Notas iniciais
Achei que já estava na hora disso acontecer, e acho que posso informar que com isso a história já está quase no fim, é uma pena porque me apaixonei pelos Charles e pela Yeva, mas nem tudo pode durar para sempre.

Os meninos desembarcaram, estavam diferentes desde a última vez em que me encontrei com eles, a família do capitão Albart também estava ali, disseram que assim que souberam que eu estava de volta a Europa queriam me encontrar a qualquer custo. Não fomos para a base, andamos pela cidade sendo guiados por Charles.

– Yeva — a viuva e a filha de Albart me chamaram em um canto do restaurante — Nós pensamos muito e pensamos em te dar isso -me estenderam a correntinha que o capitão pedira para eu guardar e dar a elas — Você a salvou, nós temos muitas coisas para lembrarmos do meu marido, e achei que você ter uma lembrancinha não iria arrancar pedaço.

– Sou muito grata — falei pedindo para que a filha colocasse em mim — Estou feliz em saber que estão bem depois de tudo.

– Sim — a filha pediu para eu soltar o cabelo — ele se tornou um herói nacional depois de tudo, nós recebemos bastante e mais o meu trabalho e da minha mãe juntamos dinheiro e criamos uma fundação que ajuda crianças — eu sorri para elas — Achamos que tinhamos de fazer algo para meu pai que sempre gostou de crianças e essa foi nossa melhor ideia.

– Fantástica!

Nos juntamos aos outros e contavam de como tinha sido a recuperação, estavam tão bem quanto eu. Não tinham continuado na carreira militar, mas ainda assim trabalhavam, um deles era gerente de um restaurante e o outro era um grande executivo, todos nós conseguimos seguir bem nossas vidas.

Eles estavam ali para um evento que lembraria o capitão Albart e nos chamaram para representar o grande evento. Charles parecia ter se dado bem com os dois ex-militares e com as mulheres, o cpaitão mais ficava nos escutando do que interagindo.

– Você está bem? — perguntei apertando seus dedos com os meus, ele afirmou meio timido.

– Só estou preocupado — eu o olhei confusa — Você irá acender toda a memória do acidente novamente, isso me preocupa e muito.

– Você se sente culpado, ainda. — falei e apoiei minha cabeça em seu ombro — Charles — ele me olhou e sorriu, estavamos voltando a nos dar bem e isso me alegrava e a ele também — isso não foi culpa sua — eu o beijei, ele me olhou e sorriu, mas logo ficou sério, acompanhei seu olhar Charles nos olhava, eu sorri para ele que acenou levemente, eu conhecia aquele aceno, ele estava feliz em nos ver bem novamente — Ele está feliz por nós — eu me virei para o Capitão.

– Parece com ciúme — ele torceu o rosto, eu ri da expressão e baguncei seu cabelo de uma forma boba.

– Vamos, então? — eu me levantei — Vocês têm de descansar da viagem, amanhã será um dia cheio para todos nós.

Charles dirigiu até a base onde todos ficariam, tinhamos conversado com os superiores responsáveis pela base e assim que ouviram a história ficaram felizes em poder abrigar os sobreviventes. Os levei até os dormitórios, e apresentei o lugar.

– Juares — eu bati na porta de seu escritório, mandou que eu entrasse, ele não estava na folga — Tenho que te apresentar duas pessoas — falei e mostrei os dois.

– Capitão — os dois baterão continência, ele me olhou e depois para os dois parecendo reconhecê-los, me olhou novamente.

– Eles são... — confirmei — Então você é... — confirmei sorrindo, ele estava surpreso — Como não a reconheci? Quero dizer, caramba! — eu ri dele — Eles estão emm nossas instalações? — confirmei — Ótimo, depois quero conversar com vocês.

Ao cair da noite fui caminhar pelo campo de treinamento, estava uma noite agradável, sentei na quadra, me lembrei da Holanda, de quando reencontrei Charles, de quando comecei a seguir fortemente a missão, como comecei a me envolver com o Capitão, como o acidente ocorreu, estremeci com as lembraças. Pensando bem, eu já tinha passado por bastante coisa para alguém ainda considerada nova. Mas lembrei que o Capitão Charles tnha uma bagagem ainda maior que a minha e não era muito mais velho, mas era a minha inspiração para estar ali naquele instante.

– Yeva? — olhei para Charles, ele se sentou ao meu lado — Perdida em suas lembranças — confirmei — Muita coisa já aconteceu.

– Não tantas quanto eu gostaria — falei e sorri para ele — Mas me fala e você e a Camilla, estão bem, vão casar, pretendem ter filhos?

– Nos casar sim, ter filhos, acho que ainda é muito cedo para isso — ele sorriu.

– Não era o que você costumava me dizer — eu ri e ele também — 'Quando eu tiver meus 24 terei dois filhos, um menino e uma menina, a menina vai ser igualzinha a você e o menino será jogador como eu' — eu engrossei a voz imitando-o em nossa época de namoro.

– Eram outros tempos — ele me olhou — E vamos combinar que você seria melhor mãe do que a Camilla — senti minhas bochechas corarem o que o fez rir — Sério, ela é meio maluca, não que você seja a pessoa mais normal do mundo — eu ri — mas ela é, nossa, ela é maluca.

