For All My Life
10 Dançando ao doce e amargo aroma de álcool
Notas iniciais
O salão estava impecável , cada coisa perfeitamente decorada , luzes por toda parte , as mesas bem distribuídas com toalhas cor creme , e a pista de dança estava bem cheia. "Isso que é festa de ricos" pensei.
Haviam até garções servindo as mesas e algumas poucas cortinas de fumaça. Tocava eletrônica.
Resolvi então , procurar pelo Mark , o que não foi muito difícil já que ele estava sentado em uma mesa junto de Joseph , Brian e Thomas , o que aliás , fazia tempo que eu não via acontecer. Pensei em deixá-los , pois parecia emanar muita felicidade e muita conversa de garotos , só pensei.
– Ariel junte-se a nós ! — Thomas falou.
– Ah , não quero atrapalhar nem nada.
– Ah que isso , você não vai atrapalhar em nada , aliás , hoje é um dia para todos se divertirem ! — O garoto estava bem alegre. E não recusando a oferta juntei-me à eles.
– Cara , deve ser difícil ser representante e ter que lidar com esses adolescentes chatos — Brian comentou como se ele não fizesse parte dos "tais adolescentes". E eu ri.
– Ah que isso , até que está bem ... calmo.
– MANO! — Mark deu um grito que todos se assustaram enquanto encarava o seu celular freneticamente.
– O quê ?! — Todos responderam ao mesmo tempo.
– Mano , mano , mano , mano , não acredito ! — Mark se levantou — Velho ...
– O que foi Marcos ? — Joseph reclamou.
– Acabei de olhar meu e-mail ... E cara ... A nossa banda mano...
– Fala logo porra ! — Os garotos fizeram um pequeno coral , que bem... poderia ser considerado um coral se fosse menos brutesco.
– A nossa banda foi convidada pro evento que vai ter nas férias em Atlanta ! — Mark quase não contia a alegria que estava estampada na sua cara.
Os garotos fizeram uma verdadeira algazarra , tacaram copo no chão , gritaram , subiram nas mesas ... Foi algo que certamente os fizeram vibrar de emoção e felicidade.
– Cara não to crendo nisso ! — Brian falava com as mãos a cabeça.
– Finalmente estamos dentro ! — Joseph falou enquanto batia o punho na mesa.
– Porra cara isso , é demais — Thomas começou a chorar.
– Parabéns meninos — Comentei.
– AH ARIEL ! — Mark gritou e rapidamente atravessou a mesa deslizando-se que nem uma bala e me abraçou empolgadamente.
– Mark — Tentei falar em meio aos abraços exagerados do rapaz — Parabéns...
– Vamos comemorar muito hoje ! — O ruivo levantou o copo pra cima e todos os 4 gritaram.
– Garotos ... — Sorri.
Os momentos de felicidade talvez não fossem para sempre... Steven chegou.
– Qual o motivo da felicidade ? — Ele tentou se enturmar.
– Cara — Joseph adiantou — Finalmente , vamos tocar em um festival!
– Como assim ?
– A nossa banda foi chamada pro festival em Atlanta... — Thomas falou enquanto ( ainda ) chorava.
– Sério ?! — Steven abriu um enorme sorriso no rosto , o que foi a primeira vez que eu o vi fazer ... ou talvez tenha sido a primeira vez que eu o vi sorrir verdadeiramente.
– Sim cara , finalmente ! — Brian comemorou.
Os garotos se entre-olharam e de repente começaram a se abraçar , pular e gritar. Meu deus , já vi que a ocasião ia dar miolo pra pão ! ( O que eu disse ? ).
– Ariel — Mark falou — Você vai com a gente né ?
– Eu ? aonde ?! — Assustei-me.
– Oras , vai com agente na tour ... não ? Quer dizer... Viagem.
– O que ?! Claro que não. — Respondi defensivamente.
– Ah mas é claro que vai — Steven apoiou o braço direito em volta do meu ombro e abaixou o rosto até ficar de frente com o meu , o que pareceu deixar Mark desconfortável — Não é ?!
– Tão doidos ?! — Empurrei Steven.
– Ah por favor , que isso — Todos falaram ao mesmo tempo — vamos com a gente!
– Por acaso vou ter que ser algum tipo de produtora ?! — brinquei.
– Bem , poderíamos dizer que sim. — Thomas alegrou-se.
– Ah gente , não , não ... — Dei um passo pra trás , dando de costas com Steven que me abraçou e me tirou do chão.
