For All Time

3 Admiradora Secreta!


Notas iniciais
Boa leitura!

No radio do carro tocava "Sweet Child Of Mine" do Guns N Roses, que Joelce ia cantando, até ouvir:

— Vou deixar–te na escola e ir buscar Mary no aeroporto.

Olhou para Quentin, admirada.

— Mary chega hoje?

— Sim.

— Ham... okay. E ela vai ficar lá em casa?

— Não, vai ficar no apartamento dela em Beverly Hills.

“Menos mal”, Joelce pensou, então murmurou outro “okay”.

~*~

Michael adentrou a sala de Inglês e pegou sua pilha de materiais, quando dirigindo–se à porta parou ao deixar algo.

Baixou–se, franzindo o cenho ao pegar e ver que era uma carta, num envelope dourado. Não se lembrava de ter recebido carta nenhuma, tampouco ter metido entre os materiais de aula.

Então voltou–se, pousando tudo o restante, e abriu o envelope, pegando uma especie de postal prateado por dentro, uma carta escrita em papel especial, então começou a ler:

“Michael Joseph Jackson. Eu reconheci seu nome em algum canto da minha mente assim que o ouvi. Bom, talvez não literalmente dizendo, mas meu coração parece conhecer você há varios anos.

Cartas e postais devem ser atraso em pleno século XXI, mas eu quis expressar o que sinto dessa forma, espero que você entenda.

Quando eu vi você, foi como se tudo ao meu redor parasse de se mover, e o universo parasse de girar também por um segundo, o curto segundo em que você retribuiu meu olhar.

Sabe, eu ainda estou tentando buscar palavras para descrever aquilo, mas eu não encontro. Ninguém poderia explicar o que eu sinto acerca de você.

É como se eu sempre soubesse que você existe, só que estava à milhas de distância. E esse sentimento estranho é como um plano de fundo que sempre esteve em minha vida, só que eu desconhecia.”

Michael revirou o papel, franzindo a testa ao perceber que era anônimo, embora lindo.

“Quem será?”

Normalizou a feição por fim e guardou entre seus fascículos, saindo de lá.

No corredor, logo deparou–se com a colega que lhe sorriu.

— Oi, Jackson.

— Oi, Inês.

— Tem aula a dar agora?

— Não, só no proximo tempo.

— Ah! – suspirou – Gostaria de fazer–te um convite, para jantar em minha casa esta noite.

Michael franziu o cenho por um instante, pela surpresa, e ao lembrar-se do postal juntou as peças. Era de Inês então!

Não a conhecia direito, mas se ela estava fazendo aquele convite significava que tinha a intenção de tratar daquilo, de se conhecerem melhor, então tratou de dar a chance:

— Sim, por quê não?

— Certo, então as 8h está bom para você?

— Sim, certo.

— Ta, vou dar-te o cartão com o endereço... – Inês abriu a bolsa mexendo.

~*~

Joelce saía de mexer no cacifo, passando as duas professoras que conversavam, quando travou ouvindo:

— O Jackson?

Não querendo dar nas vistas, voltou a andar, até parar encostada na primeira parede a ouvir.

— Sim, o Jackson. – dizia Inês – Convidei–o para jantar em minha casa esta noite e ele aceitou, com um sorriso interessado.

— Humm... isso é bom, você deu um bom passo! – a outra voz era de Samanta, a professora de Francês – Apenas vê se não afugenta ele com sua obsessão por compromisso, deixa a coisa rolar lentamente.

— Eu sei o que tenho a fazer, Samanta. Irei com calma com ele, estou tão interessada que nem que ele for daqueles casados com o celibato não vou desistir.

As duas riram e se afastaram, então Joelce se encostou na parede olhando para o vazio, processando a informação.

Michael iria jantar em casa daquela professora que estava interessada nele? Sentiu um nó subir por sua garganta.

Ciúmes!