– Suas fãs adorariam saber disso — ele riu — Mas acho que ela ia gostar de saber que você gostaria de algum dia ter filhos, sabe, ela parece ser daquelas que o único sonho é se casar e ter filhos. — ele concordou — Mas... — ele me olhou — acho que você seria um ótimo pai, quero dizer, você lembra como meus priminhos te adoravam? — ele confirmou — Seria um pai-coruja.

– Não diferente de você — eu ri. — Mas Charles não parece ser dos mais paternais.

– Não o culpo — eu apertei minhas pernas contra meu peito e deitei o rosto nos joelhos olhando para o jogador — Ele sofreu bastante quando crianças, teve de amadurecer muito rápido.

– Fico surpreso que vocês ainda se deem tão bem — ele falou.

– Sério? — olhamos o Capitão que se sentou ao meu lado e me abraçou — Eu não pareço paternal?

– Não. — Charles repetiu sorrindo — Imagino você pegando o boletim do seu filho e "Duas notas baixas, vai 100 flexões e 50 abdominais" — ele engrossou a voz e a deixou firme, nós rimos.

– Eu sou bom com crianças — o capitão se defendeu — Você verá.

– Eu verei? — eu o olhei de baixo, Charles o olhou parecendo captar algo que para mim foi impossível, os dois trocaram olhares.

Fomos nos deitar, no dia seguinte eu estava suspensa das atividades militares para poder acompanhar os holandeses pelo projeto em que iriamos homenagear Albart.

Vários reporteres já nos agurdavam quando chegamos ao local, Juares nos acompanhou curioso pelo evento, Charles e o Capitão nos acompanharam também, seria transmitido internacionalmente o que me deixava insegura, minhas mãos suavam. Eu usava uma calça e uma camisa social, o cabelo preso com umas mechas soltas a frente, uma maquiagem leve.

– Boa-sorte — o Capitão me beijou, eu agradeci e segui o quarteto que já iam para a coletiva.

Várias perguntas eram feitas sobre o evento, queriam levantar todas as informações que a muito eu não fazia questão de me lembrar, levei a mão até a correntinha que fora de Albart, um gesto instintivo. Perguntaram:

– Como se sentiram quando oabandonaram e deixaram para morrer? — nós três nos olhamos.

– Nós não o abandonamos — um deles falou — seguimos sua ordem, nos salvamos para salvar o país.

– Mas não brigaram com ele?

– Yeva chegou a discutir — o outro falou e todos me olharam — mas ele estava decidido a se sacrificar por nós e pelo país dele, se não o tivesse feito nossa missão teria falhado e isso aqui não estaria acontecendo.

– Mas ele era o companheiro de vocês, como puderam deixá-lo?

– Sei que parece difícil de entender- eu comecei — mas garanto que agir e deixar um companheiro é mais difícil do que simplesmente nos questionar sobre nossas ações. A morte de Alb... Capitão Albart não foi fácil de superar, eu mesma, tive pesadelos durante tanto tempo que é até difícil falar sobre eles, mas agradeço tanto a ele, porque sei que depois do ocorrido nada irá me parar — Juares me olhou — O acidente fez com que eu crescesse e sei que aos meus companheiros aqui presentes também — eles confirmaram — Então, dizer que abandonamos o nosso Capitão é cruel demais, nós seguimos as ordens de nosso superior e hoje carregamos as consequências disso.

Um silêncio e outras perguntas começaram a ser lançadas.

Depois fomos a uma exposição de fotos que retratava o Capitão, a viuva e a filha se emocinavam com aquiilo e eu e os meninos não era diferente, no final tinha-se uma filmagem, era de um momento bem antes do acidente, o Capitão não estava com roupas militares, era um dia de folga e ao fundo eu e o Capitão Charles apareciamos, senti meus olhos se encherem com lágrimas, depois os dois ex-marinheiros apareceram e eles também se emocionaram, o Capitão sorria com todos e bebia uma cerveja, o vídeo acabou e todos nós limpavamos as lágrimas que escorriam, a imprensa foi saindo e nós fomos ficando.

– Yeva? — o Capitão Charles me chamou, Charles, e os ex-marinheiros estavam com ele.

– Sim...

– Capitã Yeva — ele sorriu, Juares se juntou a eles curioso — Capitã Yeva, aceita se casar comigo? — eu fiquei parada, o encarando, Juares estava surpreso e os outros sorriam.

– O... O quê? — eu olhei Charles — O que é isso?

– Um pedido de casamento — o Capitão estava ajoelhado a minha frente e tinha pego minha mão, eu olhei, minhas bochechas coraram.

– Não vai responder? — o jogador falou rindo.

– Isso, é sério? — o Capitão confirmou meio desajeitado. — Ai Caramba! — ele riu do meu susto, eu me ajoelhei a sua frente, ele ficou confuso — Claro que eu aceito.

Eu o beijei, ele sorria e me apertava profundamente, colocou o anel em meu dedo e sorriu satisfeito, eu tremia surpresa, não sabia o que dizer a ele.

– Você sabia? — olhei o jogador, ele sorriu — Por que não me contou?

– Fiquei sabendo a noite — os sorrisos, era isso. — Charles — ele falou sério, o Capitão o encarou — se você magoar a pequena Yeva eu juro que arranco seus dentes na porrada. — ri.

– Não se preocupe, se eu a magoar, eu mesmo irei arrancar meus dentes — ele me beijou enquanto sorria.