– Vamos ovelhina — Steven disse descaradamente e vulgarmente na minha orelha. E claro , eu o empurrei não ligando pra atitude daquele cara.
– Opa , opa o que é isso em ?! — Brian brincou — Parece aquelas cenas sensuais de filmes.
– Claro que não — Mark falou em um tom um tanto alto o que fez com que todos olhassem pra ele , e logo depois ele disfarçou — Bem , não... acho que Ariel gostaria de uma coisa assim... — O garoto colocou o braço atrás da nuca e desviou o olhar.
– Eu vou ... — Tentei mudar de assunto — pensar no caso.
– Esperamos pela sua resposta — Mark alegrou-se.
Os garotos haviam bebido muito , e estava debruçados na mesa. Pareciam crianças depois de brincar o dia inteiro. Levantei-me e fui até a varanda enorme que tinha ao lado da mesa. Fiquei ali por uns instantes , vendo algumas pessoas saindo no estacionamento , e olhando o céu estrelado.
– Está muito mansa hoje mulher maravilha — Levei um susto.
– Pensei que estava debruçado na mesa com os outros.
– Não sou tão fácil de derrubar assim , senhorita.
– Também , um gigante desses — Brinquei.
Steven então apoiou os braços no muro baixo da varanda olhando para a mesma direção que eu.
– O que foi ? — Perguntei.
– Nada , apenas quero ver o que você vê.
– Nada demais , apenas estrelas.
– Não são apenas estrelas , é um universo imenso , inexplicável e magnífico.
Assustei-me com a resposta de Steven , ele parecia muito interessado em coisas que não combinavam nem um pouco com ele.
– Vai me dizer que curte astronomia ?!
– Sim , você não curte ?
– Sim , eu gosto... muito.
– Ah , até que temos algo em comum — O loiro apesar de ter uma imagem irritantemente arrogante , as vezes me passava a sensação de que na verdade , eu não sabia nada dele. Nem um pouco mesmo.
– Você é como uma caixinha de surpresas Steven — Entreguei o jogo. Fui honesta.
– Sou ? — Ele assustou-se.
– Sim , apesar de ser idiota , parece bem ... um cara que no fundo , apenas não é compreendido , e age dessa forma para se defender. Ele então começou a rir — Qual a graça ?!
– Nada demais , apenas que você é bem interessante. — Ele sorriu.
– É você bebeu demais...
– Talvez... Quer dançar ?
Sério mesmo que Steven , logo ele estava me convidando pra dançar ?
– O quê ?
– Dançar... Quer ?
– Ta ... — Resolvi dar uma chance. Aliás , o que ele poderia fazer de mais ?
Steven ofereceu então sua mão , e conduziu-me até a pista de dança , onde apenas casais estavam dançando o que me deixou meio desconfortável. A música era lenta.
Steven então colocou a mão esquerda na minha cintura e com a direita segurou a minha.
– Não sei dançar muito bem...
– Eu sei — Ele sorriu.
– Como sabe ?
– Da pra ver só de te olhar tentando começar a dançar — Ele debochou.
– Obrigada — Fui irônica.
Sem querer as vezes eu pisada no pé dele , e ele fingia não acontecer nada. Dançamos , não falamos muito e quando acabou a musica , ele me abraçou , tendo que curvar-se um pouco para tal coisa. Ele permaneceu assim por alguns instantes.
– Steven ?
– Não é nada — Ele se afastou agradeceu pela dança e subiu até os quartos.
Olhei em volta , Mark me encarava do balcão do bar. Fui até lá.
– Mark , não já bebeu demais ? — Ele estava com um cheiro de álcool enorme.
– Me... Me deixa — O garoto bateu no copo de vidro em que estava bebendo arremessando-o ao chão — Vá atrás do Steven.
– Mark , vamos... — tentei levá-lo mas ele era muito pesado pra mim — vamos Mark , até seu quarto.
– Eu te ajudo — Joseph parecia ser o único que não havia se embriagado tanto , ele me ajudou a levar Mark para o quarto , chegando lá colocamos ele debaixo do chuveiro com roupa e tudo , e Joseph pediu que deixasse tudo por sua conta.
– Obrigada Joseph — Agradeci.
– Tudo bem , agora vá ... a festa já acabou.
– Boa noite.
– Boa noite Ariel.
