Força Especial da Marinha
4 O começo da morte
Notas iniciais
Depois de Santa Catarina tivemos dois dias de folga para que os que lá embarcaram pudessem se localizar, mais uma menina viera para nosso quarto, se chamava Mandela, era alta, loira os olhos verdes, muito bonita, Laila logo se aproximou da moça e então formamos um trio que andava para todos os lados juntas.
- Você irão receber as informações agora. — uma mulher abriu a porta de nosso quarto e gritou.
Corrigimos nossas posturas, respiramos fundo e saimos, no centro do navio vários homens com nossa idade, outras meninas, mas eramos minoria, mais ou menos três de cada um dos vinte e seis estados mais o Distrito-Federal. Eu estava suando de nervosismo, antes de estar ali parecia tudo ser uma boa ideia, mas agora, não vejo assim.
- Certo — todos estavam em fila — Agora que vocês passaram pelo mais fácil torço para que estejam preparados mentalmente para esta parte, conforme forem desclassificados e ou desistindo um helicóptero irá vir buscá-los. Caso precisem de atendimentos médicos temos cinco a bordo. — o homem que falava não parecia ser muito mais velho do que nós, talvez quatro anos a mais ou nem isso, mas já era nosso superior, capitão alguma coisa, eu não consegui ver — Vocês têm ao lado de seus nomes nos crachás números de identificação. Estão com sorte, hoje não temos nenhuma atividade agressiva apenas limpeza e preparo de alimentos.
"Irei chamá-los e espero que venham até a frente, serão cinco, dois par ao preparo do jantar e três para limpeza dos quartos e banheiros." ele pegou uma folha e olhava os números, se tinha os nomes eu não sei "12436" eu olhei, não era eu, mas sim um menino que estava na primeira parte da mesma fila, era alto, ombros largos, não pude ver nada mais do que isso "13457" olhei, sou eu. abri espaço e me posicionei ao lado do menino, me sentindo minuscula. "12439" era uma menina alta e com porte atlético, ela parou ao meu lado, continuei me sentindo minuscula "12658" um menino não muito alto, mas pelas roupas justas era bem forte "13458" um outro menino alto e forte. Paramos em fila, o capitão passou nos encarando, me olhou de cima a baixo, eu sabia o que ele pensava, continuei séria e não me deixei intimidar pelo olhar "Vocês dois primeiros" eu e o menino demos um passo a frente "Espero que saibam cozinhar bem, estamos todos famintos"
- Capitão. — eu chamei, todos pareceram surpresos, ele veio até mim e parou a minha frente.
- Algum problema Marinheira 13457 — ele falou sério.
- Quantos somos, no total? — ele pareceu surpreso com a pergunta — Para sabermos o quanto preparar, assim não ocorre falta ou desperdício de alimentos.
- Muito bem — ele levantou uma das sobrancelhas — estamos em duzentos, marinheira, espero que esteja dizendo a verdade quanto a comida, dispensados.
- Obrigada — bati continencia junto ao menino e saimos andando, quando entrei na cozinha relaxei os músculos, o menino me olhou.
Ele sorriu e começamos a separar as panelas.
- Eu faço o arroz, minha mãe diz que sou ótima nisso — ele rio — Yeva Drovy — falei me apresentando, tinhamos dobrado as mangas das camisas para que não ficassem sujas.
- Yago Silva. — ele sorriu — Certo, eu cuido da mistura, vi frango na geladeira e carne, também.
- Será que tem algum vegetariano? — ele me olhou — Se tiver teremos de pensar em algo.
- Quero cozinhar sempre com vocês. — ele falou rindo.
Começamos a preparar tudo, o Capitão apareceu acompanhado de outros dois. Acompanhou nosso serviço, o quanto de comida fazíamos.
- Irão preparar um cardápio? — ele perguntou nos olhando, eu terminava de arrumar a salada e levar para a geladeira.
- Se for possível, ficaria melhor para nos encontrarmos — Yago falou, o Capitão nos estendeu um cartaz — Yeva, você escreve?
