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14 We seek a killer


— Olá, Stiles _ Disse cordialmente.

Fiquei estático encarando o homem de aparência dócil, mas que poderia representar um perigo eminente.

Seria arriscado confrontar um “desconhecido”? Obviamente que sim, mas quem liga?

— O que está fazendo aqui? _ Perguntei ríspido.

Alaric teve a audácia de fazer cara de desentendido.

— O que você está fazendo aqui?_ Rebateu.

Ele arqueou a sobrancelha e olhou em volta.

— É um cemitério.

Esperei que continuasse, mas ficou-me encarrando.

Suspirei.

— O que você veio fazer no cemitério?

— Apreciar a decoração? _ Respondeu fazendo graça.

Não respondi nada.

— Desculpe. Vim visitar o tumulo da minha esposa e acabei encontrando o tumulo de uma velha amiga. _ Explicou.

— Uma velha amiga?

Ele deu um passo para o lado o que permitiu a visão da inesquecível lapide da minha mãe.

— Você gostaria de tomar um chá? _ Perguntou já caminhando para longe.

Olhei mais uma vez para lapide da minha mãe: Amada esposa e mãe.

Apressei o passo e não olhei para trás.

Sr. Alaric morava em um apartamento “universitário”, dizer que poderia ser considerado universitário seria um insulto à capacidade de organização de qualquer jovem em sua vida acadêmica. Meu quarto em seus dias mais deprimentes estaria mais organizado do que este lugar. A lata de lixo que deveria servir apenas para papeis e outras coisas sem odor estava completamente lotada de coisas nojentas. Tentei manter a linha finíssima como sempre, mas confesso que estava bem difícil.

Um pouco sem jeito, sentei no único espaço limpo que tinha no sofá enquanto ele preparava um chá de sei lá o que. Fiquei olhando em volta e constatei que Alaric é extremamente desorganizado e que não tinha senso de higiene.

— Chá de camomila. Espero que goste _ Disse entrando na sala com duas xicaras de chá.

Não gosto, mas é claro que iria beber.

— Gosto sim. _ Respondi sorrindo educadamente _ Obrigado.

Ele sentou em uma poltrona bem confortável ficando de frente pra mim. Bebeu um gole do chá e deu um breve sorriso cumplice.

— Imagino que você esteja se revirando em perguntas.

Nossa! Descobriu o Brasil.

— Estou um pouco curioso. _ Dei um sorriso amarelo.

— Beba o chá.

Bebi um gole e depois outro. Tenho que admitir que mesmo não gostando de chá de camomila, aquele tinha um gosto diferente. Era como se o chá estivesse limpando o meu corpo, começando pelos dedos dos meus pé e indo até o mais complexo dos meus órgãos.

Puta que pariu. Eu estava chapado!

— Acho melhor eu ir... _ Disse de forma lenta e preguiçosa tentando me levantar, mas meu corpo não me obedecia.

Alaric riu. Não de forma maldosa, mas um sorriso afetuoso.

— Não farei nada de ruim com você _ Disse levemente de forma protetora.

Apesar da minha situação presente não ser nenhum pouco agradável e aparentemente segura, eu confiava nele e com esse pensamento adormeci. Não me recordava de ter tido um sono tão tranquilo e calmo desde que minha mãe tinha morrido.

Acordei completamente feliz e descansado. O que de fato foi uma sensação rápida, pois eu não sabia que raio de quarto bagunçado era aquele.

Levantei em um pulo. Uma breve checada e ótimo, eu estava completamente vestido. Passei as mãos pelo cabelo para tentar arrumar a possível juba já que eu havia decidido deixar crescer.

Sai do quarto estranho e aos poucos comecei o lembrar do que tinha acontecido. Mas que merda, eu estava no apartamento do meu professor de história que ainda pior, tinha me drogado. E se ele tivesse... Sei lá... Abusado de mim ou coisa pior? Fui andando em passos leves com o intuito de sair sem ser visto o que eu deveria saber que jamais iria acontecer.