Mas tratou de suspirar e fingir pra si mesma que não se importava, algo em que era boa.

— Bom pra ela. – murmurou saindo de lá.

~*~

De noite, Joelce não conseguia fazer a comida descer por sua garganta, e sim olhava para o nada vagamente.

— Com licênça.

Ela virou o rosto voltando a terra e viu Quentin se levantar para atender o celular, deixando–a na companhia da loura extravagante que logo a lançou um olhar crítico.

— Algum problema? – Joelce a perguntou, rebeldemente.

— Comigo? Você é que está mais sem graça do que o habitual. Qual será o melodrama dessa vez?

— Com certeza um que não é da sua conta, não acha?

— Claro, assuntos de adolescentes revoltadas não me interessam mesmo.

Joelce abriu a boca, e tinha a certeza de que não diria algo educado, mas Quentin voltou a entrar e ela olhou no prato.

“Como será que está correndo o jantar deles?” Joelce se perguntava, picando um pedaço de carne com um garfo.

~*~

— Ah, não precisava...

Michael sorriu assim que a mulher de ajeitado vestido carmim recebeu a garrafa de vinho, então adentrou ao bonito apartamento.

— ... Mas obrigada.

Ele assentiu e a seguiu até que os dois se sentaram na mesa para jantar. Tudo estava com um toque caprichado, e ele não pôde deixar de apreciar o quanto Inês McDaniel estava entusiasmada.

Enquanto comiam o prato principal, estabeleciam uma conversa sobre vida profissional, e estavam na sobremesa quando Michael tocou no assunto:

— Quero agradecer pelo... postal que você deixou em minhas coisas, foi... muito atencioso.

Inês se encantou com o sorriso entimidado que ele deu em seguida, mas então franziu o sobrolho.

— Postal?

— Sim... aquela... carta, que você deixou em minhas coisas no colégio.

— Jackson... – ela se inclinou ligeiramente – Não sei do que você está falando, não deixei postal nenhum em suas coisas, aliás, nem sequer escrevi um.

Michael olhou para ela, cada traço de sorriso desaparecendo, sua testa franzindo–se.

— Não foi você? Eu encontrei um... bilhete, postal... uma carta, em minhas coisas, e não estava assinada... e quando me convidou... pensei que fosse você.

— Lamento, mas não fui, não. Pela forma que você fala deve ter mexido com você, e lamento mesmo não ter sido eu.

Michael olhou para o vazio tão pensativo que não percebeu a provocação quando Inês mordeu o lábio. Voltou a olhá–la quando pigarreou.

— Sim, me... admirou, por assim dizer.

— Bom, então tens uma “admiradora secreta”.

— Admiradora secreta?

Essas palavras rondaram a cabeça de Jackson durante o resto do jantar, que não passou de agradável, pois Inês se conteu e ele não mostrou mais interesse do que amigável.

Ela o acompanhou até seu carro, um Citroen C4 Picasso, e os dois se despediram com dois beijos na face antes de ele subir no automóvel e ir dirigindo pelas ruas da cidade dos anjos, mergulhado em pensamentos.

“Uma admiradora secreta? Quem?”

~*~

— Eu é que não!

Joelce jogou–se na cama mexendo no seu telefone e Quentin deitou ao seu lado.

— E por quê que não?

— Apenas não. Vamos ser sinceros, eu não suporto a Mary e você sabe disso, Quentin.

— Eu sei, assim como ela não te suporta, mas se vocês dessem uma chance de passarem algum tempo juntas vocês veriam que têm muito a ver, ela também ama rock.

— Tanto faz, eu não vou nessa festa dela não. Vou ficar em casa.

— Como quiser, só me avise caso mudares de ideia. – Quentin levantou–se – Durma bem.

Joelce o viu sair, então virou–se na cama. Ficou um tempo martelando–se de pensamentos, e quando relaxou adormeceu.

Notas finais
Mereço coment+arios? Espero que sim! Bjs...