Forças para Viver
1 Capítulo 1
-Alô... Que!?! Não é possível... È mentira, você esta blefando. Quem é você? O que quer? Porque quer me fazer sofrer? Não, não é verdade.
-Dona Ângela, infelizmente é verdade. Eu sinto muito.
Foi com o toque do telefone que Ângela acordou naquela manhã, uma manhã que nunca mais seria esquecida.
Aos 20 anos de idade casara-se com Ronaldo, sua vida era só felicidade. Com 23 nascera Diogo. E dois anos depois Douglas. Os filhos e o marido eram tudo de mais precioso em sua vida. Ângela dizia que tinha tudo, que o dinheiro, as casas, carros e outros bens não compensavam a família que tinha. Aos 35 anos perdera o marido – com 38 – vitima de ataque cardíaco por causa do stress da empresa. Ângela sofrera muito, era uma viúva que não se deixou levar por haver os filhos pequenos para criar. Sete anos se passaram e na madrugada de sexta feira de 2002, Diogo falecera aos 19 anos vitima de uma bala perdida na saída de uma festa. A dor e o sofrimento eram intensos, mas ainda tinha o apoio de Douglas, seu filho mais novo.
Depois da morte do filho nunca mais fora a mesma. Só fora feliz ao lado do marido e DOS filhos. Vivia das lembranças de Diogo, de sua infância, dos finais de semana na fazenda, do amor que sentia por Ronaldo. Constantemente sentia a presença de ambos e em seus sonhos os dois caminhos de mãos dadas. Diziam que estavam bem e que era para seguir sua vida porque mais cedo ou mais tarde... Eles se reencontrariam.
Com 51 anos Ângela sentia-se mais feliz. Estava renovada, sabia que a família estava bem e não queriam seu sofrimento. Sua motivação era o caçula, com 26 anos. Douglas era só atenção com a mãe. Era engenheiro civil, sonho de seu pai. Era jovem e aproveitava a vida, saia na noite e se divertia. Ângela ficava receosa quando o filho resolvia sair. Temia por sua vida. Não suportaria que nada o acontecesse. Ficava aflita, não dormia até o filho regressar. Douglas dizia á mãe que não havia motivos para que ela se preocupasse, ele sabia cuidar de si. No entanto isso não a acalmava. Sua angustia aumentava a cada dia, seu filho era sua única alegria e motivação, sem ele nada fazia sentido.
Era sábado, dia 18 de outubro de 2005. Douglas combinara de sair com os amigos á noite. Ao ouvir a conversa a mulher gelou, sentiu uma angustia inexplicável, uma sensação de perda a invadiu. Durante o almoço Douglas disse á mãe tudo o que sentia. Falou do seu amor por ela, da felicidade que ela lhe proporcionara, de sua força e da admiração que sentia pela mesma. Relatou o orgulho que sentia pela mãe, a considerava uma guerreira, suportara a perda do marido e do filho e mesmo assim ajudava o próximo com seu trabalho comunitário. Ângela sorriu e não conseguiu dissimular a emoção. Seu filho tinha orgulha dela estava feliz em saber daquilo. Disse ao filho que também o amava e sentia-se orgulhosa dele. Naquela noite Douglas abraçou a mãe com enorme carinho e amor. Planejava passar o dia seguinte na fazenda com a mãe. Com toda sua declaração Douglas tinha feito a angustia da mãe aumentar. A noite se aproximou e o medo invadia-lhe o peito. As 20h15min Douglas despediu-se da mãe e saiu. Ângela jantou, tomou banho e foi para o quarto ler um livro.
Pela primeira vez adormeceu antes que o filho regressasse. Um sono tranqüilo e revigorante. Sonhou com o marido e com Diogo, no sonho eles diziam que estavam a espera de alguém muito importante. Que Ângela não deveria desanimar, pois quando sua missão terminasse a família se reuniria novamente. Na despedida um homem alto, forte, bonito chamou Ronaldo de PAI? Como isso era possível? Aquele homem era...
-Alô... Que!?! Não é possível... È mentira, você esta blefando. Quem é você? O que quer? Porque quer me fazer sofrer? Não, não é verdade.
-Dona Ângela, infelizmente é verdade. Eu sinto muito. Ele está morto.
Foi novamente com o toque do telefone que ela acordara. Não acreditava no que havia ouvido. Seu caçulinha estava morto. Levantou-se num pulo, trocou de roupa e dirigiu-se rapidamente para o local. O corpo de Douglas ainda estava no local. Com enorme tristeza cuidou novamente de mais um velório e enterro. Havia ficado viúva aos 35, perdera um filho aos 42 e outro aos 51, sua vida não tinha mais sentido.
Uma semana depois Ângela teve um sonho. Sonhou que seus três grandes amores lhe diziam que tudo estava se encaminhando. Acordou-se sem entender o sentido do sonho. Estava aliviada. Fundara um abrigo para crianças órfãs e apoiava mais dois para crianças com câncer. Três anos se passaram e a solidão só aumentava. Isolara-se na casa do campo, perdida nas boas lembranças. Toda sua fortuna seria destinada há abrigos para menores. Em todo seu tempo se dedicara a cuidar dos pequeninos, lembrar dos filhos, do esposo, de sua vida feliz. Dissimulava a dor perto das crianças, aquelas sim nunca tiveram um pai ou uma mãe presente. Tentara suprir a falta dos mesmos.
Aos 54 anos estava esgotada, numa tarde de domingo sentiu-se mal e faleceu de morte natural. Morte que a libertou.
-Mamãe que bom que chegou. – disse Diogo – como senti saudades de você.
-Bem vinda a nosso novo lar. – disse Douglas com lágrimas nos olhos.
-Querida sua missão acabou, agora estamos todos juntos novamente.
-Estou feliz por ter reencontrado vocês meus amores. – disse emocionada.
Assim, depois de tanto sofrimento Ângela reencontrou os filhos e o homem de sua vida. E do encontro e da nova vida no plano astral descobriu que a esperança do reencontro é que lhe deu “Forças para Viver”.
Notas finais
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