta teve um ar travesso, e uma interrogação do tipo “Tem certeza?”. Mas em seguida ele olhou para frente e exalou vagarosamente o ar, murmurando:

— Certo, então eu vou levar você para um lugar sem nome.

Notas finais
Então, é isso, gostaram? Gostaram? Quero dizer à minha titia Dark comentadora fiel que estou considerando o que você pediu (mandou rsrs). Eu vou tentar postar duas vezes por semana, ou postar capítulos maiores, prometo. Então até o próximo cap… Bjinhos!