Fomos

1 1º Capítulo: Quando realmente se chora.


Notas iniciais
Cry é uma música da kelly Clarkson do seu quarto CD "All I Ever Wanted".

If anyone asks I\'ll tell we both just moved on

Se alguém perguntar, eu vou dizer que nós dois simplesmente seguimos em frente

When people all stare I pretend that I don\'t hear them talk

Quando as pessoas ficam olhando, eu finjo que não as ouço falar

Whenever I see you I\'ll swallow my pride and bite my tongue

Toda vez que eu te ver, vou engolir meu orgulho e morder a minha língua

Pretend I’m okay with it all

Fingir que estou bem com isso tudo

Act like there\'s nothing wrong

Agir como se não tivesse nada errado.

Ali estavam, um de frente para o outro, ele nunca foi de chorar e ela apesar de toda sua persona emotiva engolia o choro a seco, levantava o olhar como se fingisse que nada estivesse acontecendo.

Parecia de propósito e tratando-se de Gregory House, provavelmente era. Ele devia ter seguido os passos dela nos últimos dias, ao longe.

Ela mudara toda sua rotina para que os horários não batessem, para que as chances de se verem pelos corredores fossem mínimas, praticamente nulas.

E ali estavam novamente, um de frente para o outro, Wilson ao lado dele. Lisa Cuddy sorria politicamente, por dentro tudo queimava.

- Nossa, já havia pensado que você tinha deixado o hospital... Ah não, esqueci, isso é tudo que você tem. – ele falou firmemente, mas evitando os olhos dela.

James Wilson sabia muito bem tudo que havia acontecido, por isso, de bom grado, deu uma cotovelada em House. Ele não tinha direito de ser assim, falar assim, agir assim, como se todos os últimos meses fossem espumas ao vento.

- Pro seu azar eu não deixei o hospital não é mesmo? – tentou passar por ele, que não deixou. – Sabe, minha capacidade física é muito superior à sua, eu posso andar um pouco mais rápido que o normal e você não vai conseguir me parar. – Wilson o puxou pelo braço removendo-o do caminho, virou se para ele e disse – Quem não tem nada fora daqui House é você, e a culpa é toda sua.

- Por que você não pode ser um humano normal e quando um relacionamento acabar, chorar?

- Chorar pelo quê? Não foi nada demais. – House, dando ombros.

Cuddy apertou o passo, o salto contra o chão fazia mais barulho que o normal, ela precisava chegar rápido em sua sala.

A Sala de Gregory House tinha todas as persianas fechadas, como ele gostava, dispensou Wilson e lá entrou.

Is it over yet?

Já acabou?

Can I open my eyes?

Posso abrir meus olhos?

Is this hard as it gets?

Isso é tão difícil quanto parece?

Is this what it feels like to really cry?

É assim que se sente quando realmente se chora?

Ela se sentou pesadamente em sua cadeira, deixando as lágrimas rolarem abundantemente. Por tantos anos ela deixou todos aqueles sentimentos escondidos, guardados para que não fossem violados, corrompidos, isso já não era mais possível.

Eles haviam se tornado aquele “nós” de novo, e por um momento – de ingenuidade, podemos dizer – ela acreditou que daria certo, finalmente, certo do jeito deles, com todas as incertezas sempre presentes, porém de alguma forma eles sempre seriam capazes de contorná-las.

Chorando como criança, soluçando, Lisa Cuddy amaldiçoava-se por não ter feito nada para barrar tudo aquilo que agora a tragava, como um buraco negro. Sua assistente batia na porta, contudo ela não tinha forças para levantar.

Como olhar na cara de qualquer um daquela porta para fora e dizer que ela estava miserável por conta de um médico que ninguém acredita ter sentimentos. E droga, todos eles tinham razão.

Ele se apoiava pesadamente na bengala, odiando-se. O rosto vermelho, quente, como se fosse explodir, como se estivesse guardando o mundo dentro do peito. Os olhos arregalados forçando-o para a realidade daquele momento.

Ele não seria tolo de dizer que a amava desde a faculdade, de que aquele sentimento esteve ali daquela forma o tempo todo. Estaria mentindo. Ele oscilava entre amor e ódio, entre amizade e desejo, entre tudo e nada. E era, tudo e nada ao mesmo tempo.

Nem todo vicodin do universo engolido duma vez só deixá-lo-ia entorpecido o suficiente para não sentir ao menos uma pequena pena de si próprio. Estava sozinho e dessa vez, sem dúvida alguma, de forma definitiva.

Largou a bengala no chão e encostou a testa na parede, de olhos fechados e respiração pesada. Cenas passavam de forma febril em sua mente, uma onda de saudade, de medo lhe inundou e com o punho cerrado socou a parede com ira, começou a rir melancolicamente.

Ele a havia perdido.

If anyone asks I\'ll tell them we just grew apart

Se alguém perguntar eu vou dizê-los que nós nos separamos

And what would I care if they believe me or not

E do que me preocuparia se eles acreditam em mim ou não

Whenever I feel your memory is breaking my heart

Qualquer momento que eu sentir que sua memória está quebrando meu coração

I\'ll pretend I’m okay with it all

Eu vou fingir que estou bem com tudo isso

Act like there\'s nothing wrong

Agir como se não tivesse nada errado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.