— Bom dia _ Disse Alaric animadamente da cozinha.

Fiquei parado esperando o pior.

— Não seja idiota, se eu quisesse fazer alguma coisa com você eu já teria feito _ Disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

Fiquei irritado.

— Levando em conta que você me drogou _ Rebati de forma brusca.

— Não precisa agradecer _ Disse dando as costas _ O nome do chá é Ayahuasca. Muito útil em espíritos tão inquietos como o seu.

Fiquei processando a informação. Ele me deu todo o tempo do mundo para fazer isso.

— Espíritos inquietos? Como que é o negocio? _ Perguntei coçando a cabeça.

Ele riu e apontou para uma das cadeiras. Sentei-me e logo em seguida Alaric me serviu uma xícara de café. Olhei desconfiado.

— É só café! _ Exclamou ofendido.

Tomei um gole e ele deu um risinho.

— Digamos que tudo isso que está acontecendo com você é de responsabilidade da sua mãe. Ela era uma mulher muito importante na comunidade cientifica, mas em determinado momento do trabalho ela teve que vir para esta cidadezinha sem vida e conheceu o seu pai.

Meu celular começou a tocar. Como é que essa porcaria tinha ido parar na bancada da pia? Alaric pegou pra mim. Isaac me ligando. Já? O que o amor não faz com a pessoa? Ignorei a chamada e esperei ele continuar a contar a historia da minha mãe.

— Desde quando minha mãe era uma cientista? _ Perguntei confuso.

— Eu nunca disse que ela era uma cientista, só disse que ela foi muito importante para a comunidade cientifica. _ Respondeu sem emoção.

Fiquei em silencio. Sempre fui louco para saber um pouco mais sobre minha mãe, sempre fui louco para saber o motivo de ela ter me dito aquelas coisas um pouco antes de morrer. Mas agora que a verdade estava praticamente na minha frente eu não sabia se queria sair da minha zona de conforto.

— Sua mãe e minha esposa eram obcecadas por uma espécie de seres sobrenaturais. Durante muito tempo de pesquisa as duas e mais um grupo de cinco pessoas conseguiram provar a existência desses seres. Seis pessoas foram brutalmente assassinadas para que o mundo não descobrisse a existência desses seres.

Fiz um sinal qualquer com as mãos para que ele parasse de falar. Era muita informação.

— Minha mãe foi assassinada? _ Perguntei relutante.

Alaric pareceu surpreso.

— Claro que não. Ela foi à única que sobreviveu aos ataques.

Por um momento fiquei feliz, mas depois me dei conta de que foi por isso que a esposa dele havia morrido. Uma enorme tristeza tomou conta e só percebi que estava chorando quando Alaric, gentilmente me ofereceu um lencinho.

— Sinto muito por sua esposa. _ Disse com sinceridade.

— Isobel sabia o que estava fazendo, mas obrigado. Por onde continuar, quando os ataques aconteceram sua mãe já estava envolvida com o seu pai e gravida de você. Claudia sempre foi muito inteligente e quando percebeu que era perigoso se envolver com aqueles seres ela logo se escondeu. Mas isso não foi o suficiente para protegê-los de todo o resto.

Fiquei tenso.

— Que resto? _ Perguntei aflito.

— Nunca se perguntou o porquê de sempre acontecer tudo de ruim e sobrenatural em Beacon Hills? Ou melhor, nunca quis saber o motivo de você sempre estar no meio?

— É claro que já! Mas nunca tive uma resposta concreta então sempre resolvi ignorar.

Ele balançou a cabeça em sinal de negação e levantou da cadeira. Só quando Alaric colocou um prato tamanho família cheio de cookies na mesa que eu percebi que estava com fome, muita fome. Sem cerimonia eu fui logo pegando uns dois. Ele não ficou incomodado.

