Follow Me
18 Together
Cada dia que passa eu me sinto mais distante desse mundinho. Antigamente a ideia de ir embora era assustadora, no entanto a ideia de ficar aqui que é assustadora. Tudo mudou de uma maneira tão notável e eu só prestei atenção em mim. Quando eu decidi que não iria mais me importar com quem não se importava comigo eu não imaginava que muita coisa poderia mudar. Tenho que aguentar as consequências e seguir enfrente. O motivo desse momento de reflexão e drama? Estou tomando banho e pensando na vida!
Brigar com Theo não teve tanta importância quanto eu pensei que teria. Acho que finalmente aprendi a separar as coisas. Estou virando gente. Pensar está me dando dor de cabeça. Dor e febre não tem como aguentar.
Estou correndo todos os dias de manhã antes de ir para a escola e depois tenho treino de lacrosse três dias por semana, nesse ritmo eu vou acabar morto. O que acontece é que estou com muita dor de cabeça e o treino foi de matar. Jackson voltou e com ele as admiradoras (oferecidas) que babam no abdômen dele. Vamos a um resumo do treino: garotas gritando; Jackson sem camisa e sem vergonha na cara (posso até gostar de garotos, mas eu tenho dignidade); uma breve competição entre Jackson x Scott; Isaac com tédio... Uma droga!
O pior é que no sábado tem um baile de primavera/verão/inverno/outono não tenho ideia. Lydia argumentou que eu tinha marcado de ir com ela faz tempo, e como sempre eu havia esquecido. Ganhei um tapa na cara por ter esquecido, mas que culpa eu tenho se não consigo nem lembrar do que eu comi ontem?
Sai do banho e dormi por um bom tempo com Snow ao meu lado na cama, quando acordei já era 20h38min da noite. Pela graça de Deus meu pai estava em casa e... Cozinhando? Eu não to entendendo mais nada. Fiquei encostado no batente da porta apenas esperando ele me notar. E como sempre ele não me notou!
— Olá _ falei/gritei.
Meu pai deu um pulinho devido o susto.
— Stiles! Não me assuste desse jeito, já não sou tão novo assim.
Bufei e fui ajudar ele a fazer o que quer ele esteja fazendo.
— Terceira idade, né.
Ele arqueou a sobrancelha e apontou a colher de pau na minha cara (eita).
— Nem pense em fazer piadinhas com duplo sentido.
Levantei as mãos em forma de rendição.
— Então, posso saber o motivo de tudo isso? _ perguntei apontando para as panelas.
— Eu estava no trabalho e lembrei que quase nunca cozinho nada em casa _ começou receoso _ e você sabe quem em breve não vamos mais morar juntos... Eu só queria... Você sabe... Alguns momentos de pai e filho.
Sorri e fui ajudar meu pai a preparar o que eu descobri ser uma lasanha. Confesso que fiquei com um pouco de medo de comer a tal da lasanha. Quando eu era pequeno meu pai não cozinhava bem (uma tragédia), espero que isso tenha mudado.
Servi um pouco e sentei na cadeira. Comemos em silêncio. Devo admitir que a comida estava ótima. Não sou fã de ficar quieto por muito mais do que dois minutos, mas infelizmente o meu pai era. Esse momento de pai e filho me fez lembrar de um possível momento marido e esposa. Será que meu pai sabia a verdade por trás da morte da minha mãe? Certamente eu não sou provido de tanta coragem assim para perguntar.
Meu disse que lavaria a louça. É impressão minha ou eu estava tendo um dia de princesa? Mas resolvi ajudar, alguma coisa havia acontecido para toda essa atenção. Ele lavou e eu sequei, até que tentei ficar com a boca fechada, mas é aquele ditado...
— Pai, o que está acontecendo? _ perguntei sem rodeios.
Ele deu de ombros e continuou lavando a louça. Desliguei a torneira e fiquei encarando com cara de bravo.
Meu pai suspirou e fechou os olhos com força.
— Stiles, você tinha alguma coisa com a Mendy? Tipo, um relacionamento?
— Uns beijotes contam? Você sabe que...
