Forças Atrativas
6 Festa/ Pseudo-comportamento - Capítulo 5
No momento em que pude escapar da situação tediosa e embaraçosa na qual me encontrava, eu escapara imediatamente. Foi um grande alívio retornar à mesa onde minha família estava exceto minha mãe. Victor e papai estavam conversando sobre tal assunto que, no momento em que me juntei a eles, eles não notaram meu retorno. Não hesitei em interrompê-los. O ambiente estava familiar e sereno. A maioria das pessoas indesejáveis que se faziam presente na festa, já não estava mais. Apesar de eu ser alvo da atenção de alguns conhecidos – ou não – minutos atrás, eu estava mais a vontade com relação ao momento, ao ambiente. O único pensamento que ocupava a minha mente naquele momento era em avistar o garçom e pedir-lhe para trazer-me uma bebida – sem álcool, é claro – imediatamente. Quando o avistei, do outro lado do salão, acenei rapidamente para ele, e ele notou-me e veio em direção à mesa na qual eu estava.
– Boa noite, senhorita. O que desejas? Aperitivos, doces, salga[...]
– Não, não querido. Obrigada. No momento só desejo algum tipo de bebida, sem álcool e bem gelada. Estou com sede.
– Entendo. Algum drink favorito? Nosso barman é especialista em preparar qualquer tipo de drink independente da ocasião. Nós estamos as suas ordens.
– Obrigada por tal polidez, meu querido. Mas, no momento, eu prefiro um refrigerante. Poderia me trazer um Sprite?
– Por nada, senhorita. Nosso compromisso é atendê-los da melhor forma possível. Irei providencia-lo imediatamente. Com ou sem gelo?
– Com gelo, por favor. Obrigada. – o respondi com um tímido sorriso, e ele se foi.
Enquanto o garçom seguia rumo à cozinha, ou melhor, ao local reservado somente às bebidas da festa, eu pude observar brevemente tal ocasião e, infelizmente, meus olhos encontram aos olhos dele; o tal novo morador, e, à altura do momento, eu já o considerava bastante impertinente por tal comportamento, minutos atrás, perante a mim. Como se não bastasse o demasiado olhar no qual ele arremessou sem pudor a minha pessoa, ele insistia descaradamente em deixar claro que realmente estava me olhando.
Ser rude e amarga perante as pessoas impertinentes e inconvenientes era algo difícil para mim. Meu temperamento sempre fora considerado por muitos como paciente e carismático. – e talvez fosse – pois tratar quem quer seja de forma pejorativa, era como tratar a mim mesmo.
Mas, seu comportamento inquieto e sua inconveniência, conseguiu atiçar meu mau temperamento que até o momento não existira. Enquanto seus olhos insistentes avaliavam os meus, minhas piores expressões foram a melhor retribuição que eu pude lhe dar. A postura rabugenta, depreciativa, desaprovadora e eminente na qual eu impusera aos olhares dele, não poderiam ser piores. O resultado a partir do meu comportamento fora o esperado. No mesmo instante ele desviara do meu encontro e abaixara a cabeça; cabisbaixo.
Por um momento, eu me senti vitoriosa. Pelo outro — pela grande parte do outro momento — eu me senti mal por tudo aquilo que eu demonstrei demasiadamente.
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