Notas iniciais
Este é o ultimo capitulo, espero que gostem.

‘Eu olhei para o céu. Estava achando estranho essa variação de tempo. A chuva insistia em aumentar as forças das suas gotas em meu rosto gélido. Eu caminhava vagarosamente. Sem pressa de chegar ao meu destino. Passei a mão uma coisa retangular e mármore. Lá tinha uma foto de um garoto lindo junto com uma turma de amigos. Eu fitei o chão por alguns minutos enquanto me apoiava na coisa retangular.’

“ Eu cheguei no hospital totalmente tremula. Não deixaram eu entrar na sala de emergência com ela. Sentei naqueles bancos desconfortáveis e o som daquele relógio grande e velho na minha frente me enfurecia. Eu comecei a suar frio. Não sabia a situação da Patrícia. Isso estava me deixando louca até eu me assustar com o som do meu celular.
— Essa não... Nichole ! – atendi o telefone no segundo toque.
— Me diz que tudo isso é mentira Fer. Ella não fez isso e aquele canalha não bateu nela – A voz da Nick soava rouca. Era isso. Sergio tinha ido a casa dela e tinha tratado de contar tudo.
— Sergio já te contou... Nick, vem pra cá. Eu to... – Ela não me deixou terminar.
— Eu estou na porta do hospital! – Ela desligou o telefone enquanto eu me levantava do banco e via ela andando apressadamente. Ricardo a acompanhava com as mão nos bolsos da calça e um rosto aflito.
Ela me deu um abraço arrochado de um minuto. Eu não sabia que o que poderia acontecer. Mais ela estava lá comigo.
— Fer. Sergio... bem. Ele disse que tinha umas coisas a resolver. Eu não queria te contar isso vai te deixar mais aflita. Ele foi na casa do Jefferson.
— COMO É? – Eu apertei meu próprio punho e ela me apoiou com seu braço.
— Eu não sei o que ele foi fazer, eu também estou preocupada.
— ELE BATEU NA PATRICIA, ELE PODE MATAR O SERGIO – Eu gritei o mais auto que pude enquanto pegava meu celular. Eu via a expressão aterrorizada nos rostos de Nick e Ricardo.
Eu liguei dez vezes seguidas. Ele não atendia. Eu já estava louca, estava em pânico. As lagrimas caiam seguidas e eu não podia controlar.
Nick me abraçava.
Até que eu vejo ele entrando pela porta. Meu coração num impulso quase incerto saltou com tudo para meu pescoço e eu corri o mais rápido que pude para lhe abraçar.
Ele me abraçou com a mesma força que eu o abracei.
— Como você esta amor? – Eu chorava desesperada. Ele estava bem.
— Eu dei um jeito nele. Ele nunca mais Vai se meter com a Patrícia de novo. – Eu me assustei.
— Calma... Eu o ameacei. Eu sei que ele trafica as drogas pra essa cidade e eu vi armas na casa dele. Eu o ameacei para a policia.
— Eu vou contar mesmo assim. – Eu trinquei os dentes
— Nós juntos. Eu só queria amedrontá-lo. – Eu segurei com força a mão dele enquanto caminhava para perto das duas pessoas sentadas ainda no banco. Nick fez uma cara de alivio ao ver Sergio sem nenhum arranhão
— Ainda bem que ele não te machucou Sergio.
O medico abriu a enorme porta da sala de emergência. Seu rosto me assustava. O que será que tinha acontecido?\"

‘ Pela a primeira vez eu olhei em volta do lugar onde eu estava. Estava só olhando para frente. Vi que não tinha chegado ninguém ainda. Eu preferia assim. Sozinha naquele enorme espaço vazio... Quer dizer. Naquele enorme espaço cheio de gente. Eu estava chegando bem perto. Já sentia o cheio das rosas que eu sempre trago. Isso me fez sorrir’

- Ela esta bem – Eu soltei minha respiração de uma vez junto com a Nick. Engraçado que juntas nós choramos abraçadas e sorrimos
— Posso vê-la? – Dissemos em uni som.
— Sim. Ela estava acordada. Só esta um pouco atordoada, antes disso preciso contar uma coisa. Analisei alguns exames e eu pedi um exame de sangue, eu não confirmei nada ainda por que o exame não esta pronto , mais pela expressão, olhos avermelhados e outros fatos, sua amiga estava ingerindo Craque.
— ... – Eu fitei o chão. Eu não queria acreditar de nenhuma forma que ela estava fazendo aquilo. Fechei meu punho e me levante violentamente até ver Patrícia sentada naquela cama. Eu estava furiosa. Eu a abracei com tanta força que por um segundo a vi sentir falto do ar·
— Nós vamos conversar seriamente moça. Primeiro vou deixar você se recuperar – falei friamente enquanto via Nichole a agarrar pelo pescoço.
Patrícia estava fria. Seu rosto não mostrava emoções e isso estava me preocupando