- Pode ser, digo, claro. — eu balancei a cabeça de forma nervosa, fui para uma das mesas, pude observar os olhos sobre mim. Comecei a listar tudo e entre parenteses a descrever o que tinha em cada coisa, separei em frios e quentes. — Yago — eu falei chamando-o de canto — Não temos bebidas.
- Deixa comigo — ele sorriu — Anote suco de laranja e mangá.
Anotei.
Terminamos e havia acabado de dar seis horas. Olhei para o capitão, ele parecia satisfeito com nosso trabalho.
- Posso chamar todos para o jantar? — ele perguntou, confirmamos. — Terão de servir a todos, pelo menos uma vez.
Nos entre olhamos. Separamos de forma que um colocava pelo menos duas coisas, o feijão e o arroz eram o meu trabalho, a mistura e a salada de Yago, as bebidas deixamos aberto para quem quisesse pegar, apenas as repunha. Terminamos de servir a todos, colocamos o nosso e sobrou um pouco de comida, mas nada muito significativo que com o primeiro que repetisse talvez acabasse.
- Um prazer cozinhar com você — falei me despedindo de Yago.
- Digo o mesmo — e cada um se juntou com um grupo.
Eu estava faminta e percebi assim que dei a primeira garfada.
Depois levamos todos os pratos ao lixo, eram descartaveis e o mesmo com os copos, tinhamos de deixar tudo limpo, mas cada um cuidava de sua sujeira.
Cada um foi para sua cabine, nos deitávamos cedo. Eu não sentia sono, em nosso quarto tinha apenas um homem que era um Primeiro-Tenente que deveria ficar de guarda em nós, pelo que eu entendi em cada quarto havia um então ao todo eram vinte e sete desses guardando todos os quartos.
Deixei meu abajur ligado e peguei um dos livros, comecei a lê-lo, não sentia sono.
- Marinheira 13457 — eu o olhei — deveria estar dormindo.
- Estou sem sono, senhor. -falei ainda deitada, minha voz saiu abafada.
- Sem sono? — ele se sentou — Todas estão acordadas? — as meninas se sentaram, eu as olhei, elas sorriram. — Então irei fazer com que se cansem — nos entre olhamos. — Troquem-se e subam comigo. — ele ficou esperando de fora do quarto, colocamos as roupas que foram designadas para esportes.
Ele seguiu junto de nós, na proa havia um espaço vazio com apenas alguns equipamentos, ele colocou as mãos para trás e fitou nós três.
- Vinte abdominais. — ele começou — Vamos, rápido, irei cansá-las até que digam sentir sono.
- Você pode fazer isso há essa hora? — Mandela questionou.
- Rápido. — ele falou mais rude.
- Um — começamos — dezoito, dezenove, vinte. — olhamos para ele.
- Cansadas? — negamos — Vinte flexões. — começamos. — Cansadas?
- Eu estou — Mandela se jogou de encontro ao chão.
- Mais vinte.
- Mas...
- Mais vinte, marinheira.
Fizemos, meus braços tremiam, eu não era boa com flexões.
Um grupo juntou-se a nós, eram três meninos que estavam sendo guiados por uma Segunda-Tenente, ela cumprimentou o superior e logo começou a gritar ordens que faziam minha mente confundir o deles com a ordem que eu recebia.
- Cansadas, marinheiras? — ele perguntou.
- Senhor, estamos com sono. — Laila falou assumindo nós duas em suas costas — Temos a permissão de retornarmos a nossa cabine?
- Dispensadas.
Olhamos para os meninos que pararam a flexão para se despedirem e logo voltaram, Laila tomou banho, depois Mandela e eu por fim.
Joguei meu corpo no colchão, o Primeiro-Tenente entrou, olhou nós três e se arrumou para dormir, ele não podia entrar até que as três estivessem prontas, porém tinha de se arrumar com nós lá, imagino se algum dia ele esquece de levar a roupa lá para dentro o quão legal seria.
Dormi como pedra.
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