Forças Atrativas

7 Pega de surpresa. - Capítulo 6


A noite passada terminou mal exclusivamente para mim; para os outros e para minha família, terminara tranquilamente. Mas, isso é passado, e eu com certeza esquecerei. Apesar de, às vezes, ou quase sempre, dar importância a momentos embaraçosos e ruins, mas esquecerei.

O dia estava seguindo seu roteiro como de costume. Já passava das 14h00 horas e eu estava sentada, foleando uma revista qualquer, enquanto ao fundo a TV preenchia o silêncio típico das minhas tardes ora parcialmente, ora totalmente solitárias em casa. O tédio parecia absorver a minha força de vontade de mudar tal situação e eu olhava fixamente a tevê sem ao menos entender ou saber qual programa estava sendo exibido. Depois de sair dessa transe hipnótica, eu me deparei com o notebook em cima da aparadeira. Eu ainda não havia acessado a internet e estava levemente desatualizada do mundo virtual. Coloquei para tocar minha playlist favorita enquanto acessava meu e-mail, minhas notificações, mensagens, notícias, blogs...

Quando estamos conectados ao mundo virtual, as horas — se é que existem — do mundo virtual parece não passar, já enquanto as horas do mundo real parecem passar bem mais depressa quando nos desligamos um pouco dele.

Olhei para o relógio e já passava das 16 horas e o meu estômago acordara. Já era tarde, mas não chegara ninguém para socorre-me da fome. O caminho mais rápido e adequado para resolver meu problema era ir até a padaria da esquina. Eu me encontrava desarrumada, com uma cara amassada, de quem ficara o dia inteiro vegetando. Mas é claro que eu disfarcei minhas expressões. Vesti a camisa do Foo Fighters e a uma calça jeans qualquer, penteei o cabelo, lavei o rosto, alinhei as sobrancelhas com os meus dedos indicadores e pintei as bordas dos meus olhos com lápis de olho escuro e para finalizar ajeitei novamente o cabelo, o deixando cair no meu rosto o escondendo em parte. Calcei as sandálias, peguei uns trocados, a chave e sai. Enquanto eu fechava a porta e tirava as chaves da fechadura, mais um alguém colaborava em quebrar o silêncio do corredor e fazia o mesmo que eu, em minha frente, logo quem... O Morgan. Fui pega totalmente de surpresa, despreparada e embaraçada. Mas eu fingi que tudo estava tão normal quanto o silêncio daquele velho corredor e seguir rumo ao elevador, torcendo para que ele ficasse para trás, andei de forma rápida, mas de forma normal, tentando ser normal, o que não é bem o meu forte quando almejo ser. Eu encarava o painel acima da porta do elevador, e para a minha grande amiga infelicidade, o tal elevador se encontrava no térreo e parecia não querer sair de lá. Eu apertava repentinamente o botão para que subisse o mais rápido possível como se isso adiantasse. Mas já era tarde e ele já estava ao meu lado. A sensação era como se eu estivesse em um filme de terror/suspense e a tentativa de fugir do monstro fora fracassado com sucesso e eu teria que aceitar a morte como ela teria de ser.

Ele parou ao meu lado, é claro. A distância que ele estava em relação a mim era um pouco maior do que eu esperava. Parecia que ele estava querendo evitar, ignorar-me, retribuindo da mesma forma que eu, e, por isso, eu não consegui conter a vontade de observá-lo e lancei um breve olhar a ele. Ele suspirou ao sentir o meu olhar sereno e direto, mas fingiu, fingiu mal, e fixou seus olhos em algum outro ponto que eu não pude acompanhar. Eu voltei à posição na qual eu estava há 4 segundos, ele se aproximou, estendeu o seu braço esquerdo e alcançou o botão e clicou no botão "subir". Automaticamente olhei para o painel e o elevador ainda estava no 3º andar e nós no 14º andar. O silêncio em si é constrangedor, mas o silêncio entre duas pessoas conhecidas é constrangedor e torturante. Voltei a olhá-lo e, dessa vez, ele falou. Eu não esperava. Na hora em que vi seus lábios se moveram, eu estremeci e mal pude escutar o que ele havia falado.

Respirei fundo e me virei totalmente para ele.

– Hm? Como?

– Me desculpe, eu disse boa tarde.

– Ah, boa tarde! (risos)

– Sinto que tenho o dever de pedir desculpar à senhorita, sobre ontem, sobre o meu comportamento. Eu não quis lhe constranger, eu não tinha percebido a forma inadequada na qual eu observava voc...

– Não, tudo bem. Não se preocupe. Se alguém tem que se desculpar esse alguém é eu. Fui precipitada ao agir de tal forma. Não era para tanto.

– De jeito algum. Você é uma dama. Merece respeito. Se lhe faltei com tal, minhas sinceras desculpas. Sinto que fui imprudente com a senhorita. Mas, de fato, não foi minha intenção.

– Tudo bem. Isso já passou (risos).

– Eu me sinto melhor ao escutar isso de você. Não quero que fique algo embaraçoso entre nós, pois ainda não nós conhecemos.

– Não se preocupe. Não ficará.

O elevador chegou e nós o adentramos. Ao mesmo tempo nos direcionamos para clicar no botão para descer e rimos de nós mesmos. Este ocorrido inusitado parecia quebrar o diálogo de segundos atrás e nos proporcionar um clima leve. Chegamos ao térreo tão rápido que mal percebemos, deixamos para trás aqueles minutos e nos despedimos. Cada qual seguiu o caminho diferente; Eu fui atrás do meu sonho, na padaria. É claro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.