- Eu vou ficar aqui na casa dela amor. Amanhã agente se fala Ok? – dei um beijo caloroso no Sergio e ele se foi.
Apoiei um dos braços fracos de Patrícia em meu ombro e Nichole apoiava o outro braço no ombro dela.
Chegamos em seu quarto e eu deixei ela repousar sua cabeça em minha perna. Ela ainda não mostrava nenhuma emoção no seu rosto.
Nichole segurava sua mão e quebrando aquele silencio idiota eu fui direto ao assunto.
— Você nunca mais vai ver aquele garoto – Eu praguejei como se fosse a mãe dela.
— Eu me tornei dependente dele... Ele é meu amor. Por que vocês não entendem? – Eu mordi meu lábio. Como ela se atrevia a dizer isso? Depois de tudo que aquele canalha tinha feito? Nichole se exaltou.
— Você se tornou dependente dessa porcaria que você tava usando. – eu via a raiva queimando nos olhos dela. Patrícia se sentou na cama fitando nossos rostos. Por alguns segundos ninguém falou nada. Parecia que estávamos nos comunicando por telepatia.
— Isso estava me ajudando a largar dos meus problemas. Só ficava bem com ele quando usava drogas. É a melhor sensação do mundo. — eu queria bater de verdade na cara dela. Mais recuei minha mão enquanto via Nichole tremer um pouco. Eu respirei fundo enquanto ela se levantava. Nichole foi para sua frente e eu segurei seu braço.
— Você precisa escutar. – Eu dei uma pausa pra olhar seu rosto. – Eu estou me sentindo o pior lixo do mundo por fazer você recorrer para a pior porcaria do mundo em vez de recorrer a mim e a Nick.-Ela abaixou a cabeça e eu levantei apoiando meu dedo na sua testa.
— Eu não terminei. Você sabe o que foi ver você largada num beco escuro e sujo? Eu nem sem descrever o que eu senti naquele momento, se o Sergio não tivesse lá eu tinha desabado com você. – Eu dei uma pausa e Nick prosseguiu.
— Você vai largar todas essas coisas que estão te fazendo mal. Eu e a Fer vamos de ajudar sempre. Por que apartir do momento em que nós nos vimos você sabe que se tornamos uma. E uma amiga nunca abandona outra. – Eu continuei:
— Você sabe que o amor que agente sente por você vale mais do que qualquer palavra aqui. Eu sei que você pode sentir. Nossa amizade é tão pura quanto qualquer outra e não vamos deixar você cair. Por que se arrancarem um pedaço de você, levam um de nós também.
Patrícia estava tremula e as lagrimas caíram. Ela abraçou a mim e a Nick que me fez chorar também. Eu nunca vou esquecer daquela cena. Nós três abraçadas expressando tudo que uma amizade significa. Tudo que sempre significou e sempre vai significar.

‘ Eu preparei aquilo com minha alma. O lugar delas era o mais bonito de todo aquele lugar. Eu andei mais apressada , e a chuva parecia ter acabado, estava um pouco nublado ainda , mais os primeiros raios de sol queriam fugir. E iluminaram as fotos das pessoas mais importantes da minha vida. Eu sorri. Elas estavam lá, olhando pra mim.’