Ele socou a pia com raiva. Dei um passo para trás.
— Isso é sério! _ exclamou irritado _ Você sabe que eu estive em muitas viagens para Portland, mas não sabe o real motivo. Não posso exigir sua proteção sem nem ao menos explicar o motivo.
Ele finalmente me encarou e eu vi muito medo.
— Um pouco antes de conhecer a sua mãe eu tinha uma noiva. Eu amava muito ela e também amava o meu trabalho, mas conforme eu ia me dando bem muita gente ia se dando mal.
— Pai, senta e vamos com calma.
Peguei no braço dele e juntos sentamos na cadeira um de frente pro outro.
— Continua _ pedi baixinho já odiando a provavelmente trágica história.
Ele ficou um tempo em silêncio e eu respeitei isso.
— Em uma determinada fase de bons casos da minha carreira eu peguei um caso difícil. Um homem que gostava de formar letras com o corpo das vitimas, um serial keller. Demorou um ano, mas cheguei muito perto de prender o cara. Houve uma troca de tiros e a parceira dele morreu, eu matei a parceira dele.
— O que aconteceu com o cara? _ perguntei.
— Ele fugiu e foi ai que o meu inferno começou. Aproximadamente depois de uma semana, comecei a receber bilhetes com a palavra Revenge. Eu sou um idiota, muito idiota. Minha noiva foi a ultima vitima dele por anos. A única diferença do corpo dela para os outros foi à palavra Stilinsk escrita na barriga dela com uma faca.
Fiquei atônito. A forma como ele admitiu tudo isso partiu o meu coração.
— Ela estava grávida.
Isso é terrível.
Por fim, ele segurou minha mão e chorou. Chorei junto.
— Eu quero que você tenha muito cuidado _ pediu _ Sempre ande com o celular e com spray de pimenta e não confie em ninguém. Acredito que ele tenha voltado e que ainda quer vingança.
Prometi que iria ter cuidado e que nunca iria confiar em ninguém, apenas nele.
Ficamos um bom tempo apreciando o silêncio, cada um em seu mundo, em sua própria confusão mental. É incrível o quanto as pessoas conseguem esconder tão bem o sofrimento.
—___________________
Quando eu disse/prometi pro meu pai que não iria confiar em ninguém isso não incluía o Isaac. Isso mesmo, contei tudo pra ele. Se a situação não fosse tão trágica eu teria ficado encantado com o jeito que ele lidou com tudo isso. Nunca tive uma atenção tão verdadeira em minha vida e claro, ele chorou também. É com esse tipo de pessoa que eu quero envelhecer, o tipo que se importa com o seu sofrimento e que cuida de você independente de tudo.
Resolvemos matar aula, nenhum de nós conseguiria prestar atenção em nada mesmo. Ele ficou em casa comigo e com Snow. Acho que fiquei muito emotivo porque enquanto ele dormia encolhido com o meu cachorro, Theo ligou pela milésima vez e eu atendi.
— Que bom que atendeu.
— O que você quer? _ perguntei ríspido.
— Stiles, eu quero que você tente entender o meu lado.
Quase dei uma gargalhada.
— Que lado?
Ele demorou um pouco pra responder.
— Tudo o que tenho feito é pra te proteger.
— E como deixar alguém apanhar vai me proteger?
— Eu não bati nele e só fiquei sabendo do que tinha acontecido depois. Sei que você está com raiva e quer me culpar por tudo, mas vamos pelo menos conversar e depois você decide se não quer mais nada comigo, que tal?
Que mal teria em conversar com ele?
— Onde?
Pude visualizar perfeitamente a expressão de vitória dele, só em sonhos que ele tocaria nesse corpinho de novo.
— Na minha casa? _ sugeriu.
— Não! Vamos ao parquinho da cidade, sábado de tarde.
— Você sabe que no sábado só tem crianças barulhentas?
— Sei!
Theo até que tentou alongar a conversa, mas eu desliguei na cara dele.
