Forças Atrativas
5 Festa - Capítulo 4
A noite passada fora tão boa que, provavelmente, o dia seria feliz para nós. Já estava na metade da manhã, e eu acordara cedo. Pela noite que tivemos, e pelo horário em que chegamos em casa, o simples fato de eu acordar primeiro do que eles poderia ser consideravelmente cedo, mesmo sendo tarde; pois, de fato, eu sempre acordo muito depois que mamãe, papai e Victor normalmente costumam acordar. Da forma que sou sonolenta e atrasada, se houver uma comparação entre nós, no mínimo, eu seria a mais sonolenta e atrasada em relação a eles. Eu sempre sou a última a terminar de fazer algo que tenham me estipulado a fazer. Quando todos já estavam acordados e de pé, o relógio estava perto de marcar 11 horas, e mamãe estava preocupada se preparava algo para nós comermos ou se íamos comer fora. Victor estava indeciso.
Hm, eu não sei – disse Victor com expressões de quem estava perdido em algum planeta. – Pela hora em que acordei, não sei ao certo se, preparo o desjejum, ou espero pelo almoço. Só sei que estou com fome.
– Eu também estou com fome – disse o papai saindo do seu quarto.
– Ah, então vamos nos arrumar e ir a algum restaurante aqui por perto. Está bem? – Impôs mamãe.
Enquanto eles decidiam, eu fiquei sentada, em silêncio, desanimada e, ainda com a roupa de dormir que eu não trocara.
– Helena, minha filha! Você vai conosco? – Disse mamãe com um tom pouco elevado e impaciente.
– Não, mamãe. Estou sem vontade de estar em público hoje.
– Nossa! Quanto desânimo, quanta preguiça...!
– Talvez seja. (risos)
– Você é quem sabe. Eu trago alguma coisa para você.
– Tá bom, mãe.
Enquanto eles saiam lentamente, a vontade de ir com eles por causa da fome, aumentava. Mas o desânimo que a preguiça me contemplara era maior que a vontade de ir atrás de comida. Frustração. Os minutos passaram e o tamanho da fome se multiplicara. O único jeito era inventar algo bom para comer ou simplesmente reaproveitar os restos que estavam armazenados na geladeira e aquece-los a ponto de transformar em algo comestível e saboroso — e foi o que eu fiz.
Quando terminei de lanchar, fui para a sala assistir TV, até o restante de a família chegar. Quando me dei conta que eu acabara de acordar do meu cochilo inesperado, todos já estavam em casa. Mamãe trouxera strogonoff com batata frita e, é claro, que eu fiquei muito feliz. Diante daquele prato de strogonoff parecia que eu não comera nada há poucas horas – talvez – atrás.
No meio da tarde, mamãe avisou que teria uma comemoração no salão de festas em nosso prédio, e que nós fomos convidados a comparecer. Mamãe, no mínimo, deveria ter avisado isto há dois dias, mas, pelo visto, parece que ela adora nos pegar de surpresa, e eu odeio isso.
De repente, já estava no comecinho da noite, e mamãe se arrumava enquanto os homens da casa assistiam algo na TV. Eu, como sempre, indecisa sobre o que vestir. Não sabia se ia de vestido ou com uma calça jeans e camisa preta. O ultraje a ser usado na festa não fora definido e isso era um tanto complicado para mim, pois eu não tinha a noção de que tipo de festa se tratava. Os vestidos elegantes, formais e discretos não estavam em harmonia com a minha autoestima e, além do mais, meus traços e comportamento se encontravam inferior aos mesmos. Já que eu não me encontrava apta a demonstrar o que a ocasião deveria exigir, eu decidi não exigir de mim o que eu não tinha condições de oferecer; fui com um ultraje simples, mas formal e discreto.
Ao chegar à festa, todos estavam sociáveis e confortáveis. Meu ultraje não estava acima e nem abaixo do que a festa exigia ou do que os outros convidados trajavam; fiquei mais à vontade com relação a isso. O motivo da tal festa era a comemoração dos dez anos de Monte Castelo; por isso a maioria dos residentes do prédio se faziam presentes na festa, inclusive o novo morador, o Morgan. Após todos nós olharmos para os quatros cantos do salão sem prestar alguma atenção, nos sentamos. Logo em seguida, nossos vizinhos mais íntimos vieram nos cumprimentar e, também, ao mesmo tempo, os garçons nos serviram com docinhos e salgadinhos com direito a champanhe, refrigerante e outras tipos de bebidas.
Após os discursos regados de toda a simpatia e orgulho que os tais “administradores” ostentavam por manter o Monte Castelo, um bom local para se morar; o falatório, as gargalhadas das senhoras e cochichos das mesmas, estavam soltos no salão de festa com direito à música ao fundo. Mamãe não estava à mesa conosco; ela estava em um dos cantos do salão, acompanhada das vizinhas mais antigas, entregue ao assunto que elas conversavam rigorosamente entre si. Papai queria a mãe conosco, mas pelo modo em que elas conversavam entre si, ele notou que seria vão em interromper. Quando voltamos à atenção para entre nós e iniciamos uma conversa, mamãe berrara meu nome e eu percebi qual era a sua intenção. Fui ao encontro do grupo e cumprimentei em geral a todas — inclusive a quem eu, ao menos, não notara que estava junto delas — o Morgan.
Recebi diversos elogios e perguntas da mulherada mais velha do prédio e a temperatura do meu rosto ficava cada vez mais elevada enquanto o tal novo morador observava e avaliava-me. Que chatice. Como eu queria que o papai, ou que Victor me chamassem naquele exato momento.
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