Cinco meses se passaram , e nossa amizade parecia não ter um fim. Quanto mais nossa amizade fortalecia, mais meu amor pelo Sergio também.
Eu e a Nick concordamos em ajudar Patrícia em largar o craque, e ela estava indo muito bem. Quando se tem um apoio às coisas se tornam muito melhores. Ela nem sabia mais o que era essa dependência. Aliás, ela ajudou a prender o idiota do Jefferson. Ele esta lá já faz Quatro meses e ela sentia orgulho disso. Eu e a Nick arrumamos um cara muito melhor pra ela. Pedro é a pessoa mais doce e gentil desse mundo, e vejo que ela era feliz com ele.
Eu propus uma viagem, em comemoração a nossos dois anos de casadas (Era assim que agente se tratava, um casamento amigoso)
Agente ia para Fernando de Noronha. Sergio, Ricardo e Pedro teriam que aguardar três semanas sem nossa companhia. Matando a saudade pelo telefone. Era algumas horas de carro, nós estávamos nos divertindo muito. O carro estava cheio de confetes e maquiagem espalhados pelo banco. Eu dirigia animadamente e elas brincavam no banco traseiro.
Nós cantávamos auto a nossa banda favorita – Paramore
e ainda a musica favorita também – That’s What you get.
Nick fazia a bateria imaginaria, Patrícia a guitarra e eu era o solo principal. Riamos e cantávamos feito loucas.
Daí eu não sei por que, essa parte que eu nunca me lembrei. Patrícia tocou no nome do Jefferson. Algo como “Saudades”. Eu só me lembro que fechei a cara. E Nichole ficou furiosa. Começou a falar coisas impróprias e quando eu vi elas estavam brigando de verdade.

‘Meu coração estava disparando ao lembrar disso. Minha respiração estava ofegante e eu me apoiei naquela enorme arvore cerejeira , eu fechei meus olhos para ver a imagem terrível da minha vida’

“Eu tive a infeliz idéia de olhar para trás e pedir para que elas paracem. Minhas frases foram as seguintes.
— Isso não vai mudar o fato de que nós somos as melhores amigas. Nosso amor não vai acabar por causa de um maconheirinho tudo bem? – e então um caminhão chocou violentamente na traseira do meu carro. Eu escutei os gritos desesperados dela enquanto uma luz imensa atravessava meus olhos. Uma luz branca. Escutei umas batidas fortes e por fim meus olhos se fecharam.

Eu acordei com os olhos grandes e azuis de Sergio fitando meu rosto. Abri lentamente eu vê-lo ainda embaçando, só depois pude perceber que ele estava chorando. Eu coloquei toda a minha força em meu braço até chegar com minha mão em seu rosto. Sequei suas lagrimas com meu dedo indicador e isso o fez chorar mais ainda. Um choro abafado e desesperado. Me abraçou tão forte que eu senti tudo que ele queria transmitir.
— Eu prometo que você vai ficar bem meu amor... Isso vai passar. – Eu não entendi as palavras dele, eu não conseguia ainda falar. Estava tão fraca. Eu queria perguntar tanta coisa.
Eu queria saber onde estava minhas amigas, eu o olhei e talvez ele tenha entendido. Saiu da sala, eu entendia a expressão dele. Ele estava com receio de olhar pra mim. O que será que tinha acontecido com meu rosto? Meu corpo estremeceu, eu não sabia de nada que tinha ocorrido.
Me senti muito fraca e adormeci der repente...

‘Coloquei a mão no peito. Relembrar isso dói tanto... tanto que eu não sei o que pode ser pior do que essa dor. Eu estou na frente delas e não quero chorar de novo. Não quero quebrar mais uma promessa mais foi inevitável. As lagrimas invadiram meu rosto violentamente, e eu estou soluçando como uma louca. Minhas pernas tremeram e eu cai ajoelhada em cima das rosas o que fez que algumas delas voassem ao meu redor. As gotas caiam naquela grama onde Nick e a Patrícia me olhavam sorrindo. Fechei meu punho e respirei fundo tentando parar de chorar. Foi inútil, lembrei de quando eu acordei no hospital e me deram a pior noticia da minha vida... ’