–--
Acordei de manhã , e assim que me levantei comecei a arrumar minhas coisas na bolsa , afinal , voltaríamos amanhã para casa. Steven estava na varanda do quarto fumando.
– Você não vai arrumar suas coisas ? — Perguntei.
– Já estão arrumadas — Fitei a sua bolsa que estava jogada no chão com uma porção de roupas sobressaindo pela abertura.
– Ah , bem arrumadas até — Ironizei — Você não acha melhor fumar depois da primeira refeição do dia ?
– Que diferença faz ? — Ele então se virou para me olhar — Está fazendo mal do mesmo modo.
– Sim , se você sabe que faz mal , deveria parar.
– Confesso que já tentei... e muito.
– Tente mais então , pois desse modo vai morrer !
– Está preocupada comigo ?! — Ele então foi se aproximando em minha direção. Seus cabelos estavam presos , mas algumas mechas ainda escorregavam sobre seu rosto , e ele estava sem camisa ... o que complicava a situação.
– Claro que não ! Mas deve ter pessoas que se preocupem não é ?! Você deveria se preocupar ! — Tentei dar uma lição de moral naquele cara que não pensava em outra coisa à não ser cigarros.
– Felizmente ninguém se preocupa com o cara aqui — Ele levantou as duas mãos indo de direção aos ombros como se estivesse dizendo " tanto faz" , e me encarou por alguns instantes.
– Você , não tem jeito mesmo. — Virei me e continuei a arrumar minhas coisas.
– Quem te deu esse colar ? — Ele se referia a joia que estava no meu pescoço que no qual Mark me dera.
– Por quê quer saber ? — Tentei disfarçar.
– É muito bonita , delicada e parece ser cara... não foi qualquer um, não é ?! — Aquele cara conseguia ser muito esperto de uma forma descaradamente irritante.
– Foi o Mark — Decidi ser direta.
– Hm... Então agora ele te presenteia é ? — O assunto parecia de repente desinteressar Steven.
– Ainda com ciúmes ? — Brinquei de irritá-lo um pouco como ele fazia.
– Mas é claro — Ele então se virou e caminhou de volta a varanda como se o que ele dissesse fosse a coisa mais natural do mundo.
– Você é um cara estranho , no começo não tinha nenhum pingo de boas intenções comigo , e agora sente ciúmes do Mark ? Por acaso gosta de mim ? — Não se passava pela minha cabeça a ideia de que Steven poderia dizer sim à aquela pergunta , e um pouco um tanto contraditório ele apenas não disse nada.
Finalmente , todos se despediram dos novos amigos que fizeram , do hotel , e de Miami. Saímos naquela segunda-feira com destino a Key West novamente, e eu não sabia se dormia ou apreciava a magnífica paisagem por todo o caminho , realmente , não me cansava de ver cada dia mais aquela maneira de vida praiana , mesmo que eu não ficasse muito na praia , só de estar em Key West era como levar a vida em uma ilha fabulosa.
Cheguei em casa , e meu pai me abraçou , o que foi menos inesperado , me olhou por um tempo e perguntou como foi a viajem. Conversamos por um bom tempo no sofá da sala , enquanto víamos um programa de comédia na tv , era tão nostálgico ficar com ele assim , lembrei de quando era pequena , e meu pai não era tão viciado na bebida , e passava todo o seu tempo livre comigo. Por fim , quando deu o horário , tomei meu banho e deitei na cama , estava cansada.
–--
Steven adentrou porta a dentro de sua residencia , e desejou nunca ter entrado.
– Steven , seu moleque , aonde estava ?! — A voz roca e grossa do velho bem vestido, de porte forte sentado na sua poltrona cara ecoava pelo salão.
– Em Miami ... — Steven dirigiu-se à ele com o mínimo interesse.
– De novo , cof cof , voc- cof , você foi gastar meu dinheiro de novo !
– Fui com a escola — as palavras saiam lentamente da boca do rapaz.
– Você deveria estar em Nova Iorque! você devia estar estudando administração ... Mas que droga! — o velho se levantou e com algum pouco de dificuldade caminhava enquanto falava — você é uma desgraça na minha vida , Por quê demônios eu tive que ter um herdeiro tão inútil.
– Vou para o meu quarto , tenha uma boa noite velho. — Steven subiu as escadas rapidamente sempre pulando um degrau em suas passadas e dirigiu-se ao seu quarto enquanto deixava um dos maiores donos de impérios de hotelaria falando sozinho , seu pai.
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