O resto do dia foi bem preguiçoso e até que legal. Meu pai apareceu aqui e resolveu ficar também. Comemos doces e assistimos Rupauls Drag Race. Por volta das seis meu pai levou Isaac pra casa dele e eu fiquei com Snow. Aproveitei e fiz uma lista das qualidades e defeitos de quem eu julgava... Não sei... Transavel?
Cheguei à conclusão que eu queria transar com muita gente. Estou virando putiane por causa do Isaac. Coitado, não pega nem gripe.
O primeiro da lista era Derek. Nem sei se ele está na cidade, quando Scott dormiu aqui ele comentou que Derek estava no México. Não custa nada tentar.
Mandei uma mensagem perguntando se ele estava na cidade. Menos de dois minutos ele respondeu:
— Jantar hoje no loft?
Abri um sorriso bem largo.
— Hoje! 20h30min.
Nem esperei uma resposta e fui tomar um banho. Ele tem que dar muito valor. Tomei banho nesse frio que tá e ainda usei meu perfume caro. Graças aos meus amigos Coreanos eu comecei a me depilar com frequência. Coloquei uma calça jeans escura, minha camiseta nova e só pra abalar coloquei minha jaqueta de couro. É hoje!
Meu pai chegou e ficamos matando o tempo assistindo um jogo de baseball. Devo admitir que gostei um pouco. Quando deu 20h15min eu disse que iria sair. Foi difícil e estranho. Obviamente eu estava arrumado demais para ficar em casa e qualquer pessoa deduziria isso apenas olhando e pra olhar basta ter olhos.
Ele argumentou e argumentou falando que era perigoso e que eu deveria ficar em casa... No fim eu sai e tive que prometer que mandaria uma mensagem a cada meia hora.
O caminho foi rápido, mas deu um friozinho na barriga que só por Deus. Quase desisti na hora de subir as escadas, mas eu não vou pagar esse mico! Subi a porcaria da escada determinado e bati com força na porta dele. Ele abriu no primeiro toque. Porra.
Descrever a sensualidade de Derek Hale é a mesma coisa que tentar pegar o ar. Aquele olhar de ator pornô que mexe com a minha alma e me deixa louco e a barba, só Jesus na causa. Ficamos olhando descaradamente um pro outro. Senti meu rosto esquentar. Ele deu uma risadinha charmosa. Estou falando igual aquela menina do 50 tons de cinza. Imagina o Derek com um chicote. Nossa senhora!
— Daria tudo pra saber o que você tanto pensa.
Dei um sorriso envergonhado.
— Estou pensando na crise.
Ele riu e me convidou a entrar.
O jantar foi simples e romântico. Derek é meio calado, mas não do tipo chato e sem opinião. Conversamos sobre qualquer coisa menos sobre seres sobrenaturais. O que foi muito legal. Um dos motivos para tanta recusa era essa coisa de ser um lobisomem. Eu sei que uma coisa não some se você não falar mais nela, mas já é um bom caminho andando.
Depois de jantarmos, ficamos conversando no sofá com o gatinho dele no meu colo exigindo carinho. Fiquei sabendo que o pack já não era lá essas coisas e que Jackson queria fazer parte da “família”. Ao que parece o menino Isaac está mais calmo e de certa forma feliz também. Fiquei muito contente com isso e Derek percebeu.
— Você e o Isaac estão juntos faz tempo?
Quase gritei. Até parece, né.
— Já faz uns meses e vamos adotar uma criança _ falei com muita sinceridade.
Ele gelou e ficou me encarando assustado.
— É brincadeira.
Derek ficou vermelho de raiva, mas depois ficou aliviado.
— Você não presta.
— Eu sei.
Coloquei o gatinho no chão e sentei no colo do Derek. Ele ficou sem reação por alguns segundos, mas depois segurou firme na minha cintura e me lançou um olhar sacana.
— Posso saber por que você mudou de ideia em relação a nós?
Fiz um carinho na nuca dele e beijei aquela boca perfeita. Foi um beijo sexy e molhado, com direito a chupão. Cada vez mais ele me apertava eu praticamente masturbava a língua dele e ele suspirava. Parei o beijo e dei um sorriso maldoso.
— Ainda não existe nós.
— Ainda!
Fale com o autor