Fool

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Minha primeira fic aqui no site, também postada no Spirit
Espero que gostem ♥

— Bom dia, Gui.

Senti um arrepio ao ouvir a voz dele e inevitavelmente sorri, como estou fazendo sempre perto dele. Ah meu deus, eu sou tão idiota.

— Oi Gabs.

O conheci recentemente, embora estudássemos juntos há anos. Foi mais ou menos assim:

Flashback on

— Oi – ele disse, me pegando de surpresa.

— Oi – respondi sem graça, nunca havíamos nos falado e eu não sou exatamente popular...

— Poderia me emprestar uma caneta? – ele deu um sorrisinho amarelo – Eu esqueci de trazer meu material.

— Claro, claro, empresto sim – eu sorri, o mais simpático que eu consegui.

— Ah, você gosta de Red Velvet? – Ele apontou para o meu estojo personalizado (por mim mesmo).

— Siiiim! – Eu me animei subitamente, Red Velvet é apenas meu grupo mais favorito de todos!

— Eu gosto muito também – ele sorriu grandemente e eu sorri tanto quanto.

Começamos a tagarelar sobre RV e acabamos virando amigos desse jeito. Desde então, estamos cada vez mais próximos.

Flashback off

Mas, ultimamente, fico sempre nervoso perto dele, uma sensação muito estranha. É como se eu estivesse no céu, mesmo sem tirar meus pés do chão.

— Hey, Guilherme – Gabriel estava estalando os dedos na minha frente, tinha uma expressão de confusão que logo se tornou de alguém que está achando graça quando eu foquei meu olhar nele – Você está aí, olhando para a minha direção e sorrindo igual um idiota. No que estava pensando?

— Em nada, vamos andando – eu falei, tentando não gaguejar e sentindo minhas bochechas corarem – Rápido, vamos acabar nos atrasando.

Ele me olhou, gargalhou, e começou a andar. Eu abaixei a cabeça, envergonhado e andei do lado dele. Não pude evitar sorrir.

Andamos em direção à escola. Nossas casas são mais ou menos próximas e andamos pelas mesmas ruas para chegar no colégio, então estamos indo juntos desde que nos aproximamos.

Já na escola, sentamos um do lado do outro, como nos acostumamos depois que criamos amizade (ele sentava atrás de mim, quase no final da fila, enquanto eu sempre sentei bem no começo) e tiramos os materiais da mochila, nos preparando para a primeira aula, que seria de matemática.

Eu sempre gostei de matemática, mas o Gabs não, pois tem bastante dificuldade. Eu tenho tentado mostrar para ele a beleza da matemática, e acho que até estou tendo algum progresso, ele parece até ficar ansioso para a aula, assim como nossa professora, que adora o fato de eu estar o ajudando a tirar notas mais altas e sempre nos deixa juntar nossas carteiras, para sentarmos bem próximos.

Só que hoje não poderemos sentar juntos, é dia de prova. Mas eu não to conseguindo me concentrar. Na minha cabeça só consigo pensar naquele sorriso perfeito do Gabs, no jeito que olho para ele, em como me sinto perto dele... Encaro minha prova e mordo o lábio inferior. Nem mesmo os números que eu tanto amo parecem estar do meu lado, até olhando para eles eu lembro de Gabriel. Noto que a professora está distraída e direciono meu olhar para ele, que está no lugar ao meu lado, porém com uma certa distância.

Ele também está olhando pra mim, me faz um sinal de que tudo vai dar certo e sorri, esticando sua mão para tocar a minha, movendo os lábios sem emitir som dizendo que tudo vai dar certo, se voltando para sua prova logo depois, desvencilhando nossas mãos. Eu pego o lápis e, com o coração acelerado, faço os exercícios.

Ao chegar em casa, retiro quase toda minha roupa e me jogo na cama, dormindo por algum tempo. Dormir à tarde é um costume que peguei desde que comecei a estudar de manhã, e me faz muito bem.

Sonhei que estava com Gabriel, apenas nós dois em um jardim, de mãos dadas, sorrindo um para o outro. Senti uma sensação inexplicável no meu coração.

Acordo duas horas depois, e quase na mesma hora meu celular toca. Atendo sonolento, sem nem olhar quem é que me ligou.

— Alô?

— Oi Gui, você ta com voz de sono... eu te acordei? Posso ligar mais tarde se você preferir.

— Não! – exclamei mais rápido e mais alto do que deveria, não queria que ele desligasse, mas não deveria deixar isso tão na cara. Idiota – Quer dizer, não, eu tinha acordado há uns minutos.

— Ah sim, que bom. Eu liguei para... – ele pareceu hesitar, como se estivesse pensando no que falar, ou melhor, pensando se deveria falar – Saber como você foi na prova, nós acabamos falando sobre outros assuntos e esquecendo de comentar sobre ela.

— Verdade – eu respondi, já bem mais desperto. Durante o dia eu fiquei tão disperso com o toque das nossas mãos que esqueci de tudo – Eu acho que fui bem, e você?

— Você deve ter gabaritado, isso sim – ele deu uma risada leve e eu sorri – Eu usei tudo que você me ensinou, então acho que também fui muito bem. Você sempre me ajuda muito...

Eu sorri mais ao ouvir isso, mas não soube o que dizer. Ficamos alguns segundos em silêncio, eu podia ouvir a respiração dele e só isso fazia meu coração palpitar mais do que o normal.

— Bem, Gui, eu tenho que desligar. Obrigado por tudo. Tchau.

— Tchau, até amanhã – disse e desliguei.

Coloquei o celular no meu peito e olhei para o teto. Estava, mais uma vez, sorrindo igual um idiota.

Não há mais dúvidas. Eu estou apaixonado pelo Gabriel.

Dada a constatação do meu amor, eu me levantei da cama, coloquei meu grupo e música favoritos, Fool do Red Velvet, e passei a cantar e dançar, como se eu estivesse nas nuvens. É assim que eu me sinto só em pensar nele.

No outro dia, mais uma vez, nos encontramos na ida para a escola.

— Oi Gabs – eu disse primeiro.

— Oi Gui – ele me olhou sorrindo.

Nos encaramos por algum tempo, trocando sorrisos e olhares profundos.

— Parece que não sou só eu que fico sorrindo pro nada igual a um idiota – quebrei o silêncio, brincando.

Ele sorriu mais para mim, e eu senti como se nossos corações estivessem batendo em sincronia, como se nossos sentimentos fossem iguais. Eu sou um idiota, mas um idiota extremamente feliz.

— Vamos, ou então nos atrasaremos – ele disse, se pondo a andar do meu lado.

— Certo – respondi simplesmente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!