“Eu acordei atordoada e não vi ninguém no meu quarto. Me sentei na minha cama. Parecia estranho. Olhei para minhas mãos e não vi nenhum arranhão. Minha mão estava muito tremula com o medo mais criei coragem e fui passando vagarosamente a mão pelo meu rosto.
Senti uma pequena costura acima da minha sobrancelha e sorri aliviada. Até Sergio chegar e me puxar para seus braços.
— Amor, o que aconteceu? Como estão Nick e Patrícia? E o carro? – Ele me interrompeu com um sorriso.
— Calma, vou responder sua pergunta... Bem, você esta nesse hospital já faz exatamente 3 semanas. Você estava em coma meu amor. Eu fiquei tão feliz de ver você acordando naquele dia que meu coração não parava de pular- Eu sorri. – Bem... você não sofreu nada, apenas um arranhão, e o carro... como posso dizer. Acho que não terá como você andar mais nele. – Eu fiz uma cara meio desapontada
— Você não me respondeu uma pergunta Sergio. Minhas amigas, eu preciso ver elas. – tentei me levantar da cama, mais seu braço me impediu, ele virou lentamente de costas.
— Por que você não me responde? – Falei irritada. Ele deu uma respirada muito funda e eu estranhei. Empurrei seu braço e corri para sua frente, meu amor estava chorando como um neném, não queria olhar nos meus olhos. Uma pontada de dor e de agonia veio em meu peito, comecei a me tremer
— SERGIO... ME FALA O QUE ACONTECEU... SERGIO- Eu segurei seu braço o sacolejando e gritando. Ele colocou minha cabeça em seu peito. Seu coração estava tão disparado quando o meu. Molhei sua camisa com minhas lagrimas e ele molhou meus ombros com as suas.
— Fernanda... Depois do acidente uma viatura da policia... – Ele dava pausas de soluços. – Eles levaram você imediatamente para o hospital da capital. E eu vim aqui o mais rápido que eu pude. E quando eu cheguei... Eu vi você, você estava ótima. Mais quando... quando... – Seus músculos tremeram – Quando eu vi Nick e Patrícia... – Eu o fitei assustadamente. Minhas mão suavam e eu não parava de tremer um segundo.
— O estado delas estava critico. Elas estavam em coma assim como você... – a pausa dele foi tão longa que eu não agüentei e gritei
— FALA LOGO!- Trinquei meus dentes
— Ontem na hora que você desmaiou, foi à hora que elas faleceram.
Eu cai sentada no chão de olhos arregalados olhando pro nada. Sergio segurou meu braço e eu estava tremendo tanto que meus cabelos pareciam estar em movimento, eu apertei meus punhos e para aliviar a dor que eu estava sentindo eu gritei. Gritei tão auto que os médicos vieram correndo e me viram em desespero. Eu comecei a chorar e gritar desesperada. Soquei o chão
— NÃAAAAAAAAAAAAAO! AAAAAAAAAAAAARGH – Eu segurava o braço de Sergio enquanto ele tentava me levantar daquele chão frio.
Eu escutava meu grito ecoando em todo o hospital. E pessoas chegavam para ver o que se passava pela minha porta.
Meus olhos foram vendo só o escuro. Um escuro que meu coração estava sentindo.
O vazio tomou conta de mim naquele dia.
Eu não tive a devida coragem de ir ao velório. Eu não podia ver minhas amigas a ultima vez dentro de um caixão. E no enterro eu vi Sergio próximo do caixão chorando e sempre olhando pros lados pra ver se me via. E eu estava naquela porta enorme “Santa Luzia”. Olhando os caixões vagarosamente entrarem naquele buraco enorme e fundo.
Vi quase todo meu coração indo embora junto com elas. Vi metade da minha vida se despedaçando ali.

‘ Então se passaram um ano e meio da morte delas e eu estou aqui em frente à foto delas sorrindo para mim com a mão no peito. Toquei vagarosamente a lapide delas e eu sorri. O que me conforta ainda é que eu disse tudo que sentia para elas antes da morte. E o que eu nunca vou esquecer é que toda a culpa da morte é minha. Elas morrem por minha irresponsabilidade. Peguei na minha mochila um pequeno som, e coloquei nossa musica favorita, eu sentia que elas estavam comigo e sentia que elas curtiam a musica comigo naquele momento.Quando começou o refrão
“That\'s what you get when you let your heart win, whoa
That\'s what you get when you let your heart win, whoa
I drowned out all my sense with the sound of this beating
And that\'s what you get when you let your heart win, whoa …”

Eu escutei suas vozes cantando aquela musica junto comigo. A intensidade da nossa amizade era inexplicável. As nuvens já tinham sumido completamente e eu conseguia ver o lindo crepúsculo. A musica tocou e eu queria sentir alguma prova de que elas estavam ali comigo.
— Me abracem... – Saiu sem pensar e minhas lagrimas saíram abafadas.
Então, eu senti um vento forte em minha direção. Um vento gostoso e caloroso.
Foi o ultimo abraço que eu senti das minhas melhores amigas...

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado da minha historia.
Não foi basiada em fatos veridicos, mais , de sonhos que eu tive !
Queria que dessem comentarios sobre a Fic
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.