— Beacon Hills funcionava como um portal, uma espécie de equilíbrio natural. Mas algumas criaturas e também algumas pessoas tem buscado o poder desse equilíbrio natural. Nogitsune quase conseguiu destruir este equilíbrio.

— Como?

— Destruindo você. Stiles, Você é o equilíbrio. É a sua herança.

Fiquei tonto. Não! Eu sou apenas um adolescente normal, nem tanto se levarmos em conta que eu não tenho espinhas. Mas sou normal.

— Você não vai desenvolver nada de estranho ou coisa do tipo, pode ficar tranquilo. Coma seus cookies!

Obedeci sem reclamar.

— Sua mãe era a única que sabia sobre essa herança sobrenatural e por isso você não teve nenhum aconselhamento ou treinamento necessário para enfrentar o nogitsune. Mas de agora em diante tudo será diferente.

— Diferente como? _ Perguntei eufórico.

Meu celular tocou mais uma vez. Nem me dei ao trabalho de ver quem era.

— Assunto para outro dia _ Disse encerrando a conversa.

Até tentei protestar, mas pelo jeito que ele me olhou eu sabia que nada o faria mudar de ideia.

— Acho que é melhor você ir para sua casa _ Disse gentilmente.

Concordei com um breve aceno de cabeça e levantei da cadeira.

— Stiles? _ Chamou baixinho.

Voltei bruscamente pensando que ele poderia ter mudado de ideia e resolvido me contar alguma coisa a mais sobre minha mãe.

— As criaturas que minha esposa e sua mãe estavam estudando são vampiros.

Senti todos os pelos do meu corpo se arrepiando. Como eu fui tão burro de não ter perguntado isso ainda?

— Só mais uma coisa, mandei uma mensagem do seu celular pro seu pai falando que você ia dormir na casa de um amigo.

— Mas como você sabia a senha do meu celular? _ Perguntei com falsa irritação.

— Ursinhos carinhosos não é uma senha muito difícil _ Disse sorrindo.

Enquanto eu dormia feito uma pedra, Alaric tinha buscado meu carro no cemitério. Fui dirigindo bem devagar até minha casa. Não tinha nada pra fazer mesmo. Assim que estacionei o meu jipe eu percebi que passaria mais um dia sozinho. Casa toda fechada, sinal de dia cheio na delegacia.

Entrei em casa e fui direto pro meu quarto tomar um banho para fazer um tour. Infelizmente só cantei músicas tristes. Coloquei minha típica roupa confortável de sempre e me deitei na cama para ler as mensagens. NOSSA! DEZ MENSAGENS DO ISAAC. Todas do tipo: “Onde você está?”, “Idiota, atende a merda do celular”, “To preocupado”, “Vagabunda”. Resolvi ligar de uma vez. Ele atendeu no segundo toque.

Você sabe que eu sou um lobo com poderes sobrenaturais que incluem uma força sobrenatural?— Perguntou calmamente.

Sei— Respondi mais calmo ainda.

Então, caralhos, por que você não respondeu nenhuma das minhas mensagens e nem atendeu nenhuma das minhas ligações? Fiquei muito preocupado.

Tenho tanta coisa pra te contar que nem sei por onde começar.

Você vai começar abrindo a porta— E desligou na minha cara.

Levantei entediado e fui abrir a porta para ele.

— E ai? _ Cumprimentei educadamente.

Isaac me abraçou forte e quase chorou. Por um segundo pensei que era brincadeira, mas o coração dele estava disparado.

— O que aconteceu? _ Perguntei sério.

— Mendy foi assassinada _ Respondeu baixinho.

Não escutei mais nada, apenas um silêncio perturbador. O mesmo silêncio conhecido e odiado por mim. Quando minha mãe morreu e eu recebi a noticia foi assim. Um momento de silêncio sabendo que jamais veria aquela pessoa, mas no caso de Mendy, eu acharia o assassino.